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Fl 4, 4

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Matos Soares

4Alegrai-vos incessantemente no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo espiritual que resulta da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Pois pertence à caridade alegrar-se com o bem do próximo, segundo 1 Co 13,4.6: "A caridade... não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade." Ora, este gozo é compatível com uma mistura de tristeza, segundo Rm 12,15: "Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram." Logo, o gozo espiritual da caridade é compatível com uma mistura de tristeza. Objeção 2: Ademais, segundo Gregório (Hom. in Evang. xxxiv), "a penitência consiste em deplorar os pecados passados e em não cometer novamente aqueles que deplorámos." Ora, não há verdadeira penitência sem caridade. Logo, o gozo da caridade tem uma mistura de tristeza. Objeção 3: Ademais, é pela caridade que o homem deseja estar com Cristo, segundo Fp 1,23: "Tendo desejo de ser dissolvido e de estar com Cristo." Ora, este desejo dá origem, no homem, a uma certa tristeza, segundo Sl 119,5: "Ai de mim que a minha peregrinação se prolongou!" Logo, o gozo da caridade admite um tempero de tristeza. Em contrário, O gozo da caridade é o gozo acerca da sabedoria divina. Ora, tal gozo não tem mistura de tristeza, segundo Sb 8,16: "A sua conversação não tem amargura." Logo, o gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza. Respondo: Como foi dito acima (A[1], ad 3), da caridade nasce um duplo gozo em Deus. Um, mais excelente, é próprio da caridade; e com este gozo nos alegramos com o bem divino considerado em si mesmo. Este gozo da caridade é incompatível com uma mistura de tristeza, assim como o bem que é o seu objeto é incompatível com qualquer mistura de mal; por isso, o Apóstolo diz (Fp 4,4): "Alegrai-vos no Senhor sempre." O outro é o gozo da caridade pelo qual nos alegramos com o bem divino como participado por nós. Esta participação pode ser impedida por algo que lhe é contrário; por isso, a este respeito, o gozo da caridade é compatível com uma mistura de tristeza, na medida em que um homem se entristece pelo que impede a participação do bem divino, seja em nós, seja no nosso próximo, a quem amamos como a nós mesmos. Resposta à Objeção 1: O nosso próximo não chora senão por causa de algum mal. Ora, todo mal implica falta de participação no soberano bem; por isso, a caridade nos faz chorar com o próximo, na medida em que ele é impedido de participar do bem divino. Resposta à Objeção 2: Os nossos pecados nos separam de Deus, segundo Is 59,2; por isso, esta é a razão pela qual nos entristecemos pelos nossos pecados passados, ou pelos dos outros, na medida em que nos impedem de participar do bem divino. Resposta à Objeção 3: Embora nesta morada infeliz participemos, de certo modo, do bem divino, pelo conhecimento e pelo amor, contudo a infelicidade desta vida é um obstáculo à perfeita participação do bem divino; por isso, esta própria tristeza, pela qual um homem se entristece pela demora da glória, está ligada ao impedimento da participação do bem divino.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether the spiritual joy, which results from charity, is compatible with an admixture of sorrow? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo é uma virtude. Pois o vício é contrário à virtude. Ora, a tristeza é posta como um vício, como no caso da acídia e da inveja. Logo, também o gozo deve ser considerado uma virtude. Objeção 2: Ademais, assim como o amor e a esperança são paixões cujo objeto é o "bem", assim também o é o gozo. Ora, o amor e a esperança são contados como virtudes. Logo, também o gozo deve ser contado como uma virtude. Objeção 3: Ademais, os preceitos da Lei versam sobre atos de virtude. Ora, somos mandados alegrar-nos no Senhor, segundo Fp 4,4: "Alegrai-vos no Senhor sempre." Logo, o gozo é uma virtude. Em contrário, Não é numerado entre as virtudes teologais, nem entre as morais, nem entre as intelectuais, como é evidente a partir do que foi dito acima (FS, QQ[57],60,62). Respondo: Como foi dito acima (FS, Q[55], AA[2],4), a virtude é um hábito operativo, pelo que, por sua própria natureza, tem uma inclinação para um certo ato. Ora, pode acontecer que do mesmo hábito procedam vários atos ordenados e homogêneos, cada um dos quais se segue do outro. E como os atos subsequentes não procedem do hábito virtuoso senão através do ato precedente, por isso é que a virtude é definida e nomeada em referência a esse ato precedente, embora esses outros atos também procedam da virtude. Ora, é evidente, a partir do que dissemos sobre as paixões (FS, Q[25], AA[2],4), que o amor é a primeira afeição da potência apetitiva, e que o desejo e o gozo se seguem dele. Por isso, o mesmo hábito virtuoso nos inclina a amar e desejar o bem amado, e a gozar dele. Mas, visto que o amor é o primeiro destes atos, essa virtude toma o seu nome, não do gozo, nem do desejo, mas do amor, e chama-se caridade. Por isso, o gozo não é uma virtude distinta da caridade, mas um ato ou efeito da caridade; razão pela qual é numerado entre os Frutos (Gl 5,22). Resposta à Objeção 1: A tristeza que é um vício é causada pelo amor-próprio desordenado, e este não é um vício especial, mas uma fonte geral dos vícios, como foi dito acima (FS, Q[77], A[4]); por isso, foi necessário considerar certas tristezas particulares como vícios especiais, porque não surgem de um vício especial, mas de um vício geral. Por outro lado, o amor de Deus é considerado uma virtude especial, a saber, a caridade, à qual o gozo deve ser referido, como seu ato próprio, como foi dito acima (aqui e A[2]). Resposta à Objeção 2: A esperança procede do amor assim como o gozo, mas a esperança acrescenta, da parte do objeto, uma característica especial, a saber, "difícil" e "possível de obter"; razão pela qual é considerada uma virtude especial. Por outro lado, o gozo não acrescenta ao amor nenhum aspeto especial que possa causar uma virtude especial. Resposta à Objeção 3: A Lei prescreve o gozo, como sendo um ato de caridade, embora não o seu primeiro ato.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether joy is a virtue? · séc. XIII

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Fl 4, 4 nos Padres da Igreja | Aurea