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Mq 2, 13

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Matos Soares

13Aquele (bom Pastor) que lhes há-de abrir o caminho Irá adiante deles; forçarão e passarão em turmas a porta e sairão por ela; o seu rei passará diante deles, e o Senhor estará à sua frente.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo não nos abriu a porta do céu por meio de Sua Paixão. Porquanto está escrito (Prov 11,18): «Ao que semeia justiça, há uma recompensa fiel». Ora, a recompensa da justiça é entrar no reino dos céus. Logo, parece que os santos Padres que praticaram obras de justiça obtiveram pela fé a entrada no reino celeste mesmo sem a Paixão de Cristo. Consequentemente, a Paixão de Cristo não é a causa da abertura da porta do reino dos céus. **Objeção 2:** Ademais, Elias foi arrebatado ao céu antes da Paixão de Cristo (2 Rs 2). Mas o efeito nunca precede a causa. Portanto, parece que a abertura da porta do céu não é resultado da Paixão de Cristo. **Objeção 3:** Ademais, como está escrito (Mt 3,16), quando Cristo foi batizado, os céus se abriram para Ele. Ora, o Seu batismo precedeu a Paixão. Logo, a abertura do céu não é resultado da Paixão de Cristo. **Objeção 4:** Ademais, está escrito (Mq 2,13): «Porque subirá aquele que abrirá o caminho diante deles». Mas abrir o caminho para o céu parece não ser senão escancarar a sua porta. Portanto, parece que a porta do céu nos foi aberta, não pela Paixão de Cristo, mas pela Sua Ascensão. **Em contrário,** o dito do Apóstolo (Hb 10,19): «Temos confiança na entrada do Santuário» – isto é, dos lugares celestes – «pelo sangue de Cristo». **Respondo que** O fechamento da porta é o obstáculo que impede os homens de entrar. Ora, é por causa do pecado que os homens eram impedidos de entrar no reino dos céus, visto que, segundo Is 35,8: «Será chamado caminho santo, e o imundo não passará por ele». Há, porém, um duplo pecado que impede os homens de entrar no reino dos céus. O primeiro é comum a toda a raça, pois é o pecado de nossos primeiros pais, e por esse pecado a entrada do céu está fechada ao homem. Donde lemos em Gn 3,24 que, após o pecado de nossos primeiros pais, Deus «colocou querubins e uma espada flamejante, que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida». O outro é o pecado pessoal de cada um de nós, cometido pelo nosso ato pessoal. Ora, pela Paixão de Cristo fomos libertados não só do pecado comum de todo o gênero humano, tanto quanto à culpa como quanto à dívida da pena, que Ele pagou por nós, mas também dos pecados pessoais dos indivíduos que participam de Sua Paixão pela fé e pela caridade e pelos sacramentos da fé. Por conseguinte, então, a porta do reino dos céus nos é escancarada por meio da Paixão de Cristo. Isto é precisamente o que diz o Apóstolo (Hb 9,11-12): «Cristo, vindo como sumo sacerdote dos bens futuros, pelo Seu próprio sangue entrou uma vez no Santuário, havendo obtido uma eterna redenção». E isto foi prefigurado (Nm 35,25.28), onde se diz que o homicida «permanecerá ali» – isto é, na cidade de refúgio – «até a morte do sumo sacerdote que foi ungido com o óleo santo; mas depois que ele morrer, então voltará para sua casa». **Resposta à Objeção 1:** Os santos Padres, praticando obras de justiça, mereceram entrar no reino dos céus pela fé na Paixão de Cristo, segundo Hb 11,33: Os santos «pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça», e cada um deles foi por ela purificado do pecado, no que diz respeito à purificação do indivíduo. Contudo, a fé e a justiça de nenhum deles bastou para remover a barreira oriunda da culpa de todo o gênero humano; mas esta foi removida ao preço do sangue de Cristo. Por conseguinte, antes da Paixão de Cristo ninguém podia entrar no reino dos céus obtendo a bem-aventurança eterna, que consiste no pleno gozo de Deus. **Resposta à Objeção 2:** Elias foi arrebatado ao céu atmosférico, mas não ao céu empíreo, que é a morada dos santos; e do mesmo modo Enoque foi trasladado para o paraíso terrestre, onde se crê que viva com Elias até a vinda do Anticristo. **Resposta à Objeção 3:** Como foi dito acima (Q. 39, A. 5), os céus se abriram no batismo de Cristo, não por causa de Cristo, a quem o céu estava sempre aberto, mas para significar que o céu é aberto aos batizados mediante o batismo de Cristo, o qual tem a sua eficácia da Sua Paixão. **Resposta à Objeção 4:** Cristo por Sua Paixão nos mereceu a abertura do reino dos céus e removeu o obstáculo; mas por Sua ascensão, por assim dizer, nos trouxe à posse do reino celeste. E por isso se diz que, ascendendo, «abriu o caminho diante deles».

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether Christ opened the gate of heaven to us by His Passion? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não era conveniente que Cristo subisse ao céu. Pois o Filósofo diz (Sobre o Céu ii) que "as coisas que estão em estado de perfeição possuem seu bem sem movimento". Ora, Cristo estava em estado de perfeição, visto que é o Sumo Bem quanto à sua natureza divina, e soberanamente glorificado quanto à sua natureza humana. Consequentemente, Ele tem seu bem sem movimento. Mas a ascensão é movimento. Logo, não era conveniente que Cristo subisse. **Objeção 2:** Ademais, tudo o que é movido é movido por causa de algo melhor. Ora, não era algo melhor para Cristo estar no céu do que na terra, porque nada ganhou, nem na alma nem no corpo, por estar no céu. Parece, portanto, que Cristo não deveria ter subido ao céu. **Objeção 3:** Ademais, o Filho de Deus tomou carne humana para nossa salvação. Ora, teria sido mais proveitoso para os homens se Ele tivesse permanecido sempre conosco na terra; assim disse a seus discípulos (Lc 17,22): "Virão dias em que desejareis ver um dia do Filho do homem, e não o vereis". Logo, parece inconveniente que Cristo tenha subido ao céu. **Objeção 4:** Ademais, como diz Gregório (Moral. xiv), o corpo de Cristo não foi de modo algum mudado após a Ressurreição. Ora, Ele não subiu ao céu imediatamente depois de ressurgir, pois disse após a Ressurreição (Jo 20,17): "Ainda não subi para meu Pai". Parece, portanto, que nem depois de quarenta dias deveria ter subido. **Em contrário,** estão as palavras de nosso Senhor (Jo 20,17): "Subo para meu Pai e vosso Pai". **Respondo que:** O lugar deve estar em conformidade com o que nele está contido. Ora, por sua Ressurreição Cristo entrou numa vida imortal e incorruptível. Mas, enquanto nossa morada é de geração e corrupção, o lugar celeste é de incorrupção. E, consequentemente, não era conveniente que Cristo permanecesse na terra após a Ressurreição; mas era conveniente que subisse ao céu. **Resposta à Objeção 1:** Aquilo que é ótimo e possui seu bem sem movimento é o próprio Deus, porque Ele é totalmente imutável, segundo Malaquias 3,6: "Eu sou o Senhor, e não mudo". Mas toda criatura é mutável em algum aspecto, como é evidente por Agostinho (Gen. ad lit. viii). E como a natureza assumida pelo Filho de Deus permaneceu criatura, como fica claro pelo que foi dito acima (Q. 2, a. 7; Q. 16, aa. 8,10; Q. 20, a. 1), não é inconveniente que lhe seja atribuído algum movimento. **Resposta à Objeção 2:** Subindo ao céu, Cristo não adquiriu acréscimo algum de glória essencial, nem no corpo nem na alma; todavia, adquiriu algo quanto à conveniência de lugar, que pertence ao bem-estar da glória: não que seu corpo adquirisse algo de um corpo celeste por via de perfeição ou conservação; mas apenas por uma certa conveniência. Ora, isso de certo modo pertencia à sua glória; e Ele tinha uma certa alegria dessa conveniência, não que então começasse a ter alegria disso quando subiu ao céu, mas que se alegrava com isso de modo novo, como por uma coisa completada. Por isso, sobre o Salmo 15,11: "Na tua destra há delícias perpetuamente", diz a glosa: "Eu me deleitarei em assentar-me junto a Ti, quando for arrebatado da vista dos homens." **Resposta à Objeção 3:** Embora a presença corporal de Cristo tenha sido retirada dos fiéis pela Ascensão, ainda assim a presença de sua Divindade está sempre com os fiéis, como Ele mesmo diz (Mt 28,20): "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". Pois, "subindo ao céu, não abandonou aqueles que adotou", como diz o Papa Leão (De Resurrec. Serm. ii). Ora, a Ascensão de Cristo ao céu, pela qual retirou de nós sua presença corporal, foi mais proveitosa para nós do que sua presença corporal seria. Primeiramente, para aumentar nossa fé, que é de coisas não vistas. Por isso nosso Senhor disse (Jo 16) que o Espírito Santo virá e "convencerá o mundo... a respeito da justiça", isto é, da justiça "dos que creem", como diz Agostinho (Tract. xcv super Joan.): "Pois até mesmo pôr o fiel ao lado do incrédulo é envergonhar o incrédulo"; por isso continua (10): "Porque vou para o Pai, e não me vereis mais" — "Porque 'bem-aventurados os que não veem e creem'. Portanto, é de nossa justiça que o mundo é repreendido: porque 'crereis em mim, a quem não vereis'". Segundamente, para elevar nossa esperança; por isso diz (Jo 14,3): "Se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estou, vós também estejais". Pois ao colocar no céu a natureza humana que assumiu, Cristo nos deu a esperança de ir para lá; visto que "onde quer que esteja o corpo, ali se ajuntarão as águias", como está escrito em Mateus 24,28. Por isso também está escrito (Mq 2,13): "Subirá aquele que abrirá o caminho diante deles". Terceiramente, para dirigir o fervor de nossa caridade para as coisas celestes. Por isso o Apóstolo diz (Cl 3,1-2): "Buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Sabei as coisas de cima, não as que são sobre a terra"; porque, como se diz (Mt 6,21): "Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração". E como o Espírito Santo é amor que nos atrai para as coisas celestes, por isso nosso Senhor disse a seus discípulos (Jo 16,7): "Convém-vos que eu vá; porque se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, eu vo-lo enviarei". Sobre estas palavras diz Agostinho (Tract. xciv super Joan.): "Não podeis receber o Espírito, enquanto persistirdes em conhecer Cristo segundo a carne. Mas quando Cristo se retirou em corpo, não só o Espírito Santo, mas tanto o Pai como o Filho estavam presentes com eles espiritualmente." **Resposta à Objeção 4:** Embora um lugar celeste conviesse a Cristo quando ressuscitou para a vida imortal, todavia Ele retardou a Ascensão para confirmar a verdade de sua Ressurreição. Por isso está escrito (At 1,3) que "mostrou-se vivo depois de sua paixão com muitas provas, aparecendo-lhes por quarenta dias"; sobre o que a glosa diz: "Porque esteve morto por quarenta horas, durante quarenta dias estabeleceu o fato de estar novamente vivo. Ou os quarenta dias podem ser entendidos como figura deste mundo, no qual Cristo habita em sua Igreja: na medida em que o homem é feito dos quatro elementos, e é advertido a não transgredir o Decálogo."

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether it was fitting for Christ to ascend into heaven? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que não é efeito do Batismo abrir as portas do reino dos céus. Porque o que já está aberto não necessita de abertura. Ora, as portas do reino dos céus foram abertas pela Paixão de Cristo; donde está escrito (Apoc. 4,1): «Depois destas coisas olhei, e eis que (uma grande) porta estava aberta no céu.» Logo, não é efeito do Batismo abrir as portas do reino dos céus. Objecção 2: Além disso, o Batismo tem tido os seus efeitos desde que foi instituído. Ora, alguns foram batizados com o Batismo de Cristo antes da sua Paixão, segundo Jo. 3,22.26; e, se então morressem, não se lhes teriam aberto as portas do reino dos céus, visto que ninguém entrou ali antes de Cristo, conforme Miq. 2,13: «Subiu (ou ‘subirá’ na Vulgata) aquele que abrirá o caminho diante deles.» Logo, não é efeito do Batismo abrir as portas do reino dos céus. Objecção 3: Além disso, os batizados ainda estão sujeitos à morte e às outras penas da vida presente, como se disse acima (A.3). Ora, a entrada no reino dos céus não se abre a quem está sujeito a pena, como é claro quanto aos que estão no purgatório. Logo, não é efeito do Batismo abrir as portas do reino dos céus. Em contrário, sobre Lc. 3,21 – «O céu se abriu» – diz a glosa de Beda: «Vemos aqui o poder do Batismo; do qual, quando um homem sai, as portas do reino dos céus lhe são abertas.» Respondo que: Abrir as portas do reino dos céus é remover o obstáculo que impede a entrada nele. Ora, este obstáculo é a culpa e a dívida da pena. Mas demonstrou-se acima (AA.1,2) que toda a culpa e também toda a dívida da pena são tiradas pelo Batismo. Segue-se, portanto, que é efeito do Batismo abrir as portas do reino dos céus. Resposta à objecção 1: O Batismo abre as portas do reino dos céus aos batizados enquanto os incorpora na Paixão de Cristo, aplicando ao homem o seu poder. Resposta à objecção 2: Quando a Paixão de Cristo ainda não estava consumada realmente, mas apenas na fé dos crentes, o Batismo proporcionalmente fazia abrir as portas, não de facto, mas na esperança. Porque os batizados que então morriam esperavam, com esperança certa, entrar no reino dos céus. Resposta à objecção 3: Os batizados estão sujeitos à morte e às penas da vida presente, não por uma dívida pessoal de pena, mas por razão do estado da sua natureza. E, portanto, isto não lhes impede a entrada no reino dos céus, quando a morte separa a alma do corpo, porquanto pagaram, por assim dizer, a dívida da natureza.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 7 - Whether the effect of Baptism is to open the gates of the heavenly kingdom? · séc. XIII

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Mq 2, 13 nos Padres da Igreja | Aurea