Referência

Fl 2, 8

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Matos Soares

8Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte da cruz.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

São João Crisóstomo

Na qual palavra Ele manifesta o mistério do Seu «esvaziamento a Si mesmo» (cf. Fl 2,7-8), isto é, da Sua encarnação, e a soberania da Sua natureza divina, porquanto aqui afirma que veio voluntariamente ao mundo. Lucas, porém, diz: «Para isto fui enviado», proclamando a Economia, e o beneplácito de Deus Pai acerca da encarnação do Filho. Segue-se: «E continuava pregando nas sinagogas deles, por toda a Galileia.»

Vict. Ant. e Cat. in Marc · Vict. Ant. e Cat. in Marc · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o Filho de Deus não assumiu um corpo verdadeiro. Pois está escrito (Fl 2,7) que Ele foi “feito à semelhança dos homens”. Ora, aquilo que é algo em verdade não se diz que está na sua semelhança. Logo, o Filho de Deus não assumiu um corpo verdadeiro. **Objeção 2:** Ademais, a assunção de um corpo em nada diminui a dignidade da Divindade; pois o Papa Leão diz (Serm. de Nativ.) que “a glorificação não absorveu a natureza inferior, nem a assunção diminuiu a superior”. Mas pertence à dignidade de Deus estar absolutamente separado dos corpos. Parece, portanto, que pela assunção Deus não se uniu a um corpo. **Objeção 3:** Ademais, os sinais devem corresponder às realidades. Ora, as aparições do Antigo Testamento, que eram sinais da manifestação de Cristo, não se deram em corpo real, mas por visões na imaginação, como é claro em Is 60,1: “Vi o Senhor assentado”, etc. Donde parece que a aparição do Filho de Deus no mundo não foi em corpo real, mas tão-somente na imaginação. **Ao contrário,** Agostinho diz (Das 83 Questões, q. 13): “Se o corpo de Cristo foi um fantasma, Cristo nos enganou; e se nos enganou, não é a Verdade. Mas Cristo é a Verdade. Logo, seu corpo não foi um fantasma.” Portanto, é evidente que assumiu um corpo verdadeiro. **Respondo** que, como se diz (De Eccles. Dogm. ii), o Filho de Deus não nasceu apenas na aparência, como se tivesse um corpo imaginário, mas seu corpo foi real. A prova disso é tríplice. Primeiro, pela essência da natureza humana, à qual pertence ter um corpo verdadeiro. Logo, admitido, como já se provou (q. 4, a. 1), que convinha ao Filho de Deus assumir a natureza humana, Ele, por conseguinte, devia assumir um corpo real. A segunda razão é tomada do que foi feito no mistério da Encarnação. Pois, se seu corpo não fosse real, mas imaginário, Ele não teria sofrido verdadeira morte, nem das coisas que os Evangelistas narram sobre Ele teria feito alguma em verdade, mas apenas em aparência; e daí seguir-se-ia também que não se realizou a verdadeira salvação do homem, pois o efeito deve ser proporcionado à causa. A terceira razão é tomada da dignidade da Pessoa assuminte, a Quem não convinha ter nada de fictício em sua obra, pois Ele é a Verdade. Por isso, o próprio Senhor dignou-se refutar este erro (Lc 24,37.39), quando os discípulos, “perturbados e atemorizados, julgavam ver um espírito” e não um corpo verdadeiro; pelo que Ele se ofereceu ao seu tato, dizendo: “Apalpai e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho.” **Resposta à Objeção 1:** Esta semelhança indica a verdade da natureza humana em Cristo — assim como tudo o que realmente existe na natureza humana se diz ser semelhante na espécie — e não uma mera semelhança imaginária. Em prova disso, o Apóstolo acrescenta (Fl 2,8) que Ele se fez “obediente até à morte, e morte de cruz”; o que teria sido impossível se fosse apenas uma semelhança imaginária. **Resposta à Objeção 2:** Pela assunção de um corpo verdadeiro, a dignidade do Filho de Deus não é minimamente diminuída. Por isso Agostinho [*Fulgêncio] diz (Da Fé a Pedro, ii): “Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, para se fazer servo; contudo, não perdeu a plenitude da forma de Deus.” Pois o Filho de Deus assumiu um corpo verdadeiro, não de modo a se tornar forma de um corpo — o que repugna à simplicidade e pureza divinas, pois isso seria assumir um corpo para a unidade da natureza, o que é impossível, como é claro pelo que foi dito acima (q. 2, a. 1) — mas, permanecendo as naturezas distintas, assumiu um corpo para a unidade da Pessoa. **Resposta à Objeção 3:** A figura deve corresponder à realidade quanto à semelhança, e não quanto à verdade da coisa. Pois, se fossem semelhantes em tudo, já não seria semelhança, mas a própria realidade, como diz Damasceno (Da Fé Ortodoxa, III, 26). Por isso foi mais conveniente que as aparições do Antigo Testamento se dessem apenas na aparência, sendo figuras; e que a aparição do Filho de Deus no mundo se desse em corpo real, sendo a coisa prefigurada por essas figuras. Donde o Apóstolo diz (Cl 2,17): “Que são sombra das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether the Son of God ought to have assumed a true body? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 3 – Se houve fé em Cristo.** **Objeção 1:** Parece que houve fé em Cristo. Pois a fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, como a temperança e a liberalidade. Ora, estas existiam em Cristo, como se afirmou acima (a. 2). Logo, com muito mais razão houve fé n’Ele. **Objeção 2:** Ademais, Cristo não ensinou virtudes que Ele mesmo não possuísse, conforme Atos 1,1: “Jesus começou a fazer e a ensinar”. Mas de Cristo se diz (Heb. 12,2) que Ele é “o autor e consumador da nossa fé”. Logo, houve fé n’Ele antes de todos os outros. **Objeção 3:** Além disso, tudo o que é imperfeito é excluído dos bem-aventurados. Ora, nos bem-aventurados há fé; pois sobre Rom. 1,17: “A justiça de Deus se revela nele de fé em fé”, uma glosa diz: “Da fé das palavras e da esperança para a fé das coisas e da visão”. Portanto, parece que também em Cristo houve fé, já que ela nada implica de imperfeito. **Em sentido contrário,** está escrito (Heb. 11,1): “A fé é a evidência das coisas que não aparecem”. Ora, nada havia que não aparecesse a Cristo, segundo o que Pedro Lhe disse (Jo. 21,17): “Tu sabes todas as coisas”. Logo, não houve fé em Cristo. **Respondo que,** como se disse acima (II-II, q. 1, a. 4), o objeto da fé é uma coisa divina não vista. Ora, o hábito da virtude, como todo hábito, recebe sua espécie do objeto. Portanto, se negarmos que a coisa divina não era vista, excluímos a própria essência da fé. Ora, desde o primeiro instante de Sua conceição, Cristo via plenamente a Essência de Deus, como se tornará claro (q. 34, a. 1). Logo, não podia haver fé n’Ele. **Resposta à objeção 1:** A fé é virtude mais nobre que as virtudes morais, porquanto tem por objeto matéria mais nobre; contudo, implica certo defeito quanto a essa matéria; e esse defeito não estava em Cristo. E por isso não pôde haver fé n’Ele, embora as virtudes morais existissem n’Ele, pois, por sua natureza, não implicam defeito quanto à sua matéria. **Resposta à objeção 2:** O mérito da fé consiste nisto: que o homem, por obediência, dá assentimento ao que não vê, segundo Rom. 1,5: “Para a obediência da fé em todas as nações por amor do Seu nome”. Ora, Cristo teve obediência perfeitíssima a Deus, conforme Fil. 2,8: “Tornando-Se obediente até à morte”. E por isso não ensinou nada relativo ao mérito que Ele mesmo não cumprisse mais perfeitamente. **Resposta à objeção 3:** Como diz a glosa no mesmo lugar, fé é aquela “pela qual se crê nas coisas que não são vistas”. Mas a fé nas coisas vistas é assim chamada impropriamente, e apenas por certa semelhança quanto à certeza e firmeza do assentimento.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether in Christ there was faith? · séc. XIII

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Beato Alcuíno de Iorque

Assim como Eu guardei os mandamentos de Meu Pai. O Apóstolo explica quais foram estes mandamentos: Cristo fez-Se obediente até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8).

séc. IX

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