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Jó 9, 28

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Matos Soares

28temo por todas as minhas obras, sabendo que não perdoas ao culpado.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a negligência não pode ser pecado mortal. Pois uma glosa de Gregório (Moral. IX, 34) sobre Jó 9,28: «Temia todas as minhas obras», etc., diz que «o amor demasiado pequeno a Deus agrava a primeira», isto é, a negligência. Ora, onde há pecado mortal, o amor a Deus é totalmente aniquilado. Logo, a negligência não é pecado mortal. Objeção 2: Ademais, uma glosa sobre Eclesiástico 7,34: «Purifica-te com poucas coisas por tuas negligências», diz: «Embora a oferta seja pequena, ela purifica as negligências de muitos pecados.» Ora, isto não se daria se a negligência fosse pecado mortal. Logo, a negligência não é pecado mortal. Objeção 3: Ademais, na Lei foram prescritos certos sacrifícios para os pecados mortais, como aparece no livro do Levítico. No entanto, nenhum sacrifício foi prescrito para a negligência. Logo, a negligência não é pecado mortal. Em contrário, está escrito (Provérbios 19,16): «Quem negligencia a sua própria vida [Vulg.: 'caminho'] morrerá.» Respondo que, como foi dito acima (A.2, resp. à obj. 3), a negligência provém de certa remissão da vontade, resultando daí falta de solicitude por parte da razão em ordenar o que deve ordenar, ou como deve ordenar. Por conseguinte, a negligência pode ser pecado mortal de dois modos. Primeiro, por parte daquilo que é omitido por negligência. Se isso for um ato ou uma circunstância necessária para a salvação, será pecado mortal. Segundo, por parte da causa: pois se a vontade é tão remissa acerca das coisas divinas que se afasta totalmente da caridade de Deus, tal negligência é pecado mortal; e isto se dá principalmente quando a negligência é devida ao desprezo. Se, porém, a negligência consiste na omissão de um ato ou circunstância que não é necessária para a salvação, não é pecado mortal, mas venial, desde que a negligência não provenha de desprezo, mas de alguma falta de fervor, à qual o pecado venial é um obstáculo ocasional. Resposta à objeção 1: O homem pode dizer-se que ama menos a Deus de dois modos. Primeiro, por falta do fervor da caridade, e isto causa a negligência que é pecado venial. Segundo, por falta da própria caridade, sentido em que dizemos que um homem ama menos a Deus quando O ama com um amor meramente natural; e isto causa a negligência que é pecado mortal. Resposta à objeção 2: Segundo a mesma autoridade (glosa), uma pequena oferta feita com mente humilde e por puro amor purifica o homem não só do pecado venial, mas também do mortal. Resposta à objeção 3: Quando a negligência consiste na omissão daquilo que é necessário para a salvação, é arrastada para outro gênero de pecado mais manifesto. Porque os pecados que consistem em ações internas são mais ocultos, e por isso não foram prescritos para eles sacrifícios especiais na Lei, pois a oferta de sacrifícios era uma espécie de confissão pública do pecado, ao passo que os pecados ocultos não devem ser confessados publicamente.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether negligence can be a mortal sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que as dúvidas não devem ser interpretadas pelo melhor. Porque devemos julgar pelo que acontece na maioria das vezes. Ora, na maioria das vezes acontece que o mal é feito, pois “o número dos insensatos é infinito” (Eclesiastes 1,15), “porque a imaginação e o pensamento do coração do homem são propensos ao mal desde a sua mocidade” (Gênesis 8,21). Logo, as dúvidas devem ser interpretadas pelo pior, antes que pelo melhor. Objeção 2: Além disso, Agostinho diz (De Doctrina Christiana, I, 27) que “leva uma vida pia e justa aquele que é são no seu juízo acerca das coisas, e não se inclina nem para um lado nem para outro”. Ora, aquele que interpreta um ponto duvidoso pelo melhor inclina-se para um lado. Logo, isso não deve ser feito. Objeção 3: Além disso, o homem deve amar o seu próximo como a si mesmo. Ora, com relação a si mesmo, o homem deve interpretar as coisas duvidosas pelo pior, segundo Jó 9,28: “Temia todas as minhas obras”. Portanto, parece que as coisas duvidosas que tocam o próximo devem ser interpretadas pelo pior. Em contrário, uma glosa sobre Romanos 14,3: “O que não come, não julgue o que come”, diz: “As dúvidas devem ser interpretadas no melhor sentido”. Respondo que, como foi dito acima (A[3], ad 2), pelo próprio fato de que um homem pensa mal de outro sem causa suficiente, ele o injuria e despreza. Ora, nenhum homem deve desprezar ou de qualquer modo injuriar outro homem sem causa urgente; e, por conseguinte, a menos que tenhamos indícios evidentes da maldade de uma pessoa, devemos considerá-la boa, interpretando pelo melhor tudo o que é duvidoso a seu respeito. Resposta à objeção 1: Aquele que interpreta as coisas duvidosas pelo melhor pode acontecer que se engane mais vezes do que não; todavia, é melhor errar frequentemente pensando bem de um homem mau, do que errar menos frequentemente tendo uma opinião má de um homem bom, porque neste último caso é infligida uma injúria, mas não no primeiro. Resposta à objeção 2: Uma coisa é julgar as coisas, e outra julgar os homens. Pois quando julgamos as coisas, não se trata do bem ou do mal da coisa que julgamos, pois ela não sofrerá dano qualquer que seja o juízo que formemos a seu respeito; mas trata-se do bem da pessoa que julga, se julga verdadeiramente, e do seu mal se julga falsamente, porque “o verdadeiro é o bem do intelecto, e o falso é o seu mal”, como se diz na Ética VI, 2; por isso cada um deve esforçar-se para que o seu juízo concorde com as coisas tais como são. Por outro lado, quando julgamos os homens, o bem e o mal no nosso juízo são considerados principalmente da parte da pessoa acerca da qual o juízo se forma; pois ele é considerado digno de honra pelo próprio fato de ser julgado bom, e merecedor de desprezo se é julgado mau. Por esta razão, neste género de juízo, devemos visar a julgar um homem bom, a menos que haja prova evidente em contrário. E embora possamos julgar falsamente, o nosso juízo ao pensar bem de outro pertence ao nosso bom sentimento e não ao mal do intelecto, assim como também não pertence à perfeição do intelecto conhecer a verdade dos singulares contingentes em si mesmos. Resposta à objeção 3: Pode-se interpretar algo pelo pior ou pelo melhor de dois modos. Primeiro, por uma espécie de suposição; e assim, quando temos de aplicar um remédio a algum mal, seja nosso ou de outrem, para que o remédio seja aplicado com maior certeza de cura, é conveniente supor o pior, pois se um remédio é eficaz contra um mal pior, tanto mais o é contra um mal menor. Segundo, podemos interpretar algo pelo melhor ou pelo pior, decidindo ou determinando; e neste caso, ao julgar as coisas, devemos procurar interpretar cada coisa conforme ela é, e ao julgar as pessoas, interpretar as coisas pelo melhor, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether doubts should be interpreted for the best? · séc. XIII

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Jó 9, 28 nos Padres da Igreja | Aurea