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Jn 1, 17

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a união da Encarnação se seguiu a certos méritos, porque sobre o Sl 32,22: «Seja, Senhor, a vossa misericórdia sobre nós, como», etc., diz uma glosa: «Aqui se insinua o desejo do profeta pela Encarnação e o seu cumprimento merecido.» Logo, a Encarnação cai sob o mérito. **Objeção 2:** Além disso, quem quer que mereça alguma coisa, merece aquilo sem o que não pode existir. Ora, os antigos Padres mereceram a vida eterna, à qual não podiam chegar senão pela Encarnação; pois Gregório diz (Moral. xiii): «Os que vieram a este mundo antes da vinda de Cristo, por mais eminência de justiça que tivessem, não podiam, ao ser despojados do corpo, ser imediatamente admitidos no seio da pátria celestial, visto que ainda não viera Aquele que, descendo por si mesmo, devia colocar as almas dos justos no seu eterno assento.» Logo, parece que mereceram a Encarnação. **Objeção 3:** Ademais, da Bem-aventurada Virgem se canta que «mereceu trazer o Senhor de todos» [*Pequeno Ofício da B.V.M., Rito Dominicano, Antífona ao Benedictus], o que se deu por meio da Encarnação. Portanto, a Encarnação cai sob o mérito. **Em contrário,** diz Agostinho (Da Predestinação dos Santos, xv): «Quem puder encontrar méritos anteriores à singular geração da nossa Cabeça, também poderá encontrar méritos anteriores à repetida regeneração de nós, seus membros.» Ora, nenhuns méritos precederam a nossa regeneração, segundo Tito 3,5: «Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou, pela lavagem da regeneração.» Logo, nenhuns méritos precederam a geração de Cristo. **Respondo** que, quanto ao próprio Cristo, é claro pelo que foi dito acima (A. 10) que nenhuns méritos seus puderam preceder a união. Pois não afirmamos que Ele foi primeiramente um simples homem e que depois, pelos méritos de uma boa vida, lhe foi concedido tornar-se Filho de Deus, como ensinava Fotino; mas afirmamos que desde o início da sua conceição este homem era verdadeiramente o Filho de Deus, visto que não teve outra hipóstase senão a do Filho de Deus, segundo Lc 1,35: «O Santo que de ti nascerá será chamado Filho de Deus.» E, portanto, toda operação deste homem seguiu-se à união. Logo, nenhuma operação sua pôde ser meritória da união. Tampouco a necessidade de qualquer outro homem pôde merecer esta união condignamente: primeiro, porque as obras meritórias do homem são propriamente ordenadas à beatitude, que é o prêmio da virtude e consiste na plena fruição de Deus. Ora, a união da Encarnação, enquanto é no ser pessoal, transcende a união da mente beatífica com Deus, que se dá pelo ato da alma na fruição; e, portanto, não pode cair sob o mérito. Segundo, porque a graça não pode cair sob o mérito, pois o princípio do mérito não cai sob o mérito; e, por conseguinte, tampouco a graça, já que é o princípio do mérito. Logo, menos ainda a Encarnação cai sob o mérito, pois ela é o princípio da graça, segundo Jo 1,17: «A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.» Terceiro, porque a Encarnação é para a reforma de toda a natureza humana e, portanto, não cai sob o mérito de nenhum homem individual, já que a bondade de um mero homem não pode ser causa do bem de toda a natureza. Todavia, os santos Padres mereceram a Encarnação congruentemente, desejando-a e suplicando-a; pois era conveniente que Deus ouvisse aqueles que lhe obedeciam. E assim se manifesta a resposta à Primeira Objeção. **Resposta à Objeção 2:** É falso que caia sob o mérito tudo aquilo sem o que não pode haver prêmio. Pois há algo que é pré-requerido não só para o prêmio, mas também para o mérito, como a bondade divina e a graça e a própria natureza do homem. E, além disso, o mistério da Encarnação é o princípio do mérito, porque «da sua plenitude todos nós recebemos» (Jo 1,16). **Resposta à Objeção 3:** Diz-se que a Bem-aventurada Virgem mereceu trazer o Senhor de todos; não que merecesse a sua Encarnação, mas porque, pela graça que lhe foi concedida, mereceu aquele grau de pureza e santidade que a tornou apta a ser a Mãe de Deus.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 11 - Whether any merits preceded the union of the Incarnation? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Parece inconveniente distinguir seis espécies de pecado contra o Espírito Santo, a saber: desesperação, presunção, impenitência, obstinação, resistência à verdade conhecida, inveja do bem espiritual do irmão, as quais são assinaladas pelo Mestre (Sent. ii, D, 43). Pois negar a justiça ou a misericórdia de Deus pertence à incredulidade. Ora, pela desesperação o homem rejeita a misericórdia de Deus, e pela presunção, a Sua justiça. Portanto, cada uma destas é uma espécie de incredulidade, antes que de pecado contra o Espírito Santo. Além disso, a impenitência, ao que parece, diz respeito aos pecados passados, enquanto a obstinação, aos futuros. Ora, o tempo passado e o futuro não diversificam as espécies de virtudes ou vícios, pois é a mesma fé pela qual cremos que Cristo nasceu, e os antigos criam que Ele havia de nascer. Logo, a obstinação e a impenitência não devem ser contadas como duas espécies de pecado contra o Espírito Santo. Além disso, «a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (João 1,17). Logo, parece que a resistência à verdade conhecida e a inveja do bem espiritual do irmão pertencem à blasfémia contra o Filho, antes que contra o Espírito Santo. Além disso, Bernardo diz (De Dispens. et Praecept. xi) que «recusar obedecer é resistir ao Espírito Santo.» Ademais, uma glosa sobre Lev. 10,16 diz que «uma penitência fingida é uma blasfémia contra o Espírito Santo.» Do mesmo modo, o cisma, ao que parece, opõe-se diretamente ao Espírito Santo, por Quem a Igreja está unida. Portanto, parece que as espécies de pecados contra o Espírito Santo são enumeradas insuficientemente. Ao contrário, Agostinho [*Fulgêncio] (De Fide ad Petrum iii) diz que «aqueles que desesperam do perdão de seus pecados, ou que sem méritos presumem da misericórdia de Deus, pecam contra o Espírito Santo,» e (Enchiridion lxxxiii) que «aquele que morre em estado de obstinação é culpado do pecado contra o Espírito Santo,» e (De Verb. Dom. Serm. lxxi) que «a impenitência é um pecado contra o Espírito Santo,» e (De Serm. Dom. in Monte xxii), que «resistir à bondade fraterna com os ferros da inveja é pecar contra o Espírito Santo,» e em seu livro De unico Baptismo (De Bap. contra Donat. vi, 35) diz que «um homem que despreza a verdade, ou é invejoso de seus irmãos a quem a verdade é revelada, ou ingrato para com Deus, por cuja inspiração a Igreja é ensinada,» e, portanto, ao que parece, pecam contra o Espírito Santo. Respondo que as espécies acima são convenientemente assinaladas ao pecado contra o Espírito Santo tomado no terceiro sentido, porque se distinguem quanto à remoção do desprezo daquelas coisas pelas quais o homem pode ser impedido de pecar por escolha. Estas coisas são ou da parte do juízo de Deus, ou da parte de Seus dons, ou da parte do pecado. Pois, pela consideração do juízo divino, no qual a justiça é acompanhada de misericórdia, o homem é impedido de pecar por escolha, tanto pela esperança, que nasce da consideração da misericórdia que perdoa pecados e recompensa boas obras, esperança esta que é removida pela «desesperação»; quanto pelo temor, que nasce da consideração da justiça divina que pune os pecados, temor este que é removido pela «presunção», quando, a saber, o homem presume que pode obter glória sem méritos, ou perdão sem penitência. Os dons de Deus pelos quais somos retirados do pecado são dois: um é o reconhecimento da verdade, contra o qual há a «resistência à verdade conhecida», quando, a saber, o homem resiste à verdade que reconheceu, para pecar mais livremente; o outro é o auxílio da graça interior, contra o qual há a «inveja do bem espiritual do irmão», quando, a saber, o homem é invejoso não só da pessoa do irmão, mas também do aumento da graça divina no mundo. Da parte do pecado, há duas coisas que podem retirar o homem dele: uma é a desordem e a torpeza do ato, cuja consideração costuma despertar o homem para a penitência do pecado que cometeu, e contra esta há a «impenitência», não como denotando permanência no pecado até a morte, sentido em que foi tomada acima (pois assim não seria um pecado especial, mas uma circunstância do pecado), mas como denotando o propósito de não se arrepender. A outra coisa é a pequenez ou brevidade do bem que se busca no pecado, segundo Rom. 6,21: «Que fruto tínheis então naquelas coisas de que agora vos envergonhais?» A consideração disto costuma impedir que a vontade do homem se endureça no pecado, e isto é removido pela «obstinação», pela qual o homem endurece seu propósito aderindo ao pecado. Destas duas está escrito (Jer. 8,6): «Não há quem faça penitência do seu pecado, dizendo: Que fiz eu?» quanto à primeira; e, «Todos se voltaram para a sua carreira, como um cavalo que se precipita para a batalha,» quanto à segunda. Resposta à primeira objeção: Os pecados de desesperação e presunção consistem, não em descrer da justiça e misericórdia de Deus, mas em as desprezar. Resposta à segunda objeção: A obstinação e a impenitência diferem não só quanto ao tempo passado e futuro, mas também quanto a certos aspectos formais, por razão da diversa consideração daquelas coisas que podem ser consideradas no pecado, como acima foi explicado. Resposta à terceira objeção: A graça e a verdade foram obra de Cristo mediante os dons do Espírito Santo que Ele deu aos homens. Resposta à quarta objeção: Recusar obedecer pertence à obstinação, enquanto uma penitência fingida pertence à impenitência, e o cisma à inveja do bem espiritual do irmão, pela qual os membros da Igreja estão unidos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether it is fitting to distinguish six kinds of sin against the Holy Ghost? · séc. XIII

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