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Jn 4, 23

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a adoração não denota um ato do corpo. Pois está escrito (Jo 4,23): «Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade». Ora, o que se faz em espírito nada tem que ver com um ato do corpo. Logo, a adoração não denota um ato do corpo. Objeção 2: Ademais, a palavra adoração deriva de «oratio» [oração]. Ora, a oração consiste principalmente num ato interior, segundo 1 Cor 14,15: «Orarei com o espírito, e orarei também com o entendimento». Logo, a adoração denota principalmente um ato espiritual. Objeção 3: Ademais, os atos do corpo pertencem ao conhecimento sensível; mas nós nos aproximamos de Deus não pelo sentido corporal, mas pelo espiritual. Logo, a adoração não denota um ato do corpo. Pelo contrário, uma glosa sobre Ex 20,5 — «Não os adorarás, nem os servirás» — diz: «Não os adorarás na mente, nem os adorarás exteriormente». Respondo que, como diz Damasceno (De Fide Orth. IV, 12), visto que somos compostos de uma dupla natureza, intelectual e sensível, oferecemos a Deus uma dupla adoração: a saber, uma adoração espiritual, consistindo na devoção interna da mente; e uma adoração corporal, que consiste numa humilhação exterior do corpo. E, porque em todos os atos de latria o que é exterior se refere ao que é interior como de maior importância, segue-se que a adoração exterior é oferecida por causa da adoração interior; ou seja, exibimos sinais de humildade em nossos corpos para incitar nossas afeições a se submeterem a Deus, pois nos é connatural proceder do sensível ao inteligível. Resposta à Objeção 1: Até a adoração corporal é feita em espírito, na medida em que procede e é dirigida à devoção espiritual. Resposta à Objeção 2: Assim como a oração está primariamente na mente, e secundariamente expressa em palavras, como se disse acima (Q. 83, A. 12), assim também a adoração consiste principalmente numa reverência interior a Deus, mas secundariamente em certos sinais corporais de humildade; assim, quando genuflectimos, significamos nossa fraqueza em comparação com Deus, e quando nos prostramos, professamos que nada somos de nós mesmos. Resposta à Objeção 3: Embora não possamos alcançar Deus com os sentidos, nossa mente é incitada por sinais sensíveis a aproximar-se de Deus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether adoration denotes an action of the body? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não pode haver nada de pernicioso no culto ao verdadeiro Deus. Pois está escrito (Joel 2:32): «Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo». Ora, todo aquele que adora a Deus invoca o Seu nome. Logo, todo culto a Deus conduz à salvação e, consequentemente, nenhum é pernicioso. Objeção 2: Além disso, é o mesmo Deus que é adorado pelos justos em qualquer idade do mundo. Ora, antes da promulgação da Lei, os justos adoravam a Deus da maneira que lhes aprazia, sem cometer pecado mortal; por isso Jacó se obrigou por seu próprio voto a um modo especial de culto, como se relata em Gênesis 28. Portanto, também agora nenhum culto a Deus é pernicioso. Objeção 3: Além disso, nada de pernicioso é tolerado na Igreja. Ora, a Igreja tolera vários ritos de culto divino; por isso Gregório, respondendo a Agostinho, bispo dos Ingleses (Regist. xi, ep. 64), que afirmava existir nas igrejas vários costumes na celebração da Missa, escreveu: «Quero que escolhas cuidadosamente o que quer que achares ser mais agradável a Deus, seja no território romano, seja na terra dos Gauleses, seja em qualquer parte da Igreja». Logo, nenhum modo de adorar a Deus é pernicioso. Ao contrário, Agostinho [*Jerônimo (Ep. lxxv, ad Aug.) Ver Opp. August. Ep. lxxxii] em uma carta a Jerônimo (e as palavras são citadas em uma glosa sobre Gálatas 2:14) diz que «depois que a verdade evangélica foi pregada, as observâncias legais tornaram-se mortíferas», e no entanto essas observâncias pertenciam ao culto de Deus. Logo, pode haver algo de mortífero no culto divino. Respondo que, como diz Agostinho (Cont. Mendac. xiv), «é mentira perniciosíssima aquela que é proferida em matérias pertencentes à religião cristã». Ora, é mentira se alguém significa exteriormente o que é contrário à verdade. Mas assim como uma coisa é significada pela palavra, também o é pelo fato; e é nesta significação pelo fato que consiste o culto exterior da religião, como se mostrou acima (Q[81], A[7]). Consequentemente, se algo falso é significado pelo culto exterior, este culto será pernicioso. Ora, isto se dá de dois modos. Primeiramente, da parte da coisa significada, quando o culto significa algo discordante dela; e assim, no tempo da Nova Lei, estando já realizados os mistérios de Cristo, é pernicioso usar as cerimônias da Lei Antiga, pelas quais os mistérios de Cristo foram prefigurados como coisas futuras; assim como seria pernicioso para alguém declarar que Cristo ainda há de padecer. Em segundo lugar, a falsidade no culto exterior ocorre da parte do adorador, e especialmente no culto comum que é oferecido pelos ministros que representam toda a Igreja. Pois assim como seria culpado de falsidade aquele que, em nome de outra pessoa, dissesse coisas que não lhe foram confiadas, assim também incorre na culpa de falsidade aquele que, da parte da Igreja, presta culto a Deus de modo contrário ao estabelecido pela Igreja ou pela autoridade divina, e segundo o costume eclesiástico. Por isso Ambrósio [*Comment. in 1 ad Cor. 11:27, citado na glosa de Pedro Lombardo] diz: «É indigno aquele que celebra o mistério de modo diferente do que Cristo o entregou». Por esta razão também uma glosa sobre Colossenses 2:23 diz que a superstição é «o uso de observâncias humanas sob o nome de religião». Resposta à primeira objeção: Visto que Deus é verdade, invocar a Deus é adorá-Lo em espírito e verdade, segundo João 4:23. Logo, um culto que contém falsidade é incompatível com uma invocação salutar de Deus. Resposta à segunda objeção: Antes do tempo da Lei, os justos eram instruídos por um instinto interior quanto ao modo de adorar a Deus, e outros os seguiam. Mas depois os homens foram instruídos por preceitos exteriores sobre esta matéria, e é ímpio desobedecer-lhes. Resposta à terceira objeção: Os vários costumes da Igreja no culto divino de modo algum são contrários à verdade; portanto, devemos observá-los, e desprezá-los é ilícito.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether there can be anything pernicious in the worship of the true God? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não deveria haver muitos preceitos cerimoniais. Pois aquelas coisas que conduzem a um fim devem ser proporcionais a esse fim. Ora, os preceitos cerimoniais, como foi dito acima (AA[1],2), ordenam-se ao culto de Deus e à prefiguração de Cristo. Mas "há um só Deus, de quem são todas as coisas . . . e um só Senhor Jesus Cristo, por quem são todas as coisas" (1 Cor 8,6). Logo, não deveria haver muitos preceitos cerimoniais. Objeção 2: Ademais, a grande multidão dos preceitos cerimoniais era ocasião de transgressão, segundo as palavras de Pedro (At 15,10): "Por que tentais a Deus, impondo um jugo sobre os pescoços dos discípulos, que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?" Ora, a transgressão dos preceitos divinos é obstáculo à salvação do homem. Portanto, visto que toda lei deve conduzir à salvação do homem, como diz Isidoro (Etym. v, 3), parece que os preceitos cerimoniais não deveriam ter sido dados em grande número. Objeção 3: Ademais, os preceitos cerimoniais referiam-se ao culto exterior e corporal de Deus, como foi dito acima (A[2]). Mas a Lei deveria diminuir este culto corporal, pois ela conduzia os homens a Cristo, que lhes ensinou a adorar a Deus "em espírito e verdade", como está em Jo 4,23. Portanto, não deveria haver muitos preceitos cerimoniais. Em contrário, (Os 8,12): "Escrever-lhes-ei as minhas múltiplas leis"; e (Jó 11,6): "Para te mostrar os segredos da sua sabedoria, e que a sua lei é múltipla." Respondo que, como foi dito acima (Q.96, A.1), toda lei é dada a um povo. Ora, um povo contém dois tipos de homens: uns, propensos ao mal, que devem ser coagidos pelos preceitos da lei, como foi dito acima (Q.95, A.1); outros, inclinados ao bem, seja por natureza, seja por costume, ou antes por graça; e estes devem ser ensinados e aperfeiçoados por meio dos preceitos da lei. Por conseguinte, quanto a ambos os tipos de homens, convinha que a Lei Antiga contivesse muitos preceitos cerimoniais. Pois naquele povo havia muitos propensos à idolatria; donde era necessário retraí-los, por meio dos preceitos cerimoniais, do culto dos ídolos para o culto de Deus. E visto que os homens serviam aos ídolos de muitas maneiras, foi necessário, por outro lado, idear muitos meios para reprimir cada um deles; e, além disso, impor muitas obrigações a tais homens, para que, como que sobrecarregados pelos seus deveres para com o culto divino, não tivessem tempo para o serviço dos ídolos. Quanto aos que eram inclinados ao bem, foi também necessário que houvesse muitos preceitos cerimoniais; tanto porque assim a sua mente se voltava para Deus de muitas maneiras, e mais continuamente; como porque o mistério de Cristo, que era prefigurado por esses preceitos cerimoniais, trouxe muitos bens ao mundo e proporcionou aos homens muitas considerações, que precisavam ser significadas por várias cerimônias. Resposta à objeção 1: Quando aquilo que conduz a um fim é suficiente para a ele conduzir, então uma só coisa basta para um fim: assim, um só remédio, se é eficaz, basta por vezes para restaurar a saúde dos homens, e então o remédio não precisa ser repetido. Mas quando aquilo que conduz a um fim é fraco e imperfeito, precisa ser multiplicado: assim, muitos remédios são dados a um doente, quando um só não basta para curá-lo. Ora, as cerimônias da Lei Antiga eram fracas e imperfeitas, tanto para representar o mistério de Cristo, por causa da sua excelência supereminente, como para subjugar as mentes dos homens a Deus. Donde diz o Apóstolo (Hb 7,18-19): "Há, pois, a ab-rogação do mandamento anterior por causa da sua fraqueza e inutilidade, porque a lei não aperfeiçoou nada." Por conseguinte, essas cerimônias precisavam ser em grande número. Resposta à objeção 2: Um sábio legislador deve permitir transgressões menores para que as maiores sejam evitadas. E, portanto, para evitar o pecado da idolatria e a soberba que se levantaria nos corações dos judeus se cumprissem todos os preceitos da Lei, o fato de que daí resultariam muitas ocasiões de desobediência não impediu Deus de lhes dar muitos preceitos cerimoniais. Resposta à objeção 3: A Lei Antiga diminuiu o culto corporal de muitas maneiras. Assim, proibiu que se oferecessem sacrifícios em todo lugar e por qualquer pessoa. Muitas coisas tais estatuíu para a diminuição do culto corporal, como testifica o Rabino Moisés, o Egípcio (Doct. Perplex. iii). Contudo, não convinha atenuar o culto corporal de Deus a ponto de permitir que os homens caíssem no culto dos ídolos.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether there should have been man ceremonial precepts? · séc. XIII

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Jn 4, 23 nos Padres da Igreja | Aurea