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Pr 3, 5

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a docilidade não deve ser considerada uma parte da prudência. Pois aquilo que é condição necessária de toda virtude intelectual não deve ser apropriado a uma delas. Ora, a docilidade é necessária para toda virtude intelectual. Logo, não deve ser considerada uma parte da prudência. Objeção 2: Ademais, o que pertence a uma virtude humana está em nosso poder, pois é pelas coisas que estão em nosso poder que somos louvados ou censurados. Ora, não está em nosso poder ser dóceis, pois isto convém a alguns por sua disposição natural. Logo, não é parte da prudência. Objeção 3: Ademais, a docilidade está no discípulo; ao passo que a prudência, por fazer preceitos, parece pertencer antes aos mestres, que também são chamados "preceptores". Logo, a docilidade não é parte da prudência. Ao contrário, Macróbio, seguindo a opinião de Plotino, coloca a docilidade entre as partes da prudência. Respondo que, como foi dito acima (A[2], ad 1; Q[47], A[3]), a prudência se ocupa das matérias particulares de ação, e como tais matérias são de variedade infinita, nenhum homem pode considerá-las todas suficientemente; nem se pode fazer isto rapidamente, pois requer longo tempo. Por isso, nas questões de prudência, o homem tem grande necessidade de ser ensinado por outros, especialmente pelos anciãos que adquiriram uma sã compreensão dos fins nas coisas práticas. Por isso o Filósofo diz (Ética VI, 11): "É justo dar não menos atenção às asserções e opiniões não demonstradas de pessoas que são experientes, mais velhas do que nós e prudentes, do que às suas demonstrações, pois sua experiência lhes dá um discernimento dos princípios." Assim está escrito (Pr 3,5): "Não te estribes na tua prudência", e (Eclo 6,35): "Assiste na multidão dos anciãos (isto é, dos velhos) que são sábios, e ajunta-te de coração à sua sabedoria." Ora, é próprio da docilidade estar pronto a ser ensinado; e, consequentemente, a docilidade é convenientemente considerada uma parte da prudência. Resposta à Objeção 1: Embora a docilidade seja útil a toda virtude intelectual, contudo pertence à prudência principalmente, pela razão acima exposta. Resposta à Objeção 2: O homem tem aptidão natural para a docilidade, assim como para outras coisas relativas à prudência. Contudo, seus próprios esforços contam muito para alcançar a perfeita docilidade: e ele deve aplicar diligentemente, frequentemente e reverentemente seu espírito aos ensinamentos dos doutos, nem negligenciando-os por preguiça, nem desprezando-os por orgulho. Resposta à Objeção 3: Pela prudência, o homem faz preceitos não só para os outros, mas também para si mesmo, como foi dito acima (Q[47], A[12], ad 3). Donde, como se diz (Ética VI, 11), mesmo nos súbditos há lugar para a prudência; à qual pertence a docilidade. E, contudo, até os doutos devem ser dóceis em alguns aspectos, pois ninguém é totalmente autossuficiente nas questões de prudência, como foi dito acima.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether docility should be accounted a part of prudence? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Porque os preceitos principais devem incluir um preceito da virtude principal. Ora, os preceitos principais são os do decálogo. Visto que a prudência é a principal das virtudes morais, parece que os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Objeção 2: Além disso, o ensinamento do Evangelho contém a Lei, especialmente quanto aos preceitos do decálogo. Ora, o ensinamento do Evangelho contém um preceito de prudência (Mt 10,16): «Sede prudentes como as serpentes». Logo, os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Objeção 3: Ademais, os outros ensinamentos do Antigo Testamento são dirigidos para os preceitos do decálogo; por isso está escrito (Ml 4,4): «Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe ordenei em Horeb». Ora, os outros ensinamentos do Antigo Testamento incluem preceitos de prudência; por exemplo (Pr 3,5): «Não te estribes na tua própria prudência»; e mais adiante (Pr 4,25): «As tuas pálpebras guiem os teus passos». Logo, a Lei também deveria conter um preceito de prudência, especialmente entre os preceitos do decálogo. O contrário, porém, aparece a quem percorrer os preceitos do decálogo. Respondo: Como foi dito acima (I-II, q.100, a.3; a.5, ad 1) quando tratávamos dos preceitos, os mandamentos do decálogo, sendo dados a todo o povo, são de conhecimento comum a todos, por estarem sob o alcance da razão natural. Ora, as primeiras entre as coisas ditadas pela razão natural são os fins da vida humana, que são para a ordem prática o que os princípios naturalmente conhecidos são para a ordem especulativa, como foi mostrado acima (q.47, a.6). Ora, a prudência não é acerca do fim, mas acerca dos meios, como foi dito acima (q.47, a.6). Portanto, não era conveniente que os preceitos do decálogo incluíssem um preceito referente diretamente à prudência. E, contudo, todos os preceitos do decálogo estão relacionados com a prudência, na medida em que esta dirige todos os atos virtuosos. Resposta à objeção 1: Embora a prudência seja simplesmente a primeira entre todas as virtudes morais, contudo a justiça, mais do que qualquer outra virtude, considera o seu objeto sob o aspeto de algo devido, que é uma condição necessária para um preceito, como foi dito acima (q.44, a.1; I-II, q.99, aa.1,5). Por isso, convinha que os principais preceitos da Lei, que são os do decálogo, se referissem à justiça antes que à prudência. Resposta à objeção 2: O ensinamento do Evangelho é a doutrina da perfeição. Por isso, precisava instruir o homem perfeitamente em tudo o que diz respeito à reta conduta, quer os fins quer os meios; portanto, convinha que o ensinamento evangélico contivesse também preceitos de prudência. Resposta à objeção 3: Assim como o restante do ensinamento do Antigo Testamento é dirigido para os preceitos do decálogo como seu fim, assim convinha que o homem fosse instruído pelas lições subsequentes do Antigo Testamento acerca do ato de prudência que é dirigido para os meios.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the precepts of the decalogue should have included a precept of prudence? · séc. XIII

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Pr 3, 5 nos Padres da Igreja | Aurea