Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.
Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.
Citações internas
2
Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.
A
Santo Agostinho
Aqueles, porém, que sustentam que ambos, a saber, o fogo e o verme, pertencem às penas da alma, e não do corpo, dizem também que os que são separados do reino de Deus são atormentados, como que por fogo, pelas angústias de uma alma que se arrepende tarde demais e sem esperança; e não sem razão contendem que o fogo pode ser posto por aquela dor ardente, como diz o Apóstolo: «Quem se escandaliza, e eu não me abraso?» [2 Cor 11:29]. Pensam também que pelo verme se deve entender a mesma dor, conforme está dito: «Assim como a traça consome o vestido, e o verme a madeira, assim a dor atormenta o coração do homem.» [Pr 25,20 Vulgata]. Todos aqueles que não hesitam em afirmar que haverá dor tanto do corpo como da alma naquele castigo afirmam que o corpo é queimado pelo fogo. Mas, embora isto seja mais crível, porque é absurdo que ali falte quer a dor do corpo quer a da alma, contudo penso que é mais fácil dizer que ambas pertencem ao corpo do que nenhuma; e, por isso, me parece que a Sagrada Escritura neste lugar se cala acerca das dores da alma, pois daí se segue que a alma também é atormentada nas dores do corpo. Escolha, pois, cada um o que quiser: ou referir o fogo ao corpo e o verme à alma, um propriamente e o outro figuradamente, ou ambos propriamente ao corpo; pois seres vivos podem existir até no fogo, em chamas sem se consumirem, com dor sem morte, pelo maravilhoso poder do Criador Todo-Poderoso.
Segue-se: «E se o teu pé te escandalizar, corta-o: melhor te é entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga; onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.»
de Civ. Dei · de Civ. Dei, 21, 9 · séc. V
tradução automática
TA
Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que a tristeza não é a mais nociva ao corpo. Porque a tristeza tem existência espiritual na alma. Mas aquelas coisas que têm apenas existência espiritual não causam transmutação no corpo: como é evidente a respeito das imagens das cores, as quais imagens estão no ar e não dão cor aos corpos. Logo, a tristeza não é nociva ao corpo.
**Objeção 2:** Demais, se ela é nociva ao corpo, isto só pode ser por ter conjuntamente consigo uma transmutação corporal. Ora, a transmutação corporal se dá em todas as paixões da alma, como foi dito acima (Q. 22, AA. 1, 3). Logo, a tristeza não é mais nociva ao corpo do que as outras paixões da alma.
**Objeção 3:** Demais, o Filósofo diz (Ética, VII, 3) que "a ira e o desejo levam alguns à loucura": o que parece ser um dano muito grande, pois a razão é o que há de mais excelente no homem. Ademais, o desespero parece ser mais nocivo do que a tristeza; pois é a causa da tristeza. Logo, a tristeza não é mais nociva ao corpo do que as outras paixões da alma.
**Pelo contrário,** está escrito (Prov. 17,22): "O coração alegre aformoseia o rosto; mas a tristeza do coração abate o espírito." E (Prov. 25,20): "Como a traça ao vestido, e o verme à madeira, assim a tristeza do homem consome o coração." E (Eclesiástico 38,19): "Da tristeza vem a morte."
**Respondo que** De todas as paixões da alma, a tristeza é a mais nociva ao corpo. A razão disto é que a tristeza é repugnante à vida do homem quanto à espécie de seu movimento, e não somente quanto à sua medida ou quantidade, como acontece com as outras paixões da alma. Porque a vida do homem consiste em certo movimento, que flui do coração para as outras partes do corpo; e este movimento é conveniente à natureza humana segundo uma certa medida fixa. Consequentemente, se este movimento ultrapassa a medida reta, será repugnante à vida do homem quanto à medida de quantidade, mas não quanto ao seu caráter específico; ao passo que, se este movimento for impedido em seu progresso, será repugnante à vida quanto à sua espécie.
Ora, deve-se notar que, em todas as paixões da alma, a transmutação corporal, que é seu elemento material, está em conformidade e proporção com o movimento apetitivo, que é o elemento formal; assim como em todas as coisas a matéria é proporcionada à forma. Por conseguinte, aquelas paixões que implicam um movimento do apetite na busca de algo não são repugnantes ao movimento vital quanto à sua espécie, mas podem sê-lo quanto à sua medida: tais são o amor, a alegria, o desejo e semelhantes; por isso, estas paixões conduzem ao bem-estar do corpo; embora, se forem excessivas, possam ser-lhe nocivas. Por outro lado, aquelas paixões que denotam no apetite um movimento de fuga ou contração são repugnantes ao movimento vital, não só quanto à sua medida, mas também quanto à sua espécie; por onde são simplesmente nocivas: tais são o temor e o desespero, e sobretudo a tristeza, que deprime a alma por causa de um mal presente, o qual causa impressão mais forte do que o mal futuro.
**Resposta à primeira objeção:** Como a alma move naturalmente o corpo, o movimento espiritual da alma é naturalmente a causa da transmutação corporal. E não há paralelo com as imagens espirituais, porque estas não estão naturalmente ordenadas a mover outros corpos tais que não sejam naturalmente movidos pela alma.
**Resposta à segunda objeção:** As outras paixões implicam uma transmutação corporal que é especificamente conforme ao movimento vital; ao passo que a tristeza implica uma transmutação que lhe é repugnante, como foi dito acima.
**Resposta à terceira objeção:** Uma causa menor basta para impedir o uso da razão do que para destruir a vida; pois observamos que muitas enfermidades privam alguém do uso da razão antes de o privar da vida. Contudo, o temor e a ira causam danos muito grandes ao corpo, por causa da tristeza que implicam, e que surge da ausência da coisa desejada. Além disso, a tristeza também priva às vezes o homem do uso da razão: como se vê naqueles que, por tristeza, se tornam presa da melancolia ou da loucura.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether sorrow is more harmful to the body than the other passions of the soul? · séc. XIII