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Sl 10, 8

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Matos Soares

8Com efeito, o Senhor é justo e ama a justiça; os homens rectos verão a sua face. (7)

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não há justiça em Deus. Porque a justiça se opõe à temperança. Ora, a temperança não existe em Deus; logo, nem a justiça. Objeção 2: Ademais, aquele que faz tudo quanto quer e apraz não obra segundo a justiça. Ora, como diz o Apóstolo: «Deus opera todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade» (Efés. 1,11). Logo, não se Lhe pode atribuir justiça. Objeção 3: Ademais, o ato da justiça é pagar o que é devido. Ora, Deus não é devedor de ninguém. Logo, a justiça não pertence a Deus. Objeção 4: Ademais, tudo o que está em Deus é a Sua essência. Ora, a justiça não pode pertencer a ela, porque Boécio diz (De Hebdom.) que «o bem respeita a essência; a justiça, o ato». Logo, a justiça não pertence a Deus. Em contrário, está escrito (Sal. 10,8): «O Senhor é justo, e amou a justiça.» Respondo que: Há duas espécies de justiça. Uma consiste no dar e receber mútuo, como na compra e venda, e outros gêneros de trato e troca. A esta chama o Filósofo (Ética v, 4) justiça comutativa, que dirige as trocas e os negócios. Esta não pertence a Deus, pois, como diz o Apóstolo: «Quem primeiro Lhe deu, para que lhe seja retribuído?» (Rom. 11,35). A outra consiste na distribuição, e chama-se justiça distributiva, pela qual o governante ou o dispenseiro dá a cada um o que lhe cabe segundo a sua condição. Portanto, assim como a ordem própria que se vê no governo de uma família ou de qualquer multidão manifesta esta justiça no governante, assim também a ordem do universo, que se vê tanto nos efeitos da natureza como nos efeitos da vontade, mostra a justiça de Deus. Por isso Dionísio diz (Div. Nom. viii, 4): «É necessário que vejamos que Deus é verdadeiramente justo, ao ver como dá a todas as coisas existentes o que é próprio da condição de cada uma, e conserva a natureza de cada uma na ordem e com os poderes que lhe pertencem propriamente.» Resposta à Objeção 1: Algumas virtudes morais versam sobre as paixões, como a temperança sobre a concupiscência, a fortaleza sobre o temor e a ousadia, a mansidão sobre a ira. Tais virtudes só metaforicamente se podem atribuir a Deus, porque, como se disse acima (Q.20, A.1), em Deus não há paixões, nem apetite sensitivo, que é, como diz o Filósofo (Ética iii, 10), o sujeito dessas virtudes. Por outro lado, certas virtudes morais versam sobre obras de dar e despender, como a justiça, a liberalidade e a magnificência; e estas residem não na faculdade sensitiva, mas na vontade. Logo, nada impede que atribuamos a Deus tais virtudes; não, porém, em coisas civis, mas naqueles atos que Lhe não são inconvenientes. Pois, como diz o Filósofo (Ética x, 8), seria absurdo louvar a Deus pelas suas virtudes políticas. Resposta à Objeção 2: Visto que o bem apreendido pelo intelecto é o objeto da vontade, é impossível que Deus queira algo senão o que a Sua sabedoria aprova. Isto é, por assim dizer, a Sua lei de justiça, segundo a qual a Sua vontade é reta e justa. Portanto, o que faz segundo a Sua vontade, fá-lo justamente; assim como nós fazemos justamente o que fazemos segundo a lei. Porém, ao passo que a lei nos vem de um poder superior, Deus é lei para Si mesmo. Resposta à Objeção 3: A cada um é devido o que é seu. Ora, diz-se que é seu aquilo que está ordenado para o homem. Assim, o senhor possui o servo, e não o contrário, porque é livre o que é causa de si mesmo. Na palavra débito, portanto, está implícita uma certa exigência ou necessidade da coisa para a qual se ordena. Ora, há que considerar dupla ordem nas coisas: uma, pela qual uma criatura se ordena a outra, como as partes ao todo, o acidente à substância, e todas as coisas ao seu fim; outra, pela qual todas as criaturas se ordenam a Deus. Assim, nas operações divinas o débito pode considerar-se de dois modos: como devido a Deus, ou como devido às criaturas; e de ambos os modos Deus paga o que é devido. É devido a Deus que se cumpra nas criaturas o que a Sua vontade e sabedoria requerem, e que manifesta a Sua bondade. Neste sentido, a justiça de Deus respeita o que Lhe convém, enquanto Ele rende a Si mesmo o que Lhe é devido. É também devido à criatura que possua o que lhe está ordenado; assim, é devido ao homem ter mãos, e que os outros animais o sirvam. Deste modo também Deus exerce a justiça quando dá a cada coisa o que lhe é devido pela sua natureza e condição. Este débito, porém, deriva do primeiro; porque o que é devido a cada coisa o é enquanto está ordenada a ela segundo a divina sabedoria. E embora Deus pague assim a cada coisa o seu devido, todavia Ele mesmo não é devedor, porque não está ordenado para outras coisas, mas antes as outras coisas estão ordenadas para Ele. Por isso, a justiça em Deus umas vezes se diz como o acompanhamento conveniente da Sua bondade; outras vezes, como a recompensa do merecimento. Anselmo toca em ambos os aspectos quando diz (Prosolog. 10): «Quando Tu castigas os ímpios, é justo, porque concorda com os seus merecimentos; e quando Tu poupas os ímpios, também é justo, porque convém à Tua bondade.» Resposta à Objeção 4: Embora a justiça respeite o ato, isso não impede que seja a essência de Deus; pois mesmo o que é da essência de uma coisa pode ser princípio de ação. Mas o bem nem sempre respeita o ato; porque uma coisa se chama boa não só relativamente ao ato, mas também enquanto perfeição na sua essência. Por esta razão se diz (De Hebdom.) que o bem se relaciona com o justo como o geral com o especial.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether there is justice in God? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não devemos amar os pecadores por caridade. Pois está escrito (Sl 118,113): "Aborreci os injustos". Ora, Davi tinha caridade perfeita. Logo, os pecadores devem ser antes odiados que amados por caridade. Objeção 2: Além disso, "o amor se prova pelas obras", como diz Gregório numa homilia de Pentecostes (In Evang. xxx). Ora, os homens bons não praticam as obras dos injustos; antes, fazem o que parecem ser obras de ódio, conforme o Sl 100,8: "De manhã exterminava todos os ímpios da terra"; e Deus ordenou (Êx 22,18): "Não deixarás viver as feiticeiras". Portanto, os pecadores não devem ser amados por caridade. Objeção 3: Além disso, é próprio da amizade que se desejem e queiram coisas boas para os amigos. Ora, os santos, por caridade, desejam coisas más para os ímpios, conforme o Sl 9,18: "Voltem os ímpios para o inferno [*Douay e A. V.: 'Os ímpios serão', etc. Veja a Resposta a esta Objeção]". Logo, os pecadores não devem ser amados por caridade. Objeção 4: Além disso, é próprio dos amigos alegrar-se e querer as mesmas coisas. Ora, a caridade não nos faz querer o que os pecadores querem, nem nos alegrar com o que os alegra, mas antes o contrário. Portanto, os pecadores não devem ser amados por caridade. Objeção 5: Além disso, é próprio dos amigos associarem-se entre si, segundo a Ética VIII. Ora, não devemos associar-nos com os pecadores, conforme 2 Cor 6,17: "Saí do meio deles". Portanto, não devemos amar os pecadores por caridade. Em contrário, Agostinho diz (De Doctr. Christ. I, 30) que "quando se diz: 'Amarás o teu próximo', é evidente que devemos considerar todo homem como nosso próximo". Ora, os pecadores não deixam de ser homens, porque o pecado não destrói a natureza. Logo, devemos amar os pecadores por caridade. Respondo: No pecador, podem considerar-se duas coisas: a natureza e a culpa. Segundo a natureza, que ele tem de Deus, ele é capaz de felicidade, na comunhão da qual se funda a caridade, como se disse acima (A. 3; Q. 23, AA. 1,5). Por isso, devemos amar os pecadores por caridade, quanto à sua natureza. Por outro lado, a sua culpa é contrária a Deus e obstáculo à felicidade. Por onde, quanto à culpa pela qual se opõem a Deus, todos os pecadores devem ser odiados, até o pai, a mãe ou os parentes, conforme Lc 12,26. Pois é nosso dever odiar no pecador o seu ser pecador, e amar nele o seu ser homem capaz de bem-aventurança; e isto é amá-lo verdadeiramente, por caridade, por amor de Deus. Resposta à Objeção 1: O profeta aborrecia os injustos enquanto tais, e o objeto do seu ódio era a sua injustiça, que era o seu mal. Este ódio é perfeito, do qual ele mesmo diz (Sl 138,22): "Odeio-os com ódio perfeito". Ora, o ódio ao mal de uma pessoa equivale ao amor ao seu bem. Portanto, também este ódio perfeito pertence à caridade. Resposta à Objeção 2: Como observa o Filósofo (Ética IX, 3), quando os nossos amigos caem em pecado, não lhes devemos negar as amenidades da amizade, enquanto houver esperança de se emendarem; e devemos ajudá-los mais prontamente a recuperar a virtude do que a recuperar o dinheiro, se o tivessem perdido, pois a virtude é mais afim à amizade do que o dinheiro. Quando, porém, caem em gravíssima maldade e se tornam incuráveis, já não lhes devemos mostrar amistosidade. É por esta razão que tanto as leis divinas como as humanas mandam matar tais pecadores, porque há maior probabilidade de prejudicarem os outros do que de se emendarem. Contudo, o juiz executa isto não por ódio aos pecadores, mas por amor da caridade, em razão da qual prefere o bem público à vida do indivíduo. Além disso, a morte infligida pelo juiz aproveita ao pecador, se ele se converter, para expiação do seu crime; e, se não se converter, aproveita para pôr fim ao pecado, porque assim o pecador fica privado do poder de pecar mais. Resposta à Objeção 3: Tais imprecações, que encontramos na Sagrada Escritura, podem entender-se de três modos: primeiro, como predição, não como desejo, de modo que o sentido é: "Voltem os ímpios", isto é, "Os ímpios voltarão para o inferno". Segundo, como desejo, mas de modo que o desejo de quem o faz não se refere ao castigo do homem, mas à justiça de quem castiga, conforme o Sl 57,11: "O justo se alegrará quando vir a vingança", porque, segundo Sb 1,13, nem Deus "se compraz na perdição dos ímpios [Vulg.: 'vivos']" quando os castiga, mas se alegra na sua justiça, conforme o Sl 10,8: "O Senhor é justo e ama a justiça". Terceiro, de modo que este desejo se refere à remoção do pecado, e não ao castigo em si, a saber, que o pecado seja destruído, mas que o homem viva. Resposta à Objeção 4: Amamos os pecadores por caridade, não para querer o que eles querem, nem para nos alegrar com o que os alegra, mas para fazê-los querer o que nós queremos e alegrar-se com o que nos alegra. Por isso está escrito (Jr 15,19): "Eles se voltarão para ti, e tu não te voltarás para eles." Resposta à Objeção 5: Os fracos devem evitar associar-se com os pecadores, por causa do perigo de serem pervertidos por eles. Mas é louvável para os perfeitos, de cuja perversão não há receio, associar-se com os pecadores para os converterem. Assim fez Nosso Senhor, que comia e bebia com os pecadores, como se relata em Mt 9,11-13. Contudo, todos devem evitar a sociedade dos pecadores, quanto à comunhão no pecado; neste sentido está escrito (2 Cor 6,17): "Saí do meio deles... e não toqueis no imundo", isto é, consentindo no pecado.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether we ought to love sinners out of charity? · séc. XIII

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