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Fl 2, 3

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Matos Soares

3nada façais por espírito de partido ou por vanglória, mas cada um, por humildade, considere os outros superiores a si,

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a honra não é devida propriamente àqueles que estão acima de nós. Pois um anjo está acima de qualquer homem viandante, segundo Mt 11,11: «Aquele que é menor no reino dos céus, é maior que João Batista.» No entanto, um anjo proibiu a João, quando este quis honrá-lo (Ap 22,10). Logo, a honra não é devida àqueles que estão acima de nós. **Objeção 2:** Ademais, a honra é devida a alguém em reconhecimento de sua virtude, como foi dito acima (A[1]; Q[63], A[3]). Mas, às vezes, os que estão acima de nós não são virtuosos. Portanto, não lhes é devida honra, assim como tampouco é devida aos demônios, que no entanto estão acima de nós na ordem da natureza. **Objeção 3:** Ademais, diz o Apóstolo (Rm 12,10): «Honrando-vos uns aos outros com preferência»; e lemos (1 Pd 2,17): «Honrai a todos.» Ora, assim não seria se a honra fosse devida somente àqueles que estão acima de nós. Portanto, a honra não é devida propriamente àqueles que estão acima de nós. **Objeção 4:** Ademais, está escrito (Tb 1,16) que Tobias «tinha dez talentos de prata daquilo com que fora honrado pelo rei»; e lemos (Et 6,11) que Assuero honrou Mardoqueu, e mandou proclamar em sua presença: «Esta honra é digno aquele a quem o rei tem prazer em honrar.» Portanto, a honra é prestada também àqueles que estão abaixo de nós, e parece, consequentemente, que a honra não é devida propriamente àqueles que estão acima de nós. **Em contrário,** diz o Filósofo (Ética, I, 12) que «a honra é devida aos melhores.» **Respondo:** Como foi dito acima (A[1]), a honra nada mais é que um reconhecimento da excelente bondade de alguém. Ora, a excelência de uma pessoa pode ser considerada, não apenas em relação àqueles que a honram, sob o aspecto de ser ela mais excelente do que eles, mas também em si mesma, ou em relação a outras pessoas; e deste modo a honra é sempre devida a alguém, por causa de alguma excelência ou superioridade. Pois a pessoa honrada não precisa ser mais excelente do que aqueles que a honram; pode bastar que seja mais excelente do que alguns outros, ou ainda pode ser mais excelente do que aqueles que a honram sob algum aspecto e não simplesmente. **Resposta à Objeção 1:** O anjo proibiu João de lhe prestar, não qualquer tipo de honra, mas a honra de adoração e latria, que é devida a Deus. Ou também lhe proibiu de prestar a honra de dulia, para indicar a dignidade do próprio João, pela qual Cristo o igualou aos anjos «segundo a esperança da glória dos filhos de Deus»; por isso recusou ser honrado por ele como se lhe fosse superior. **Resposta à Objeção 2:** Um superior mau é honrado pela excelência, não de sua virtude, mas de sua dignidade, como ministro de Deus, e porque a honra que lhe é prestada é prestada a toda a comunidade sobre a qual ele preside. Quanto aos demônios, são maus além de toda esperança de conversão, e devem ser considerados antes como inimigos, do que tratados com honra. **Resposta à Objeção 3:** Em cada homem se encontra algo que nos permite julgá-lo melhor do que nós mesmos, segundo Fl 2,3: «Com humildade, considerai cada um os outros superiores a si mesmos»; e assim também todos devemos estar alertas para prestar honra uns aos outros. **Resposta à Objeção 4:** Os particulares são às vezes honrados pelos reis, não por estarem acima deles na ordem da dignidade, mas por alguma excelência de sua virtude; e deste modo Tobias e Mardoqueu foram honrados pelos reis.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether honor is properly due to those who are above us? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os anjos não são enviados para obras de ministério. Porque toda missão é para algum lugar determinado. Ora, as ações intelectuais não determinam um lugar, pois o intelecto abstrai do "aqui" e "agora". Visto, portanto, que as ações angélicas são intelectuais, parece que os anjos não são enviados para realizar as suas próprias ações. Objeção 2: Além disso, o céu empíreo é o lugar que convém à dignidade angélica. Portanto, se são enviados a nós em ministério, parece que algo da sua dignidade se perderia; o que é inconveniente. Objeção 3: Além disso, a ocupação exterior impede a contemplação da sabedoria; por isso se diz: "O que é menos em ação receberá sabedoria" (Eclo. 38:25). Se, pois, alguns anjos são enviados para ministérios exteriores, aparentemente seriam impedidos de contemplar. Ora, toda a sua beatitude consiste na contemplação de Deus. Portanto, se fossem enviados, a sua beatitude diminuiria; o que é inconveniente. Objeção 4: Além disso, ministrar é próprio de um inferior; por isso está escrito (Lc. 22:27): "Qual é o maior, o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa?" Ora, os anjos são naturalmente maiores do que nós. Logo, não são enviados para nos administrar. Em contrário, está escrito (Êx. 23:20): "Eis que eu envio o meu anjo, que vá adiante de ti." Respondo: Pelo que foi dito acima (Q. 108, A. 6), pode mostrar-se que alguns anjos são enviados em ministério por Deus. Pois, como já dissemos (Q. 43, A. 1), ao tratar da missão das Pessoas divinas, diz-se que é enviado aquele que de algum modo procede de outro, de modo a começar a estar onde não estava, ou a estar de outro modo onde já estava. Assim, diz-se que o Filho ou o Espírito Santo é enviado como procedente do Pai por origem; e começa a estar de um modo novo, pela graça ou pela natureza assumida, onde já estava pela presença da sua divindade; pois é próprio de Deus estar presente em toda parte, porque, sendo o agente universal, o seu poder atinge todo o ser e, portanto, Ele existe em todas as coisas (Q. 8, A. 1). O poder de um anjo, porém, como agente particular, não atinge todo o universo, mas atinge uma coisa de tal modo que não atinge outra; e, assim, ele está "aqui" de modo a não estar "ali". Ora, é claro pelo que foi dito acima (Q. 110, A. 1) que a criatura corpórea é governada pelos anjos. Portanto, sempre que um anjo tem de realizar alguma obra relativa a uma criatura corpórea, o anjo aplica-se novamente a esse corpo pelo seu poder; e desse modo começa a estar ali de novo. Ora, tudo isto se dá por mandamento divino. Donde se segue que um anjo é enviado por Deus. Contudo, a ação realizada pelo anjo que é enviado procede de Deus como do seu primeiro princípio, por cujo aceno e por cuja autoridade os anjos trabalham; e é referida a Deus como ao seu último fim. Ora, é isto o que significa um ministro: pois um ministro é um instrumento inteligente; enquanto um instrumento é movido por outro, e a sua ação é ordenada a outro. Por isso, as ações dos anjos são chamadas 'ministérios'; e por esta razão se diz que são enviados em ministério. Resposta à objeção 1: Uma operação pode ser intelectual de dois modos. De um modo, como residente no próprio intelecto, como a contemplação; tal operação não exige ocupar um lugar; na verdade, como diz Agostinho (De Trin. iv, 20): "Nós mesmos, quando saboreamos mentalmente algo eterno, não estamos neste mundo." Noutro sentido, diz-se que uma ação é intelectual porque é regulada e comandada por algum intelecto; nesse sentido, as operações intelectuais têm evidentemente, por vezes, um lugar determinado. Resposta à objeção 2: O céu empíreo pertence à dignidade angélica por via de congruência; porquanto é congruente que o corpo mais elevado seja atribuído àquela natureza que ocupa uma posição acima dos corpos. Contudo, o anjo não deriva a sua dignidade do céu empíreo; portanto, quando não está atualmente no céu empíreo, nada da sua dignidade se perde, como também um rei não diminui a sua dignidade quando não está sentado no seu trono real, que convém à sua dignidade. Resposta à objeção 3: Em nós, a pureza da contemplação é obscurecida pela ocupação exterior; porque nos entregamos à ação através das faculdades sensitivas, cuja ação, quando intensa, impede a ação das potências intelectuais. Um anjo, pelo contrário, regula as suas ações exteriores apenas pela operação intelectual. Donde se segue que as suas ocupações externas em nada impedem a sua contemplação; porque, dadas duas ações, uma das quais é a regra e a razão da outra, uma não impede, mas antes ajuda a outra. Por isso, Gregório diz (Moral. ii) que "os anjos não saem para fora de modo a perder as delícias da contemplação interior." Resposta à objeção 4: Nas suas ações exteriores, os anjos ministram principalmente a Deus, e secundariamente a nós; não porque nós sejamos superiores a eles, absolutamente falando, mas porque, visto que todo homem ou anjo, aderindo a Deus, se torna um só espírito com Deus, é por isso superior a toda criatura. Donde o Apóstolo diz (Fil. 2:3): "Considerando cada um os outros superiores a si mesmo."

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether the angels are sent on works of ministry? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a vanglória não se opõe à magnanimidade. Porque, como se disse acima (A[1]), a vanglória consiste em gloriar-se em coisas que não são, o que pertence à falsidade; ou em coisas terrenas e perecíveis, o que pertence à cobiça; ou no testemunho dos homens, cujo juízo é incerto, o que pertence à imprudência. Ora, estes vícios não são contrários à magnanimidade. Logo, a vanglória não se opõe à magnanimidade. Objeção 2: Além disso, a vanglória não se opõe à magnanimidade por defeito, como a pusilanimidade, pois isto parece incompatível com a vanglória. Nem se lhe opõe por excesso, porque assim a presunção e a ambição se opõem à magnanimidade, como se disse acima (Q[130], A[2]; Q[131], A[2]); e estas diferem da vanglória. Logo, a vanglória não se opõe à magnanimidade. Objeção 3: Além disso, uma glosa sobre Filipenses 2,3: "Nada façais por contenda, nem por vanglória", diz: "Alguns entre eles eram dados à dissensão e à inquietação, contendendo uns com os outros por causa da vanglória." Ora, a contenda [*Cf. Q[38]] não se opõe à magnanimidade. Logo, nem a vanglória. Em contrário, Túlio diz (De Offic. i) sob o título: "A magnanimidade consiste em duas coisas: Devemos acautelar-nos do desejo da glória, pois escraviza o espírito, que o homem magnânimo deve sempre esforçar-se por manter livre." Portanto, opõe-se à magnanimidade. Respondo que, como se disse acima (Q[103], A[1], ad 3), a glória é um efeito da honra e do louvor: porque do fato de um homem ser louvado, ou de se lhe mostrar qualquer espécie de reverência, ele adquire caridade no conhecimento dos outros. E como a magnanimidade é acerca da honra, como se disse acima (Q[129], AA[1],2), segue-se que é também acerca da glória; visto que, assim como o homem usa moderadamente da honra, assim também usa moderadamente da glória. Por onde, o desejo desordenado da glória opõe-se diretamente à magnanimidade. Resposta à objeção 1: Fazer tão grande caso de coisas pequenas a ponto de gloriar-se nelas é em si mesmo oposto à magnanimidade. Por onde, do magnânimo se diz (Ethic. iv) que a honra é para ele de pouca conta. Do mesmo modo, ele faz pouco caso de outras coisas que se buscam por causa da honra, como o poder e as riquezas. Igualmente, é incompatível com a magnanimidade gloriar-se em coisas que não são; por onde, do magnânimo se diz (Ethic. iv) que se importa mais com a verdade do que com a opinião. Também é incompatível com a magnanimidade que um homem se glorie no testemunho do louvor humano, como se disso fizesse grande caso; por onde, do magnânimo se diz (Ethic. iv) que não se importa de ser louvado. E assim, quando um homem considera coisas pequenas como se fossem grandes, nada impede que isto seja contrário à magnanimidade, bem como a outras virtudes. Resposta à objeção 2: Aquele que é desejoso de vanglória, na verdade, fica aquém de ser magnânimo, porque se gloria naquilo que o magnânimo tem por pouco, como se disse na resposta anterior. Mas, se considerarmos a sua estimativa, ele se opõe ao magnânimo por excesso, porque a glória que busca é para ele algo grande, e ele tende para ela em excesso dos seus merecimentos. Resposta à objeção 3: Como se disse acima (Q[127], A[2], ad 2), a oposição dos vícios não depende dos seus efeitos. Todavia, a contenda, se praticada intencionalmente, opõe-se à magnanimidade; pois ninguém contende senão pelo que tem por grande. Por onde, o Filósofo diz (Ethic. iv, 3) que o magnânimo não é contencioso, porque nada é grande na sua estimativa.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether vainglory is opposed to magnanimity? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não se deve, por humildade, sujeitar-se a todos os homens. Pois, como foi dito acima (A[2], ad 3), a humildade consiste principalmente na sujeição do homem a Deus. Ora, não se deve oferecer a um homem aquilo que é devido a Deus, como sucede com todos os atos de culto religioso. Logo, por humildade, não se deve sujeitar-se ao homem. Objeção 2: Ademais, diz Agostinho (Da Natureza e da Graça, xxxiv): “A humildade deve tomar o partido da verdade, não da falsidade.” Ora, alguns homens são da mais alta dignidade, que não podem, sem falsidade, sujeitar-se aos seus inferiores. Logo, não se deve, por humildade, sujeitar-se a todos os homens. Objeção 3: Ademais, ninguém deve fazer aquilo que conduz ao detrimento do bem espiritual de outrem. Ora, se um homem se sujeita a outro por humildade, isto é prejudicial à pessoa a quem se sujeita; pois este pode tornar-se soberbo, ou desprezar o outro. Donde diz Agostinho em sua Regra (Ep. ccxi): “Para que, por excessiva humildade, o superior não perca a sua autoridade.” Logo, um homem não deve, por humildade, sujeitar-se a todos. Ao contrário, está escrito (Fl 2, 3): “Em humildade, cada um estime os outros superiores a si mesmos.” Respondo: Podemos considerar duas coisas no homem: aquilo que é de Deus e aquilo que é do homem. O que pertence ao defeito é do homem; mas o que pertence ao bem-estar e à perfeição do homem é de Deus, segundo o dito de Oseias 13, 9: “A tua perdição, ó Israel, é de ti; em mim está o teu auxílio.” Ora, a humildade, como foi dito acima (A[1], ad 5; A[2], ad 3), diz propriamente respeito à reverência pela qual o homem se sujeita a Deus. Portanto, todo homem, no que é seu, deve sujeitar-se a cada próximo, no que este tem de Deus; mas a humildade não exige que o homem sujeite o que tem de Deus àquilo que pode parecer de Deus em outro. Pois aqueles que têm parte nos dons de Deus sabem que os têm, segundo 1 Cor 2, 12: “Para que conheçamos as coisas que nos são dadas gratuitamente por Deus.” Por isso, sem prejuízo da humildade, podem colocar os dons que receberam de Deus acima daqueles que outros parecem ter recebido Dele; assim o Apóstolo diz (Ef 3, 5): “(O mistério de Cristo) não foi conhecido pelos filhos dos homens, como agora é revelado aos seus santos apóstolos.” Do mesmo modo, a humildade não exige que o homem sujeite o que tem de seu àquilo que o próximo tem de homem: de outra forma, cada um teria que se considerar maior pecador do que qualquer outro; enquanto o Apóstolo diz, sem prejuízo da humildade (Gl 2, 15): “Nós, judeus naturais, e não pecadores dentre os gentios.” No entanto, um homem pode estimar que o próximo tem algum bem que lhe falta, ou que ele mesmo tem algum mal que outro não tem; por isso, pode sujeitar-se a ele com humildade. Resposta à objeção 1: Não devemos reverenciar somente a Deus em Si mesmo, mas também o que é Dele em cada um, embora não com a mesma medida de reverência com que reverenciamos a Deus. Por isso, devemos sujeitar-nos com humildade a todos os nossos próximos por amor de Deus, segundo 1 Pd 2, 13: “Sujeitai-vos a toda a humana criatura por amor de Deus”; mas somente a Deus devemos o culto de latria. Resposta à objeção 2: Se colocamos o que o próximo tem de Deus acima do que temos de nosso, não podemos incorrer em falsidade. Por isso, uma glosa [*Santo Agostinho, QQ. lxxxiii, q. 71] sobre Fl 2, 3, “Estimai os outros superiores a vós mesmos”, diz: “Não devemos estimar fingindo estimar; mas devemos, na verdade, pensar que é possível que outra pessoa tenha algo que nos está escondido e pelo qual é melhor do que nós, embora o nosso próprio bem, pelo qual somos aparentemente melhores do que ele, não esteja escondido.” Resposta à objeção 3: A humildade, como as outras virtudes, reside principalmente interiormente na alma. Consequentemente, um homem, por um ato interior da alma, pode sujeitar-se a outro, sem dar a esse outro ocasião de detrimento ao seu bem espiritual. É isto o que significa Agostinho em sua Regra (Ep. ccxi): “Com temor, o superior deve prostrar-se a vossos pés diante de Deus.” Por outro lado, deve-se observar a devida moderação nos atos exteriores de humildade, como também nas demais virtudes, para que não concorram para o detrimento de outrem. Se, todavia, um homem faz o que deve, e outros tiram daí ocasião de pecado, isto não é imputado ao homem que age com humildade; pois ele não dá escândalo, embora outros o tomem.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether one ought, by humility, to subject oneself to all men? · séc. XIII

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