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Lc 22, 43

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Autores distintos

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Matos Soares

43Então apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. Posto em agonia orava mais instantemente.

Matos Soares · domínio público

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Comentário direto

14

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

São Gregório Magno

Exprimir também o conflito da nossa mente em si mesma, quando a morte se aproxima; pois sofremos certo arrepio de terror e temor, quando pela dissolução da carne nos aproximamos do juízo eterno; e com razão, porque a alma encontra num instante aquilo que jamais pode ser mudado.

Gregorius Moralium · séc. VII

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Santo Agostinho

Nosso Senhor orando com suor sanguíneo representava os martírios que deviam jorrar de todo o Seu corpo, que é a Igreja.

Prosper in libro sententiarum Augustini · séc. V

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Santo Agostinho

Lucas, porém, não declarou depois de qual oração Ele veio a Seus discípulos; contudo, em nada discorda de Mateus e Marcos.

Augustinus de Cons. Evang · séc. V

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Teofilacto de Ócrida

Para nos dar a conhecer o poder da oração, a fim de que a exerçamos na adversidade, o nosso Senhor, quando orava, é confortado por um Anjo.

séc. XII

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Teofilacto de Ócrida

Mas alguns dizem que o Anjo apareceu, glorificando-O, dizendo: Ó Senhor, Vosso é o poder, pois podeis vencer a morte e livrar a débil humanidade.

séc. XII

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Teofilacto de Ócrida

Ora, que a precedente oração era da sua natureza humana, e não da sua divina, como dizem os arianos, argumenta-se pelo que se diz do seu suor, que se segue: E o seu suor se fez como grandes gotas de sangue que caíam por terra.

séc. XII

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Teofilacto de Ócrida

Ou isto é proverbialmente dito de alguém que suou intensamente, que suou sangue; o Evangelista, então, querendo mostrar que Ele estava umedecido com grandes gotas de suor, toma gotas de sangue como exemplo. Mas depois, encontrando os seus discípulos dormindo por causa da tristeza, repreende-os, lembrando-lhes ao mesmo tempo que orassem; pois segue-se: *E, levantando-se da oração, veio aos seus discípulos e encontrou-os dormindo.*

séc. XII

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Teofilacto de Ócrida

Isto é, que não sejam vencidos pela tentação, porque não ser levado à tentação é não ser por ela submergido. Ou simplesmente manda orar que a nossa vida seja tranquila, e não sejamos lançados em perturbação de qualquer espécie. Porque é próprio do diabo e presunçoso, para um homem, lançar-se a si mesmo na tentação. Portanto Tiago não disse: “Lançai-vos na tentação”, mas: “Quando cairdes, tende por sumo gozo”, fazendo ato voluntário de um involuntário.

séc. XII

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São João Crisóstomo

E porque não em aparência, mas em realidade tomou sobre Si a nossa carne, para confirmar a verdade da economia, submete-Se a sofrer as dores humanas; pois segue-se: E estando em agonia, orava mais intensamente.

séc. V

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São João Crisóstomo

Porque era meia-noite, e os olhos dos discípulos estavam pesados de tristeza, e o seu sono não era de torpor, mas de dor.

séc. V

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Santo Ambrósio de Milão

Muitos se escandalizam com este passo, os quais convertem as tristezas do Salvador em argumento de fraqueza inerente desde o princípio, e não tomadas sobre Si por um tempo. Mas eu estou tão longe de considerar isto como coisa a desculpar, que nunca mais admiro a Sua misericórdia e majestade; porque Ele teria conferido menos a mim se não tivesse assumido sobre Si os meus sentimentos. Pois tomou sobre Si a minha tristeza, para que sobre mim pudesse derramar a Sua alegria. Portanto, com confiança nomeio a Sua tristeza, porque prego a Sua cruz. Forçoso era, pois, que sofresse aflição, para que vencesse. Porque não têm louvor de fortaleza aqueles cujas feridas produziram estupor, e não dor. Quis pois instruir-nos como devemos vencer a morte, e, o que é muito maior, a angústia da morte vindoura. Padecestes então, ó Senhor, não das vossas próprias feridas, mas das minhas; porque ferido foi por nossas iniqüidades. E talvez está triste, porque após a queda de Adão a passagem pela qual havemos de partir deste mundo era tal que a morte era necessária. Nem está longe da verdade que estava triste pelos Seus perseguidores, que sabia que sofreriam castigo pelo seu ímpio sacrilégio.

séc. IV

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São Beda, o Venerável

Em outro lugar lemos que os Anjos vieram e Lhe ministraram. Em testemunho, pois, de cada natureza, diz-se que os Anjos tanto Lhe ministraram como O confortaram. Pois o Criador não necessitava da proteção de Sua criatura, mas, feito homem, assim como por nossa causa Se entristece, assim por nossa causa é confortado.

séc. VIII

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São Beda, o Venerável

Ninguém atribua este suor à fraqueza natural; não, é contrário à natureza suar sangue, mas antes tire daí uma declaração para nós, de que Ele estava agora obtendo o cumprimento da Sua oração, a saber, que Ele purificasse com Seu sangue a fé dos Seus discípulos, ainda sujeitos à humana fraqueza.

séc. VIII

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São Beda, o Venerável

Nosso Senhor prova pelo que se segue que orou por seus discípulos, aos quais exorta, pela vigília e oração, a serem participantes da sua oração; pois se segue: E disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.

séc. VIII

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Citações internas

2

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo recebeu conhecimento dos anjos. Porquanto está escrito (Lc 22,43): «Apareceu-lhe um anjo do céu, fortalecendo-o». Ora, nós somos fortalecidos pelas palavras consoladoras de um mestre, conforme Jó 4,3-4: «Eis que ensinaste a muitos e fortaleceste as mãos lassas; as tuas palavras confirmaram os que vacilavam». Logo, Cristo foi ensinado pelos anjos. **Objeção 2:** Demais, Dionísio diz (Hier. Cel. iv): «Pois vejo que até Jesus — a substância supra-substancial das substâncias supra-celestes —, quando, sem mudança, tomou sobre si a nossa substância, se sujeitou, em obediência, às instruções do Pai e Deus por meio dos anjos». Donde parece que o próprio Cristo quis sujeitar-se às ordenações da lei divina, pela qual os homens são ensinados por intermédio dos anjos. **Objeção 3:** Ademais, assim como na ordem natural o corpo humano está sujeito aos corpos celestes, assim também a mente humana o está às mentes angélicas. Ora, o corpo de Cristo estava sujeito às impressões dos corpos celestes, pois sentia calor no verão e frio no inverno, e outras paixões humanas. Portanto, a sua mente humana estava sujeita às iluminações dos espíritos supra-celestes. **Em contrário,** Dionísio diz (Hier. Cel. vii) que «os mais altos anjos interrogam Jesus e aprendem o conhecimento da sua obra divina e da carne assumida por nós; e Jesus os ensina diretamente». Ora, ensinar e ser ensinado não convêm ao mesmo. Logo, Cristo não recebeu conhecimento dos anjos. **Respondo:** Sendo a alma humana como que intermediária entre as substâncias espirituais e as coisas corpóreas, ela é aperfeiçoada naturalmente de dois modos: primeiro, pelo conhecimento recebido das coisas sensíveis; segundo, pelo conhecimento impresso ou infuso pela iluminação das substâncias espirituais. Ora, de ambas as maneiras foi aperfeiçoada a alma de Cristo: primeiro, pelo conhecimento empírico das coisas sensíveis, para o qual não é necessária a luz angélica, pois basta a luz do intelecto agente; segundo, pela impressão mais elevada do conhecimento infuso, que ele recebeu diretamente de Deus. Pois, assim como a sua alma estava unida ao Verbo acima do modo comum, na unidade de pessoa, assim também, acima do modo comum dos homens, foi ela cheia de conhecimento e graça pelo próprio Verbo de Deus, e não por intermédio dos anjos, os quais, no seu princípio, receberam o conhecimento das coisas pela influência do Verbo, como diz Agostinho (Gen. ad lit. ii, 8). **Resposta à Objeção 1:** Este fortalecimento pelo anjo não foi para o instruir, mas para provar a verdade da sua natureza humana. Por isso diz Beda (sobre Lc 22,43): «Em testemunho de ambas as naturezas, diz-se que os anjos o ministraram e fortaleceram. Pois o Criador não necessitava de ajuda da sua criatura; mas, feito homem, assim como por nossa causa foi triste, assim por nossa causa foi fortalecido», isto é, para que a nossa fé na Encarnação fosse fortalecida. **Resposta à Objeção 2:** Dionísio diz que Cristo se sujeitou às instruções angélicas não por causa de si mesmo, mas por causa do que aconteceu na sua Encarnação e quanto ao cuidado dele enquanto menino. Por isso, no mesmo lugar, acrescenta que «a retirada de Jesus para o Egito, decretada pelo Pai, é anunciada a José pelos anjos, e, da mesma forma, o seu regresso do Egito para a Judéia». **Resposta à Objeção 3:** O Filho de Deus assumiu um corpo passível (como se dirá adiante (Q. 14, a. 1)) e uma alma perfeita em conhecimento e graça (Q. 14, a. 1, ad 1; a. 4). Por isso, o seu corpo estava justamente sujeito à impressão dos corpos celestes; mas a sua alma não estava sujeita à impressão dos espíritos celestes.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether Christ received knowledge from the angels? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Pareceria que houve contrariedade de vontades em Cristo. Pois a contrariedade das vontades diz respeito à contrariedade dos objectos, assim como a contrariedade dos movimentos provém da contrariedade dos termos, como é evidente pelo Filósofo (Fís. V, text. 49 seg.). Ora, Cristo, nas Suas diferentes vontades, quis coisas contrárias. Pois, na Sua vontade divina, quis a morte, da qual recuava na Sua vontade humana; donde Atanásio diz (*De Incarnat. et Cont. Arianos*, escrito contra Apolinário): «Quando Cristo diz: 'Pai, se é possível, passe de Mim este cálice; todavia, não a Minha vontade, mas a Tua se faça', e ainda: 'O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca', Ele denota duas vontades — a humana, que, pela fraqueza da carne, recuava da paixão — e a Sua vontade divina, anelante pela paixão.» Logo, houve contrariedade de vontades em Cristo. **Objecção 2:** Ademais, está escrito (Gálatas 5, 17) que «a carne milita contra o espírito, e o espírito contra a carne». Ora, quando o espírito deseja uma coisa, e a carne outra, há contrariedade de vontades. Mas isto se deu em Cristo; pois, pela vontade de caridade que o Espírito Santo causava na Sua mente, Ele queria a paixão, segundo Isaías 53, 7: «Foi oferecido porque foi da Sua própria vontade», contudo, na Sua carne, recuava da paixão. Portanto, houve nEle contrariedade de vontades. **Objecção 3:** Ademais, está escrito (Lucas 22, 43) que «estando em agonia, orava mais longamente». Ora, a agonia parece implicar uma certa luta [Grego, *agonia*] numa alma atraída para coisas contrárias. Logo, parece que houve contrariedade de vontade em Cristo. **Em contrário,** Nas decisões do Sexto Concílio [*Terceiro Concílio de Constantinopla, Act. 18], diz-se: «Confessamos duas vontades naturais, não em oposição, como afirmam hereges maldosos, mas seguindo a Sua vontade humana, e nem resistindo nem contendendo contra, mas antes estando sujeita à Sua vontade divina e omnipotente.» **Respondo** que a contrariedade só pode existir onde há oposição no mesmo sujeito e quanto ao mesmo objecto. Pois, se a diversidade existe quanto a coisas diversas e em sujeitos diversos, isto não bastaria para a natureza da contrariedade, nem sequer para a natureza da contradição; por exemplo, se um homem fosse bem formado ou são quanto à mão, mas não quanto ao pé. Por conseguinte, para que haja contrariedade de vontades em alguém, é necessário, primeiro, que a diversidade das vontades diga respeito ao mesmo objecto. Pois, se a vontade de um diz respeito à prática de algo por alguma razão universal, e a vontade de outro diz respeito à não prática do mesmo por alguma razão particular, não há contrariedade completa de vontade; por exemplo, quando um juiz quer que um salteador seja enforcado para o bem da república, e um dos seus parentes quer que ele não seja enforcado por amor privado, não há contrariedade de vontades; a menos, na verdade, que o desejo do bem privado chegasse a tal ponto que quisesse impedir o bem público pelo bem privado — nesse caso, a oposição das vontades diria respeito ao mesmo objecto. Segundo, para a contrariedade de vontades é necessário que ela se dê na mesma vontade. Pois, se um homem quer uma coisa com o seu apetite racional, e quer outra coisa com o seu apetite sensitivo, não há contrariedade, a menos que o apetite sensitivo prevalecesse a ponto de mudar ou ao menos reter o apetite racional; porque, neste caso, algo do movimento contrário do apetite sensitivo alcançaria a vontade racional. E, portanto, deve-se dizer que, embora a vontade natural e a vontade sensitiva em Cristo quisessem o que a vontade divina não queria, todavia, não houve nEle contrariedade de vontades. Primeiro, porque nem a vontade natural nem a vontade da sensualidade rejeitavam a razão pela qual a vontade divina e a vontade da razão humana em Cristo queriam a paixão. Pois a vontade absoluta de Cristo queria a salvação do género humano, embora não lhe pertencesse querê-la em ordem a algo ulterior; mas o movimento da sensualidade de modo algum se podia estender até aí. Segundo, porque nem a vontade divina nem a vontade da razão em Cristo foi impedida ou retardada pela vontade natural ou pelo apetite da sensualidade. Assim, também, por outro lado, nem a vontade divina nem a vontade da razão em Cristo recuavam ou retardavam o movimento da vontade humana natural e o movimento da sensualidade em Cristo. Pois aprazia a Cristo, na Sua vontade divina e na Sua vontade de razão, que a Sua vontade natural e a vontade da sensualidade fossem movidas segundo a ordem da sua natureza. Por conseguinte, é claro que em Cristo não houve oposição ou contrariedade de vontades. **Resposta à Objecção 1:** O facto de qualquer vontade em Cristo querer algo diverso do que queria a vontade divina procedia da vontade divina, por cuja permissão a natureza humana em Cristo era movida pelos seus movimentos próprios, como diz Damasceno (De Fide Orth. II, 15, 18, 19). **Resposta à Objecção 2:** Em nós, os desejos do espírito são impedidos ou retardados pelos desejos da carne; isto não ocorreu em Cristo. Logo, em Cristo não houve contrariedade da carne e do espírito, como em nós. **Resposta à Objecção 3:** A agonia em Cristo não estava na alma racional, enquanto implica uma luta na vontade proveniente de uma diversidade de motivos; como quando alguém, considerando uma coisa pela sua razão, quer uma, e considerando outra, quer o contrário. Pois isto provém da fraqueza da razão, que é incapaz de julgar simplesmente o que é melhor. Ora, isto não ocorreu em Cristo, pois pela Sua razão Ele julgou que o melhor era que a vontade divina acerca da salvação do género humano fosse cumprida pela Sua paixão. Contudo, houve uma agonia em Cristo quanto à parte sensitiva, enquanto implicava um temor da provação vindoura, como diz Damasceno (De Fide Orth. II, 15; III, 18, 23).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether there was contrariety of wills in Christ? · séc. XIII

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Lc 22, 43 nos Padres da Igreja | Aurea