Santo Thomas Aquinas
**Objecção 1:** Parece que todo prazer é bom. Porque, como se diz na Primeira Parte, Q[5], A[6], três são os géneros de bem: o virtuoso, o útil e o deleitável. Ora, todo o bem virtuoso é bom; e igualmente todo o bem útil é bom. Logo, também todo o prazer é bom. **Objecção 2:** Além disso, aquilo que não é procurado por causa de outra coisa é bom em si mesmo, como se afirma na Ética i, 6,7. Mas o prazer não é procurado por causa de outra coisa; porque parece absurdo perguntar a alguém por que busca agradar-se. Portanto, o prazer é bom em si mesmo. Ora, o que se predica de uma coisa considerada em si mesma predica-se dela universalmente. Logo, todo prazer é bom. **Objecção 3:** Ademais, o que é desejado por todos parece ser de si bom; porque o bem é "o que todas as coisas buscam", como se diz na Ética i, 1. Mas todos buscam alguma espécie de prazer, até as crianças e os animais brutos. Portanto, o prazer é bom em si mesmo; e consequentemente todo prazer é bom. **Em contrário,** está escrito (Prov. 2,14): "Que se alegram de haver feito o mal, e folgam nas péssimas cousas." **Respondo.** Enquanto alguns dos Estoicos sustentavam que todos os prazeres são maus, os Epicureus afirmavam que o prazer é bom em si mesmo, e portanto que todos os prazeres são bons. Parece que erraram assim por não distinguirem entre o que é bom simplesmente e o que é bom relativamente a um indivíduo particular. O que é bom simplesmente é bom em si mesmo. Ora, o que não é bom em si mesmo pode ser bom relativamente a algum indivíduo de dois modos. De um modo, porque lhe é conveniente por uma disposição em que actualmente se encontra, a qual disposição, todavia, não é natural: assim, às vezes é bom para um leproso comer coisas venenosas, que não são convenientes simplesmente ao temperamento humano. De outro modo, por se reputar conveniente algo que não é conveniente. E visto que o prazer é o repouso do apetite sobre algum bem, se o apetite repousa sobre o que é bom simplesmente, o prazer será prazer simplesmente e bom simplesmente. Se, porém, o apetite do homem repousa sobre o que é bom, não simplesmente, mas relativamente àquele homem particular, então o seu prazer não será prazer simplesmente, mas um prazer para ele; nem será bom simplesmente, mas num certo respeito, ou um bem aparente. **Resposta à objecção 1:** O virtuoso e o útil dependem da conformidade com a razão; e, portanto, nada é virtuoso ou útil sem ser bom. Mas o deleitável depende da conformidade com o apetite, o qual tende às vezes para o que é discordante da razão. Consequentemente, nem todo objecto deleitável é bom na ordem moral, que depende da ordem da razão. **Resposta à objecção 2:** A razão por que o prazer não é procurado por causa de outra coisa é porque é o repouso no fim. Ora, o fim pode ser bom ou mau; embora nada possa ser fim senão enquanto é bom relativamente a tal e tal homem; e assim também quanto ao prazer. **Resposta à objecção 3:** Todas as coisas buscam o prazer do mesmo modo que buscam o bem, porque o prazer é o repouso do apetite no bem. Mas, assim como acontece que nem todo bem desejado é de si e verdadeiramente bom, assim também nem todo prazer é de si e verdadeiramente bom.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether every pleasure is good? · séc. XIII
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