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Sl 10, 6

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Matos Soares

6O senhor sonda o justo e o ímpio; o seu espírito odeia aquele que ama a iniquidade. (5)

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que os pecadores amam a si mesmos. Pois aquilo que é o princípio do pecado encontra-se maximamente no pecador. Ora, o amor de si mesmo é o princípio do pecado, segundo Agostinho (De Civ. Dei, XIV, 28), que diz que ele «edifica a cidade de Babilônia». Logo, os pecadores amam a si mesmos maximamente. **Objeção 2:** Além disso, o pecado não destrói a natureza. Ora, é conforme à natureza que cada homem ame a si mesmo; por isso, mesmo os seres irracionais naturalmente desejam o seu próprio bem, por exemplo, a conservação do seu ser e coisas semelhantes. Logo, os pecadores amam a si mesmos. **Objeção 3:** Além disso, o bem é amado por todos, como afirma Dionísio (Div. Nom., IV). Ora, muitos pecadores se consideram bons. Logo, muitos pecadores amam a si mesmos. **Em contrário,** está escrito (Sl 10,6): «O que ama a iniquidade, aborrece a sua própria alma.» **Respondo que:** O amor de si mesmo é comum a todos de um modo; de outro modo é próprio dos bons; de um terceiro modo, é próprio dos maus. Pois é comum a todos que cada um ame aquilo que julga ser. Ora, um homem é dito ser uma coisa de duas maneiras: primeiro, quanto à sua substância e natureza, e, deste modo, todos se julgam ser o que são, isto é, compostos de alma e corpo. Deste modo também todos os homens, tanto bons como maus, amam a si mesmos, enquanto amam a sua própria conservação. Segundamente, um homem é dito ser algo em razão de alguma predominância, como o soberano de um Estado é dito ser o Estado, e assim, o que o soberano faz, o Estado é dito fazer. Deste modo, nem todos se julgam ser o que são. Pois a mente racional é a parte predominante do homem, enquanto a natureza sensitiva e corporal ocupa o segundo lugar; daquelas, o Apóstolo chama a primeira de «homem interior» e a segunda de «homem exterior» (2 Cor 4,16). Ora, os bons consideram a sua natureza racional ou o homem interior como o principal em si mesmos; por isso, deste modo, julgam ser o que são. Por outro lado, os maus consideram a sua natureza sensitiva e corporal, ou o homem exterior, como ocupando o primeiro lugar. Por conseguinte, como não se conhecem retamente, não se amam retamente, mas amam o que julgam ser. Os bons, porém, conhecem-se verdadeiramente e, portanto, amam-se verdadeiramente. O Filósofo prova isto por cinco coisas próprias da amizade. Pois, primeiramente, todo amigo deseja que o amigo seja e viva; segundamente, deseja-lhe bens; terceiramente, faz-lhe o bem; quartamente, compraz-se na sua companhia; quintamente, está de acordo com ele, alegrando-se e entristecendo-se com as mesmas coisas quase. Deste modo, os bons amam a si mesmos quanto ao homem interior, porque desejam a sua conservação na sua integridade, desejam-lhe bens, a saber, bens espirituais, na verdade envidam o seu melhor esforço para os obter, e comprazem-se em entrar no próprio coração, porque ali encontram bons pensamentos no presente, a memória dos bens passados e a esperança dos bens futuros, tudo o que é fonte de prazer. Igualmente, não experimentam conflito de vontades, pois toda a sua alma tende a uma só coisa. Por outro lado, os maus não desejam ser conservados na integridade do homem interior, nem desejam bens espirituais para ele, nem trabalham para esse fim, nem se comprazem na própria companhia entrando no próprio coração, porque tudo o que ali encontram, presente, passado e futuro, é mau e horrível; nem concordam consigo mesmos, por causa dos remorsos da consciência, conforme o Sl 49,21: «Eu te arguirei e porei tudo diante de teu rosto.» Do mesmo modo, pode-se mostrar que os maus amam a si mesmos quanto à corrupção do homem exterior, ao passo que os bons não se amam assim. **Resposta à objeção 1:** O amor de si mesmo que é princípio do pecado é aquele próprio dos maus, e chega «até ao desprezo de Deus», como se afirma no passo citado, porque os maus desejam tanto os bens exteriores que desprezam os bens espirituais. **Resposta à objeção 2:** Embora o amor natural não seja de todo perdido pelos homens maus, contanto é neles pervertido, como foi explicado acima. **Resposta à objeção 3:** Os maus participam de algum amor de si mesmos, na medida em que se julgam bons. Todavia, tal amor de si mesmo não é verdadeiro, mas aparente; e nem mesmo isso é possível naqueles que são extremamente maus.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether sinners love themselves? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que o bem não é a única causa do amor. Porque o bem não causa o amor senão enquanto é amado. Ora, acontece que também o mal é amado, conforme o Salmo 10,6: *“Aquele que ama a iniquidade, aborrece a sua própria alma”*; de outro modo, todo amor seria bom. Logo, o bem não é a única causa do amor. **Objeção 2.** Além disso, o Filósofo diz (Ret. ii, 4) que “amamos aqueles que reconhecem os seus males”. Parece, portanto, que o mal é causa do amor. **Objeção 3.** Além disso, Dionísio diz (Div. Nom. iv) que não só “o bem”, mas também “o belo é amado por todos”. **Em contrário,** Agostinho diz (De Trin. viii, 3): “Certamente, só o bem é amado.” Logo, só o bem é causa do amor. **Respondo.** Como se disse acima (q. 26, a. 1), o amor pertence à potência apetitiva, que é uma faculdade passiva. Por isso, o seu objeto está para ela como causa do seu movimento ou ato. Portanto, a causa do amor deve ser necessariamente o objeto do amor. Ora, o objeto próprio do amor é o bem; porque, como se disse acima (q. 26, aa. 1,2), o amor implica uma certa connaturalidade ou complacência do amante para com a coisa amada, e para cada coisa é um bem aquilo que lhe é afim e proporcionado. Segue-se, portanto, que o bem é a causa própria do amor. **Resposta à objeção 1.** O mal nunca é amado senão sob a razão de bem, isto é, enquanto é bom em algum aspecto e é considerado como bem simplesmente. E assim, um certo amor é mau, enquanto tende para o que não é simplesmente um verdadeiro bem. É deste modo que o homem “ama a iniquidade”, na medida em que, por meio dela, se alcança algum bem, por exemplo, prazer, dinheiro ou coisas semelhantes. **Resposta à objeção 2.** Aqueles que reconhecem os seus males são amados, não pelos seus males, mas porque os reconhecem; pois é uma coisa boa reconhecer as próprias faltas, enquanto exclui a insinceridade ou a hipocrisia. **Resposta à objeção 3.** O belo é o mesmo que o bem, e diferem apenas na razão. Porque, sendo o bem o que todos desejam, a noção de bem é o que aquieta o desejo; ao passo que a noção de belo é o que aquieta o desejo por ser visto ou conhecido. Por conseguinte, os sentidos que se ocupam principalmente do belo são os mais cognoscitivos, a saber, a vista e o ouvido, como ministros da razão; pois falamos de vistas belas e sons belos. Mas, em relação aos outros objetos dos outros sentidos, não usamos a expressão “belo”, pois não falamos de gostos belos nem de odores belos. Assim, é evidente que a beleza acrescenta à bondade uma relação com a faculdade cognoscitiva; de modo que “bom” significa o que simplesmente agrada ao apetite, enquanto “belo” é algo aprazível de apreender.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether good is the only cause of love? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que um homem pode odiar a si mesmo. Pois está escrito (Sl 10,6): «O que ama a iniquidade aborrece a sua própria alma.» Ora, muitos amam a iniquidade. Logo, muitos odeiam a si mesmos. Objeção 2: Ademais, odiamos aquele a quem desejamos e obramos o mal. Mas, por vezes, o homem deseja e obra o mal a si mesmo, como aquele que se mata. Logo, alguns homens odeiam a si mesmos. Objeção 3: Além disso, Boécio diz (Da Consolação, II) que «a avareza torna o homem odioso»; donde podemos concluir que todos odeiam o avarento. Ora, alguns homens são avarentos. Logo, odeiam a si mesmos. Em contrário, o Apóstolo diz (Ef 5,29) que «ninguém aborreceu jamais a sua própria carne.» Respondo que, propriamente falando, é impossível que um homem odeie a si mesmo. Pois todo ser naturalmente deseja o bem, nem pode alguém desejar algo para si senão sob a razão de bem: porque «o mal está fora do âmbito da vontade», como diz Dionísio (Dos Nomes Divinos, IV). Ora, amar a alguém é querer-lhe o bem, como acima se disse (Q. 26, A. 4). Consequentemente, o homem deve, necessariamente, amar a si mesmo; e é impossível que um homem odeie a si mesmo, propriamente falando. Mas, acidentalmente, acontece que um homem odeia a si mesmo; e isto de dois modos. Primeiro, da parte do bem que o homem quer para si. Pois sucede, às vezes, que aquilo que é desejado como bem em algum particular respeito é simplesmente mal; e assim, o homem quer acidentalmente o mal para si; e deste modo odeia a si mesmo. Segundo, quanto a si mesmo, a quem quer o bem. Pois cada coisa é aquilo que nela predomina; donde se diz que o Estado faz o que o rei faz, como se o rei fosse todo o Estado. Ora, é claro que o homem é principalmente a mente do homem. E acontece que alguns homens se consideram a si mesmos como sendo principalmente aquilo que são em sua natureza material e sensitiva. Por onde, amam a si mesmos segundo o que julgam ser, enquanto odeiam aquilo que realmente são, desejando o que é contrário à razão. E de ambos os modos, «o que ama a iniquidade aborrece» não só «a sua própria alma», mas também a si mesmo. Portanto, é evidente a resposta à Primeira Objeção. Resposta à Objeção 2: Ninguém quer ou obra o mal para si mesmo, a menos que o apreenda sob a razão de bem. Pois mesmo aqueles que se matam apreendem a própria morte como um bem, considerada como pondo termo a alguma desgraça ou dor. Resposta à Objeção 3: O avarento odeia algo acidental a si mesmo, mas nem por isso odeia a si mesmo; assim como o doente odeia a sua doença precisamente porque ama a si mesmo. Ou podemos dizer que a avareza torna o homem odioso aos outros, mas não a si mesmo. Na verdade, ela é causada pelo amor-próprio desordenado, pelo qual o homem deseja para si os bens temporais mais do que deve.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether a man can hate himself? · séc. XIII

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