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Jn 3, 13

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que Cristo não teve um corpo carnal ou terreno, mas sim um corpo celeste. Pois o Apóstolo diz (1 Coríntios 15:41): «O primeiro homem, da terra, terreno; o segundo homem, do céu, celeste.» Ora, o primeiro homem, isto é, Adão, era da terra quanto ao corpo, como é claro em Gênesis 1. Logo, o segundo homem, isto é, Cristo, era do céu quanto ao corpo. Objeção 2: Além disso, está escrito (1 Coríntios 15:50): «A carne e o sangue não podem possuir o reino de Deus.» Ora, o reino de Deus está principalmente em Cristo. Logo, não há carne nem sangue n'Ele, mas antes um corpo celeste. Objeção 3: Além disso, o que é melhor deve ser atribuído a Deus. Ora, de todos os corpos, o celeste é o melhor. Logo, convinha que Cristo assumisse tal corpo. Ao contrário, o Senhor diz (Lucas 24:39): «Um espírito não tem carne e ossos, como vedes que Eu tenho.» Ora, carne e ossos não são da matéria dos corpos celestes, mas são compostos dos elementos inferiores. Portanto, o corpo de Cristo não era celeste, mas carnal e terreno. Respondo que, pelas razões que provaram que o corpo de Cristo não era imaginário, pode-se também mostrar que não era um corpo celeste. Primeiro, porque assim como a verdade da natureza humana de Cristo não teria sido mantida se o Seu corpo fosse imaginário, como supôs Manes, do mesmo modo não teria sido mantida se supuséssemos, como fez Valentim, que era um corpo celeste. Pois, sendo a forma do homem uma coisa natural, requer matéria determinada, a saber, carne e ossos, que devem ser colocados na definição do homem, como é claro pelo Filósofo (Metafísica VII, 39). Segundo, porque isso diminuiria a verdade das coisas que Cristo fez no corpo. Pois, sendo um corpo celeste impassível e incorruptível, como se prova em De Coelo I, 20, se o Filho de Deus tivesse assumido um corpo celeste, não teria verdadeiramente tido fome ou sede, nem teria sofrido a Paixão e a morte. Terceiro, porque isto teria diminuído a veracidade de Deus. Pois, tendo o Filho de Deus Se mostrado aos homens como se tivesse um corpo carnal e terreno, a manifestação teria sido falsa, se tivesse tido um corpo celeste. Donde (De Ecclesiasticis Dogmatibus II) se diz: «O Filho de Deus nasceu, tomando carne do corpo da Virgem, e não a trazendo do céu.» Resposta à primeira objeção: Cristo é dito ter descido do céu de dois modos. Primeiro, quanto à Sua natureza divina; não que a natureza divina tenha cessado de estar no céu, mas enquanto começou a estar cá em baixo de um modo novo, isto é, pela sua natureza assumida, segundo João 3:13: «Ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.» Segundo, quanto ao Seu corpo, não que a própria substância do corpo de Cristo tenha descido do céu, mas porque o Seu corpo foi formado por um poder celeste, isto é, pelo Espírito Santo. Daí que Agostinho, explicando a passagem citada, diz (Ad Orosium): «Chamo a Cristo homem celeste porque não foi concebido de semente humana.» E Hilário expõe do mesmo modo (De Trinitate X). Resposta à segunda objeção: Carne e sangue não são tomados aqui pela substância da carne e do sangue, mas pela corrupção da carne, a qual não estava em Cristo enquanto era pecaminosa, mas enquanto era uma pena; assim, por um tempo, esteve em Cristo, para que Ele pudesse realizar a obra da nossa redenção. Resposta à terceira objeção: Pertence à máxima glória de Deus ter elevado um corpo fraco e terreno a tão grande sublimidade. Donde que, no Concílio Geral de Éfeso (Parte II, Ato I), lemos a sentença de São Teófilo: «Assim como os melhores artífices são estimados não apenas por exibirem a sua habilidade em materiais preciosos, mas muitas vezes por usarem os mais pobres [...] terra comum e vil, mostram o poder da sua arte; assim o melhor de todos os artífices, o Verbo de Deus, não desceu até nós tomando um corpo celeste de alguma matéria preciosíssima, mas mostrou a grandeza da Sua arte no barro.»

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether the Son of God ought to have assumed a carnal or earthly body? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os céus não se deviam abrir a Cristo no Seu batismo. Pois os céus se devem abrir a quem precisa entrar no céu, por estar fora do céu. Mas Cristo estava sempre no céu, segundo Jo. 3,13: "O Filho do Homem, que está no céu." Logo, parece que os céus não se deviam abrir a Ele. **Objeção 2:** Além disso, a abertura dos céus se entende ou em sentido corporal ou em sentido espiritual. Mas não pode entender-se em sentido corporal: porque os corpos celestes são impassíveis e indissolúveis, segundo Jó 37,18: "Porventura fabricaste com Ele os céus, que são fortíssimos, como se fossem de metal derretido?" De igual modo, nem pode entender-se em sentido espiritual, porque os céus não estavam antes fechados aos olhos do Filho de Deus. Portanto, parece inconveniente dizer que, quando Cristo foi batizado, "os céus se abriram". **Objeção 3:** Além disso, o céu foi aberto aos fiéis pela Paixão de Cristo, segundo Heb. 10,19: "Temos confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo." Por isso nem mesmo os que foram batizados com o batismo de Cristo e morreram antes da Sua Paixão podiam entrar no céu. Logo, os céus se deviam abrir quando Cristo padecia, antes que quando era batizado. **Ao contrário,** está escrito (Lc. 3,21): "Batizado Jesus e orando, abriu-se o céu." **Respondo** que, como acima foi dito (A.1; Q.38, A.1), Cristo quis ser batizado para consagrar o batismo com que havíamos de ser batizados. E portanto convinha que se manifestassem aquelas coisas que pertencem à eficácia do nosso batismo: acerca da qual eficácia três pontos se devem considerar. Primeiro, a virtude principal de onde deriva; e esta, na verdade, é uma virtude celeste. Por isso, quando Cristo foi batizado, o céu se abriu, para mostrar que dali em diante a virtude celeste santificaria o batismo. Segundo, a fé da Igreja e da pessoa batizada concorre para a eficácia do batismo: por isso os que são batizados fazem profissão de fé, e o batismo é chamado "sacramento da fé". Ora, pela fé contemplamos as coisas celestes, que excedem os sentidos e a razão humana. E para significar isto, os céus se abriram quando Cristo foi batizado. Terceiro, porque a entrada do reino celeste foi aberta para nós pelo batismo de Cristo de modo especial, entrada que estava fechada ao primeiro homem pelo pecado. Por isso, quando Cristo foi batizado, os céus se abriram, para mostrar que o caminho do céu está aberto aos batizados. Ora, depois do batismo o homem precisa orar continuamente para entrar no céu: porque, embora os pecados sejam remidos pelo batismo, permanece ainda o fomento do pecado que nos assalta interiormente, e o mundo e os demônios que nos assaltam exteriormente. E por isso se diz expressamente (Lc. 3,21) que "batizado Jesus e orando, abriu-se o céu": porque, a saber, os fiéis depois do batismo necessitam da oração. Ou também, para que se entenda que o próprio fato de, pelo batismo, o céu estar aberto aos crentes é em virtude da oração de Cristo. Por isso se diz expressamente (Mt. 3,16) que "o céu se abriu a Ele" — isto é, "a todos por amor d'Ele". Assim, por exemplo, o Imperador poderia dizer a quem pedia um favor para outro: "Eis que concedo este favor, não a ele, mas a ti" — isto é, "a ele por amor de ti", como diz Crisóstomo (Hom. IV in Matth. [do suposto Opus Imperfectum]). **Resposta à primeira objeção:** Segundo Crisóstomo (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum), assim como Cristo foi batizado por amor dos homens, embora não necessitasse de batismo por Si mesmo, assim os céus se abriram a Ele como homem, enquanto pela Sua Natureza Divina estava sempre no céu. **Resposta à segunda objeção:** Como diz Jerônimo sobre Mt. 3,16-17, os céus se abriram a Cristo quando foi batizado, não por uma separação dos elementos, mas por uma visão espiritual: assim Ezequiel narra a abertura dos céus no início do seu livro. E Crisóstomo prova isso (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum) dizendo que "se a criatura" — isto é, o céu — "tivesse sido fendida, não teria dito 'foram abertos a Ele', pois o que se abre corporalmente está aberto a todos." Por isso se diz expressamente (Mc. 1,10) que Jesus "saindo logo da água, viu os céus abertos"; como se a abertura dos céus fosse considerada como vista por Cristo. Alguns, de fato, referem isto à visão corporal, e dizem que tão brilhante luz resplandeceu ao redor de Cristo quando foi batizado, que os céus pareceram abertos. Pode também referir-se à visão imaginária, do modo como Ezequiel viu os céus abertos: pois tal visão foi formada na imaginação de Cristo pela potência divina e pela Sua vontade racional, para significar que a entrada do céu está aberta aos homens pelo batismo. Finalmente, pode referir-se à visão intelectual: enquanto Cristo, tendo santificado o batismo, viu que o céu estava aberto aos homens; contudo, já vira antes que isso se realizaria. **Resposta à terceira objeção:** A Paixão de Cristo é a causa comum da abertura do céu aos homens. Mas é necessário que esta causa seja aplicada a cada um, para que entre no céu. E isto é efetuado pelo batismo, segundo Rm. 6,3: "Todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na Sua morte." Por isso se faz menção da abertura dos céus no Seu batismo antes que na Sua Paixão. Ou, como diz Crisóstomo (Hom. IV in Matth.; do suposto Opus Imperfectum): "Quando Cristo foi batizado, os céus foram simplesmente abertos; mas depois que venceu o tirano pela cruz, como já não eram necessárias portas para um céu que dali em diante nunca mais se fecharia, os anjos disseram, não 'abri as portas', mas 'tirai-as'." Assim Crisóstomo nos dá a entender que os obstáculos que até então impediam as almas dos defuntos de entrar no céu foram inteiramente removidos pela Paixão; mas no batismo de Cristo foram abertos, como se tivesse sido mostrado o caminho pelo qual os homens haviam de entrar no céu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the heavens should have been opened unto Christ at His baptism? · séc. XIII

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