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Nm 12, 6

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Matos Soares

6disse-lhes: Ouvi as minhas palavras: Se entre vós algum é profeta do Senhor, eu lhe aparecerei em visão, ou lhe falarei em sonhos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Terceira Parte (Cristologia e Sacramentos), sobre o Artigo 8 – Se em Cristo houve o dom da profecia. Objecção 1: Parece que em Cristo não houve o dom da profecia. Porque a profecia implica um certo conhecimento obscuro e imperfeito, segundo Núm. 12,6: «Se entre vós houver um profeta do Senhor, aparecer-lhe-ei em visão, ou falarei com ele em sonho.» Ora, Cristo tinha conhecimento pleno e descoberto, muito mais do que Moisés, de quem se acrescenta que «claramente e não por enigmas e figuras vê a Deus» (Núm. 6,8). Portanto, não devemos admitir profecia em Cristo. Objecção 2: Ademais, assim como a fé tem por objecto o que não se vê, e a esperança o que não se possui, assim a profecia tem por objecto o que não é presente, mas distante; pois profeta significa, por assim dizer, um anunciador de coisas distantes. Ora, em Cristo não podia haver nem fé nem esperança, como foi dito acima (AA[3],4). Logo, também a profecia não deve ser admitida em Cristo. Objecção 3: Ademais, o profeta está em ordem inferior ao anjo; por isso Moisés, que foi o maior dos profetas, como foi dito acima (SS, Q[174], A[4]), diz-se (Act. 7,38) que falou com um anjo no deserto. Mas Cristo foi «feito menor que os anjos», não quanto ao conhecimento de sua alma, mas somente quanto aos sofrimentos de seu corpo, como se mostra em Hb 2,9. Portanto, parece que Cristo não foi profeta. Pelo contrário, está escrito dele (Dt 18,15): «O teu Deus te suscitará um profeta da tua nação e de teus irmãos», e ele diz de si mesmo (Mt 13,57; Jo 4,44): «Nenhum profeta é sem honra, senão na sua própria pátria.» Respondo que Profeta significa, por assim dizer, um anunciador ou vidente de coisas longínquas, enquanto conhece e anuncia o que está longe dos sentidos dos homens, como diz Agostinho (Contra Fausto, XVI, 18). Ora, devemos ter em mente que ninguém pode ser chamado profeta por conhecer e anunciar o que está distante de outros, com os quais ele não está. E isto é claro quanto ao lugar e ao tempo. Pois se alguém vivendo na França conhecesse e anunciasse a outros que vivem na França o que se passava na Síria, isso seria profético, como Eliseu disse a Geazi (4 Reis 5,26) como aquele homem havia saltado do seu carro para encontrá-lo. Mas se alguém vivendo na Síria anunciasse o que lá se passava, não seria profético. E o mesmo se vê quanto ao tempo. Pois foi profético de Isaías anunciar que Ciro, rei dos persas, reedificaria o templo de Deus, como se vê em Is 44,28. Mas não foi profético de Esdras escrevê-lo, em cujo tempo se cumpriu. Portanto, se Deus ou os anjos, ou mesmo os bem-aventurados, conhecem e anunciam o que está além do nosso conhecimento, isso não pertence à profecia, pois de modo algum tocam o nosso estado. Ora, Cristo antes da sua paixão tocava o nosso estado, enquanto não era apenas «compreensor», mas também «viandante». Por isso era profético nele conhecer e anunciar o que estava além do conhecimento dos outros «viandantes»; e por esta razão é chamado profeta. Quanto à objecção 1, digo que estas palavras não provam que o conhecimento enigmático, a saber, por sonho e visão, pertence à natureza da profecia; mas a comparação é feita entre os outros profetas, que viam as coisas divinas em sonhos e visões, e Moisés, que via a Deus claramente e não por enigmas, e que contudo é chamado profeta, segundo Dt 24,10: «E nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés.» Não obstante, pode-se dizer que, embora Cristo tivesse conhecimento pleno e descoberto quanto à parte intelectiva, contudo na parte imaginativa tinha certas semelhanças, nas quais as coisas divinas podiam ser contempladas, enquanto não era apenas «compreensor», mas também «viandante». Quanto à objecção 2, digo que a fé diz respeito àquelas coisas que não são vistas por aquele que crê; e também a esperança é daquelas coisas que não são possuídas por aquele que espera; mas a profecia é daquelas coisas que estão além do sentido dos homens, com quem o profeta habita e conversa neste estado de vida. E, portanto, a fé e a esperança repugnam à perfeição da beatitude de Cristo; mas a profecia não. Quanto à objecção 3, digo que os anjos, sendo «compreensores», estão acima dos profetas, que são apenas «viandantes»; mas não acima de Cristo, que era ao mesmo tempo «compreensor» e «viandante».

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 8 - Whether in Christ there was the gift of prophecy? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a adivinhação por sonhos não é ilícita. Não é ilícito fazer uso da instrução divina. Ora, os homens são instruídos por Deus nos sonhos, pois está escrito (Jó 33,15-16): "Por meio de um sonho, numa visão noturna, quando o sono profundo cai sobre os homens, e eles dormem em seus leitos, então Ele", Deus, a saber, "abre os ouvidos dos homens e, ensinando, os instrui no que devem aprender." Logo, não é ilícito fazer uso da adivinhação por sonhos. **Objeção 2:** Além disso, aqueles que interpretam os sonhos, propriamente falando, fazem uso da adivinhação por sonhos. Ora, lemos que homens santos interpretaram sonhos: assim José interpretou os sonhos do copeiro de Faraó e do seu padeiro-mor (Gn 40), e Daniel interpretou o sonho do rei de Babilônia (Dn 2; 4). Portanto, a adivinhação por sonhos não é ilícita. **Objeção 3:** Ademais, é irracional negar as experiências comuns dos homens. Ora, é experiência de todos que os sonhos são significativos do futuro. Logo, é inútil negar a eficácia dos sonhos para a adivinhação, e é lícito dar-lhes ouvidos. **Ao contrário,** está escrito (Dt 18,10): "Nem se ache entre vós quem... observe os sonhos." **Respondo que,** como foi dito acima (AA[2],6), a adivinhação é supersticiosa e ilícita quando se funda numa falsa opinião. Por isso, devemos considerar o que é verdadeiro no que tange ao pré-conhecimento do futuro a partir dos sonhos. Ora, os sonhos são às vezes a causa de acontecimentos futuros; por exemplo, quando a mente de alguém se torna ansiosa pelo que viu em sonho e é levada a fazer ou evitar algo; outras vezes, os sonhos são sinais de acontecimentos futuros, na medida em que podem ser referidos a alguma causa comum tanto dos sonhos quanto dos acontecimentos futuros, e desse modo o futuro é frequentemente conhecido pelos sonhos. Devemos, então, considerar qual é a causa dos sonhos e se ela pode ser causa de acontecimentos futuros, ou ter conhecimento deles. Assim, deve-se observar que a causa dos sonhos está, às vezes, em nós e, outras vezes, fora de nós. A causa interna dos sonhos é dupla: uma diz respeito à alma, na medida em que aquelas coisas que ocuparam os pensamentos e afetos de um homem enquanto acordado retornam à sua imaginação enquanto dorme. Uma tal causa de sonhos não é causa de acontecimentos futuros, de modo que sonhos desse tipo se relacionam acidentalmente com acontecimentos futuros, e se alguma vez coincidirem, será por acaso. Mas, às vezes, a causa interna dos sonhos diz respeito ao corpo: porque a disposição interna do corpo leva à formação de um movimento na imaginação consistente com essa disposição; assim, um homem em quem há abundância de humores frios sonha que está na água ou na neve; e por essa razão os médicos dizem que devemos prestar atenção aos sonhos para descobrir as disposições internas. De modo semelhante, a causa externa dos sonhos é dupla: corporal e espiritual. É corporal na medida em que a imaginação do dorminhoco é afetada seja pelo ar circundante, seja por uma impressão de um corpo celeste, de modo que certas imagens aparecem ao dorminhoco, em conformidade com a disposição dos corpos celestes. A causa espiritual é, por vezes, referível a Deus, que revela certas coisas aos homens em seus sonhos por ministério dos anjos, conforme Nm 12,6: "Se houver entre vós um profeta do Senhor, aparecer-lhe-ei em visão, ou falar-lhe-ei em sonho." Outras vezes, porém, deve-se à ação dos demônios que certas imagens aparecem às pessoas durante o sono, e por esse meio elas, por vezes, revelam certas coisas futuras àqueles que com elas fizeram um pacto ilícito. Assim, devemos dizer que não há adivinhação ilícita em fazer uso dos sonhos para o pré-conhecimento do futuro, enquanto esses sonhos forem devidos à revelação divina, ou a alguma causa natural interna ou externa, e na medida em que a eficácia dessa causa se estenda. Mas será uma adivinhação ilícita e supersticiosa se for causada por uma revelação dos demônios, com os quais se fez um pacto, seja explícito, através da sua invocação para tal fim, seja implícito, mediante a adivinhação que se estende além de seus possíveis limites. Isto basta para as Respostas às Objeções.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether divination by dreams is unlawful? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que nenhum movimento do livre-arbítrio é necessário para a justificação do ímpio. Pois vemos que, pelo sacramento do Batismo, as crianças e, às vezes, os adultos são justificados sem movimento de seu livre-arbítrio; donde diz Agostinho (Confissões, IV) que, quando um de seus amigos foi tomado por uma febre, "jazia por muito tempo sem sentidos e em suor mortal, e, quando dele se desesperava, foi batizado sem o saber e foi regenerado"; o que se efetua pela graça santificante. Ora, Deus não limita Seu poder aos sacramentos. Logo, pode justificar o homem sem os sacramentos e sem qualquer movimento do livre-arbítrio. **Objeção 2:** Além disso, o homem, quando dorme, não tem o uso da razão e, sem ele, não pode haver movimento do livre-arbítrio. Mas Salomão recebeu de Deus o dom da sabedoria enquanto dormia, como se relata em III Reis 3 e II Paralipômenos 1. Logo, com igual razão, o dom da graça santificante é por vezes concedido por Deus ao homem sem movimento de seu livre-arbítrio. **Objeção 3:** Além disso, a graça é conservada pela mesma causa que a produz, pois Agostinho diz (Gen. ad lit., VIII, 12) que "o homem deve voltar-se para Deus assim como é continuamente feito justo por Ele". Ora, a graça é conservada no homem sem movimento de seu livre-arbítrio. Logo, pode ser infundida no princípio sem movimento do livre-arbítrio. **Em contrário:** Está escrito (João 6,45): "Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu vem a Mim." Ora, aprender não pode dar-se sem movimento do livre-arbítrio, pois o que aprende dá assentimento ao mestre. Logo, ninguém vem ao Pai pela graça justificante sem movimento do livre-arbítrio. **Respondo que:** A justificação do ímpio se realiza por Deus, que move o homem para a justiça. Pois Ele é Quem "justifica o ímpio", segundo Romanos 4,5. Ora, Deus move cada coisa ao seu modo, assim como vemos que, nas coisas naturais, o pesado e o leve são movidos diversamente, devido às suas naturezas diversas. Por isso, move o homem para a justiça conforme a condição de sua natureza humana. Mas é próprio da natureza do homem ter livre-arbítrio. Logo, naquele que tem o uso da razão, o movimento de Deus para a justiça não se dá sem movimento do livre-arbítrio; mas Ele infunde o dom da graça justificante de tal modo que, ao mesmo tempo, move o livre-arbítrio a aceitar o dom da graça, naqueles que são capazes de ser assim movidos. **Resposta à objeção 1:** As crianças não são capazes do movimento de seu livre-arbítrio; portanto, é pela mera infusão em suas almas que Deus as move para a justiça. Ora, isto não pode realizar-se sem sacramento; porque, assim como o pecado original, do qual são justificadas, não lhes provém da própria vontade, mas da geração carnal, assim também a graça lhes é dada por Cristo mediante a regeneração espiritual. E a mesma razão vale para os insensatos e idiotas que nunca tiveram o uso do livre-arbítrio. Mas, no caso daquele que teve o uso do livre-arbítrio e depois o perdeu, seja por doença ou sono, não obtém a graça justificante pelo rito exterior do Batismo ou de qualquer outro sacramento, a menos que tenha intenção de usar este sacramento, e isto só pode dar-se pelo uso de seu livre-arbítrio. E foi dessa maneira que aquele de quem Agostinho fala foi regenerado, porque, tanto antes como depois, deu assentimento ao Batismo. **Resposta à objeção 2:** Salomão não mereceu nem recebeu a sabedoria enquanto dormia; mas foi-lhe declarado no sono que, por seu anterior desejo, a sabedoria lhe seria infundida por Deus. Por isso se diz em sua pessoa (Sabedoria 7,7): "Desejei, e a inteligência me foi dada." Ou pode-se dizer que seu sono não foi natural, mas o sono da profecia, segundo Números 12,6: "Se entre vós houver um profeta do Senhor, aparecer-lhe-ei em visão, ou falar-lhe-ei em sonho." Em tais casos, o uso do livre-arbítrio permanece. E, contudo, deve-se observar que a comparação entre o dom da sabedoria e o dom da graça justificante não procede. Pois o dom da graça justificante ordena especialmente o homem ao bem, que é o objeto da vontade; e, portanto, o homem é movido a ele por um movimento da vontade, que é movimento do livre-arbítrio. Mas a sabedoria aperfeiçoa o intelecto, que precede a vontade; logo, sem qualquer movimento completo do livre-arbítrio, o intelecto pode ser iluminado com o dom da sabedoria, assim como vemos que coisas são reveladas aos homens durante o sono, segundo Jó 33,15-16: "Quando o sono profundo cai sobre os homens e eles dormem em seus leitos, então Ele abre os ouvidos dos homens e, ensinando, os instrui no que devem aprender." **Resposta à objeção 3:** Na infusão da graça justificante, há uma certa transmutação da alma humana e, portanto, requer-se um movimento próprio da alma humana para que a alma seja movida ao seu modo. Mas a conservação da graça é sem transmutação: não se requer movimento da parte da alma, mas apenas a continuação do influxo divino.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether for the justification of the ungodly is required a movement of the free-will? · séc. XIII

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Nm 12, 6 nos Padres da Igreja | Aurea