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Jn 1, 33

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que o Espírito Santo não procede do Filho. Porque, como diz Dionísio (Dos Nomes Divinos, i): «Não ousemos dizer coisa alguma acerca da Divindade substancial senão o que nos foi divinamente expresso pelos sagrados oráculos.» Ora, na Sagrada Escritura não se nos diz que o Espírito Santo procede do Filho, mas somente que procede do Pai, como se vê em Jo 15,26: «O Espírito da verdade, que procede do Pai.» Logo, o Espírito Santo não procede do Filho. **Objeção 2:** Ademais, no símbolo do concílio de Constantinopla (Cânon vii) lemos: «Cremos no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.» Portanto, não se deveria acrescentar em nosso Credo que o Espírito Santo procede do Filho; e os que tal acrescentaram parecem dignos de anátema. **Objeção 3:** Ademais, Damasco diz (Da Fé Ortodoxa, i): «Dizemos que o Espírito Santo é do Pai, e chamamo-Lhe Espírito do Pai; mas não dizemos que o Espírito Santo é do Filho, e todavia chamamo-Lhe Espírito do Filho.» Logo, o Espírito Santo não procede do Filho. **Objeção 4:** Ademais, nada procede daquilo em que repousa. Ora, o Espírito Santo repousa no Filho; porque se diz na legenda de Santo André: «Paz a vós e a todos os que creem no único Deus Pai, e em seu único Filho nosso Senhor Jesus Cristo, e no único Espírito Santo que procede do Pai e permanece no Filho.» Logo, o Espírito Santo não procede do Filho. **Objeção 5:** Ademais, o Filho procede como Verbo. Ora, o nosso sopro [espírito] não parece proceder em nós do nosso verbo. Logo, o Espírito Santo não procede do Filho. **Objeção 6:** Ademais, o Espírito Santo procede perfeitamente do Pai. Logo, é supérfluo dizer que procede do Filho. **Objeção 7:** Ademais, «o ato e a potência não diferem nas coisas perpétuas» (Física, iii, text. 32), e muito menos ainda em Deus. Ora, é possível que o Espírito Santo se distinga do Filho, mesmo que não proceda d'Ele. Pois Anselmo diz (Sobre a Processão do Espírito Santo, ii): «O Filho e o Espírito Santo têm o seu ser do Pai; mas cada um de modo diverso: um por nascimento, outro por processão, de modo que assim se distinguem entre si.» E mais adiante diz: «Porque, ainda que não houvesse outra razão para o Filho e o Espírito Santo serem distintos, só esta bastaria.» Logo, o Espírito Santo distingue-se do Filho sem proceder d'Ele. **Em contrário,** Atanásio diz: «O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.» **Respondo:** Deve-se afirmar que o Espírito Santo é do Filho. Pois, se não fosse d'Ele, de modo algum poderia distinguir-se pessoalmente d'Ele, como se depreende do que foi dito acima (Q. 28, a. 3; Q. 30, a. 2). Porque não se pode dizer que as pessoas divinas se distinguem entre si de modo absoluto; pois disso seguir-se-ia que não haveria uma só essência das três pessoas, visto que tudo o que se diz de Deus de modo absoluto pertence à unidade da essência. Portanto, é necessário afirmar que as pessoas divinas se distinguem entre si apenas pelas relações. Ora, as relações não podem distinguir as pessoas senão enquanto são relações opostas; o que se evidencia pelo fato de que o Pai tem duas relações, por uma das quais se refere ao Filho, e por outra ao Espírito Santo; mas estas não são relações opostas, e por isso não constituem duas pessoas, mas pertencem somente à única pessoa do Pai. Se, portanto, no Filho e no Espírito Santo houvesse apenas duas relações, pelas quais cada um deles se referisse ao Pai, estas relações não seriam opostas entre si, como tampouco o seriam as duas relações pelas quais o Pai se refere a eles. Por conseguinte, assim como a pessoa do Pai é una, seguir-se-ia que a pessoa do Filho e a do Espírito Santo seriam uma só, tendo duas relações opostas às duas relações do Pai. Ora, isto é herético, pois destrói a fé na Trindade. Logo, o Filho e o Espírito Santo devem referir-se um ao outro por relações opostas. Ora, em Deus não pode haver relações opostas entre si senão relações de origem, como foi provado acima (Q. 28, a. 44). E relações opostas de origem entendem-se como as de «princípio» e de «procedente do princípio». Portanto, devemos concluir que é necessário dizer, ou que o Filho é do Espírito Santo — o que ninguém afirma — , ou que o Espírito Santo é do Filho, como confessamos. Além disso, a ordem da processão de cada um concorda com esta conclusão. Pois foi dito acima (Q. 27, aa. 2 e 4; Q. 28, a. 4) que o Filho procede pela via do intelecto como Verbo, e o Espírito Santo pela via da vontade como Amor. Ora, o amor deve proceder de um verbo. Porque não amamos coisa alguma senão a apreendemos por uma concepção mental. Donde também deste modo é manifesto que o Espírito Santo procede do Filho. Colhemos o conhecimento da mesma verdade da própria ordem da natureza. Pois em parte alguma encontramos que várias coisas procedam de uma só sem ordem, exceto naquelas que diferem apenas pela matéria; assim como um ferreiro produz muitas facas distintas materialmente, sem ordem entre si; ao passo que nas coisas em que não há apenas distinção material, sempre encontramos que alguma ordem existe na multidão produzida. Donde também na ordem das criaturas produzidas se manifesta a beleza da divina sabedoria. Por isso, se da única pessoa do Pai procedem duas pessoas, o Filho e o Espírito Santo, deve haver entre elas alguma ordem. Ora, nenhuma outra ordem pode ser assinalada senão a ordem de natureza, pela qual uma é da outra. Portanto, não se pode dizer que o Filho e o Espírito Santo procedem do Pai de tal modo que nenhum deles procede do outro, a menos que admitamos neles uma distinção material, o que é impossível. Por isso, também os próprios gregos reconhecem que a processão do Espírito Santo tem alguma ordem para com o Filho. Pois concedem que o Espírito Santo é o Espírito «do Filho»; e que é do Pai «pelo Filho». Diz-se que alguns deles também concedem que «é do Filho» ou que «mana do Filho», mas não que procede; o que parece provir de ignorância ou obstinação. Porque uma justa consideração da verdade convencerá a todos de que a palavra «processão» é a que mais comumente se aplica a tudo o que denota origem de qualquer espécie. Pois usamo-la para descrever qualquer tipo de origem; como quando dizemos que uma linha procede de um ponto, um raio do sol, uma corrente de uma fonte, e igualmente em tudo o mais. Portanto, concedido que o Espírito Santo se origina de algum modo do Filho, podemos concluir que o Espírito Santo procede do Filho. **Resposta à objeção 1:** Não devemos dizer acerca de Deus coisa alguma que não se encontre na Sagrada Escritura, explícita ou implicitamente. Ora, embora não encontremos expresso verbalmente na Sagrada Escritura que o Espírito Santo procede do Filho, encontramo-lo contudo no sentido da Escritura, especialmente onde o Filho diz, falando do Espírito Santo: «Ele me glorificará, porque receberá do que é meu» (Jo 16,14). É também regra da Sagrada Escritura que tudo o que se diz do Pai se aplica ao Filho, ainda que se lhe acrescente um termo exclusivo; exceto apenas quanto ao que pertence às relações opostas, pelas quais o Pai e o Filho se distinguem entre si. Porque quando o Senhor diz: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai», não se exclui que o Filho se conheça a si mesmo. Portanto, quando dizemos que o Espírito Santo procede do Pai, ainda que se acrescente que procede só do Pai, o Filho não ficaria por isso excluído de modo algum; porque, quanto a ser princípio do Espírito Santo, o Pai e o Filho não se opõem entre si, mas apenas quanto ao fato de um ser o Pai e o outro o Filho. **Resposta à objeção 2:** Em todos os concílios da Igreja foi composto um símbolo da fé para fazer face a algum erro prevalecente condenado no concílio daquela ocasião. Por isso, os concílios posteriores não devem ser descritos como fazendo um novo símbolo da fé; mas o que estava implícito no primeiro símbolo foi explicado por algum acréscimo dirigido contra as heresias nascentes. Donde, na decisão do concílio de Calcedônia se declara que aqueles que se reuniram no concílio de Constantinopla transmitiram a doutrina acerca do Espírito Santo, não dando a entender que faltava algo na doutrina de seus predecessores que se haviam congregado em Niceia, mas explicando o que aqueles Padres haviam entendido a tal respeito. Portanto, porque no tempo dos antigos concílios ainda não havia surgido o erro dos que diziam que o Espírito Santo não procede do Filho, não foi necessário fazer uma declaração explícita sobre esse ponto; ao passo que, mais tarde, quando certos erros surgiram, outro concílio se reuniu no Ocidente e a matéria foi explicitamente definida pela autoridade do Pontífice Romano, por cuja autoridade também os antigos concílios foram convocados e confirmados. Não obstante, a verdade estava contida implicitamente na crença de que o Espírito Santo procede do Pai. **Resposta à objeção 3:** Os nestorianos foram os primeiros a introduzir o erro de que o Espírito Santo não procede do Filho, como se vê num símbolo nestoriano condenado no concílio de Éfeso. Esse erro foi acolhido por Teodorico, o Nestoriano, e por vários outros depois dele, entre os quais também Damasco. Por isso, neste ponto a sua opinião não deve ser seguida. Embora também se tenha afirmado por alguns que, enquanto Damasco não confessava que o Espírito Santo é do Filho, nem por isso as suas palavras o negam. **Resposta à objeção 4:** Quando se diz que o Espírito Santo repousa ou permanece no Filho, não significa que não proceda d'Ele; porque também o Filho se diz que permanece no Pai, embora proceda do Pai. E diz-se que o Espírito Santo repousa no Filho como o amor do amante permanece no amado; ou em referência à natureza humana de Cristo, por causa do que está escrito: «Sobre quem vires descer o Espírito e permanecer sobre Ele, esse é o que batiza» (Jo 1,33). **Resposta à objeção 5:** O Verbo em Deus não é tomado segundo a semelhança do verbo vocal, do qual não procede o sopro; pois então seria apenas metafórico; mas segundo a semelhança do verbo mental, do qual procede o amor. **Resposta à objeção 6:** Pelo fato de o Espírito Santo proceder perfeitamente do Pai, não só não é supérfluo dizer que procede do Filho, mas é antes absolutamente necessário. Porquanto um só poder pertence ao Pai e ao Filho; e porque tudo o que é do Pai deve ser do Filho, a menos que se oponha à propriedade da filiação; pois o Filho não é de si mesmo, embora seja do Pai. **Resposta à objeção 7:** O Espírito Santo distingue-se do Filho na medida em que a origem de um se distingue da origem do outro; mas a própria diferença de origem vem do fato de que o Filho é apenas do Pai, ao passo que o Espírito Santo é do Pai e do Filho; pois de outro modo as processões não se distinguiriam entre si, como foi explicado acima e na Q. 27.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether the Holy Ghost proceeds from the Son? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o batismo de João não era de Deus. Pois nada sacramental que é de Deus se nomeia por um simples homem: assim o batismo da Nova Lei não se nomeia por Pedro ou Paulo, mas por Cristo. Ora, aquele batismo se nomeia por João, conforme Mat. 21,25: "O batismo de João era do céu ou dos homens?" Logo, o batismo de João não era de Deus. Objeção 2: Além disso, toda doutrina que procede de Deus de novo é confirmada por alguns sinais: assim o Senhor (Êx. 4) deu a Moisés o poder de operar sinais; e está escrito (Heb. 2,3-4) que a nossa fé, "tendo começado a ser anunciada pelo Senhor, foi confirmada entre nós por aqueles que a ouviram, dando Deus testemunho juntamente com sinais e prodígios". Ora, está escrito de João Batista (Jo. 10,41) que "João não fez sinal algum". Portanto, parece que o batismo com que ele batizava não era de Deus. Objeção 3: Além disso, os sacramentos que são instituídos por Deus estão contidos em certos preceitos da Sagrada Escritura. Ora, não há preceito da Sagrada Escritura que ordene o batismo de João. Logo, parece que não era de Deus. Ao contrário, está escrito (Jo. 1,33): "Aquele que me mandou batizar em água, esse me disse: 'Sobre o que tu vires descer o Espírito'", etc. Respondo que, duas coisas podem ser consideradas no batismo de João — a saber, o rito do batismo e o efeito do batismo. O rito do batismo não era dos homens, mas de Deus, que por uma revelação interior do Espírito Santo enviou João a batizar. Mas o efeito daquele batismo era do homem, porque não produzia nada que o homem não pudesse realizar. Pelo que não era somente de Deus, exceto na medida em que Deus opera no homem. Resposta à Objeção 1: Pelo batismo da Nova Lei os homens são batizados interiormente pelo Espírito Santo, e isto é realizado só por Deus. Mas pelo batismo de João só o corpo era lavado pela água. Por isso está escrito (Mat. 3,11): "Eu vos batizo em água; mas ele vos batizará no Espírito Santo." Por esta razão o batismo de João foi nomeado por ele, porque não produzia nada que ele não realizasse. Mas o batismo da Nova Lei não se nomeia pelo seu ministro, porque este não realiza o seu efeito principal, que é a purificação interior. Resposta à Objeção 2: Toda a doutrina e obra de João estava ordenada a Cristo, o qual, por muitos milagres, confirmou tanto a sua própria doutrina como a de João. Ora, se João tivesse operado sinais, os homens teriam dado igual atenção a João e a Cristo. Portanto, para que os homens dessem maior atenção a Cristo, não foi dado a João operar sinal algum. Contudo, quando os judeus lhe perguntaram por que batizava, ele confirmou o seu ofício pela autoridade da Escritura, dizendo: "Eu sou a voz do que clama no deserto", etc., conforme relatado em Jo. 1,23 (cf. Is. 40,3). Além disso, a própria austeridade da sua vida era uma recomendação do seu ofício, porque, como diz Crisóstomo, comentando sobre Mateus (Hom. X in Matth.), "era admirável ver tanta paciência num corpo humano". Resposta à Objeção 3: O batismo de João foi destinado por Deus a durar somente por pouco tempo, pelas razões acima expostas (A[1]). Portanto, não foi objeto de um mandamento geral estabelecido na Sagrada Escritura, mas de uma certa revelação interior do Espírito Santo, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the baptism of John was from God? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que não era conveniente que Cristo fosse batizado. Porque ser batizado é ser lavado. Ora, não era conveniente que Cristo fosse lavado, pois não havia n’Ele imundície alguma. Logo, parece inconveniente que Cristo fosse batizado. **Objeção 2:** Ademais, Cristo foi circuncidado para cumprir a Lei. Ora, o batismo não foi prescrito pela Lei. Portanto, não deveria ter sido batizado. **Objeção 3:** Ademais, o primeiro motor em cada gênero é imóvel em relação àquele movimento; assim o céu, que é a primeira causa da alteração, é inalterável. Ora, Cristo é o primeiro princípio do batismo, segundo Jo 1,33: «Aquele sobre quem vires descer o Espírito e permanecer sobre Ele, esse é o que batiza». Logo, não era conveniente que Cristo fosse batizado. **Em contrário,** está escrito (Mt 3,13) que «Jesus veio da Galileia ao Jordão, ter com João, para ser por ele batizado». **Respondo** que era conveniente que Cristo fosse batizado. Primeiro, porque, como diz Ambrósio sobre Lc 3,21: «Nosso Senhor foi batizado porque queria, não ser purificado, mas purificar as águas, a fim de que, purificadas pela carne de Cristo, que não conheceu pecado, tivessem a virtude do batismo»; e, como diz Crisóstomo (Hom. IV sobre Mateus), «para legar as águas santificadas aos que haviam de ser batizados depois». Segundo, como Crisóstomo diz (Hom. IV sobre Mateus), «embora Cristo não fosse pecador, tomou, contudo, uma natureza pecadora e “a semelhança da carne pecadora”. Por isso, embora não necessitasse do batismo por si mesmo, a natureza carnal nos outros dele necessitava». E, como diz Gregório Nazianzeno (Oração XXXIX), «Cristo foi batizado para submergir totalmente o velho Adão na água». Terceiro, quis ser batizado, como diz Agostinho num sermão da Epifania (CXXXVI), «porque queria fazer o que ordenara a todos que fizessem». E é isto o que significa ao dizer: «Assim nos convém cumprir toda a justiça» (Mt 3,15). Pois, como diz Ambrósio (sobre Lc 3,21), «esta é a justiça: fazer primeiro em ti mesmo o que queres que outro faça, e assim encorajar os outros com o teu exemplo». **Resposta à Objeção 1:** Cristo foi batizado, não para ser purificado, mas para purificar, como se disse acima. **Resposta à Objeção 2:** Convinha que Cristo não só cumprisse o que estava prescrito na Antiga Lei, mas também começasse o que pertencia à Nova Lei. Por isso, quis não só ser circuncidado, mas também ser batizado. **Resposta à Objeção 3:** Cristo é o primeiro princípio do efeito espiritual do batismo. Para esse efeito, não foi batizado, mas apenas na água.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it was fitting that Christ should be baptized? · séc. XIII

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