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Pr 6, 19

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Matos Soares

19testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia discórdias entre seus irmãos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a discórdia não é pecado. Porque discordar do próximo é separar-se da vontade alheia. Mas isso não parece ser pecado, porque só a vontade de Deus, e não a do próximo, é a regra da nossa vontade. Logo, a discórdia não é pecado. Objeção 2: Ademais, quem induz outrem a pecar, também ele peca. Ora, parece que não é pecado incitar outros à discórdia, pois está escrito (Atos 23, 6) que Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e a outra de fariseus, clamou no conselho: "Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus; pela esperança e ressurreição dos mortos sou chamado a juízo. E, tendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e os saduceus." Logo, a discórdia não é pecado. Objeção 3: Ademais, o pecado, especialmente o mortal, não se encontra num homem santo. Ora, a discórdia encontra-se até entre homens santos, pois está escrito (Atos 15, 39): "Houve dissensão" entre Paulo e Barnabé, "de modo que se separaram um do outro." Logo, a discórdia não é pecado, e muito menos pecado mortal. Em sentido contrário, as "dissensões", isto é, as discórdias, são contadas entre as obras da carne (Gl 5, 20), das quais depois se diz (Gl 5, 21) que "os que fazem tais coisas não alcançarão o reino de Deus". Ora, nada, exceto o pecado mortal, exclui o homem do reino de Deus. Logo, a discórdia é pecado mortal. Respondo que a discórdia se opõe à concórdia. Ora, como foi dito acima (Q[29], AA[1],3), a concórdia resulta da caridade, na medida em que a caridade dirige muitos corações juntamente para uma só coisa, que é principalmente o bem divino e, secundariamente, o bem do próximo. Por onde, a discórdia é pecado, na medida em que se opõe a esta concórdia. Mas é necessário observar que esta concórdia é destruída pela discórdia de dois modos: primeiro, diretamente; segundo, acidentalmente. Ora, os atos e movimentos humanos dizem-se diretos quando são segundo a intenção. Por onde, o homem discorda diretamente do seu próximo quando, consciente e intencionalmente, dissentir do bem divino e do bem do próximo, a que deveria consentir. Isto é pecado mortal quanto ao seu género, porque é contrário à caridade, embora os primeiros movimentos de tal discórdia sejam pecados veniais por serem atos imperfeitos. O acidental nos atos humanos é o que ocorre fora da intenção. Por isso, quando vários intentam um bem pertencente à honra de Deus ou ao proveito do próximo, mas um julga boa uma coisa e outro pensa o contrário, a discórdia é, neste caso, acidentalmente contrária ao bem divino ou ao do próximo. Tal discórdia não é pecaminosa nem contrária à caridade, a menos que seja acompanhada de erro acerca das coisas necessárias à salvação ou de obstinação indevida, porque também foi dito acima (Q[29], AA[1],3, ad 2) que a concórdia, que é efeito da caridade, é união de vontades, não de opiniões. Disto se segue que a discórdia é, às vezes, pecado só de uma das partes, por exemplo, quando um quer um bem que o outro conscientemente resiste; outras vezes implica pecado em ambas as partes, como quando cada um dissentir do bem do outro e ama o seu próprio. Resposta à Objeção 1: A vontade de um homem, considerada em si mesma, não é regra da vontade de outro homem; mas, na medida em que a vontade do próximo adere à vontade de Deus, torna-se, consequentemente, uma regra regulada segundo a sua medida própria. Por onde, é pecado discordar de tal vontade, porque, por isso mesmo, se discorda da regra divina. Resposta à Objeção 2: Assim como a vontade do homem que adere a Deus é uma regra reta, discordar da qual é pecado, assim a vontade do homem que é oposta a Deus é uma regre perversa, discordar da qual é bom. Por isso, causar uma discórdia pela qual se destrói uma boa concórdia resultante da caridade é pecado grave; donde está escrito (Prov. 6, 16): "Seis coisas há que o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma detesta", e a sétima diz-se (Prov. 6, 19) ser "o que semeia discórdia entre os irmãos". Por outro lado, suscitar uma discórdia pela qual se destrói uma concórdia má (isto é, a concórdia numa vontade má) é louvável. Deste modo, Paulo foi de louvar por semear discórdia entre os que concordavam no mal, porque também o Senhor disse de Si mesmo (Mt 10, 34): "Não vim trazer a paz, mas a espada." Resposta à Objeção 3: A discórdia entre Paulo e Barnabé foi acidental e não direta; porque cada um intentava algum bem, mas um pensava ser bom uma coisa, e o outro julgava outra, o que se devia à deficiência humana; pois aquela controvérsia não era acerca de coisas necessárias à salvação. Além disso, tudo isto foi ordenado pela divina providência, por causa do bem que daí havia de resultar.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether discord is a sin? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a detração é pecado mais grave que a murmuração. Porque os pecados de palavra consistem em falar mal. Ora, o detrator fala do seu próximo coisas que são simplesmente más, pois tais coisas levam à perda ou depreciação do seu bom nome; ao passo que o murmurador só intenciona dizer o que é aparentemente mau, porquanto são desagradáveis ao ouvinte. Logo, a detração é pecado mais grave que a murmuração. **Objeção 2:** Ademais, aquele que priva um homem do seu bom nome priva-o não só de um amigo, mas de muitos, porque todos estão dispostos a desprezar a amizade de uma pessoa de má fama. Donde se reprova contra um certo indivíduo (2 Paralipómenos 19:2): "Tu te uniste em amizade com aqueles que odeiam o Senhor." Mas a murmuração priva-o de apenas um amigo. Logo, a detração é pecado mais grave que a murmuração. **Objeção 3:** Ademais, está escrito (Tiago 4:11): "O que detrai de seu irmão... detrai a lei", e consequentemente a Deus, doador da lei. Pelo que o pecado de detração parece ser um pecado contra Deus, o que é gravíssimo, como acima se disse (Q. 20, A. 3; I-II, Q. 73, A. 3). Por outro lado, o pecado de murmuração é contra o próximo. Portanto, o pecado de detração é mais grave que o pecado de murmuração. **Em contrário,** está escrito (Eclesiástico 5:17): "Uma marca maligna de desgraça está sobre o de língua dobre; mas ao murmurador, ódio, e inimizade, e opróbrio." **Respondo:** Como acima se disse (Q. 73, A. 3; I-II, Q. 73, A. 8), os pecados contra o próximo são tanto mais graves quanto maior injúria infligem a ele; e a injúria é tanto maior segundo a grandeza do bem que remove. Ora, de todos os bens exteriores, o amigo ocupa o primeiro lugar, pois "ninguém pode viver sem amigos", como declara o Filósofo (Ética, viii, 1). Donde está escrito (Eclesiástico 6:15): "Nada se pode comparar a um amigo fiel." Ademais, o bom nome de um homem, do qual a detração o priva, é-lhe muito necessário para que seja apto para a amizade. Portanto, a murmuração é pecado maior que a detração ou mesmo o vitupério, porque o amigo é melhor que a honra, e ser amado é melhor que ser honrado, segundo o Filósofo (Ética, viii). **Resposta à Objeção 1:** A espécie e a gravidade de um pecado dependem do fim mais do que do objeto material; por onde, por razão do seu fim, a murmuração é pior que a detração, embora às vezes o detrator diga coisas piores. **Resposta à Objeção 2:** Um bom nome é uma disposição para a amizade, e um mau nome é uma disposição para a inimizade. Mas uma disposição é inferior à coisa para a qual dispõe. Portanto, fazer algo que conduz a uma disposição para a inimizade é pecado menos grave do que fazer o que conduz diretamente à inimizade. **Resposta à Objeção 3:** Aquele que detrai de seu irmão parece detrair a lei, na medida em que despreza o preceito do amor ao próximo; enquanto aquele que se esforça por romper a amizade parece agir mais diretamente contra este preceito. Por isso, o pecado posterior é mais especialmente contra Deus, porque "Deus é caridade" (1 João 4:16), e por esta razão está escrito (Provérbios 6:16): "Seis coisas há que o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma detesta", e a sétima é "o que semeia discórdia entre os irmãos".

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether backbiting is a graver sin than tale-bearing? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a jactância é pecado mortal. Porque está escrito (Prov. 28,25): «O que se jacta e se incha excita contendas.» Ora, excitar contendas é pecado mortal, pois Deus aborrece os que semeiam discórdia, segundo Prov. 6,19. Logo, a jactância é pecado mortal. Objeção 2: Ademais, tudo o que é proibido na lei de Deus é pecado mortal. Ora, uma glosa sobre Eclo 6,2, «Não te exaltes nos pensamentos da tua alma», diz: «Isto é proibição da jactância e da soberba.» Logo, a jactância é pecado mortal. Objeção 3: Ademais, a jactância é uma espécie de mentira. Mas não é mentira oficiosa nem jocosa. Isto é evidente pelo fim da mentira; porque, segundo o Filósofo (Ética IV,7), «o jactancioso finge algo maior do que é, às vezes sem outro fim, às vezes por causa da glória ou da honra, às vezes por causa do dinheiro.» Assim, é evidente que não é nem mentira oficiosa nem jocosa, e, consequentemente, deve ser mentira prejudicial. Portanto, ao que parece, é sempre pecado mortal. Em contrário, a jactância nasce da vanglória, segundo Gregório (Moral. XXXI,17). Ora, a vanglória nem sempre é pecado mortal, mas é às vezes pecado venial, do qual só os muito perfeitos se abstêm. Pois Gregório diz (Moral. VIII,30) que «pertence aos muito perfeitos, por obras externas, buscar de tal modo a glória de seu autor, que não sejam interiormente exaltados pelo louvor que lhes é dado.» Logo, a jactância nem sempre é pecado mortal. Respondo que, como foi dito acima (Q.110, A.4), pecado mortal é aquele que é contrário à caridade. Por conseguinte, a jactância pode ser considerada de dois modos. Primeiro, em si mesma, como mentira, e assim é às vezes pecado mortal, às vezes pecado venial. Será pecado mortal quando alguém se jacta daquilo que é contrário à glória de Deus — assim é dito na pessoa do rei de Tiro (Ez 28,2): «Elevou-se o teu coração, e disseste: Eu sou Deus» — ou contrário ao amor do próximo, como quando alguém, jactando-se de si, prorrompe em invectivas contra outros, como se conta do fariseu que disse (Lc 18,11): «Não sou como os demais homens, que são roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano.» Às vezes é pecado venial, quando, por exemplo, alguém se jacta de coisas que não são contra Deus nem contra o próximo. Segundo, pode ser considerada quanto à sua causa, a saber, a soberba, ou o desejo de ganho ou de vanglória; e então, se procede da soberba ou de vanglória que é pecado mortal, a jactância também será pecado mortal; de outro modo, será pecado venial. Às vezes, porém, alguém prorrompe em jactância por desejo de ganho, e por isso mesmo pareceria visar ao engano e dano do próximo; por isso, a jactância desse gênero é mais provável que seja pecado mortal. Daí o Filósofo dizer (Ética IV,7) que «o homem que se jacta por causa do ganho é mais vil do que aquele que se jacta por causa da glória ou da honra.» Contudo, nem sempre é pecado mortal, porque o ganho pode ser tal que não cause dano a outro. Resposta à Objeção 1: Jactar-se para excitar contendas é pecado mortal. Mas acontece às vezes que as jactâncias são causa de contendas, não intencionalmente, mas acidentalmente; e, por conseguinte, a jactância não será pecado mortal por essa razão. Resposta à Objeção 2: Essa glosa fala da jactância que procede da soberba, que é pecado mortal. Resposta à Objeção 3: A jactância nem sempre implica mentira prejudicial, mas só quando é contrária ao amor de Deus ou do próximo, seja em si mesma, seja em sua causa. Que um homem se jacte por mero prazer de jactar-se é coisa vã de fazer, como observa o Filósofo (Ética IV,7); donde equivale a uma mentira jocosa. A menos que, porventura, prefira isto ao amor de Deus, de modo a desprezar os mandamentos de Deus por causa da jactância; pois então seria contra a caridade de Deus, em quem só a nossa mente deve descansar como em seu fim último. Jactar-se por causa da glória ou do ganho parece envolver mentira oficiosa; contanto que se faça sem dano alheio, pois então se tornaria uma mentira prejudicial.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether boasting is a mortal sin? · séc. XIII

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Pr 6, 19 nos Padres da Igreja | Aurea