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Pr 13, 12

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Matos Soares

12A esperança, que se retarda, aflige a alma; o (bom) desejo que se satisfaz, é uma árvore da vida.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Excerto 6 — Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte, Artigo 3 — Se a esperança e a memória causam deleite?** Objecção 1: Parece que a memória e a esperança não causam deleite. Porque o deleite é causado pelo bem presente, como diz Damasceno (De Fide Orth. II, 12). Ora, a esperança e a memória dizem respeito ao que está ausente: pois a memória é do passado, e a esperança do futuro. Logo, a memória e a esperança não causam deleite. Objecção 2: Demais, a mesma coisa não é causa de contrários. Ora, a esperança causa aflição, segundo Prov. 13, 12: “A esperança que se demora aflige a alma.” Logo, a esperança não causa deleite. Objecção 3: Demais, assim como a esperança concorda com o deleite em considerar o bem, assim também o desejo e o amor. Logo, a esperança não deve ser assinalada como causa de deleite, mais do que o desejo ou o amor. Em contrário, está escrito (Rom. 12, 12): “Alegrai-vos na esperança”; e (Sal. 76, 4): “Lembrei-me de Deus e deliciei-me.” Respondo que o deleite é causado pela presença do bem adequado, na medida em que é sentido, ou percebido de qualquer modo. Ora, uma coisa está presente para nós de dois modos. Primeiro, no conhecimento — i.e., segundo o que é conhecido está no conhecedor pela sua semelhança; segundo, na realidade — i.e., segundo uma coisa está em conjunção real de qualquer género com outra, quer atual quer potencialmente. E como a conjunção real é maior do que a conjunção pela semelhança, que é a conjunção do conhecimento; e, de novo, como a conjunção atual é maior do que a potencial: portanto, o maior deleite é o que advém da sensação, que requer a presença do objeto sensível. O segundo lugar pertence ao deleite da esperança, no qual há conjunção deleitável, não só quanto à apreensão, mas também quanto à faculdade ou poder de obter o objeto deleitável. O terceiro lugar pertence ao deleite da memória, que tem apenas a conjunção da apreensão. Resposta à Objecção 1: A esperança e a memória são, de facto, de coisas que, absolutamente falando, estão ausentes; e todavia essas estão, de certo modo, presentes, i.e., ou apenas segundo a apreensão; ou segundo a apreensão e a possibilidade, pelo menos suposta, de obtenção. Resposta à Objecção 2: Nada impede que a mesma coisa, de diferentes modos, seja causa de contrários. E assim, a esperança, enquanto implica uma apreciação presente de um bem futuro, causa deleite; mas enquanto implica a ausência desse bem, causa aflição. Resposta à Objecção 3: O amor e a concupiscência também causam deleite. Pois tudo o que é amado torna-se agradável ao amante, já que o amor é uma espécie de união ou conaturalidade do amante e do amado. Do mesmo modo, todo objeto de desejo é agradável para aquele que deseja, pois o desejo é principalmente uma ânsia de deleite. Contudo, a esperança, por implicar uma certeza da presença real do bem deleitável, que não é implicada nem pelo amor nem pela concupiscência, é preferencialmente considerada como causadora de deleite; e também preferencialmente à memória, que é daquilo que já passou.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether hope and memory causes pleasure? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a esperança não é auxílio, mas impedimento à ação. Porque a esperança implica segurança. Mas a segurança gera negligência, que impede a ação. Logo, a esperança é impedimento à ação. Objeção 2: Ademais, a tristeza impede a ação, como foi dito acima (Q[37], A[3]). Mas a esperança às vezes causa tristeza; pois está escrito (Prov. 13,12): «A esperança que se demora aflige a alma.» Logo, a esperança impede a ação. Objeção 3: Ademais, o desespero é contrário à esperança, como foi dito acima (A[4]). Mas o desespero, especialmente nas coisas da guerra, conduz à ação; pois está escrito (2 Reis 2,26): «É perigoso levar o povo ao desespero.» Portanto, a esperança tem efeito contrário, a saber, impedindo a ação. Ao contrário, está escrito (1 Cor. 9,10): «O que lavra, lavre com esperança de receber o fruto»; e o mesmo se aplica a todas as outras ações. Respondo que a esperança, por sua própria natureza, é auxílio à ação, tornando-a mais intensa; e isso por duas razões. Primeiro, por parte de seu objeto, que é um bem árduo, porém possível. Pois a consideração de ser árduo desperta a nossa atenção; enquanto a consideração de ser possível não retarda o nosso esforço. Daí resulta que, por causa da esperança, o homem se aplica à sua ação. Segundo, por parte de seu efeito. Porque a esperança, como foi dito acima (Q[32], A[3]), causa prazer; o qual é auxílio à ação, como foi dito acima (Q[33], A[4]). Portanto, a esperança conduz à ação. Resposta à Objeção 1: A esperança diz respeito a um bem a ser obtido; a segurança diz respeito a um mal a ser evitado. Por onde, a segurança parece ser contrária ao temor, mais do que pertencer à esperança. Contudo, a segurança não gera negligência, senão na medida em que diminui a noção de dificuldade; e com isso também diminui o caráter de esperança; pois as coisas em que o homem não teme impedimento algum já não são consideradas difíceis. Resposta à Objeção 2: A esperança, por si mesma, causa prazer; é por acidente que causa tristeza, como foi dito acima (Q[32], A[3], ad 2). Resposta à Objeção 3: O desespero ameaça perigo na guerra, por causa de uma certa esperança que lhe está ligada. Pois os que desesperam da fuga esforçam-se menos para fugir, mas esperam vingar a sua morte; e, por isso, nesta esperança combatem mais corajosamente e, consequentemente, mostram-se perigosos ao inimigo.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether hope is a help or a hindrance to action? · séc. XIII

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