São Beda, o Venerável
E, antecipando-se à calúnia dos judeus, que para Ele haviam preparado, acusou-os de violarem os preceitos da Lei por uma errada interpretação. Pelo que se segue: «E disse-lhes: É lícito no dia de sábado fazer bem, ou fazer mal?» E isto pergunta porque pensavam que no sábado deviam descansar até mesmo das boas obras, ao passo que a Lei manda abster-se das más, dizendo: «Nenhuma obra servil fareis nele» [Lv 23,7]; isto é, o pecado; porque «Todo aquele que comete pecado é servo do pecado» [Jo 8,34]. O que primeiro diz, «fazer bem no dia de sábado ou fazer mal», é o mesmo que depois acrescenta, «salvar uma vida ou perdê-la»; isto é, curar um homem ou não. Não que Deus, que é sumamente bom, possa ser autor de perdição para nós, mas que o seu não salvar é, na linguagem da Escritura, destruir. Mas se se pergunta por que o Senhor, estando prestes a curar o corpo, perguntou acerca da salvação da alma, entenda-se ou que, no uso comum da Escritura, a alma é posta pelo homem, como está dito: «Todas as almas que saíram dos lombos de Jacó» [Ex 1,5]; ou porque fez aqueles milagres para a salvação de uma alma, ou porque a própria cura da mão significava a salvação da alma.
séc. VIII
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