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Jn 4, 42

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Pareceria que as razões em apoio daquilo que cremos diminuem o mérito da fé. Pois Gregório diz (Hom. xxvi in Evang.) que «não há mérito em crer o que é demonstrado pela razão». Se, portanto, a razão humana fornece prova suficiente, o mérito da fé é de todo aniquilado. Logo, parece que qualquer espécie de raciocínio humano em apoio das matérias de fé diminui o mérito de crer. **Objeção 2:** Além disso, tudo quanto diminui a medida da virtude, diminui a quantia do mérito, visto que «a felicidade é a recompensa da virtude», como diz o Filósofo (Ethic. i, 9). Ora, o raciocínio humano parece diminuir a medida da virtude da fé, pois é essencial à fé versar sobre o não-visto, como acima se estabeleceu (Q[1], AA[4],5). Ora, quanto mais uma coisa é apoiada por razões, menos é não-vista. Portanto, as razões humanas em apoio das matérias de fé diminuem o mérito da fé. **Objeção 3:** Demais, coisas contrárias têm causas contrárias. Ora, um incentivo oposto à fé aumenta o mérito da fé, quer consista na perseguição infligida por alguém que se esforça por forçar um homem a renunciar à sua fé, quer num argumento que o persuade a fazê-lo. Logo, as razões em apoio da fé diminuem o mérito da fé. **Em contrário,** está escrito (1 Ped. 3,15): «Estai sempre prontos a satisfazer todo aquele que vos pedir a razão daquela fé [*Vulg.: 'daquela esperança que está em vós.' A lição de S. Tomás é aparentemente tomada de Beda.] e esperança que há em vós.» Ora, o Apóstolo não daria este conselho, se ele implicasse diminuição no mérito da fé. Portanto, a razão não diminui o mérito da fé. **Respondo** que, como acima foi dito (A[9]), o ato de fé pode ser meritório, enquanto é sujeito à vontade, não só quanto ao uso, mas também quanto ao assentimento. Ora, a razão humana em apoio daquilo que cremos pode estar em dupla relação com a vontade do crente. Primeiramente, como precedente ao ato da vontade; como, por exemplo, quando um homem ou não tem a vontade, ou não uma vontade pronta, de crer, a menos que seja movido por razões humanas; e deste modo a razão humana diminui o mérito da fé. Neste sentido foi dito acima (FS, Q[24], A[3], ad 1; Q[77], A[6], ad 2) que, nas virtudes morais, uma paixão que precede a escolha torna o ato virtuoso menos louvável. Pois, assim como o homem deve praticar atos de virtude moral por causa do juízo da sua razão, e não por causa de uma paixão, assim deve crer nas matérias de fé, não por causa da razão humana, mas por causa da autoridade divina. Segundamente, as razões humanas podem ser consequentes à vontade do crente. Pois, quando a vontade de um homem está pronta a crer, ele ama a verdade que crê, discorre e medita todas as razões que pode encontrar em seu apoio; e deste modo a razão humana não exclui o mérito da fé, mas é sinal de maior mérito. Assim também, nas virtudes morais, uma paixão consequente é sinal de uma vontade mais pronta, como acima se disse (FS, Q[24], A[3], ad 1). Temos um indício disto nas palavras dos samaritanos à mulher, que é uma figura da razão humana: «Já não cremos por causa da tua palavra» (Jo. 4,42). **Resposta à Objeção 1:** Gregório se refere ao caso de um homem que não tem vontade de crer no que é de fé, a menos que seja induzido por razões. Mas, quando um homem tem vontade de crer no que é de fé por autoridade de Deus unicamente, embora tenha razões em demonstração de algumas delas, por exemplo, da existência de Deus, o mérito da sua fé não se perde ou diminui por isso. **Resposta à Objeção 2:** As razões que se aduzem em apoio da autoridade da fé não são demonstrações que possam trazer visão intelectual ao intelecto humano, pelo que não deixam de ser não-vistas. Mas removem os obstáculos à fé, mostrando que o que a fé propõe não é impossível; por isso tais razões não diminuem o mérito ou a medida da fé. Por outro lado, embora as razões demonstrativas em apoio dos preâmbulos da fé [*A Edição Leonina lê: 'em apoio das matérias de fé, que são, todavia, preâmbulos aos artigos de fé, diminuem', etc.], mas não dos artigos da fé, diminuem a medida da fé, visto que tornam a coisa crida como vista, contudo não diminuem a medida da caridade, que torna a vontade pronta a crer nelas mesmo que fossem não-vistas; e assim a medida do mérito não é diminuída. **Resposta à Objeção 3:** Tudo quanto é contrário à fé, quer consista nos pensamentos de um homem, quer na perseguição externa, aumenta o mérito da fé, enquanto a vontade se mostra mais pronta e firme em crer. Por isso os mártires tiveram maior mérito de fé, por não renunciarem à fé por causa da perseguição; e até os sábios têm maior mérito de fé, por não renunciarem à sua fé por causa das razões aduzidas por filósofos ou hereges em oposição à fé. Por outro lado, as coisas que são favoráveis à fé nem sempre diminuem a prontidão da vontade em crer, e por isso nem sempre diminuem o mérito da fé.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 10 - Whether reasons in support of what we believe lessen the merit of faith? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Deus não é amado por caridade por si mesmo, mas por causa de outra coisa. Com efeito, diz Gregório numa homilia (In Evang. xi): «A alma aprende, pelas coisas que conhece, a amar aquelas que não conhece»; onde por «coisas que não conhece» entende as inteligíveis e divinas, e por «coisas que conhece» indica os objetos dos sentidos. Logo, Deus deve ser amado por causa de outra coisa. **Objeção 2:** Além disso, o amor segue o conhecimento. Ora, Deus é conhecido por intermédio de outra coisa, segundo Romanos 1,20: «As coisas invisíveis de Deus vêem-se claramente, sendo entendidas pelas que foram feitas.» Logo, Ele também é amado por causa de outra coisa, e não por si mesmo. **Objeção 3:** Além disso, «a esperança gera a caridade», como diz uma glosa sobre Mateus 1,1, e «o temor conduz à caridade», segundo Agostinho no seu comentário sobre a Primeira Epístola Canônica de São João (Tract. IX). Ora, a esperança espera obter alguma coisa de Deus, e o temor evita alguma coisa que Deus pode infligir. Logo, parece que Deus deve ser amado por causa de algum bem que esperamos ou de algum mal que tememos. Portanto, não deve ser amado por si mesmo. **Em contrário,** Segundo Agostinho (De Doctr. Christ. I), «gozar» é aderir a alguma coisa por causa dela mesma. Ora, «Deus deve ser gozado», como ele diz no mesmo livro. Logo, Deus deve ser amado por si mesmo. **Respondo que** A preposição «por» designa uma relação de causalidade. Ora, há quatro géneros de causas: final, formal, eficiente e material, à qual também se reduz a disposição material, embora esta não seja causa simplesmente, mas relativamente. Segundo estas quatro diferentes causas, diz-se que uma coisa é amada por outra. Quanto à causa final, amamos a medicina, por exemplo, pela saúde; quanto à causa formal, amamos um homem pela sua virtude, porque, com efeito, pela sua virtude ele é formalmente bom e, portanto, amável; quanto à causa eficiente, amamos certos homens porque, por exemplo, são filhos de tal pai; e quanto à disposição que se reduz ao género da causa material, falamos de amar alguma coisa por aquilo que nos dispôs a amá-la, por exemplo, amamos um homem pelos favores que dele recebemos, embora, depois de começarmos a amar o nosso amigo, já não o amemos pelos seus favores, mas pela sua virtude. Portanto, quanto aos três primeiros modos, amamos a Deus não por outra coisa, mas por si mesmo. Pois Ele não se ordena a outra coisa como a um fim, mas é Ele mesmo o fim último de todas as coisas; nem necessita de receber qualquer forma para ser bom, porque a sua própria substância é a sua bondade, que é o exemplar de todas as outras coisas boas; nem a bondade Lhe advém de outra coisa, mas d’Ele a todas as outras coisas. No quarto modo, porém, pode ser amado por outra coisa, porque somos dispostos por certas coisas a progredir no seu amor, por exemplo, pelos benefícios que Ele nos concede, pelos prémios que esperamos receber d’Ele, ou mesmo pelos castigos que pretendemos evitar por meio d’Ele. **Resposta à objeção 1:** Pelas coisas que conhece, a alma aprende a amar o que não conhece, não como se as coisas que conhece fossem a razão de amar as coisas que não conhece, por serem a causa formal, final ou eficiente deste amor, mas porque este conhecimento dispõe o homem a amar o desconhecido. **Resposta à objeção 2:** O conhecimento de Deus é adquirido, na verdade, por intermédio de outras coisas, mas, depois que Ele é conhecido, já não é conhecido por elas, mas por si mesmo, segundo João 4,42: «Já não cremos pelas tuas palavras; porque nós mesmos O ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.» **Resposta à objeção 3:** A esperança e o temor conduzem à caridade por via de uma certa disposição, como foi mostrado acima (Q. 17, A. 8; Q. 19, AA. 4, 7, 10).

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether out of charity God ought to be loved for Himself? · séc. XIII

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