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Pr 10, 23

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Matos Soares

23É um divertimento para o louco fazer o mal, e para o homem sensato ser sábio.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que esta doutrina não é a mesma que a sabedoria. Porque nenhuma doutrina que toma emprestados seus princípios é digna do nome de sabedoria; visto que o sábio dirige, e não é dirigido (Metaf. i). Ora, esta doutrina toma emprestados seus princípios. Logo, esta ciência não é sabedoria. Objeção 2: Ademais, é próprio da sabedoria provar os princípios das outras ciências. Por isso é chamada a principal das ciências, como é claro na Ética vi. Ora, esta doutrina não prova os princípios das outras ciências. Logo, não é a mesma que a sabedoria. Objeção 3: Além disso, esta doutrina é adquirida pelo estudo, enquanto a sabedoria é adquirida pela inspiração de Deus; de modo que é enumerada entre os dons do Espírito Santo (Is. 11,2). Logo, esta doutrina não é a mesma que a sabedoria. Em contrário, está escrito (Dt. 4,6): «Esta é a vossa sabedoria e inteligência diante dos povos». Respondo que esta doutrina é sabedoria acima de toda sabedoria humana; não simplesmente em alguma ordem, mas absolutamente. Porque, sendo próprio do sábio ordenar e julgar, e devendo as coisas menores ser julgadas à luz de um princípio mais alto, chama-se sábio em qualquer ordem aquele que considera o princípio mais alto nessa ordem: assim, na ordem da construção, quem planeja a forma da casa é chamado sábio e arquiteto, em oposição aos trabalhadores inferiores que aparam a madeira e preparam as pedras: «Como sábio arquiteto, lancei o fundamento» (1 Cor. 3,10). Igualmente, na ordem de toda a vida humana, o homem prudente é chamado sábio, na medida em que dirige seus atos a um fim conveniente: «A sabedoria é prudência para o homem» (Prov. 10,23). Portanto, aquele que considera absolutamente a causa mais alta de todo o universo, a saber, Deus, é acima de todos chamado sábio. Por isso a sabedoria é dita o conhecimento das coisas divinas, como diz Agostinho (De Trin. xii, 14). Mas a doutrina sagrada trata essencialmente de Deus considerado como a causa mais alta — não apenas na medida em que pode ser conhecido através das criaturas, como os filósofos o conheceram — «O que de Deus se conhece é manifesto neles» (Rom. 1,19) — mas também na medida em que é conhecido somente por Si mesmo e revelado aos outros. Por isso a doutrina sagrada é especialmente chamada sabedoria. Resposta à objeção 1: A doutrina sagrada deriva seus princípios não de qualquer conhecimento humano, mas do conhecimento divino, através do qual, como através da sabedoria mais alta, todo o nosso conhecimento é ordenado. Resposta à objeção 2: Os princípios das outras ciências ou são evidentes e não podem ser provados, ou são provados pela razão natural através de alguma outra ciência. Mas o conhecimento próprio desta ciência vem pela revelação e não pela razão natural. Portanto, não lhe cabe provar os princípios das outras ciências, mas apenas julgá-los. Tudo quanto se encontra nas outras ciências contrário a alguma verdade desta ciência deve ser condenado como falso: «Destruindo conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus» (2 Cor. 10,4-5). Resposta à objeção 3: Visto que o julgamento pertence à sabedoria, a dupla maneira de julgar produz uma dupla sabedoria. Um homem pode julgar de um modo por inclinação, como aquele que tem o hábito de uma virtude julga corretamente sobre o que concerne a essa virtude por sua própria inclinação para ela. Por isso o homem virtuoso, como lemos, é a medida e regra dos atos humanos. De outro modo, pelo conhecimento, assim como um homem versado na ciência moral pode julgar corretamente sobre atos virtuosos, embora não tenha a virtude. O primeiro modo de julgar as coisas divinas pertence àquela sabedoria que está enumerada entre os dons do Espírito Santo: «O homem espiritual julga todas as coisas» (1 Cor. 2,15). E Dionísio diz (Div. Nom. ii): «Hieroteu é ensinado não pelo mero estudo, mas pela experiência das coisas divinas.» O segundo modo de julgar pertence a esta doutrina que é adquirida pelo estudo, embora seus princípios sejam obtidos pela revelação.

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether this doctrine is the same as wisdom? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a prudência pertence não só à razão prática, mas também à especulativa. Pois está escrito (Pr 10,23): "A sabedoria é prudência para o homem." Ora, a sabedoria consiste principalmente na contemplação. Logo, também a prudência. Objeção 2: Ademais, Ambrósio diz (De Offic. i, 24): "A prudência ocupa-se da busca da verdade e nos enche do desejo de um conhecimento mais pleno." Ora, isto pertence à razão especulativa. Logo, a prudência reside também na razão especulativa. Objeção 3: Ademais, o Filósofo atribui a arte e a prudência à mesma parte da alma (Ética vi, 1). Ora, a arte pode ser não só prática, mas também especulativa, como no caso das artes liberais. Logo, a prudência também é tanto prática como especulativa. Em contrário, o Filósofo diz (Ética vi, 5) que a prudência é a reta razão aplicada à ação. Ora, isto não pertence senão à razão prática. Logo, a prudência está apenas na razão prática. Respondo que, segundo o Filósofo (Ética vi, 5), "o homem prudente é aquele que é capaz de tomar bom conselho". Ora, o conselho é acerca das coisas que temos de fazer em relação a algum fim; e a razão que trata das coisas a fazer para um fim é a razão prática. Donde é evidente que a prudência reside apenas na razão prática. Resposta à objeção 1: Como foi dito acima (Q[45], AA[1],3), a sabedoria considera a causa absolutamente altíssima; de modo que a consideração da causa altíssima em qualquer género particular pertence à sabedoria nesse género. Ora, no género dos atos humanos, a causa altíssima é o fim comum de toda a vida humana, e é este fim que a prudência visa. Pois o Filósofo diz (Ética vi, 5) que, assim como aquele que raciocina bem para a realização de um fim particular, como a vitória, é dito prudente, não absolutamente, mas num género particular, a saber, a guerra, assim aquele que raciocina bem a respeito da reta conduta como um todo é dito prudente absolutamente. Pelo que é claro que a prudência é sabedoria acerca das coisas humanas; mas não sabedoria absolutamente, porque não é acerca da causa absolutamente altíssima, pois é acerca do bem humano, e este não é o melhor de todos. E assim se diz significativamente que "a prudência é sabedoria para o homem", mas não sabedoria absolutamente. Resposta à objeção 2: Ambrósio, e também Túlio (De Invent. ii, 53), tomam a palavra prudência em sentido lato para qualquer conhecimento humano, seja especulativo, seja prático. E, contudo, pode-se também responder que o próprio ato da razão especulativa, enquanto é voluntário, é matéria de escolha e de conselho quanto ao seu exercício; e, consequentemente, cai sob a direção da prudência. Por outro lado, quanto à sua especificação em relação ao seu objeto, que é o "verdadeiro necessário", não cai nem sob o conselho nem sob a prudência. Resposta à objeção 3: Toda aplicação da reta razão na obra de produção pertence à arte; mas à prudência pertence apenas a aplicação da reta razão nas matérias de conselho, que são aquelas em que não há um modo fixo de obter o fim, como se afirma na Ética iii, 3. Visto que, pois, a razão especulativa faz coisas como silogismos, proposições e semelhantes, nas quais o processo segue regras certas e fixas, consequentemente, a respeito de tais coisas é possível ter as notas essenciais da arte, mas não da prudência; e assim encontramos uma arte especulativa, mas não uma prudência especulativa.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether prudence belongs to the practical reason alone or also to the speculative reason? · séc. XIII

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Pr 10, 23 nos Padres da Igreja | Aurea