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Pr 16, 2

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Deus não conhece as coisas singulares. Pois o intelecto divino é mais imaterial que o intelecto humano. Ora, o intelecto humano, por sua imaterialidade, não conhece as coisas singulares; mas, como diz o Filósofo (De Anima ii), “a razão tem por objeto os universais, o sentido, as coisas singulares”. Logo, Deus não conhece as coisas singulares. **Objeção 2:** Ademais, em nós, só aquelas faculdades conhecem o singular que recebem a espécie não abstraída das condições materiais. Ora, em Deus, as coisas estão no mais alto grau abstraídas de toda materialidade. Logo, Deus não conhece as coisas singulares. **Objeção 3:** Ademais, todo conhecimento se dá mediante alguma semelhança. Ora, a semelhança das coisas singulares enquanto singulares não parece estar em Deus; pois o princípio da singularidade é a matéria, a qual, por estar apenas em potência, é de todo dessemelhante de Deus, que é ato puro. Portanto, Deus não pode conhecer as coisas singulares. **Em sentido contrário,** está escrito (Provérbios 16,2): “Todos os caminhos do homem estão abertos aos seus olhos.” **Respondo** que Deus conhece as coisas singulares. Pois todas as perfeições que se encontram nas criaturas preexistem em Deus de modo mais excelente, como se vê claramente do que foi dito (Q. 4, A. 2). Ora, conhecer as coisas singulares faz parte de nossa perfeição. Logo, Deus deve conhecer as coisas singulares. Até o Filósofo considera incongruente que algo conhecido por nós seja desconhecido de Deus; e assim, contra Empédocles, argumenta (De Anima i e Metafísica iii) que Deus seria ignorantíssimo se não conhecesse a discórdia. Ora, as perfeições que estão divididas entre os seres inferiores existem simples e unitariamente em Deus; portanto, embora por uma faculdade conheçamos o universal e imaterial, e por outra as coisas singulares e materiais, contudo Deus conhece umas e outras por seu intelecto simples. Alguns, querendo mostrar como isto é possível, disseram que Deus conhece as coisas singulares pelas causas universais. Pois nada existe em qualquer coisa singular que não provenha de alguma causa universal. Dão o exemplo de um astrólogo que conhece todos os movimentos universais dos céus e pode, daí, predizer todos os eclipses futuros. Isto, porém, não é suficiente; pois as coisas singulares, a partir das causas universais, atingem certas formas e potências que, por mais que se conjuguem, não se individualizam senão pela matéria individual. Por conseguinte, quem conhece Sócrates porque é branco, ou porque é filho de Sofronisco, ou por algo do gênero, não o conheceria enquanto é este homem particular. Logo, segundo o modo acima referido, Deus não conheceria as coisas singulares em sua singularidade. Por outro lado, outros disseram que Deus conhece as coisas singulares pela aplicação das causas universais aos efeitos particulares. Mas isto não é válido; porque ninguém pode aplicar uma coisa a outra sem primeiro conhecê-la; portanto, a dita aplicação não pode ser a razão do conhecimento do particular, pois pressupõe o conhecimento das coisas singulares. É preciso, pois, dizer de outro modo: que, sendo Deus a causa das coisas por seu conhecimento, como foi dito acima (A. 8), seu conhecimento se estende tanto quanto sua causalidade. Logo, assim como a potência ativa de Deus se estende não só às formas, que são a fonte da universalidade, mas também à matéria, como provaremos adiante (Q. 44, A. 2), o conhecimento de Deus deve estender-se às coisas singulares, que são individualizadas pela matéria. Pois, uma vez que Ele conhece as coisas diferentes de si por sua essência, como sendo a semelhança delas, ou como seu princípio ativo, sua essência deve ser o princípio suficiente para conhecer todas as coisas por Ele feitas, não só no universal, mas também no singular. O mesmo se daria com o conhecimento do artífice, se fosse produtor da coisa toda, e não apenas da forma. **Resposta à Objeção 1:** Nosso intelecto abstrai a espécie inteligível dos princípios individualizantes; portanto, a espécie inteligível em nosso intelecto não pode ser a semelhança dos princípios individuais; e por isso nosso intelecto não conhece o singular. Mas a espécie inteligível no intelecto divino, que é a essência de Deus, é imaterial não por abstração, mas por si mesma, sendo o princípio de todos os princípios que entram na composição das coisas, quer princípios da espécie, quer princípios do indivíduo; portanto, por ela Deus conhece não só as coisas universais, mas também as singulares. **Resposta à Objeção 2:** Embora, quanto à espécie no intelecto divino, seu ser não tenha condições materiais, como as imagens recebidas na imaginação e no sentido, contudo sua potência se estende tanto às coisas imateriais quanto às materiais. **Resposta à Objeção 3:** Embora a matéria, quanto à sua potencialidade, se distancie da semelhança com Deus, todavia, mesmo enquanto tem ser deste modo, conserva certa semelhança com o ser divino.

Summa Theologiae — First Part · Article. 11 - Whether God knows singular things? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Porque é manifesto que Cristo é melhor do que todo o gênero humano, sendo Deus e homem. Mas Deus amou mais o gênero humano do que amou a Cristo; pois está escrito: «Não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós» (Rom. 8,32). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 2: Além disso, um anjo é melhor do que um homem. Donde se diz do homem: «Fizeste-o um pouco menor que os anjos» (Sl. 8,6). Mas Deus amou mais os homens do que amou os anjos, pois está escrito: «Em nenhum lugar toma Ele os anjos, mas toma a descendência de Abraão» (Heb. 2,16). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 3: Além disso, Pedro era melhor do que João, pois amava mais a Cristo. Donde o Senhor, sabendo ser isto verdade, perguntou a Pedro, dizendo: «Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?» No entanto, Cristo amou mais a João do que a Pedro. Pois, como diz Agostinho, comentando as palavras «Simão, filho de João, amas-Me?»: «Por esta mesma marca se distingue João dos outros discípulos, não porque O amasse só ele, mas porque O amava mais que os outros.» Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 4: Além disso, o homem inocente é melhor do que o penitente, pois a penitência é, como diz Jerónimo (Cap. 3 in Isa.), «uma segunda tábua depois do naufrágio.» Mas Deus ama mais o penitente do que o inocente; pois se alegra mais com ele. Porque está escrito: «Digo-vos que haverá alegria no céu por um pecador que faz penitência, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de penitência» (Lc. 15,7). Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Objecção 5: Além disso, o justo que é presciente é melhor do que o pecador predestinado. Ora, Deus ama mais o pecador predestinado, pois Lhe quer um bem maior, a vida eterna. Logo, Deus não ama sempre mais as coisas melhores. Ao contrário, Toda coisa ama o que é semelhante a si, como se vê em (Eclo. 13,19): «Todo animal ama o seu semelhante.» Ora, quanto melhor é uma coisa, tanto mais semelhante é a Deus. Logo, as coisas melhores são mais amadas por Deus. Respondo que, Necessariamente, segundo o que foi dito antes, Deus ama mais as coisas melhores. Pois foi mostrado (AA[2],3), que Deus amar uma coisa mais do que outra não é senão querer para essa coisa um bem maior: porque a vontade de Deus é a causa da bondade nas coisas; e a razão pela qual umas coisas são melhores do que outras é que Deus lhes quer um bem maior. Donde se segue que Ele ama mais as coisas melhores. Resposta à Objecção 1: Deus ama a Cristo não só mais do que ama todo o gênero humano, mas mais do que ama todo o universo criado: porque Lhe quis o maior bem, dando-Lhe «um nome que está acima de todo nome», enquanto era verdadeiro Deus. Nem diminuiu algo da Sua excelência quando Deus O entregou à morte para a salvação do gênero humano; antes se tornou por isso um glorioso vencedor: «O governo foi posto sobre Seu ombro», segundo Is. 9,6. Resposta à Objecção 2: Deus ama a natureza humana assumida pelo Verbo de Deus na pessoa de Cristo mais do que ama todos os anjos; porque essa natureza é melhor, especialmente em razão da união com a Divindade. Mas falando da natureza humana em geral, e comparando-a com a angélica, ambas se encontram iguais, na ordem da graça e da glória: pois segundo Apoc. 21,17, a medida de um homem e de um anjo é a mesma. Contudo, de modo que, a este respeito, alguns anjos se acham mais nobres do que alguns homens, e alguns homens mais nobres do que alguns anjos. Mas quanto à condição natural, um anjo é melhor do que um homem. Deus portanto não assumiu a natureza humana porque amava o homem, absolutamente falando, mais; mas porque as necessidades do homem eram maiores; assim como o senhor de uma casa pode dar um petisco custoso a um servo doente, que não dá a seu próprio filho são. Resposta à Objecção 3: Esta dúvida acerca de Pedro e João foi resolvida de vários modos. Agostinho a interpreta misticamente, e diz que a vida ativa, significada por Pedro, ama mais a Deus do que a contemplativa, significada por João, porque aquela é mais consciente das misérias desta vida presente, e por isso deseja mais ardentemente ser delas libertada e partir para Deus. Deus, diz ele, ama mais a vida contemplativa, pois a conserva por mais tempo. Porque ela não termina, como a vida ativa, com a vida do corpo. Alguns dizem que Pedro amou mais a Cristo nos Seus membros, e por isso foi também mais amado por Cristo, pelo que Lhe deu o cuidado da Igreja; mas que João amou mais a Cristo em Si mesmo, e assim foi mais amado por Ele; por isso Cristo confiou Sua mãe aos seus cuidados. Outros dizem que é incerto qual deles amou mais a Cristo com o amor de caridade, e incerto também qual deles Deus amou mais e ordenou a um maior grau de glória na vida eterna. Diz-se que Pedro amou mais, quanto a uma certa prontidão e fervor; mas que João foi mais amado, quanto a certos sinais de familiaridade que Cristo lhe mostrou mais do que aos outros, por causa da sua juventude e pureza. Enquanto outros dizem que Cristo amou mais a Pedro, pelo seu mais excelente dom de caridade; mas a João mais, pelos seus dons de intelecto. Por isso, absolutamente falando, Pedro era o melhor e o mais amado; mas, em certo sentido, João era o melhor, e era o mais amado. Contudo, pode parecer presunçoso julgar estas matérias; pois «o Senhor» e nenhum outro «é o pesador dos espíritos» (Prov. 16,2). Resposta à Objecção 4: O penitente e o inocente se relacionam como o que excede e o que é excedido. Pois, quer inocente quer penitente, são melhores e mais amados aqueles que têm mais graça. Em igualdade de condições, a inocência é a coisa mais nobre e mais amada. Diz-se que Deus se alegra mais com o penitente do que com o inocente, porque muitas vezes os penitentes se levantam do pecado mais cautelosos, humildes e fervorosos. Donde Gregório, comentando estas palavras (Hom. 34 in Ev.), diz que «Na batalha, o general ama mais o soldado que, depois da fuga, volta e persegue bravamente o inimigo, do que aquele que nunca fugiu, mas nunca fez um ato valente.» Ou pode-se responder que os dons da graça, iguais em si mesmos, são maiores quando conferidos ao penitente, que merecia castigo, do que quando conferidos ao inocente, a quem nenhum castigo era devido; assim como cem marcos são um dom maior para um pobre do que para um rei. Resposta à Objecção 5: Visto que a vontade de Deus é a causa da bondade nas coisas, a bondade de quem é amado por Deus deve ser considerada segundo o tempo em que algum bem lhe deve ser dado pela bondade divina. Portanto, segundo o tempo, quando pela vontade divina deve ser dado ao pecador predestinado um bem maior, o pecador é melhor; ainda que segundo algum outro tempo seja pior; porque mesmo segundo algum tempo ele não é nem bom nem mau.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether God always loves more the better things? · séc. XIII

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Pr 16, 2 nos Padres da Igreja | Aurea