Santo Thomas Aquinas
Objeção 1: Parece que este sacramento não deve ser dado ao homem na testa. Porque este sacramento aperfeiçoa o Batismo, como se disse acima (Q[65], AA[3],4). Ora, o sacramento do Batismo é dado ao homem em todo o seu corpo. Logo, este sacramento não deve ser dado somente na testa. Objeção 2: Além disso, este sacramento é dado para a fortaleza espiritual, como se disse acima (AA[1],2,4). Ora, a fortaleza espiritual reside principalmente no coração. Logo, este sacramento deve ser dado sobre o coração, e não na testa. Objeção 3: Além disso, este sacramento é dado ao homem para que confesse livremente a fé de Cristo. Ora, “com a boca se faz confissão para a salvação”, segundo Rom. 10,10. Portanto, este sacramento deve ser dado acerca da boca, e não na testa. Em contrário, Rabano Mauro diz (De Instit. Cleric. i): “O batizado é assinalado pelo sacerdote com o crisma no alto da cabeça, mas pelo bispo na testa.” Respondo que, como se disse acima (AA[1],4), neste sacramento o homem recebe o Espírito Santo para a fortaleza no combate espiritual, a fim de que confesse corajosamente a fé de Cristo, mesmo diante dos inimigos dessa fé. Por isso, é convenientemente assinalado com o sinal da cruz na testa, com crisma, por duas razões. Primeiro, porque é assinalado com o sinal da cruz, como um soldado com a insígnia do seu chefe, a qual deve ser evidente e manifesta. Ora, a testa, que quase nunca se cobre, é a parte mais conspícua do corpo humano. Por isso, o confirmando é ungido com crisma na testa, para que mostre publicamente que é cristão; assim também os apóstolos, depois de receberem o Espírito Santo, se manifestaram em público, ao passo que antes permaneciam escondidos no cenáculo. Segundo, porque o homem é impedido de confessar livremente o nome de Cristo por duas coisas — pelo medo e pela vergonha. Ora, ambas estas coisas se traem principalmente na testa, por causa da proximidade da imaginação, e porque os espíritos (vitais) sobem diretamente do coração à testa; donde “os que se envergonham, coram, e os que temem, empalidecem” (Ética, iv). E, portanto, o homem é assinalado com crisma, para que nem o medo nem a vergonha o impeçam de confessar o nome de Cristo. Resposta à Objeção 1: Pelo batismo somos regenerados para a vida espiritual, a qual pertence ao homem todo. Mas na Crisma somos fortalecidos para o combate; o sinal deste deve ser levado na testa, como em lugar conspícuo. Resposta à Objeção 2: O princípio da fortaleza está no coração, mas o seu sinal aparece na testa; por isso está escrito (Ez 3,8): “Eis que fiz a tua testa mais dura do que as suas testas.” Logo, o sacramento da Eucaristia, pelo qual o homem é confirmado em si mesmo, pertence ao coração, segundo o Salmo 103,15: “E o pão corrobora o coração do homem.” Mas o sacramento da Crisma é necessário como sinal de fortaleza contra os outros; e por isso é dado na testa. Resposta à Objeção 3: Este sacramento é dado para que confessemos livremente; mas não para que confessemos simplesmente, pois isto é também efeito do Batismo. E, portanto, não deve ser dado na boca, mas na testa, onde aparecem os sinais daquelas paixões que impedem a livre confissão.
Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 9 - Whether this sacrament should be given to man on the forehead? · séc. XIII
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