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Sl 103, 15

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Matos Soares

15e o vinho que alegra o coração do homem; para fazer brilhar o seu rosto com azeite, para que o pão robusteça o coração do homem.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que este sacramento não deve ser dado ao homem na testa. Porque este sacramento aperfeiçoa o Batismo, como se disse acima (Q[65], AA[3],4). Ora, o sacramento do Batismo é dado ao homem em todo o seu corpo. Logo, este sacramento não deve ser dado somente na testa. Objeção 2: Além disso, este sacramento é dado para a fortaleza espiritual, como se disse acima (AA[1],2,4). Ora, a fortaleza espiritual reside principalmente no coração. Logo, este sacramento deve ser dado sobre o coração, e não na testa. Objeção 3: Além disso, este sacramento é dado ao homem para que confesse livremente a fé de Cristo. Ora, “com a boca se faz confissão para a salvação”, segundo Rom. 10,10. Portanto, este sacramento deve ser dado acerca da boca, e não na testa. Em contrário, Rabano Mauro diz (De Instit. Cleric. i): “O batizado é assinalado pelo sacerdote com o crisma no alto da cabeça, mas pelo bispo na testa.” Respondo que, como se disse acima (AA[1],4), neste sacramento o homem recebe o Espírito Santo para a fortaleza no combate espiritual, a fim de que confesse corajosamente a fé de Cristo, mesmo diante dos inimigos dessa fé. Por isso, é convenientemente assinalado com o sinal da cruz na testa, com crisma, por duas razões. Primeiro, porque é assinalado com o sinal da cruz, como um soldado com a insígnia do seu chefe, a qual deve ser evidente e manifesta. Ora, a testa, que quase nunca se cobre, é a parte mais conspícua do corpo humano. Por isso, o confirmando é ungido com crisma na testa, para que mostre publicamente que é cristão; assim também os apóstolos, depois de receberem o Espírito Santo, se manifestaram em público, ao passo que antes permaneciam escondidos no cenáculo. Segundo, porque o homem é impedido de confessar livremente o nome de Cristo por duas coisas — pelo medo e pela vergonha. Ora, ambas estas coisas se traem principalmente na testa, por causa da proximidade da imaginação, e porque os espíritos (vitais) sobem diretamente do coração à testa; donde “os que se envergonham, coram, e os que temem, empalidecem” (Ética, iv). E, portanto, o homem é assinalado com crisma, para que nem o medo nem a vergonha o impeçam de confessar o nome de Cristo. Resposta à Objeção 1: Pelo batismo somos regenerados para a vida espiritual, a qual pertence ao homem todo. Mas na Crisma somos fortalecidos para o combate; o sinal deste deve ser levado na testa, como em lugar conspícuo. Resposta à Objeção 2: O princípio da fortaleza está no coração, mas o seu sinal aparece na testa; por isso está escrito (Ez 3,8): “Eis que fiz a tua testa mais dura do que as suas testas.” Logo, o sacramento da Eucaristia, pelo qual o homem é confirmado em si mesmo, pertence ao coração, segundo o Salmo 103,15: “E o pão corrobora o coração do homem.” Mas o sacramento da Crisma é necessário como sinal de fortaleza contra os outros; e por isso é dado na testa. Resposta à Objeção 3: Este sacramento é dado para que confessemos livremente; mas não para que confessemos simplesmente, pois isto é também efeito do Batismo. E, portanto, não deve ser dado na boca, mas na testa, onde aparecem os sinais daquelas paixões que impedem a livre confissão.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 9 - Whether this sacrament should be given to man on the forehead? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o vinho da uva não é a matéria própria deste sacramento. Porque, assim como a água é a matéria do Batismo, assim o vinho é a matéria deste sacramento. Ora, o Batismo pode ser conferido com qualquer espécie de água. Logo, este sacramento pode ser celebrado com qualquer espécie de vinho, como o de romãs ou de amoras, visto que em alguns países não nascem vides. **Objeção 2:** Além disso, o vinagre é uma espécie de vinho tirado da uva, como diz Isidoro (Etimologias, XX). Mas este sacramento não pode ser celebrado com vinagre. Logo, parece que o vinho da uva não é a matéria própria deste sacramento. **Objeção 3:** Demais, assim como o vinho clarificado se tira das uvas, também se tiram o suco das uvas verdes e o mosto. Ora, não parece que este sacramento possa ser feito com tais coisas, conforme lemos no Sexto Concílio (Trulano, Cânon 28): “Soubemos que em algumas igrejas os sacerdotes acrescentam uvas ao sacrifício da oblação; e assim as distribuem ambas juntamente ao povo. Por conseguinte, ordenamos que nenhum sacerdote faça isso daqui em diante.” E o Papa Júlio I repreende alguns sacerdotes “que oferecem vinho pisado da uva no sacramento do cálice do Senhor”. Consequentemente, parece que o vinho da uva não é a matéria própria deste sacramento. **Em contrário,** Assim como Nosso Senhor se comparou ao grão de trigo, também se comparou à vide, dizendo (Jo. 15, 1): “Eu sou a videira verdadeira.” Ora, só o pão de trigo é a matéria deste sacramento, como se disse acima (A. 3). Logo, só o vinho da uva é a matéria própria deste sacramento. **Respondo que** este sacramento só pode ser celebrado com vinho da uva. Primeiro, por causa da instituição de Cristo, pois Ele instituiu este sacramento em vinho da uva, como é evidente por suas próprias palavras ao instituí-lo (Mt. 26, 29): “Não beberei mais deste fruto da vide.” Segundo, porque, como se disse acima (A. 3), adota-se como matéria dos sacramentos aquilo que é própria e universalmente considerado como tal. Ora, chama-se propriamente vinho o que é tirado da uva, ao passo que outros líquidos são chamados vinho por semelhança com o vinho da uva. Terceiro, porque o vinho da uva está mais de acordo com o efeito deste sacramento, que é espiritual; pois está escrito (Sl. 103, 15): “Para que o vinho alegre o coração do homem.” **Resposta à objeção 1:** Tais líquidos são chamados vinho não propriamente, mas apenas por semelhança com ele. Todavia, o vinho genuíno pode ser levado para aqueles países onde a videira não medra, em quantidade suficiente para este sacramento. **Resposta à objeção 2:** O vinho torna-se vinagre por corrupção; por isso não há retorno do vinagre ao vinho, como se diz na Metafísica, VIII. E, consequentemente, assim como este sacramento não pode ser feito com pão totalmente corrupto, também não pode ser feito com vinagre. Pode, contudo, ser feito com vinho que está a azedar, assim como com pão que está a corromper-se, embora quem o faça peque, como se disse acima (A. 3). **Resposta à objeção 3:** O suco de uvas verdes está em estado de geração incompleta, e portanto ainda não tem a espécie de vinho; pelo que não pode ser usado para este sacramento. O mosto, porém, já tem a espécie de vinho, pois sua doçura indica a fermentação, que é “o resultado de seu calor natural” (Meteoros, IV); consequentemente, este sacramento pode ser feito com mosto. Contudo, não se devem misturar uvas inteiras com este sacramento, porque então haveria algo além do vinho. Proíbe-se também oferecer mosto no cálice logo que foi espremido da uva, pois isso é inconveniente devido à impureza do mosto. Mas em caso de necessidade pode-se fazê-lo; pois o mesmo Papa Júlio, no trecho citado no argumento, diz: “Se necessário, que a uva seja espremida no cálice.”

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether wine of the grape is the proper matter of this sacrament? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a forma substancial do pão permanece neste sacramento após a consagração. Pois foi dito (A. 5) que os acidentes permanecem após a consagração. Ora, como o pão é uma coisa artificial, a sua forma é um acidente. Logo, permanece após a consagração. **Objeção 2:** Ademais, a forma do corpo de Cristo é a sua alma, pois no livro *Da Alma* II se diz que a alma "é o ato de um corpo físico que tem vida em potência". Mas não se pode dizer que a forma substancial do pão se muda na alma. Portanto, parece que ela permanece após a consagração. **Objeção 3:** Além disso, a operação própria de uma coisa segue a sua forma substancial. Ora, o que permanece neste sacramento nutre e realiza toda operação que o pão faria se estivesse presente. Logo, a forma substancial do pão permanece neste sacramento após a consagração. **Em sentido contrário,** a forma substancial do pão é da substância do pão. Ora, a substância do pão se muda no corpo de Cristo, como foi dito acima (AA. 2, 3, 4). Logo, a forma substancial do pão não permanece. **Respondo que** alguns sustentaram que, depois da consagração, não só os acidentes do pão permanecem, mas também a sua forma substancial. Mas isto não pode ser. Primeiramente, porque, se a forma substancial do pão permanecesse, nada do pão se mudaria no corpo de Cristo, exceto a matéria; e assim resultaria que se mudaria não em todo o corpo de Cristo, mas na sua matéria, o que repugna à forma do sacramento, na qual se diz: "Isto é o meu corpo". Em segundo lugar, porque, se a forma substancial do pão permanecesse, permaneceria ou na matéria, ou separada da matéria. O primeiro não pode ser, pois, se permanecesse na matéria do pão, então toda a substância do pão permaneceria, o que vai contra o que foi dito acima (A. 2). Nem poderia permanecer em outra matéria, pois a forma própria só existe na sua matéria própria. Se, porém, permanecesse separada da matéria, seria então uma forma inteligível em ato e também uma inteligência, pois todas as formas separadas da matéria são tais. Em terceiro lugar, seria inconveniente para este sacramento, porque os acidentes do pão permanecem neste sacramento para que o corpo de Cristo seja visto sob eles, e não sob a sua espécie própria, como foi dito acima (A. 5). E, portanto, deve-se dizer que a forma substancial do pão não permanece. **Resposta à Objeção 1:** Nada impede que a arte produza uma coisa cuja forma não seja acidente, mas forma substancial, como sapos e serpentes podem ser produzidos pela arte; com efeito, a arte produz tais formas não pelo seu próprio poder, mas pelo poder das energias naturais. E deste modo produz as formas substanciais do pão, pelo poder do fogo que coze a matéria composta de farinha e água. **Resposta à Objeção 2:** A alma é a forma do corpo, dando-lhe toda a ordem do ser perfeito, isto é, o ser, o ser corpóreo, o ser animado, e assim por diante. Portanto, a forma do pão se muda na forma do corpo de Cristo, enquanto esta dá o ser corpóreo, mas não enquanto confere o ser animado. **Resposta à Objeção 3:** Algumas operações do pão seguem-no por razão dos acidentes, como afetar os sentidos, e tais operações se encontram nas espécies do pão depois da consagração por causa dos acidentes que permanecem. Outras operações, porém, seguem o pão ou por razão da matéria, como o ser mudado em outra coisa, ou por razão da forma substancial, como uma operação consequente à sua espécie, por exemplo, que "fortalece o coração do homem" (Salmo 103, 15); e tais operações se encontram neste sacramento não por permanecer a forma ou a matéria, mas porque são conferidas milagrosamente aos próprios acidentes, como se dirá adiante (Q. 77, A. 3, ad 2 e 3; AA. 5 e 6).

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the substantial form of the bread remains in this sacrament after the consecration? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a graça não é uma qualidade da alma. Porque nenhuma qualidade age em seu sujeito, visto que a ação de uma qualidade não se dá sem a ação do seu sujeito, e assim o sujeito agiria necessariamente sobre si mesmo. Ora, a graça age sobre a alma, justificando-a. Logo, a graça não é uma qualidade. Objeção 2: Demais, a substância é mais nobre do que a qualidade. Mas a graça é mais nobre do que a natureza da alma, pois por meio da graça podemos fazer muitas coisas a que a natureza não é capaz, como se disse acima (q. 109, aa. 1, 2, 3). Logo, a graça não é uma qualidade. Objeção 3: Demais, nenhuma qualidade permanece depois de ter cessado de estar em seu sujeito. Ora, a graça permanece; pois não é corrompida, porque assim seria reduzida a nada, já que foi criada do nada; donde é chamada "nova criatura" (Gl 6,15). Em contrário, sobre o Sl 103,15: "Para que lhe torne o rosto alegre com azeite", diz a glosa: "A graça é uma certa beleza da alma, que conquista o amor divino." Ora, a beleza da alma é uma qualidade, como também a beleza do corpo. Logo, a graça é uma qualidade. Respondo que, como se disse acima (a. 1), entende-se haver um efeito da vontade gratuita de Deus em todo aquele que se diz ter a graça de Deus. Ora, foi dito (q. 109, a. 1) que o homem é ajudado pela vontade gratuita de Deus de duas maneiras: primeiro, enquanto a alma do homem é movida por Deus para conhecer, querer ou fazer algo; e deste modo o efeito gratuito no homem não é uma qualidade, mas um movimento da alma, pois "o movimento é o ato do motor no movido". Segundo, o homem é ajudado pela vontade gratuita de Deus enquanto um dom habitual é infundido por Deus na alma; e isto por esta razão: não convém que Deus, para aqueles que ama, a fim de que alcancem o bem sobrenatural, providencie menos do que para as criaturas que ama, para que alcancem o bem natural. Ora, Ele provê de tal modo às criaturas naturais, que não somente as move para os seus atos naturais, mas também lhes confere certas formas e potências, que são os princípios dos atos, para que elas mesmas se inclinem por si mesmas a esses movimentos; e assim os movimentos pelos quais são movidas por Deus se tornam naturais e fáceis às criaturas, conforme Sb 8,1: "Ela... tudo dispõe suavemente." Muito mais, portanto, infunde Ele naqueles que move para a aquisição do bem sobrenatural certas formas ou qualidades sobrenaturais, pelas quais possam ser movidos por Ele suave e prontamente para adquirir o bem eterno; e assim o dom da graça é uma qualidade. Resposta à Objeção 1: A graça, como qualidade, diz-se que age sobre a alma, não à maneira de causa eficiente, mas à maneira de causa formal, como a brancura torna branca uma coisa, e a justiça, justa. Resposta à Objeção 2: Toda substância é ou a natureza da coisa da qual é substância, ou uma parte da natureza, como a matéria e a forma são chamadas substância. E porque a graça está acima da natureza humana, não pode ser substância nem forma substancial, mas é uma forma acidental da alma. Ora, o que é substancialmente em Deus torna-se acidental na alma que participa da bondade divina, como é claro no caso do conhecimento. E assim, porque a alma participa imperfeitamente da bondade divina, a participação da bondade divina, que é a graça, tem o seu ser na alma de um modo menos perfeito do que a alma subsiste em si mesma. Contudo, enquanto expressão ou participação da bondade divina, é mais nobre do que a natureza da alma, embora não pelo seu modo de ser. Resposta à Objeção 3: Como Boécio (Pseudo-Beda, Sent. Phil. ex Artist.) diz, "o ser de um acidente é inerir". Donde nenhum acidente se diz ente como se tivesse ser, mas porque por ele algo é; por isso diz-se que pertence a um ente antes do que ser um ente (Met. VII, text. 2). E porque vir a ser e ser corrompido pertencem ao que é, propriamente falando, nenhum acidente vem a ser ou se corrompe, mas diz-se vir a ser e corromper-se enquanto o seu sujeito começa ou cessa de estar em ato com esse acidente. E assim a graça se diz criada enquanto os homens são criados com referência a ela, isto é, recebem um novo ser do nada, i.e., não dos merecimentos, conforme Ef 2,10: "criados em Jesus Cristo para as boas obras."

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 2 - Whether grace is a quality of the soul? · séc. XIII

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