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Pr 4, 25

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Matos Soares

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a inconsideração não é um pecado especial incluído na imprudência. Porque a lei divina não nos incita a nenhum pecado, segundo o Sl 18,8: «A lei do Senhor é imaculada»; e, contudo, ela nos incita a ser inconsiderados, segundo Mt 10,19: «Não penseis como ou o que haveis de falar». Logo, a inconsideração não é pecado. **Objeção 2:** Ademais, quem toma conselho necessita dar consideração a muitas coisas. Ora, a precipitação se deve a um defeito do conselho e, portanto, a um defeito de consideração. Logo, a precipitação está contida na inconsideração; e, consequentemente, a inconsideração não é um pecado especial. **Objeção 3:** Ademais, a prudência consiste nos atos da razão prática, a saber, «conselho», «juízo» sobre o que foi aconselhado e «preceito» [cf. Q. 47, a. 8]. Ora, a consideração precede todos esses atos, pois pertence também ao intelecto especulativo. Logo, a inconsideração não é um pecado especial contido na imprudência. **Pelo contrário,** está escrito (Pr 4,25): «Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras precedam os teus passos». Ora, isso pertence à prudência, enquanto o contrário pertence à inconsideração. Logo, a inconsideração é um pecado especial contido na imprudência. **Respondo que** a consideração significa o ato do intelecto ao considerar a verdade acerca de algo. Ora, assim como a investigação pertence à razão, assim o juízo pertence ao intelecto. Por isso, nas matérias especulativas, uma ciência demonstrativa é dita exercer juízo, na medida em que julga a verdade dos resultados da investigação, reconduzindo esses resultados aos primeiros princípios indemonstráveis. Logo, a consideração pertence principalmente ao juízo; e, consequentemente, a falta de juízo reto pertence ao vício da inconsideração, enquanto, a saber, alguém falha em julgar retamente por desprezo ou negligência daquelas coisas das quais depende o juízo reto. É, portanto, evidente que a inconsideração é um pecado. **Resposta à objeção 1:** O Senhor não nos proibiu de considerar, quando temos oportunidade, o que devemos fazer ou dizer; mas, nas palavras citadas, Ele encoraja Seus discípulos para que, quando não tivessem oportunidade de considerar, seja por falta de conhecimento ou por uma convocação súbita, confiassem apenas na orientação de Deus, porque «não sabemos o que devemos fazer, senão que os nossos olhos se levantam para Deus», segundo 2 Par 20,12. Do contrário, se o homem, em vez de fazer o que pode, se contentasse em esperar o auxílio de Deus, pareceria tentar a Deus. **Resposta à objeção 2:** Toda consideração acerca daquelas coisas de que o conselho toma conhecimento se ordena à formação de um juízo reto; por isso, essa consideração se aperfeiçoa no juízo. Consequentemente, a inconsideração se opõe sobretudo à retidão do juízo. **Resposta à objeção 3:** A inconsideração deve ser tomada aqui com relação a uma matéria determinada, a saber, a da ação humana, na qual mais coisas têm de ser consideradas para o juízo reto do que nas matérias especulativas, porque as ações são acerca de singulares.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether thoughtlessness is a special sin included in prudence? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Porque os preceitos principais devem incluir um preceito da virtude principal. Ora, os preceitos principais são os do decálogo. Visto que a prudência é a principal das virtudes morais, parece que os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Objeção 2: Além disso, o ensinamento do Evangelho contém a Lei, especialmente quanto aos preceitos do decálogo. Ora, o ensinamento do Evangelho contém um preceito de prudência (Mt 10,16): «Sede prudentes como as serpentes». Logo, os preceitos do decálogo deveriam incluir um preceito de prudência. Objeção 3: Ademais, os outros ensinamentos do Antigo Testamento são dirigidos para os preceitos do decálogo; por isso está escrito (Ml 4,4): «Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe ordenei em Horeb». Ora, os outros ensinamentos do Antigo Testamento incluem preceitos de prudência; por exemplo (Pr 3,5): «Não te estribes na tua própria prudência»; e mais adiante (Pr 4,25): «As tuas pálpebras guiem os teus passos». Logo, a Lei também deveria conter um preceito de prudência, especialmente entre os preceitos do decálogo. O contrário, porém, aparece a quem percorrer os preceitos do decálogo. Respondo: Como foi dito acima (I-II, q.100, a.3; a.5, ad 1) quando tratávamos dos preceitos, os mandamentos do decálogo, sendo dados a todo o povo, são de conhecimento comum a todos, por estarem sob o alcance da razão natural. Ora, as primeiras entre as coisas ditadas pela razão natural são os fins da vida humana, que são para a ordem prática o que os princípios naturalmente conhecidos são para a ordem especulativa, como foi mostrado acima (q.47, a.6). Ora, a prudência não é acerca do fim, mas acerca dos meios, como foi dito acima (q.47, a.6). Portanto, não era conveniente que os preceitos do decálogo incluíssem um preceito referente diretamente à prudência. E, contudo, todos os preceitos do decálogo estão relacionados com a prudência, na medida em que esta dirige todos os atos virtuosos. Resposta à objeção 1: Embora a prudência seja simplesmente a primeira entre todas as virtudes morais, contudo a justiça, mais do que qualquer outra virtude, considera o seu objeto sob o aspeto de algo devido, que é uma condição necessária para um preceito, como foi dito acima (q.44, a.1; I-II, q.99, aa.1,5). Por isso, convinha que os principais preceitos da Lei, que são os do decálogo, se referissem à justiça antes que à prudência. Resposta à objeção 2: O ensinamento do Evangelho é a doutrina da perfeição. Por isso, precisava instruir o homem perfeitamente em tudo o que diz respeito à reta conduta, quer os fins quer os meios; portanto, convinha que o ensinamento evangélico contivesse também preceitos de prudência. Resposta à objeção 3: Assim como o restante do ensinamento do Antigo Testamento é dirigido para os preceitos do decálogo como seu fim, assim convinha que o homem fosse instruído pelas lições subsequentes do Antigo Testamento acerca do ato de prudência que é dirigido para os meios.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the precepts of the decalogue should have included a precept of prudence? · séc. XIII

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