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Fl 2, 13

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Matos Soares

13Porque Deus é o que opera em vós o querer e o executar, segundo o seu beneplácito.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a vontade não é movida só por Deus como princípio exterior. Porque é natural que o inferior seja movido pelo seu superior: assim os corpos inferiores são movidos pelos corpos celestes. Ora, há algo que é mais alto que a vontade do homem e abaixo de Deus, a saber, o anjo. Logo, a vontade do homem pode ser movida também por um anjo, como princípio exterior. Objeção 2: Ademais, o ato da vontade segue o ato do intelecto. Ora, o intelecto do homem é reduzido ao ato, não só por Deus, mas também pelo anjo que o ilumina, como diz Dionísio (Hier. Cel. iv). Pela mesma razão, portanto, a vontade também é movida por um anjo. Objeção 3: Além disso, Deus não é causa senão de coisas boas, conforme Gn 1,31: «Viu Deus todas as coisas que tinha feito, e eram muito boas.» Se, portanto, a vontade do homem fosse movida só por Deus, nunca seria movida para o mal: e no entanto é a vontade pela qual «pecamos e obramos retamente», como diz Agostinho (Retrat. i, 9). Ao contrário, está escrito (Fl 2,13): «Deus é quem opera em vós o querer e o executar.» Respondo que o movimento da vontade é interior, como também o é o movimento da natureza. Ora, embora seja possível que algo mova uma coisa natural sem ser a causa da coisa movida, contudo, somente aquilo que é de algum modo a causa da natureza de uma coisa pode causar um movimento natural na mesma. Pois uma pedra é movida para cima por um homem, que não é a causa da natureza da pedra, mas este movimento não é natural à pedra; ao passo que o movimento natural da pedra não é causado senão pela causa da sua natureza. Por isso se diz na Fís. vii, 4, que o gerador move localmente os corpos pesados e leves. Assim, o homem dotado de vontade é às vezes movido por algo que não é a sua causa; mas que o seu movimento voluntário provenha de um princípio exterior que não é a causa da sua vontade, é impossível. Ora, a causa da vontade não pode ser senão Deus. E isto é evidente por duas razões. Primeiro, porque a vontade é uma potência da alma racional, a qual é causada só por Deus, pela criação, como foi dito na Primeira Parte, Q. 90, a. 2. Segundo, é evidente pelo fato de que a vontade é ordenada para o bem universal. Portanto, nenhuma outra coisa pode ser a causa da vontade, exceto o próprio Deus, que é o bem universal; enquanto todo outro bem é bem por participação, e é um bem particular, e uma causa particular não dá uma inclinação universal. Por isso, nem a matéria prima, que é potência para todas as formas, pode ser criada por algum agente particular. Resposta à Objeção 1: Um anjo não está acima do homem de modo a ser a causa da sua vontade, como os corpos celestes são causas das formas naturais, das quais resultam os movimentos naturais dos corpos naturais. Resposta à Objeção 2: O intelecto do homem é movido por um anjo, da parte do objeto, que pelo poder da luz angélica é proposto ao conhecimento do homem. E deste modo também a vontade pode ser movida por uma criatura exteriormente, como foi dito acima (a. 4). Resposta à Objeção 3: Deus move a vontade do homem, como Motor Universal, para o objeto universal da vontade, que é o bem. E sem este movimento universal, o homem não pode querer coisa alguma. Mas o homem determina-se a si mesmo pela sua razão a querer isto ou aquilo, que é bem verdadeiro ou aparente. Contudo, às vezes Deus move especialmente alguns para o querer de algo determinado, que é bem; como no caso daqueles que Ele move pela graça, como adiante se dirá (Q. 109, a. 2).

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether the will is moved by God alone, as exterior principle? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a alma de Cristo não tinha onipotência quanto à execução de sua própria vontade. Pois está escrito (Mc 7,24): "Entrando em casa, quis que ninguém o soubesse, e não pôde ocultar-se". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas. Objeção 2: Demais. Um mandamento é sinal da vontade, como foi dito na Primeira Parte, Q. 19, A. 12. Mas Nosso Senhor mandou que se fizessem certas coisas, e sucedeu o contrário, pois está escrito (Mt 9,30-31): "Jesus lhes ordenou severamente, dizendo: Vede que ninguém o saiba. Eles, porém, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela terra". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas. Objeção 3: Demais. Ninguém pede a outro o que pode fazer por si. Mas Nosso Senhor suplicou ao Pai, orando pelo que desejava que se fizesse, pois está escrito (Lc 6,12): "Saiu para o monte a orar, e passou toda a noite em oração a Deus". Logo não podia levar a cabo o propósito de sua vontade em todas as coisas. Ao contrário, diz Agostinho (Quest. Nov. et Vet. Test., q. 77): "É impossível que a vontade do Salvador não se cumpra; nem é possível que Ele queira o que sabe não dever acontecer". Respondo: A alma de Cristo quis coisas de dois modos. Primeiro, o que havia de ser realizado por Ele mesmo; e deve-se dizer que era capaz de tudo quanto assim quis, pois não conviria à sua sabedoria se quisesse fazer de Si mesmo algo que não estivesse sujeito à sua vontade. Segundo, quis coisas que fossem realizadas pelo poder divino, como a ressurreição de seu próprio corpo e feitos milagrosos semelhantes, que não podia efetuar por seu próprio poder, senão como instrumento da Divindade, como foi dito acima (A. 2). Resposta à Objeção 1: Como diz Agostinho (Quest. Nov. et Vet. Test., q. 77): "O que aconteceu, deve dizer-se que Cristo o quis. Pois deve notar-se que isso se deu na terra dos gentios, aos quais ainda não era tempo de pregar. Contudo, teria sido odioso não acolher os que vinham espontaneamente à fé. Por isso não quis ser anunciado pelos seus, e todavia quis ser procurado; e assim aconteceu". Ou pode-se dizer que esta vontade de Cristo não se referia ao que devia ser realizado por ela, mas ao que devia ser feito por outros, o que não caía sob sua vontade humana. Por isso, na carta do Papa Ágato, aprovada no Sexto Concílio [*Terceiro Concílio de Constantinopla, Ato IV], lemos: "Quando Ele, Criador e Redentor de todos, quis ocultar-se e não pôde, acaso isto não se deve referir apenas à sua vontade humana, que se dignou assumir no tempo?" Resposta à Objeção 2: Como diz Gregório (Moral. XIX), pelo fato de que "Nosso Senhor mandou que se ocultassem suas obras poderosas, deu exemplo a seus servos vindouros para que desejassem que seus milagres fossem escondidos; e, contudo, para que outros se aproveitem de seu exemplo, são divulgados contra a sua vontade". E assim este mandamento significava sua vontade de fugir da glória humana, conforme Jo 8,50: "Não busco a minha glória". Contudo, Ele queria absolutamente, e especialmente por sua vontade divina, que o milagre realizado fosse publicado para o bem dos outros. Resposta à Objeção 3: Cristo orou tanto pelas coisas que deviam ser realizadas pelo poder divino, como pelo que Ele mesmo devia fazer por sua vontade humana, pois o poder e a operação da alma de Cristo dependiam de Deus, "que opera em todos o querer e o realizar" (Fl 2,13).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 4 - Whether the soul of Christ had omnipotence as regards the execution of His will? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1**: Pareceria que em Cristo não há duas vontades, uma divina e outra humana. Pois a vontade é o primeiro motor e o primeiro comandante em todo aquele que quer. Mas em Cristo o primeiro motor e comandante era a vontade divina, visto que em Cristo tudo o que era humano era movido pela vontade divina. Logo, parece que em Cristo havia uma só vontade, a saber, a divina. **Objeção 2**: Além disso, um instrumento não é movido por sua própria vontade, mas pela vontade de seu motor. Ora, a natureza humana de Cristo era o instrumento de sua Divindade. Logo, a natureza humana de Cristo não era movida por sua própria vontade, mas pela vontade divina. **Objeção 3**: Ademais, só se multiplica em Cristo o que pertence à natureza. Mas a vontade não parece pertencer à natureza: pois as coisas naturais são por necessidade; ao passo que o que é voluntário não é por necessidade. Portanto, há uma só vontade em Cristo. **Objeção 4**: Além disso, Damasceno diz (*De Fide Orth.* iii, 14) que "querer desta ou daquela maneira não pertence à nossa natureza, mas ao nosso intelecto", i.e., ao nosso intelecto pessoal. Ora, toda vontade é esta ou aquela vontade, visto que não há nada em um gênero que não esteja ao mesmo tempo em alguma de suas espécies. Logo, toda vontade pertence à pessoa. Mas em Cristo houve e há uma só pessoa. Portanto, em Cristo há uma só vontade. **Pelo contrário**, o Senhor diz (Lc 22,42): "Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Todavia, não a minha vontade, mas a tua seja feita." E Ambrósio, citando isto ao Imperador Graciano (*De Fide* ii, 7), diz: "Assim como assumiu a minha vontade, assumiu a minha tristeza"; e sobre Lc 22,42 diz: "A sua vontade, refere-se ao Homem; a do Pai, à Divindade. Porque a vontade do homem é temporal, e a vontade da Divindade é eterna." **Respondo** que alguns colocaram em Cristo uma só vontade; mas parecem ter tido diferentes motivos para assim sustentar. Pois Apolinário não admitia em Cristo uma alma intelectual, mas afirmava que o Verbo estava no lugar da alma, ou mesmo no lugar do intelecto. Daí, como "a vontade está na razão", como diz o Filósofo (*De Anima* iii, 9), seguiu-se que em Cristo não havia vontade humana; e assim havia nele uma só vontade. Do mesmo modo, Eutiques e todos os que sustentavam em Cristo uma natureza composta foram forçados a colocar nele uma só vontade. Nestório também, que afirmava que a união de Deus e homem era de afeição e vontade, sustentava em Cristo uma só vontade. Mas posteriormente, Macário, Patriarca de Antioquia, Ciro de Alexandria, e Sérgio de Constantinopla e alguns de seus seguidores, sustentaram que há uma só vontade em Cristo, embora defendessem que em Cristo há duas naturezas unidas em uma hipóstase; porque criam que a natureza humana de Cristo nunca se movia com movimento próprio, mas apenas na medida em que era movida pela Divindade, como é evidente pela carta sinodal do Papa Ágato [*Terceiro Concílio de Constantinopla, Ato 4*]. E por isso no sexto Concílio celebrado em Constantinopla [*Ato 18*] foi decretado que se deve dizer que há duas vontades em Cristo, na seguinte passagem: "De acordo com o que os Profetas antigos nos ensinaram acerca de Cristo, e como Ele mesmo nos ensinou, e o Símbolo dos Santos Padres nos transmitiu, confessamos nele duas vontades naturais e duas operações naturais." E isto era necessário dizer. Pois é manifesto que o Filho de Deus assumiu uma natureza humana perfeita, como foi demonstrado acima (Q[5]; Q[9], A[1]). Ora, a vontade pertence à perfeição da natureza humana, sendo uma de suas potências naturais, assim como o intelecto, como foi dito na Primeira Parte, QQ[79],80. Logo, devemos dizer que o Filho de Deus assumiu uma vontade humana juntamente com a natureza humana. Ora, pela assunção da natureza humana, o Filho de Deus não sofreu diminuição alguma do que pertence à sua natureza divina, à qual compete ter vontade, como foi dito na Primeira Parte, Q[19], A[1]. Portanto, deve-se dizer que há duas vontades em Cristo, i.e., uma humana, outra divina. **Resposta à Objeção 1**: Tudo o que estava na natureza humana de Cristo era movido ao mando da vontade divina; contudo, não se segue que em Cristo não houvesse movimento da vontade próprio da natureza humana, pois as boas vontades dos outros santos são movidas pela vontade de Deus, "que opera" neles "o querer e o efetuar", como está escrito em Fl 2,13. Porque, embora a vontade não possa ser interiormente movida por nenhuma criatura, pode, todavia, ser interiormente movida por Deus, como foi dito na Primeira Parte, Q[105], A[4]. E assim também Cristo, por sua vontade humana, seguia a vontade divina, segundo o Sl 39,9: "Para fazer a tua vontade, ó Deus meu, eu desejei." Por isso, Agostinho diz (*Contra Maxim.* ii, 20): "Quando o Filho diz ao Pai: 'Não o que eu quero, mas o que tu queres', que ganhas tu ao acrescentar tuas próprias palavras e dizer 'Ele mostra que a sua vontade estava verdadeiramente sujeita ao seu Pai', como se nós negássemos que a vontade do homem deve estar sujeita à vontade de Deus?" **Resposta à Objeção 2**: É próprio de um instrumento ser movido pelo agente principal, mas diversamente, segundo a propriedade de sua natureza. Pois um instrumento inanimado, como um machado ou uma serra, é movido pelo artífice com apenas um movimento corpóreo; mas um instrumento animado por uma alma sensitiva é movido pelo apetite sensitivo, como um cavalo pelo seu cavaleiro; e um instrumento animado por alma racional é movido pela sua vontade, assim como pelo comando do seu senhor o servo é movido a agir, sendo o servo como um instrumento animado, como diz o Filósofo (*Polit.* i, 2,4; *Ethic.* viii, 11). E assim, deste modo, a natureza humana de Cristo era o instrumento da Divindade, e era movida por sua própria vontade. **Resposta à Objeção 3**: A potência da vontade é natural, e segue necessariamente a natureza; mas o movimento ou ato desta potência — que também se chama vontade — é às vezes natural e necessário, p. ex., com respeito à bem-aventurança; e às vezes provém do livre-arbítrio e não é necessário nem natural, como é evidente pelo que foi dito na Primeira da Segunda, Q[10], AA[1],[2] [*Cf. Primeira Parte, Q[82], A[2]*]. E, contudo, até mesmo a própria razão, que é o princípio deste movimento, é natural. Portanto, além da vontade divina, é necessário colocar em Cristo uma vontade humana, não apenas como potência natural, ou movimento natural, mas mesmo como movimento racional. **Resposta à Objeção 4**: Quando dizemos "querer de certa maneira", significamos um modo determinado de querer. Ora, um modo determinado diz respeito à coisa da qual é modo. Logo, como a vontade pertence à natureza, "querer de certa maneira" pertence à natureza, não considerada absolutamente, mas como está na hipóstase. Por isso, a vontade humana de Cristo teve um modo determinado pelo fato de estar numa hipóstase divina, i.e., era sempre movida de acordo com o mando da vontade divina.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether there are two wills in Christ? · séc. XIII

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Fl 2, 13 nos Padres da Igreja | Aurea