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Pr 15, 18

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Matos Soares

18O homem iracundo provoca rixas; o que é paciente acalma as disputas.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a discórdia não é filha da vanglória. Porque a ira é um vício distinto da vanglória. Ora, a discórdia é aparentemente filha da ira, segundo Prov. 15, 18: "O homem apaixonado suscita contendas." Logo, não é filha da vanglória. Objeção 2: Ademais, Agostinho, expondo as palavras de Jo 7, 39: "Ainda não era dado o Espírito", diz (Tract. xxxii): "A malícia separa, a caridade une." Ora, a discórdia é apenas uma separação de vontades. Logo, a discórdia nasce da malícia, i. é, da inveja, antes que da vanglória. Objeção 3: Ademais, o que dá origem a muitos males parece ser um vício capital. Ora, tal é a discórdia, porque Jerónimo, comentando Mt 12, 25: "Todo o reino dividido contra si mesmo será assolado", diz: "Assim como a concórdia faz prosperar as coisas pequenas, assim a discórdia arruína as maiores." Logo, a discórdia deveria ser considerada ela mesma um vício capital, antes que filha da vanglória. Em sentido contrário, está a autoridade de Gregório (Moral. xxxi, 45). Respondo que a discórdia denota uma certa desunião de vontades, enquanto, a saber, a vontade de um homem se apega a uma coisa e a vontade de outro a outra. Ora, se a vontade de um homem se apega ao seu próprio parecer, isto se deve ao facto de ele preferir o que é seu ao que é dos outros; e, se o faz desordenadamente, deve-se ao orgulho e à vanglória. Portanto, a discórdia, pela qual um homem se apega ao seu próprio modo de pensar e se afasta do dos outros, é considerada filha da vanglória. Resposta à Objeção 1: A contenda não é o mesmo que discórdia; pois a contenda consiste em atos externos; por onde, é conveniente que nasça da ira, que incita o ânimo a prejudicar o próximo; ao passo que a discórdia consiste numa divergência nos movimentos das vontades, que nasce do orgulho ou da vanglória, pela razão já dada. Resposta à Objeção 2: Na discórdia podemos considerar aquilo que é o termo "de onde", i. é, a vontade alheia da qual nos afastamos, e, sob este aspecto, nasce da inveja; e podemos ainda considerar aquilo que é o termo "para onde", i. é, algo do nosso a que nos apegamos, e, sob este aspecto, é causada pela vanglória. E, porque em todo movimento o termo "para onde" é mais importante do que o termo "de onde" (pois o fim é de maior conta do que o princípio), a discórdia é considerada filha da vanglória antes que da inveja, embora possa nascer de ambas por diferentes razões, como foi dito. Resposta à Objeção 3: A razão pela qual a concórdia faz prosperar as coisas pequenas, e a discórdia arruína as maiores, é porque "quanto mais unida é uma força, tanto mais forte é; quanto mais desunida, tanto mais fraca se torna" (De Causis xvii). Por onde, é evidente que isto é parte do efeito próprio da discórdia, que é a desunião das vontades, e de modo algum indica que outros vícios nascem da discórdia, como se ela fosse um vício capital.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether discord is a daughter of vainglory? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a contenda não é filha da ira. Porquanto está escrito (Tg 4,1): «Donde vêm as guerras e contendas? Não vêm elas dos vossos deleites, que combatem em vossos membros?» Ora, a ira não está na faculdade concupiscível. Logo, a contenda é filha, não da ira, mas da concupiscência. Objeção 2: Além disso, está escrito (Pv 28,25): «O que é soberbo de ânimo excita rixas.» Ora, contenda e rixa são aparentemente a mesma coisa. Logo, parece que a contenda é filha da soberba ou vanglória, que faz o homem jactar-se e inchar-se. Objeção 3: Além disso, está escrito (Pv 18,6): «Os lábios do néscio se entremetem em rixas.» Ora, a loucura difere da ira, pois se opõe, não à mansidão, mas à sabedoria ou prudência. Portanto, a contenda não é filha da ira. Objeção 4: Além disso, está escrito (Pv 10,12): «O ódio excita rixas.» Ora, o ódio nasce da inveja, segundo Gregório (Moral. xxxi, 17). Logo, a contenda não é filha da ira, mas da inveja. Objeção 5: Além disso, está escrito (Pv 17,19): «O que ama a discórdia ama a rixa.» Ora, a discórdia é filha da vanglória, como foi dito acima (q. 37, a. 2). Logo, a contenda também o é. Ao contrário, Gregório diz (Moral. xxxi, 17) que «a ira dá origem à contenda»; e está escrito (Pv 15,18; 29,22): «O homem iracundo excita rixas.» Respondo que, como foi dito acima (a. 1), contenda significa um antagonismo que se estende aos atos, quando um homem intenta causar dano a outro. Ora, há duas maneiras de um homem intentar causar dano a outro. De um modo, como se intentasse absolutamente o mal do outro, o que é efeito do ódio, pois a intenção do ódio visa o dano do inimigo, quer aberta quer secretamente. De outro modo, um homem intenta causar dano a outro que sabe e resiste à sua intenção. Isto é o que entendemos por contenda, e pertence propriamente à ira, que é o desejo de vingança; pois o irado não se contenta em causar dano secretamente ao objeto de sua ira, mas deseja que ele sinta o dano e saiba que o que sofre é em vingança do que fez, como se pode ver pelo que foi dito acima sobre a paixão da ira (Iª-IIæ, q. 46, a. 6, ad 2). Portanto, propriamente falando, a contenda nasce da ira. Resposta à Objeção 1: Como foi dito acima (Iª-IIæ, q. 25, a. 1 e 2), todas as paixões irascíveis nascem das da faculdade concupiscível, de modo que tudo o que é efeito imediato da ira nasce também da concupiscência como de sua primeira raiz. Resposta à Objeção 2: A jactância e o inchaço de si mesmo, que são resultado da ira ou da vanglória, não são a causa direta, mas ocasional, das rixas ou contendas, porque, quando um homem se ressente de que outro lhe seja preferido, sua ira se desperta, e então sua ira resulta em rixa e contenda. Resposta à Objeção 3: A ira, como foi dito acima (Iª-IIæ, q. 48, a. 3), impede o juízo da razão, de modo que se assemelha à loucura. Por isso, têm um efeito comum, pois é devido a um defeito na razão que um homem intenta desordenadamente causar dano a outro. Resposta à Objeção 4: Embora a contenda às vezes nasça do ódio, este não é seu efeito próprio, porque quando um homem odeia outro, está fora de sua intenção causar-lhe dano de modo rixoso e aberto, pois às vezes busca causar-lhe dano secretamente. Quando, porém, se vê prevalecendo, esforça-se por prejudicá-lo com contenda e rixa. Mas causar dano a outro com rixa é efeito próprio da ira, pela razão acima exposta. Resposta à Objeção 5: As contendas dão origem ao ódio e à discórdia nos corações daqueles que são culpados de contenda, e assim aquele que «estuda», isto é, intenta semear discórdia entre outros, faz com que eles contendam entre si. Assim como qualquer pecado pode comandar o ato de outro pecado, dirigindo-o ao seu próprio fim. Isto, todavia, não prova que a contenda seja filha da vanglória própria e diretamente.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether strife is a daughter of anger? · séc. XIII

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