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Pr 21, 1

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Matos Soares

1O coração do rei está na mão do Senhor como a água corrente; ele o inclinará para qualquer parte que quiser.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que se pode fazer violência à vontade. Pois tudo pode ser compelido por aquilo que é mais poderoso. Mas há algo, a saber, Deus, que é mais poderoso que a vontade humana. Logo, ela pode ser compelida, ao menos por Ele. Objeção 2: Além disso, todo sujeito passivo é compelido pelo seu princípio ativo, quando é por ele alterado. Ora, a vontade é uma potência passiva: pois é um "motor movido" (De Anima iii, 10). Portanto, como às vezes é movida pelo seu princípio ativo, parece que às vezes é compelida. Objeção 3: Ademais, movimento violento é aquele que é contrário à natureza. Ora, o movimento da vontade é às vezes contrário à natureza, como é claro pelo movimento da vontade para o pecado, que é contrário à natureza, como diz Damasceno (De Fide Orth. iv, 20). Logo, o movimento da vontade pode ser compelido. Ao contrário, diz Agostinho (De Civ. Dei v, 10) que o que é feito pela vontade não é feito por necessidade. Ora, tudo o que é feito sob compulsão é feito por necessidade: consequentemente, o que é feito pela vontade não pode ser compelido. Portanto, a vontade não pode ser compelida a agir. Respondo que o ato da vontade é duplo: um é o seu ato imediato, por assim dizer, por ela eliciado, a saber, "querer"; o outro é um ato da vontade por ela comandado e posto em execução por meio de alguma outra potência, como "andar" e "falar", que são comandados pela vontade para serem executados por meio da potência motriz. Quanto aos atos comandados da vontade, então, a vontade pode sofrer violência, na medida em que a violência pode impedir os membros exteriores de executar o comando da vontade. Mas quanto ao ato próprio da vontade, não se pode fazer violência à vontade. A razão disto é que o ato da vontade não é senão uma inclinação procedente do princípio interior do conhecimento; assim como o apetite natural é uma inclinação procedente de um princípio interior sem conhecimento. Ora, o que é compelido ou violento procede de um princípio exterior. Consequentemente, é contrário à natureza do ato próprio da vontade que ele esteja sujeito a compulsão e violência: assim como também é contrário à natureza de uma inclinação ou movimento natural. Pois uma pedra pode ter um movimento para cima por violência, mas que esse movimento violento provenha de sua inclinação natural é impossível. De modo semelhante, um homem pode ser arrastado à força: mas é contrário ao próprio conceito de violência que ele seja arrastado por sua própria vontade. Resposta à Objeção 1: Deus, que é mais poderoso que a vontade humana, pode mover a vontade do homem, conforme Prov. 21,1: "O coração do rei está na mão do Senhor; para onde Ele quiser, o inclinará". Mas se isso fosse por compulsão, já não seria por um ato da vontade, nem a vontade mesma seria movida, mas algo outro contra a vontade. Resposta à Objeção 2: Nem sempre é um movimento violento quando um sujeito passivo é movido pelo seu princípio ativo; mas somente quando isso é feito contra a inclinação interior do sujeito passivo. Do contrário, toda alteração e geração de corpos simples seria não natural e violenta; enquanto elas são naturais por causa da aptidão interior natural da matéria ou sujeito para tal disposição. De modo semelhante, quando a vontade é movida, de acordo com sua própria inclinação, pelo objeto apetecível, esse movimento não é violento, mas voluntário. Resposta à Objeção 3: Aquilo a que a vontade tende pelo pecado, embora na realidade seja mau e contrário à natureza racional, contudo é apreendido como algo bom e adequado à natureza, na medida em que é adequado ao homem por razão de alguma sensação prazerosa ou de algum hábito vicioso.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether violence can be done to the will? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o homem não tem livre arbítrio. Pois quem tem livre arbítrio faz o que quer. Mas o homem não faz o que quer; porque está escrito (Rm 7,19): «Porque o bem que eu quero não faço, mas o mal que não quero, esse faço.» Logo, o homem não tem livre arbítrio. Objeção 2: Demais, quem tem livre arbítrio tem em seu poder querer ou não querer, fazer ou não fazer. Mas isto não está no poder do homem; porque está escrito (Rm 9,16): «Não é do que quer» — isto é, querer — «nem do que corre» — isto é, correr. Logo, o homem não tem livre arbítrio. Objeção 3: Demais, o que é livre «é causa de si mesmo», como diz o Filósofo (Metaf. i, 2). Logo, o que é movido por outro não é livre. Mas Deus move a vontade, porque está escrito (Pr 21,1): «O coração do rei está na mão do Senhor; ele o inclina para onde quer» e (Fl 2,13): «Deus é o que opera em vós o querer e o executar.» Portanto, o homem não tem livre arbítrio. Objeção 4: Demais, quem tem livre arbítrio é senhor de suas próprias ações. Mas o homem não é senhor de suas ações; porque está escrito (Jr 10,23): «O caminho do homem não é dele, nem está no poder do homem o dirigir os seus passos.» Logo, o homem não tem livre arbítrio. Objeção 5: Demais, o Filósofo diz (Ética iii, 5): «Segundo é cada um, tal lhe parece o fim.» Mas não está em nosso poder ser de uma ou outra qualidade; porque isto nos vem da natureza. Logo, é natural a nós seguir um fim particular, e portanto não somos livres ao fazê-lo. Pelo contrário, está escrito (Eclo 15,14): «Deus criou o homem desde o princípio, e o deixou na mão do seu próprio conselho»; e a glosa acrescenta: «isto é, do seu livre arbítrio.» Respondo que o homem tem livre arbítrio; de outra forma, conselhos, exortações, mandamentos, proibições, prêmios e castigos seriam em vão. Para tornar isto evidente, devemos observar que algumas coisas agem sem juízo, como a pedra se move para baixo; e de igual modo todas as coisas que carecem de conhecimento. E algumas agem por juízo, mas não por juízo livre, como os animais brutos. Pois a ovelha, vendo o lobo, julga que deve ser evitado, por um juízo natural e não livre, porque julga, não pela razão, mas pelo instinto natural. E o mesmo se deve dizer de qualquer juízo dos animais brutos. Mas o homem age por juízo, porque pela sua potência apreensiva julga que algo deve ser evitado ou buscado. Mas porque este juízo, no caso de algum ato particular, não procede do instinto natural, mas de algum ato de comparação da razão, por isso age por juízo livre e retém o poder de se inclinar para várias coisas. Pois a razão, nas matérias contingentes, pode seguir cursos opostos, como vemos nos silogismos dialéticos e argumentos retóricos. Ora, as operações particulares são contingentes, e portanto em tais matérias o juízo da razão pode seguir cursos opostos, e não é determinado a um. E porquanto o homem é racional, é necessário que tenha livre arbítrio. Resposta à Objeção 1: Como dissemos acima (Q[81], A[3], ad 2), o apetite sensitivo, embora obedeça à razão, todavia em um dado caso pode resistir desejando o que a razão proíbe. Este é, portanto, o bem que o homem não faz quando quer — isto é, «não desejar contra a razão», como diz Agostinho. Resposta à Objeção 2: Essas palavras do Apóstolo não devem ser tomadas como se o homem não quisesse ou não corresse por seu livre arbítrio, mas porque o livre arbítrio não é suficiente para isso a menos que seja movido e ajudado por Deus. Resposta à Objeção 3: O livre arbítrio é causa de seu próprio movimento, porque pelo seu livre arbítrio o homem move a si mesmo a agir. Mas não pertence necessariamente à liberdade que o que é livre seja a causa primeira de si mesmo, como também para que uma coisa seja causa de outra não precisa ser a causa primeira. Deus, portanto, é a causa primeira, que move as causas tanto naturais quanto voluntárias. E assim como movendo as causas naturais não impede que seus atos sejam naturais, assim movendo as causas voluntárias não priva suas ações de serem voluntárias; antes, é Ele a causa disto mesmo nelas; porque opera em cada coisa segundo a sua própria natureza. Resposta à Objeção 4: Diz-se que o «caminho do homem não é dele» na execução de sua escolha, na qual pode ser impedido, quer queira quer não. A própria escolha, todavia, está em nós, mas pressupõe o auxílio de Deus. Resposta à Objeção 5: A qualidade no homem é de dois tipos: natural e adventícia. Ora, a qualidade natural pode estar na parte intelectual, ou no corpo e suas potências. Portanto, pelo próprio fato de o homem ser tal em virtude de uma qualidade natural que está na parte intelectual, ele naturalmente deseja seu fim último, que é a felicidade. Esse desejo, na verdade, é um desejo natural, e não está sujeito ao livre arbítrio, como é claro pelo que dissemos acima (Q[82], AA[1],2). Mas por parte do corpo e suas potências, o homem pode ser tal em virtude de uma qualidade natural, na medida em que é de tal temperamento ou disposição devido a qualquer impressão produzida por causas corpóreas, que não podem afetar a parte intelectual, porquanto não é ato de um órgão corpóreo. E tal como o homem é em virtude de uma qualidade corpórea, tal também lhe parece o fim, porque de tal disposição o homem é inclinado a escolher ou rejeitar algo. Mas essas inclinações estão sujeitas ao juízo da razão, ao qual o apetite inferior obedece, como dissemos (Q[81], A[3]). Portanto, isso de modo algum prejudica o livre arbítrio. As qualidades adventícias são os hábitos e as paixões, em virtude dos quais o homem é inclinado a uma coisa mais do que a outra. E, todavia, mesmo essas inclinações estão sujeitas ao juízo da razão. Tais qualidades também estão sujeitas à razão, visto que está em nosso poder adquiri-las, seja causando-as ou dispondo-nos a elas, seja rejeitá-las. E assim não há nisto nada que seja contrário ao livre arbítrio.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether man has free-will? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que nem todos os pecados são removidos pela Penitência. Pois o Apóstolo diz (Hb 12,17) que Esaú "não achou lugar de arrependimento, embora o tivesse buscado com lágrimas", o que uma glosa explica significando que "não achou lugar de perdão e bênção pela Penitência"; e refere-se (2 Mac 9,13) de Antíoco, que "este ímpio orou ao Senhor, de quem não havia de obter misericórdia". Portanto, não parece que todos os pecados são removidos pela Penitência. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte i) que "tão grande é a mancha daquele pecado (a saber, quando um homem, depois de chegar ao conhecimento de Deus pela graça de Cristo, resiste à caridade fraterna e, com os tições da inveja, combate a própria graça) que ele não pode humilhar-se na oração, embora seja forçado pela sua má consciência a reconhecer e confessar o seu pecado". Portanto, nem todo pecado pode ser removido pela Penitência. Objeção 3: Ademais, nosso Senhor disse (Mt 12,32): "Aquele que falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro". Portanto, nem todo pecado pode ser perdoado pela Penitência. Em contrário, está escrito (Ez 18,22): "Não me lembrarei mais de todas as suas iniquidades que fez". Respondo que: O fato de um pecado não poder ser removido pela Penitência pode dar-se de duas maneiras: primeiro, pela impossibilidade de arrepender-se do pecado; segundo, por a Penitência ser incapaz de apagar um pecado. Da primeira maneira, os pecados dos demônios e dos homens que estão perdidos não podem ser apagados pela Penitência, porque a sua vontade está confirmada no mal, de modo que o pecado não lhes pode desagradar quanto à sua culpa, mas apenas quanto à pena que sofrem, pela qual têm uma espécie de arrependimento, que é, contudo, infrutífero, segundo Sb 5,3: "Arrependendo-se e gemendo por angústia de espírito". Consequentemente, tal Penitência não traz esperança de perdão, mas apenas desespero. Contudo, nenhum pecado de um viandante pode ser assim, porque a sua vontade é flexível para o bem e para o mal. Por onde, dizer que nesta vida há algum pecado do qual alguém não possa arrepender-se é erróneo: primeiro, porque isso destruiria o livre-arbítrio; segundo, porque seria depreciativo do poder da graça, pela qual o coração de qualquer pecador pode ser movido ao arrependimento, segundo Pv 21,1: "O coração do rei está na mão do Senhor: para onde Ele quiser, o voltará". Também é erróneo dizer que algum pecado não pode ser perdoado pela verdadeira Penitência. Primeiro, porque isso é contrário à misericórdia divina, da qual está escrito (Jl 2,13) que Deus é "clemente e misericordioso, paciente e rico em misericórdia, e pronto a arrepender-se do mal"; pois, de certo modo, Deus seria vencido pelo homem, se o homem quisesse que um pecado fosse apagado, e Deus não quisesse apagá-lo. Segundo, porque seria depreciativo do poder da Paixão de Cristo, pela qual a Penitência produz o seu efeito, como os outros sacramentos, pois está escrito (1 Jo 2,2): "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo". Portanto, devemos dizer simplesmente que, nesta vida, todo pecado pode ser apagado pela verdadeira Penitência. Resposta à Objeção 1: Esaú não se arrependeu verdadeiramente. Isto é evidente pelo que ele disse (Gn 27,41): "Virão os dias do luto de meu pai, e matarei meu irmão Jacó". Do mesmo modo, Antíoco também não se arrependeu verdadeiramente, pois se entristeceu pelo seu pecado passado, não porque tivesse ofendido a Deus por ele, mas por causa da doença que sofria no seu corpo. Resposta à Objeção 2: Estas palavras de Agostinho devem ser entendidas assim: "Tão grande é a mancha daquele pecado, que o homem não pode humilhar-se na oração", isto é, não lhe é fácil fazê-lo; neste sentido, dizemos que um homem não pode ser curado, quando é difícil curá-lo. Contudo, isto é possível pelo poder da graça de Deus, que algumas vezes converte os homens até "nas profundezas do mar" (Sl 67,23). Resposta à Objeção 3: A palavra ou blasfémia contra o Espírito Santo é a impenitência final, como afirma Agostinho (De Verb. Dom. xi), a qual é totalmente imperdoável, porque, terminada esta vida, não há perdão dos pecados. Ou, se pela blasfémia contra o Espírito Santo entendemos o pecado cometido por certa malícia, isto significa que a própria blasfémia contra o Espírito Santo é imperdoável, isto é, não facilmente perdoável, ou que tal pecado não contém em si nenhum motivo de perdão, ou que por tal pecado um homem é punido tanto neste como no outro mundo, como explicámos na SS, Q[14], A[3].

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether all sins are taken away by Penance? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os anjos podem mudar a vontade do homem. Pois, sobre o texto: "Faz dos seus anjos espíritos, e dos seus ministros uma chama de fogo" (Heb. 1:7), a Glosa nota que "eles são fogo, como sendo espiritualmente fervorosos, e como queimando os nossos vícios." Ora, isto não poderia dar-se se não mudassem a vontade. Logo, os anjos podem mudar a vontade. Objeção 2: Além disso, Beda diz (Super Matth. xv, 11) que "o diabo não envia maus pensamentos, mas acende-os." Damasceno, todavia, diz que também os envia; pois observa que "todo ato malicioso e paixão imunda é maquinado pelos demônios e introduzido nos homens" (De Fide Orth. ii, 4); de igual modo, os anjos bons introduzem e acendem bons pensamentos. Ora, isto só poderia dar-se se mudassem a vontade. Logo, a vontade é por eles mudada. Objeção 3: Além disso, o anjo, como acima se explicou, ilumina o intelecto humano por meio dos fantasmas. Ora, assim como a imaginação, que serve o intelecto, pode ser mudada por um anjo, assim também o apetite sensitivo, que serve a vontade, pode sê-lo, porque também é uma faculdade que usa um órgão corpóreo. Logo, assim como o anjo ilumina a mente, assim também pode mudar a vontade. Em contrário, Mudar a vontade pertence só a Deus, conforme Prov. 21:1: "O coração do rei está na mão do Senhor; Ele o inclina para onde quer." Respondo: A vontade pode ser mudada de dois modos. Primeiro, interiormente; deste modo, como o movimento da vontade nada mais é do que a inclinação da vontade para a coisa querida, só Deus pode assim mudar a vontade, porque Ele dá o poder de tal inclinação à natureza intelectual. Pois, assim como a inclinação natural provém só de Deus, que dá a natureza, assim a inclinação da vontade provém só de Deus, que causa a vontade. Em segundo lugar, a vontade é movida exteriormente. Quanto a um anjo, isto só pode dar-se de um modo — pelo bem apreendido pelo intelecto. Portanto, na medida em que alguém pode ser causa de que algo seja apreendido como um bem apetecível, nessa medida move a vontade. Deste modo, também só Deus pode mover a vontade eficazmente; mas um anjo e o homem movem a vontade por via de persuasão, como acima se explicou (Q. 106, A. 2). Além deste modo, a vontade humana pode ser movida exteriormente de outro modo; a saber, pela paixão residente no apetite sensitivo: assim, pela concupiscência ou pela ira, a vontade é inclinada a querer algo. Deste modo, os anjos, por poderem suscitar estas paixões, podem mover a vontade, não, porém, necessariamente, porque a vontade permanece sempre livre para consentir na paixão ou para lhe resistir. Resposta à objeção 1: Diz-se que aqueles que agem como ministros de Deus, sejam homens ou anjos, queimam os vícios e incitam à virtude por via de persuasão. Resposta à objeção 2: O demónio não pode introduzir pensamentos nas nossas mentes causando-os interiormente, pois o ato da faculdade cogitativa está sujeito à vontade; contudo, o diabo é chamado acendedor de pensamentos, na medida em que incita ao pensamento, pelo desejo das coisas pensadas, por via de persuasão, ou suscitando as paixões. Damasceno chama a este acender "uma introdução", porque tal obra se realiza interiormente. Mas os bons pensamentos são atribuídos a um princípio mais elevado, isto é, a Deus, embora possam ser obtidos pelo ministério dos anjos. Resposta à objeção 3: O intelecto humano, no seu estado presente, só pode entender voltando-se para os fantasmas; mas a vontade humana pode querer algo seguindo o juízo da razão antes que a paixão do apetite sensitivo. Portanto, a comparação não procede.

Summa Theologiae — First Part · Article. 2 - Whether the angels can change the will of man? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que violência pode ser feita à vontade. Pois tudo pode ser compelido por aquilo que é mais poderoso. Mas há algo, a saber, Deus, que é mais poderoso do que a vontade humana. Logo, pode ser compelida, ao menos por Ele. Objecção 2: Além disso, todo sujeito passivo é compelido pelo seu princípio activo, quando por ele é mudado. Ora, a vontade é uma força passiva: pois é um «motor movido» (De Anima iii, 10). Logo, sendo às vezes movida pelo seu princípio activo, parece que às vezes é compelida. Objecção 3: Além disso, movimento violento é o que é contrário à natureza. Ora, o movimento da vontade é às vezes contrário à natureza; como é claro no movimento da vontade para o pecado, que é contrário à natureza, como diz Damasceno (De Fide Orth. iv, 20). Logo, o movimento da vontade pode ser compelido. Em contrário, diz Agostinho (De Civ. Dei v, 10) que o que é feito pela vontade não é feito de necessidade. Ora, tudo o que é feito sob compulsão é feito de necessidade; consequentemente, o que é feito pela vontade não pode ser compelido. Logo, a vontade não pode ser compelida a agir. Respondo que: O ato da vontade é duplo: um é o seu ato imediato, como que por ela eliciado, a saber, «querer»; o outro é um ato da vontade por ela comandado e posto em execução por meio de alguma outra potência, como «andar» e «falar», que são comandados pela vontade para serem executados por meio da potência motora. Quanto aos atos comandados da vontade, então, a vontade pode sofrer violência, na medida em que a violência pode impedir os membros exteriores de executar o comando da vontade. Mas quanto ao ato próprio da vontade, violência não pode ser feita à vontade. A razão disto é que o ato da vontade não é senão uma inclinação procedente do princípio interior de conhecimento; assim como o apetite natural é uma inclinação procedente de um princípio interior sem conhecimento. Ora, o que é compelido ou violento procede de um princípio exterior. Consequentemente, é contrário à natureza do ato próprio da vontade que esteja sujeito a compulsão e violência; assim como também é contrário à natureza de uma inclinação ou movimento natural. Pois uma pedra pode ter um movimento para cima por violência, mas que este movimento violento proceda de sua inclinação natural é impossível. De modo semelhante, um homem pode ser arrastado à força; mas é contrário à própria noção de violência que ele seja arrastado por sua própria vontade. Resposta à Objeção 1: Deus, que é mais poderoso do que a vontade humana, pode mover a vontade do homem, segundo Prov. 21,1: «O coração do rei está na mão do Senhor; para onde Ele quiser o inclinará». Mas se isto fosse por compulsão, já não seria por um ato da vontade, nem a vontade mesma seria movida, mas alguma outra coisa contra a vontade. Resposta à Objeção 2: Nem sempre é um movimento violento quando um sujeito passivo é movido pelo seu princípio activo; mas apenas quando isto é feito contra a inclinação interior do sujeito passivo. De outro modo, toda alteração e geração dos corpos simples seria não natural e violenta; ao passo que são naturais em razão da aptidão interior natural da matéria ou sujeito para tal disposição. Do mesmo modo, quando a vontade é movida, segundo a sua própria inclinação, pelo objeto apetecível, este movimento não é violento, mas voluntário. Resposta à Objeção 3: Aquilo para que a vontade tende pelo pecado, embora na realidade seja mau e contrário à natureza racional, contudo é apreendido como algo bom e conveniente à natureza, na medida em que é conveniente ao homem por alguma sensação prazerosa ou por algum hábito vicioso.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether violence can be done to the will? · séc. XIII

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Pr 21, 1 nos Padres da Igreja | Aurea