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Sl 102, 5

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Matos Soares

5É ele quem sacia de bens a tua vida; renova-se, como a da águia, a tua juventude.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que algum bem criado constitui a felicidade do homem. Pois Dionísio diz (Div. Nom. VII) que a Divina Sabedoria “une os fins das primeiras coisas aos princípios das segundas”, do que podemos coligir que o cume de uma natureza inferior toca a base da natureza superior. Ora, o sumo bem do homem é a felicidade. Visto que, então, o anjo está acima do homem na ordem da natureza, como se afirma na I Parte, Q[111], A[1], parece que a felicidade do homem consiste em alcançar de algum modo o anjo. Objeção 2: Além disso, o fim último de cada coisa é aquilo que, em relação a ela, é perfeito; por isso a parte é para o todo, como para seu fim. Ora, o universo das criaturas, que se chama macrocosmo, é comparado ao homem, que se chama microcosmo (Fís. VIII, 2), como o perfeito ao imperfeito. Portanto, a felicidade do homem consiste em todo o universo das criaturas. Objeção 3: Além disso, o homem é feito feliz por aquilo que aquieta o seu desejo natural. Mas o desejo natural do homem não se estende a um bem que ultrapasse a sua capacidade. Visto que, então, a capacidade do homem não inclui aquele bem que ultrapassa os limites de toda a criação, parece que o homem pode ser feito feliz por algum bem criado. Por conseguinte, algum bem criado constitui a felicidade do homem. Em contrário, Agostinho diz (De Civ. Dei XIX, 26): “Assim como a alma é a vida do corpo, assim Deus é a vida da felicidade do homem; do qual está escrito: ‘Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor’ (Sl 143,15).” Respondo que é impossível que algum bem criado constitua a felicidade do homem. Pois a felicidade é o bem perfeito, que aquieta totalmente o apetite; de outro modo não seria o fim último, se ainda restasse algo a desejar. Ora, o objeto da vontade, isto é, do apetite do homem, é o bem universal; assim como o objeto do intelecto é o verdadeiro universal. Por onde é evidente que nada pode aquietar a vontade do homem, senão o bem universal. Este não se encontra em criatura alguma, mas somente em Deus; porque toda criatura tem bondade por participação. Portanto, só Deus pode satisfazer a vontade do homem, segundo as palavras do Sl 102,5: “Que farta de bens o teu desejo.” Portanto, só Deus constitui a felicidade do homem. Resposta à primeira objeção: O cume do homem toca realmente a base da natureza angélica por uma certa semelhança; mas o homem não descansa aí como em seu fim último, mas tende para a própria fonte universal do bem, que é o objeto comum de felicidade de todos os bem-aventurados, como sendo o bem infinito e perfeito. Resposta à segunda objeção: Se um todo não é o fim último, mas ordenado a um fim ulterior, então o fim último de uma parte dele não é o todo em si, mas algo outro. Ora, o universo das criaturas, ao qual o homem é comparado como parte ao todo, não é o fim último, mas é ordenado a Deus, como a seu fim último. Portanto, o fim último do homem não é o bem do universo, mas o próprio Deus. Resposta à terceira objeção: O bem criado não é menor do que o bem de que o homem é capaz, como de algo intrínseco e inerente a ele; mas é menor do que o bem de que é capaz, como de um objeto, e que é infinito. E o bem participado que está no anjo e em todo o universo é um bem finito e restrito.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether any created good constitutes man's happiness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o gozo espiritual que procede da caridade não pode ser pleno. Pois quanto mais nos alegramos em Deus, mais o nosso gozo n'Ele é pleno. Mas nunca nos podemos alegrar n'Ele tanto quanto convém que nos alegremos em Deus, visto que a sua bondade, que é infinita, supera o gozo da criatura, que é finito. Logo, o gozo em Deus nunca pode ser pleno. Objeção 2: Ademais, o que está pleno não pode ser aumentado. Ora, o gozo, mesmo dos bem-aventurados, pode ser aumentado, pois o gozo de um é maior do que o de outro. Logo, o gozo em Deus não pode ser pleno numa criatura. Objeção 3: Ademais, a compreensão parece não ser senão a plenitude do conhecimento. Ora, assim como a potência cognoscitiva de uma criatura é finita, assim também a sua potência apetitiva. Visto que, portanto, Deus não pode ser compreendido por nenhuma criatura, parece que o gozo de nenhuma criatura em Deus pode ser pleno. Em contrário, Nosso Senhor disse aos seus discípulos (Jo 15,11): "Para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja plena." Respondo: A plenitude do gozo pode ser entendida de dois modos: primeiro, da parte da coisa em que se goza, de modo que alguém se alegre nela tanto quanto convém que nela se alegre; e assim só o gozo de Deus em Si mesmo é pleno, porque é infinito; e isto é devidamente devido à bondade infinita de Deus; mas o gozo de qualquer criatura deve ser necessariamente finito. Segundo, a plenitude do gozo pode ser entendida da parte de quem se alegra. Ora, o gozo é comparado ao desejo como o repouso ao movimento, como foi dito acima (FS, Q[25], AA[1],2), quando tratávamos das paixões; e o repouso é pleno quando não há mais movimento. Por isso, o gozo é pleno quando nada resta a desejar. Mas, enquanto estamos neste mundo, o movimento do desejo não cessa em nós, porque ainda nos é possível aproximarmo-nos mais de Deus pela graça, como foi mostrado acima (Q[24], AA[4],7). Quando, porém, for alcançada a felicidade perfeita, nada restará a desejar, porque então haverá plena fruição de Deus, na qual o homem obterá tudo o que desejou, mesmo a respeito de outros bens, segundo Sl 102,5: "Que satisfaz o teu desejo com bens." Por isso, o desejo estará em repouso, não só o nosso desejo de Deus, mas todos os nossos desejos; de modo que o gozo dos bem-aventurados é pleno até à perfeição—na verdade, superabundante, pois obterão mais do que eram capazes de desejar: porque "nem entrou no coração do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam" (1 Co 2,9). Isto é o que significam as palavras de Lc 6,38: "Dar-se-vos-á medida boa, recalcada, sacudida e transbordante no vosso regaço." No entanto, visto que nenhuma criatura é capaz do gozo devido a Deus condignamente, segue-se que este gozo perfeitamente pleno não é recebido no homem, mas, pelo contrário, o homem entra nele, segundo Mt 25,21: "Entra no gozo do teu Senhor." Resposta à Objeção 1: Este argumento toma a plenitude do gozo em referência à coisa em que nos alegramos. Resposta à Objeção 2: Quando cada um atinge a felicidade, chegará ao termo que lhe foi designado pela predestinação divina, e nada mais restará para onde possa tender, embora, ao atingir esse termo, uns se aproximem mais de Deus do que outros. Por isso, o gozo de cada um será pleno quanto a si mesmo, porque o seu desejo será plenamente sossegado; contudo, o gozo de um será maior do que o de outro, por causa de uma participação mais plena da felicidade divina. Resposta à Objeção 3: A compreensão denota plenitude de conhecimento a respeito da coisa conhecida, de modo que ela é conhecida tanto quanto pode ser. No entanto, há uma plenitude de conhecimento a respeito do conhecedor, assim como dissemos do gozo. Por isso, o Apóstolo diz (Cl 1,9): "Para que sejais plenos do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual."

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the spiritual joy which proceeds from charity, can be filled? · séc. XIII

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