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Pr 30, 8

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Matos Soares

8Afasta de mim a falsidade e as palavras mentirosas; não me dês nem a pobreza, nem as riquezas, dá-me sòmente o que for necessário para viver,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Agostinho

E quaisquer outras palavras que empreguemos, seja para introdução, a fim de avivar os afetos, seja para conclusão, a fim de acrescentar-lhes, nada dizemos mais do que o que está contido na Oração do Senhor, se oramos retamente e ordenadamente. Pois aquele que diz: "Glorifica-te em todas as nações, assim como és glorificado entre nós", que outra coisa diz senão "Santificado seja o teu nome?" Aquele que ora: "Mostra a tua face, e seremos salvos" [Sl 80,3], que é isto senão dizer "Venha o teu reino?" Dizer: "Dirige os meus passos segundo a tua palavra" [Sl 119,133], que é mais do que "Faça-se a tua vontade?" Dizer: "Não me dês nem pobreza nem riquezas" [Pr 30,8], que outra coisa é senão "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje?" "Senhor, lembra-te de Davi e de toda a sua mansidão!" [Sl 131,1] e "Se retribuí mal por mal" [Sl 7,4], que outra coisa senão "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores?" Aquele que diz: "Afasta de mim toda a cobiça do ventre", que outra coisa diz senão "Não nos deixeis cair em tentação?" Aquele que diz: "Salva-me, ó meu Deus, dos meus inimigos" [Sl 59,1], que outra coisa diz senão "Livra-nos do mal?" E se assim percorreres todas as palavras das santas orações, nada encontrarás que não esteja contido na Oração do Senhor. Quem quer que profira tais palavras que não tenham relação com esta oração evangélica, ora carnalmente; e tal oração não sei por que não a havemos de declarar ilícita, vendo que o Senhor instrui aqueles que renasceram a orarem somente espiritualmente. Mas quem na oração diz: Senhor, aumenta as minhas riquezas, acrescenta às minhas honras; e isto pelo desejo de tais coisas, não com o fim de servir aos homens segundo a vontade de Deus por tais coisas; penso que nada encontra na Oração do Senhor sobre o que possa fundar tais petições. Seja, pois, tal homem detido pela vergonha de pedir, se não de desejar, tais coisas. Mas se ele tem vergonha do desejo, e contudo o desejo o vence, melhor fará em orar pela libertação do mal do desejo Àquele a quem dizemos: "Livra-nos do mal."

Epist. · Epist., 130, 12 · séc. V

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que Cristo não deveria ter levado uma vida de pobreza neste mundo. Porque Cristo deveria ter abraçado a forma de vida mais elegível. Ora, a forma de vida mais elegível é aquela que é um meio-termo entre a riqueza e a pobreza; pois está escrito (Prov. 30,8): «Não me dês nem mendicância nem riquezas; dá-me somente o necessário para a vida». Logo, Cristo deveria ter levado uma vida, não de pobreza, mas de moderação. **Objeção 2:** Ademais, os bens exteriores são ordenados ao uso corporal, como ao alimento e ao vestuário. Ora, Cristo conformou o seu modo de vida com aqueles entre os quais viveu, no tocante ao alimento e ao vestuário. Portanto, parece que Ele deveria ter observado o modo de vida comum quanto às riquezas e à pobreza, e evitado a pobreza extrema. **Objeção 3:** Ademais, Cristo convidou especialmente os homens a imitarem o Seu exemplo de humildade, conforme Mt 11,29: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração». Ora, a humildade é mui louvável nos ricos; assim está escrito (1 Tim 6,11): «Exorta os ricos deste mundo a que não sejam altivos». Portanto, parece que Cristo não deveria ter escolhido uma vida de pobreza. **Em contrário,** está escrito (Mt 8,20): «O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça»; como se dissesse, segundo observa Jerônimo: «Por que desejas seguir-Me por causa de riquezas e ganhos mundanos, visto que sou tão pobre que nem sequer tenho a menor morada, e sou abrigado por um telhado que não é Meu?». E sobre Mt 17,26: «Para que não os escandalizemos, vai ao mar», diz Jerônimo: «Este episódio, tomado literalmente, oferece edificação aos que o ouvem quando lhes é dito que nosso Senhor era tão pobre que não tinha com que pagar o tributo por Si e por Seus apóstolos». **Respondo** que convinha a Cristo levar uma vida de pobreza neste mundo. Primeiro, porque isso estava de acordo com o dever da pregação, para o qual Ele diz que veio (Mc 1,38): «Vamos às aldeias vizinhas e às cidades, para que ali também pregue; porque para isso vim». Ora, para que os pregadores da palavra de Deus possam dedicar todo o seu tempo à pregação, devem estar totalmente livres do cuidado das coisas mundanas: o que é impossível para aqueles que possuem riquezas. Por isso o próprio Senhor, ao enviar os apóstolos a pregar, disse-lhes (Mt 10,9): «Não possuais ouro nem prata». E os apóstolos (At 6,2) dizem: «Não é razoável que deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas». Em segundo lugar, porque assim como tomou sobre Si a morte do corpo para nos conceder a vida espiritual, assim também suportou a pobreza corporal para nos enriquecer espiritualmente, conforme 2 Cor 8,9: «Conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo: que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza fôsseis ricos». Em terceiro lugar, para que, se fosse rico, a Sua pregação não fosse atribuída à cobiça. Por isso Jerônimo, sobre Mt 10,9, diz que, se os discípulos possuíssem riquezas, «pareceriam pregar por ganho, não pela salvação dos homens». E a mesma razão se aplica a Cristo. Em quarto lugar, para que, quanto mais humilde parecesse por causa da Sua pobreza, tanto maior se manifestasse o poder da Sua Divindade. Por isso, num sermão do Concílio de Éfeso (P. III, c. IX) lemos: «Ele escolheu tudo o que era pobre e desprezível, tudo o que era de pequeno valor e oculto à maioria, para que reconhecêssemos que a Sua Divindade transformara a esfera terrena. Por esta razão escolheu uma pobre mãe para Si, um lugar de nascimento mais pobre; por esta razão viveu na indigência. Aprendei isto da manjedoura». **Resposta à Objeção 1:** Aqueles que desejam viver virtuosamente precisam evitar a abundância de riquezas e a mendicância, na medida em que estas são ocasiões de pecado: pois a abundância de riquezas é ocasião de soberba; e a mendicância é ocasião de furto e mentira, ou mesmo de perjúrio. Mas, porquanto Cristo era incapaz de pecar, não tinha o mesmo motivo que Salomão para evitar essas coisas. Contudo, nem toda espécie de mendicância é ocasião de furto e perjúrio, como Salomão parece acrescentar (Prov. 30,8); mas apenas aquela que é involuntária, para evitar a qual o homem comete furto e perjúrio. Ora, a pobreza voluntária não está exposta a esse perigo; e tal foi a pobreza escolhida por Cristo. **Resposta à Objeção 2:** Um homem pode alimentar-se e vestir-se em conformidade com os outros, não só possuindo riquezas, mas também recebendo os bens necessários à vida daqueles que são ricos. Foi o que aconteceu com Cristo; pois está escrito (Lc 8,2-3) que algumas mulheres seguiam a Cristo e «o serviam com seus bens». Porque, como diz Jerônimo sobre Mt 27,55, «era um costume judaico, e não se considerava errado que as mulheres, seguindo a antiga tradição da sua nação, fornecessem aos seus mestres alimento e vestuário dos seus próprios recursos. Mas, como isso podia escandalizar os gentios, Paulo diz que abandonou tal prática». Assim, era possível que eles fossem alimentados de um fundo comum, mas não que possuíssem riquezas, sem que o seu dever de pregar fosse impedido pela ansiedade. **Resposta à Objeção 3:** A humildade não é muito louvada naquele que é pobre por necessidade. Mas naquele que, como Cristo, é pobre voluntariamente, a própria pobreza é um sinal de humildade muito grande.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether Christ should have led a life of poverty in this world? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o homem não deve pedir a Deus bens temporais em suas orações. Buscamos o que pedimos na oração. Mas não devemos buscar bens temporais, pois está escrito (Mt 6,33): «Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas», isto é, os bens temporais, os quais, diz Ele, não devemos buscar, mas nos serão acrescentados ao que buscamos. Logo, não se devem pedir a Deus bens temporais na oração. Objeção 2: Além disso, ninguém pede senão aquilo de que está solícito. Ora, não devemos ter solicitude pelos bens temporais, conforme a palavra de Mt 6,25: «Não andeis cuidadosos da vossa vida, pelo que haveis de comer». Logo, não devemos pedir bens temporais quando oramos. Objeção 3: Além disso, pela oração nossa mente deve elevar-se a Deus. Mas, pedindo bens temporais, ela desce a coisas inferiores a si, contra o dito do Apóstolo (2 Cor 4,18): «Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, mas as que se não veem são eternas». Logo, o homem não deve pedir a Deus bens temporais quando ora. Objeção 4: Além disso, o homem não deve pedir a Deus senão coisas boas e úteis. Mas os bens temporais, quando os possuímos, às vezes são nocivos, não só espiritualmente, mas também materialmente. Logo, não os devemos pedir a Deus em nossas orações. Em contrário, está escrito (Pr 30,8): «Dá-me só o necessário para viver». Respondo que, como diz Agostinho (a Proba, sobre orar a Deus, Ep. cxxx, 12): «É lícito pedir na oração aquilo que é lícito desejar». Ora, é lícito desejar bens temporais, não como fim principal, colocando neles o nosso termo, mas como auxílios pelos quais somos ajudados a tender para a beatitude, na medida em que servem para sustentar a vida do corpo e nos são úteis como instrumentos para praticar atos de virtude, como também diz o Filósofo (Ética i, 8). Também Agostinho diz o mesmo a Proba (a Proba, sobre orar a Deus, Ep. cxxx, 6,7) quando afirma que «não é inconveniente que alguém deseje o suficiente para viver, e nada mais; pois essa suficiência é desejada, não por si mesma, mas pelo bem do corpo, ou que desejemos vestir-nos de modo condizente com a própria condição, para não destoar daqueles entre os quais havemos de viver. Por conseguinte, devemos orar para conservar essas coisas, se as temos, e, se não as temos, para alcançá-las». Resposta à Objeção 1: Os bens temporais devem ser buscados não em primeiro lugar, mas em segundo. Por isso Agostinho diz (Do Sermão do Senhor no Monte ii, 16): «Quando Ele diz que isto» (isto é, o reino de Deus) «deve ser buscado primeiro, dá a entender que o outro» (isto é, os bens temporais) «deve ser buscado depois, não em tempo, mas em importância: aquele como nosso bem, este como nossa necessidade». Resposta à Objeção 2: Não é proibida toda solicitude pelos bens temporais, mas aquela que é supérflua e desordenada, como se disse acima (Q. 55, A. 6). Resposta à Objeção 3: Quando nossa mente se ocupa dos bens temporais para neles repousar, permanece imersa neles; mas quando se ocupa deles em relação à aquisição da beatitude, não se abaixa por eles, antes os eleva a um nível mais alto. Resposta à Objeção 4: Pelo próprio fato de pedirmos bens temporais não como objeto principal de nossa petição, mas como subordinados a outra coisa, pedimo-los a Deus no sentido de que nos sejam concedidos na medida em que são convenientes para a salvação.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether man ought to ask God for temporal things when he prays? · séc. XIII

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