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Pr 2, 14

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Matos Soares

14que se alegram por terem feito o mal e se regozijam na perversidade,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objecção 1:** Parece que todo prazer é bom. Porque, como se diz na Primeira Parte, Q[5], A[6], três são os géneros de bem: o virtuoso, o útil e o deleitável. Ora, todo o bem virtuoso é bom; e igualmente todo o bem útil é bom. Logo, também todo o prazer é bom. **Objecção 2:** Além disso, aquilo que não é procurado por causa de outra coisa é bom em si mesmo, como se afirma na Ética i, 6,7. Mas o prazer não é procurado por causa de outra coisa; porque parece absurdo perguntar a alguém por que busca agradar-se. Portanto, o prazer é bom em si mesmo. Ora, o que se predica de uma coisa considerada em si mesma predica-se dela universalmente. Logo, todo prazer é bom. **Objecção 3:** Ademais, o que é desejado por todos parece ser de si bom; porque o bem é "o que todas as coisas buscam", como se diz na Ética i, 1. Mas todos buscam alguma espécie de prazer, até as crianças e os animais brutos. Portanto, o prazer é bom em si mesmo; e consequentemente todo prazer é bom. **Em contrário,** está escrito (Prov. 2,14): "Que se alegram de haver feito o mal, e folgam nas péssimas cousas." **Respondo.** Enquanto alguns dos Estoicos sustentavam que todos os prazeres são maus, os Epicureus afirmavam que o prazer é bom em si mesmo, e portanto que todos os prazeres são bons. Parece que erraram assim por não distinguirem entre o que é bom simplesmente e o que é bom relativamente a um indivíduo particular. O que é bom simplesmente é bom em si mesmo. Ora, o que não é bom em si mesmo pode ser bom relativamente a algum indivíduo de dois modos. De um modo, porque lhe é conveniente por uma disposição em que actualmente se encontra, a qual disposição, todavia, não é natural: assim, às vezes é bom para um leproso comer coisas venenosas, que não são convenientes simplesmente ao temperamento humano. De outro modo, por se reputar conveniente algo que não é conveniente. E visto que o prazer é o repouso do apetite sobre algum bem, se o apetite repousa sobre o que é bom simplesmente, o prazer será prazer simplesmente e bom simplesmente. Se, porém, o apetite do homem repousa sobre o que é bom, não simplesmente, mas relativamente àquele homem particular, então o seu prazer não será prazer simplesmente, mas um prazer para ele; nem será bom simplesmente, mas num certo respeito, ou um bem aparente. **Resposta à objecção 1:** O virtuoso e o útil dependem da conformidade com a razão; e, portanto, nada é virtuoso ou útil sem ser bom. Mas o deleitável depende da conformidade com o apetite, o qual tende às vezes para o que é discordante da razão. Consequentemente, nem todo objecto deleitável é bom na ordem moral, que depende da ordem da razão. **Resposta à objecção 2:** A razão por que o prazer não é procurado por causa de outra coisa é porque é o repouso no fim. Ora, o fim pode ser bom ou mau; embora nada possa ser fim senão enquanto é bom relativamente a tal e tal homem; e assim também quanto ao prazer. **Resposta à objecção 3:** Todas as coisas buscam o prazer do mesmo modo que buscam o bem, porque o prazer é o repouso do apetite no bem. Mas, assim como acontece que nem todo bem desejado é de si e verdadeiramente bom, assim também nem todo prazer é de si e verdadeiramente bom.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether every pleasure is good? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que toda tristeza é má. Pois Gregório de Nissa [*Nemésio, De Nat. Hom. xix] diz: "Toda tristeza é má, por sua própria natureza". Ora, o que é naturalmente mau é mau sempre e em toda parte. Logo, toda tristeza é má. Objeção 2: Ademais, aquilo que todos, mesmo os virtuosos, evitam, é mau. Ora, todos evitam a tristeza, mesmo os virtuosos, pois como se diz na Ética vii, 11, "embora o homem prudente não vise o prazer, contudo visa evitar a tristeza". Logo, a tristeza é má. Objeção 3: Ademais, assim como o mal corporal é o objeto e a causa da dor corporal, assim o mal espiritual é o objeto e a causa da tristeza na alma. Ora, toda dor corporal é um mal corporal. Logo, toda tristeza espiritual é um mal da alma. Em sentido contrário, a tristeza pelo mal é contrária ao prazer no mal. Ora, o prazer no mal é mau; por isso, na condenação de certos homens, está escrito (Provérbios 2:14) que "se alegravam quando haviam feito o mal". Logo, a tristeza pelo mal é boa. Respondo que uma coisa pode ser boa ou má de dois modos: primeiro, considerada simplesmente e em si mesma; e assim toda tristeza é um mal, porque o simples fato de o apetite de um homem estar inquieto por causa de um mal presente é em si mesmo um mal, pois impede a resposta do apetite ao bem. Segundo, diz-se que uma coisa é boa ou má, na suposição de outra coisa; assim, a vergonha diz-se boa, na suposição de um feito vergonhoso praticado, como se diz na Ética iv, 9. Consequentemente, supondo a presença de algo entristecedor ou doloroso, é sinal de bondade se um homem está triste ou com dor por causa desse mal presente. Pois se ele não estivesse triste ou com dor, isso só poderia ser ou porque não o sente, ou porque não o considera como algo inconveniente, sendo ambos males manifestos. Consequentemente, é uma condição de bondade que, supondo a presença de um mal, sobrevenha tristeza ou dor. Por isso, Agostinho diz (Gênese ao pé da letra viii, 14): "É também uma coisa boa que ele se entristeça pelo bem que perdeu: pois se não tivesse permanecido algum bem em sua natureza, não poderia ser punido pela perda do bem." Contudo, porque na ciência dos costumes consideramos as coisas individualmente — pois as ações dizem respeito a individuais — aquilo que é bom sob alguma suposição deve ser considerado como bom; assim como aquilo que é voluntário sob alguma suposição é julgado voluntário, como se diz na Ética iii, 1, e também acima (Q[6], A[6]). Resposta à Objeção 1: Gregório de Nissa [*Nemésio] fala da tristeza por parte do mal que a causa, mas não por parte do sujeito que sente e rejeita o mal. E deste ponto de vista, todos fogem da tristeza, na medida em que fogem do mal; mas não fogem da percepção e rejeição do mal. O mesmo se aplica também à dor corporal: porque a percepção e rejeição do mal corporal é a prova da bondade da natureza. Isto basta para as Respostas à Segunda e Terceira Objeções.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether all sorrow is evil? · séc. XIII

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