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Pr 16, 1

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Matos Soares

1Ao homem pertence formar os projectos em seu coração, mas do Senhor vem a resposta da língua. Todos os caminhos do homem são puros a seus olhos, mas o Senhor pesa os espíritos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que o homem, por si mesmo e sem o auxílio externo da graça, pode preparar-se para a graça. Porque nada impossível é imposto ao homem, como acima se afirmou (A[4], ad 1). Mas está escrito (Zac. 1,3): «Convertei-vos a mim… e eu me converterei a vós». Ora, preparar-se para a graça não é mais do que converter-se a Deus. Logo, parece que o homem, por si mesmo e sem o auxílio externo da graça, pode preparar-se para a graça. Objeção 2: Ademais, o homem prepara-se para a graça fazendo o que está em seu poder fazer; pois, se o homem faz o que está em seu poder, Deus não lhe negará a graça, como está escrito (Mt. 7,11) que Deus dá o seu bom Espírito «aos que lho pedem». Ora, o que está em nosso poder, está em nós fazê-lo. Logo, parece que está em nosso poder prepararmo-nos para a graça. Objeção 3: Ademais, se o homem necessita da graça para se preparar para a graça, com igual razão necessitará da graça para se preparar para a primeira graça; e assim ao infinito, o que é impossível. Logo, parece que não se deve ir além do que primeiro foi dito, isto é, que o homem, por si mesmo e sem a graça, pode preparar-se para a graça. Objeção 4: Ademais, está escrito (Prov. 16,1) que «é da parte do homem preparar a alma». Ora, diz-se que uma ação é parte do homem quando este a pode fazer por si mesmo. Logo, parece que o homem, por si mesmo, pode preparar-se para a graça. Pelo contrário, está escrito (Jo. 6,44): «Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer». Ora, se o homem se pudesse preparar a si mesmo, não precisaria ser trazido por outro. Logo, o homem não pode preparar-se sem o auxílio da graça. Respondo que a preparação da vontade humana para o bem é dupla: a primeira, pela qual se prepara para obrar retamente e gozar de Deus; e esta preparação da vontade não pode dar-se sem o dom habitual da graça, que é o princípio das obras meritórias, como acima se afirmou (A[5]). De um segundo modo, pode a vontade humana considerar-se preparada para o próprio dom da graça habitual. Ora, para que o homem se prepare para receber este dom, não é necessário pressupor na alma qualquer outro dom habitual; de contrário, iríamos ao infinito. Mas deve-se pressupor um dom gratuito de Deus, que move interiormente a alma ou inspira o bom desejo. Pois, destes dois modos necessitamos do auxílio divino, como acima se afirmou (AA[2],3). Ora, que necessitemos do auxílio de Deus para nos mover, é manifesto. Porque, visto que todo agente obra por um fim, toda causa deve dirigir o seu efeito para o seu fim; e, portanto, como a ordem dos fins é segundo a ordem dos agentes ou motores, o homem deve ser dirigido ao fim último pelo movimento do primeiro motor, e ao fim próximo pelo movimento de qualquer dos motores subordinados; assim como o ânimo do soldado é inclinado a buscar a vitória pelo movimento do chefe do exército, e a seguir a bandeira de um regimento pelo movimento do porta-estandarte. E assim, visto que Deus é o Primeiro Motor, simplesmente, é pelo seu movimento que tudo procura assemelhar-se a Deus a seu modo. Por isso, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que «Deus volta todas as coisas para si». Mas dirige os justos para si como para um fim especial que eles buscam e ao qual desejam aderir, conforme o Salmo 72,28: «Bom é para mim o aderir-me a Deus». E que eles sejam «voltados» para Deus só pode provir de Deus os ter «voltado». Ora, preparar-se para a graça é, por assim dizer, ser voltado para Deus; assim como quem tem os olhos desviados da luz do sol prepara-se para receber a luz solar, voltando os olhos para o sol. Portanto, é claro que o homem não pode preparar-se para receber a luz da graça senão pelo auxílio gratuito de Deus que o move interiormente. Resposta à objeção 1: A conversão do homem para Deus dá-se pelo livre-arbítrio; e assim o homem é exortado a converter-se a Deus. Mas o livre-arbítrio só pode ser convertido a Deus quando Deus o converte, conforme Jer. 31,18: «Converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o Senhor, meu Deus»; e Lam. 5,21: «Converte-nos a ti, Senhor, e converter-nos-emos». Resposta à objeção 2: O homem nada pode fazer sem ser movido por Deus, conforme Jo. 15,5: «Sem mim nada podeis fazer». Logo, quando se diz que o homem faz o que está em seu poder, isto se diz estar em seu poder enquanto é movido por Deus. Resposta à objeção 3: Esta objeção refere-se à graça habitual, para a qual se requer alguma preparação, pois toda forma exige uma disposição naquilo que há de ser seu sujeito. Mas, para que o homem seja movido por Deus, não se pressupõe nenhum outro movimento, pois Deus é o Primeiro Motor. Por isso, não é necessário ir ao infinito. Resposta à objeção 4: É da parte do homem preparar a sua alma, porque o faz pelo seu livre-arbítrio. Contudo, não o faz sem o auxílio de Deus que o move e o atrai para si, como acima se disse.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether a man, by himself and without the external aid of grace, can prepare himself for grace? · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

Excerto de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte, sobre o Artigo 2 — Se alguma preparação e disposição para a graça é exigida da parte do homem. Objeção 1: Parece que nenhuma preparação ou disposição para a graça se requer da parte do homem, pois, como diz o Apóstolo (Rom. 4,4): «Ao que trabalha, o salário não se lhe conta como graça, mas como dívida». Ora, a preparação do homem pelo livre-arbítrio só pode ser mediante alguma operação. Logo, isso anularia a noção de graça. Objeção 2: Além disso, quem persevera no pecado não se prepara para ter a graça. Mas a alguns que perseveram no pecado é dada a graça, como é claro no caso de Paulo, que recebeu a graça enquanto «respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor» (At 9,1). Logo, nenhuma preparação para a graça se requer da parte do homem. Objeção 3: Além disso, um agente de potência infinita não necessita de disposição na matéria, pois nem sequer requer matéria, como se vê na criação, com a qual a graça é comparada, sendo chamada «nova criatura» (Gl 6,15). Ora, só Deus, que tem potência infinita, causa a graça, como foi dito acima (A[1]). Logo, nenhuma preparação se requer da parte do homem para obter a graça. Ao contrário, está escrito (Amós 4,12): «Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus»; e (1 Reis 7,3): «Preparai os vossos corações ao Senhor». Respondo que, como foi dito acima (Q[111], A[2]), a graça se toma de dois modos: primeiro, como dom habitual de Deus. Segundo, como auxílio de Deus, que move a alma para o bem. Ora, tomando a graça no primeiro sentido, requer-se para ela uma certa preparação, pois a forma só pode estar na matéria disposta. Mas se falamos da graça como significando o auxílio de Deus para nos mover ao bem, nenhuma preparação se requer da parte do homem que, por assim dizer, antecipe o auxílio divino; pelo contrário, toda preparação no homem deve ser pelo auxílio de Deus que move a alma para o bem. E assim, até o bom movimento do livre-arbítrio, pelo qual alguém se prepara para receber o dom da graça, é um ato do livre-arbítrio movido por Deus. E por isso se diz que o homem se prepara a si mesmo, segundo Prov. 16,1: «Ao homem pertence preparar a alma»; contudo, é principalmente de Deus, que move o livre-arbítrio. Por isso se diz que a vontade do homem é preparada por Deus, e que os passos do homem são dirigidos por Deus. Resposta à Objeção 1: Uma certa preparação do homem para a graça é simultânea com a infusão da graça; e esta operação é meritória, não certamente da graça, que já é possuída — mas da glória, que ainda não é possuída. Mas há outra preparação imperfeita, que às vezes precede o dom da graça santificante, e contudo é do movimento de Deus. Mas ela não basta para o mérito, pois o homem ainda não é justificado pela graça, e o mérito só pode provir da graça, como se verá adiante (Q[114], A[2]). Resposta à Objeção 2: Visto que o homem não pode preparar-se para a graça a menos que Deus o previna e mova para o bem, não importa se alguém chega à preparação perfeita instantaneamente, ou passo a passo. Pois está escrito (Eclo 11,23): «Fácil é aos olhos de Deus enriquecer de repente o pobre». Ora, às vezes acontece que Deus move o homem para o bem, mas não para o bem perfeito, e esta preparação precede a graça. Mas outras vezes move-o súbita e perfeitamente para o bem, e o homem recebe a graça subitamente, segundo Jo 6,45: «Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu, vem a mim». E assim aconteceu com Paulo: pois, estando ele no meio do pecado, subitamente o seu coração foi perfeitamente movido por Deus para ouvir, aprender, vir; e por isso recebeu a graça subitamente. Resposta à Objeção 3: Um agente de potência infinita não necessita de matéria ou disposição da matéria, produzida pela ação de outra coisa; e contudo, considerando a condição da coisa causada, deve causar, na coisa causada, tanto a matéria como a devida disposição para a forma. Assim também, quando Deus infunde a graça numa alma, não se requer nenhuma preparação que Ele mesmo não produza.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether any preparation and disposition for grace is required on man's part? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que o homem, por si mesmo e sem o auxílio externo da graça, pode preparar-se para a graça. Pois nada de impossível é imposto ao homem, como se estabeleceu acima (A[4], ad 1). Mas está escrito (Zacarias 1,3): «Convertei-vos a mim… e eu me converterei a vós». Ora, preparar-se para a graça não é senão converter-se a Deus. Logo, parece que o homem, por si mesmo e sem o auxílio externo da graça, pode preparar-se para a graça. **Objeção 2:** Ademais, o homem prepara-se para a graça fazendo o que está em seu poder fazer, pois, se o homem faz o que está em seu poder fazer, Deus não lhe negará a graça; porquanto está escrito (Mateus 7,11) que Deus dá o seu bom Espírito «aos que lho pedem». Ora, o que está em nosso poder está em nós fazê-lo. Logo, parece que está em nosso poder prepararmo-nos para a graça. **Objeção 3:** Ademais, se um homem necessita da graça para preparar-se para a graça, com igual razão necessitará da graça para preparar-se para a primeira graça; e assim ao infinito, o que é impossível. Donde parece que não devemos ir além do que foi dito primeiro, a saber, que o homem, por si mesmo e sem a graça, pode preparar-se para a graça. **Objeção 4:** Ademais, está escrito (Provérbios 16,1) que «é da parte do homem preparar a alma». Ora, diz-se que uma ação é parte do homem, quando ele a pode fazer por si mesmo. Logo, parece que o homem, por si mesmo, pode preparar-se para a graça. **Ao contrário,** está escrito (João 6,44): «Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer». Ora, se o homem pudesse preparar-se, não necessitaria ser trazido por outro. Logo, o homem não pode preparar-se sem o auxílio da graça. **Respondo.** A preparação da vontade humana para o bem é dupla: a primeira, pela qual ela se prepara para obrar retamente e gozar de Deus; e esta preparação da vontade não pode dar-se sem o dom habitual da graça, que é o princípio das obras meritórias, como acima se disse (A[5]). Há uma segunda maneira pela qual a vontade humana pode ser considerada como preparada para o dom da própria graça habitual. Ora, para que o homem se prepare para receber este dom, não é necessário pressupor na alma qualquer outro dom habitual; de outra maneira, iríamos ao infinito. Mas é necessário pressupor um dom gratuito de Deus, que move interiormente a alma ou inspira o bom propósito. Pois destas duas maneiras necessitamos do auxílio divino, como acima se disse (AA[2],3). Ora, que necessitamos do auxílio de Deus para sermos movidos, é manifesto. Porque, como todo agente obra por um fim, toda causa deve dirigir o seu efeito para o seu fim; e, portanto, como a ordem dos fins é segundo a ordem dos agentes ou motores, o homem deve ser dirigido ao fim último pelo movimento do primeiro motor, e ao fim próximo pelo movimento de qualquer dos motores subordinados; assim como o ânimo do soldado é inclinado a buscar a vitória pelo movimento do chefe do exército — e a seguir a bandeira de um regimento pelo movimento do porta-bandeira. E assim, uma vez que Deus é o primeiro motor, simplesmente, é pelo seu movimento que toda coisa busca assemelhar-se a Deus à sua maneira. Donde Dionísio diz (De Div. Nom. IV) que «Deus converte todas as coisas a si mesmo». Mas Ele dirige os homens justos a si mesmo como a um fim especial, que eles buscam e ao qual desejam aderir, conforme o Salmo 72,28: «a mim me é bom estar unido a Deus». E que eles sejam «convertidos» a Deus só pode provir do facto de Deus os ter «convertido». Ora, preparar-se para a graça é, por assim dizer, converter-se a Deus; assim como quem tem os olhos desviados da luz do sol prepara-se para receber a luz do sol, voltando os olhos para o sol. Portanto, fica claro que o homem não pode preparar-se para receber a luz da graça senão pelo auxílio gratuito de Deus, que o move interiormente. **Resposta à Objeção 1:** A conversão do homem para Deus dá-se pelo livre-arbítrio; e assim é ordenado ao homem que se converta a Deus. Mas o livre-arbítrio só pode converter-se a Deus, quando Deus o converte, segundo Jeremias 31,18: «Converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o Senhor, meu Deus»; e Lamentações 5,21: «Converte-nos, Senhor, a ti, e converter-nos-emos». **Resposta à Objeção 2:** O homem nada pode fazer senão movido por Deus, segundo João 15,5: «Sem mim, nada podeis fazer». Portanto, quando se diz que o homem faz o que está em seu poder fazer, diz-se que isto está em seu poder na medida em que é movido por Deus. **Resposta à Objeção 3:** Esta objeção diz respeito à graça habitual, para a qual se requer alguma preparação, pois toda forma requer uma disposição naquilo que há de ser o seu sujeito. Mas, para que o homem seja movido por Deus, nenhum movimento ulterior é pressuposto, uma vez que Deus é o primeiro motor. Portanto, não precisamos ir ao infinito. **Resposta à Objeção 4:** É da parte do homem preparar a sua alma, pois ele o faz pelo seu livre-arbítrio. Contudo, ele não o faz sem o auxílio de Deus, que o move e o atrai a si mesmo, como foi dito acima.

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether a man, by himself and without the external aid of grace, can prepare himself for grace? · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que nenhuma preparação ou disposição para a graça é exigida da parte do homem, uma vez que, como diz o Apóstolo (Rm 4,4): «Ora, ao que obra, o galardão não se lhe conta por graça, mas por dívida.» Ora, a preparação do homem pelo livre-arbítrio só pode dar-se mediante alguma operação. Portanto, isso eliminaria a noção de graça. **Objeção 2:** Além disso, quem quer que persista no pecado não se prepara para ter a graça. Mas a alguns que persistem no pecado a graça é dada, como é claro no caso de Paulo, que recebeu a graça enquanto «respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor» (At 9,1). Logo, nenhuma preparação para a graça é exigida da parte do homem. **Objeção 3:** Além disso, um agente de poder infinito não necessita de disposição na matéria, pois nem sequer requer matéria, como se vê na criação, à qual a graça é comparada, sendo chamada «nova criatura» (Gl 6,15). Mas só Deus, que tem poder infinito, causa a graça, como foi dito acima (A[1]). Portanto, nenhuma preparação é exigida da parte do homem para obter a graça. **Ao contrário,** está escrito (Am 4,12): «Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus», e (1 Rs 7,3): «Preparai os vossos corações para o Senhor.» **Respondo:** Como foi dito acima (Q[111], A[2]), a graça é tomada de dois modos: primeiro, como um dom habitual de Deus. Segundo, como um auxílio de Deus, que move a alma para o bem. Ora, tomando a graça no primeiro sentido, requer-se para ela uma certa preparação de graça, pois uma forma só pode estar em matéria disposta. Mas, se falamos da graça enquanto significa um auxílio de Deus para nos mover ao bem, nenhuma preparação é exigida da parte do homem que, por assim dizer, antecipe o auxílio divino; antes, toda preparação no homem deve ser pelo auxílio de Deus movendo a alma para o bem. E assim, até o bom movimento do livre-arbítrio, pelo qual alguém se prepara para receber o dom da graça, é um ato do livre-arbítrio movido por Deus. E assim se diz que o homem se prepara a si mesmo, conforme Pr 16,1: «Do homem é preparar o coração»; contudo, isso é principalmente de Deus, que move o livre-arbítrio. Por isso se diz que a vontade do homem é preparada por Deus, e que os passos do homem são guiados por Deus. **Resposta à primeira objeção:** Uma certa preparação do homem para a graça é simultânea com a infusão da graça; e esta operação é meritória, não certamente da graça, que já é possuída—mas da glória, que ainda não é possuída. Mas há outra preparação imperfeita, que às vezes precede o dom da graça santificante, e contudo provém do movimento de Deus. Mas ela não é suficiente para o mérito, pois o homem ainda não está justificado pela graça, e o mérito só pode provir da graça, como se verá adiante (Q[114], A[2]). **Resposta à segunda objeção:** Visto que o homem não pode preparar-se para a graça a menos que Deus o previna e mova para o bem, não importa se alguém chega à preparação perfeita instantaneamente, ou passo a passo. Pois está escrito (Eclo 11,23): «É fácil aos olhos de Deus enriquecer de repente o pobre.» Ora, às vezes acontece que Deus move o homem para o bem, mas não para o bem perfeito, e esta preparação precede a graça. Mas Ele às vezes o move súbita e perfeitamente para o bem, e o homem recebe a graça subitamente, segundo Jo 6,45: «Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu, vem a mim.» E assim aconteceu com Paulo, pois, subitamente, quando ele estava no meio do pecado, seu coração foi perfeitamente movido por Deus para ouvir, aprender, vir; e por isso recebeu a graça subitamente. **Resposta à terceira objeção:** Um agente de poder infinito não necessita de matéria ou disposição da matéria, produzida pela ação de outra coisa; e contudo, atentando para a condição da coisa causada, deve causar na coisa causada tanto a matéria como a devida disposição para a forma. Assim também, quando Deus infunde a graça numa alma, não se requer nenhuma preparação que Ele mesmo não produza.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether any preparation and disposition for grace is required on man's part? · séc. XIII

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