Referência

Pr 10, 12

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Matos Soares

12O ódio excita rixas, porém a caridade cobre todas as faltas.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que a fé não purifica o coração. Pois a pureza do coração pertence principalmente aos afetos, enquanto a fé está no intelecto. Logo a fé não tem o efeito de purificar o coração. Objeção 2: Ademais, aquilo que purifica o coração é incompatível com a impureza. Ora a fé é compatível com a impureza do pecado, como se vê naqueles que têm fé informe. Logo a fé não purifica o coração. Objeção 3: Ademais, se a fé purificasse de algum modo o coração humano, purificaria principalmente o intelecto do homem. Ora ela não purifica o intelecto da obscuridade, pois é um conhecimento velado. Logo a fé de modo nenhum purifica o coração. Ao contrário, Pedro disse (At 15,9): «Purificando os seus corações pela fé.» Respondo que uma coisa é impura por estar misturada com coisas mais baixas; pois a prata não se chama impura quando misturada com ouro, que a melhora, mas quando misturada com chumbo ou estanho. Ora é evidente que a criatura racional é mais excelente do que todas as criaturas transitórias e corpóreas; de modo que se torna impura ao sujeitar-se a coisas transitórias, amando-as. Desta impureza a criatura racional é purificada por meio de um movimento contrário, a saber, tendendo para aquilo que está acima dela, isto é, Deus. O primeiro início deste movimento é a fé: pois «quem se aproxima de Deus deve crer que Ele existe», segundo Hb 11,6. Por isso, o primeiro início da purificação do coração é a fé; e se esta for aperfeiçoada por ser vivificada pela caridade, o coração será perfeitamente purificado por ela. Resposta à objeção 1: As coisas que estão no intelecto são os princípios daquelas que estão no apetite, na medida em que o bem apreendido move o apetite. Resposta à objeção 2: Mesmo a fé informe exclui uma certa impureza que lhe é contrária, a saber, a do erro, e que consiste no intelecto humano aderir desordenadamente a coisas inferiores a si, por querer medir as coisas divinas pela regra dos objetos sensíveis. Mas quando é vivificada pela caridade, então é incompatível com qualquer tipo de impureza, porque «a caridade cobre todos os pecados» (Pr 10,12). Resposta à objeção 3: A obscuridade da fé não pertence à impureza do pecado, mas antes ao defeito natural do intelecto humano, segundo o estado presente da vida.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether faith has the effect of purifying the heart? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Pareceria que a caridade não exige que amemos os nossos inimigos. Pois diz Agostinho (Enchiridion, LXXIII) que "este grande bem", a saber, o amor dos inimigos, "não é tão universal na sua aplicação como o objeto da nossa petição quando dizemos: Perdoai-nos as nossas ofensas". Ora, ninguém recebe o perdão dos pecados sem ter caridade, porque, segundo Prov. 10,12, "a caridade cobre todos os pecados". Logo, a caridade não exige que amemos os nossos inimigos. Ademais, a caridade não suprime a natureza. Ora, tudo, mesmo um ser irracional, naturalmente odeia o seu contrário, como o cordeiro odeia o lobo, e a água, o fogo. Logo, a caridade não nos faz amar os nossos inimigos. Ademais, a caridade "não obra perversamente" (1 Cor. 13,4). Ora, parece perverso amar os próprios inimigos, como o seria odiar os próprios amigos: por isso Joabe repreendeu Davi, dizendo (2 Reis 19,6): "Tu amas os que te odeiam, e odeias os que te amam." Logo, a caridade não nos faz amar os nossos inimigos. Ao contrário, o Senhor disse (Mat. 4,44): "Amai os vossos inimigos." Respondo que o amor dos inimigos pode ser entendido de três modos. Primeiro, como se amássemos os inimigos enquanto tais: isto é perverso e contrário à caridade, pois implica amar aquilo que é mau no outro. Segundo, o amor dos inimigos pode significar que os amemos quanto à sua natureza, mas em geral; e neste sentido a caridade exige que amemos os nossos inimigos, a saber, que, amando a Deus e ao próximo, não excluamos os inimigos do amor dado ao próximo em geral. Terceiro, o amor dos inimigos pode ser considerado como especialmente dirigido a eles, a saber, que tenhamos um movimento especial de amor para com os nossos inimigos. A caridade não exige isto absolutamente, porque não exige que tenhamos um movimento especial de amor para com cada homem em particular, pois isso seria impossível. Contudo, a caridade exige isto quanto à disposição da mente, a saber, que estejamos prontos a amar os nossos inimigos individualmente, se a necessidade ocorresse. Que alguém o faça atualmente e ame o seu inimigo por amor de Deus, sem que lhe seja necessário, pertence à perfeição da caridade. Pois, como o homem ama o próximo por caridade, por amor de Deus, quanto mais ama a Deus, tanto mais põe de lado as inimizades e manifesta amor ao próximo: assim, se amássemos muito a um certo homem, amaríamos os seus filhos ainda que fossem hostis para conosco. É neste sentido que fala Agostinho no passo citado na Primeira Objeção, cuja resposta é, portanto, evidente. Resposta à Segunda Objeção: Tudo naturalmente odeia o seu contrário enquanto tal. Ora, os nossos inimigos são contrários a nós enquanto inimigos, pelo que isto mesmo nos deve ser odioso, pois a sua inimizade nos deve desagradar. Eles, porém, não nos são contrários enquanto homens e capazes de felicidade; e é enquanto tais que somos obrigados a amá-los. Resposta à Terceira Objeção: É errado amar os inimigos enquanto tais; a caridade não faz isto, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 8 - Whether charity requires that we should love our enemies? · séc. XIII

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