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Sl 109, 4

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Matos Soares

4Jurou o Senhor, e não se arrependerá: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec."

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o sacerdócio de Cristo não perdura para sempre. Porque, como se disse acima (A. 4, ad 1 e 3), só necessitam do efeito do sacerdócio aqueles que têm a fraqueza do pecado, a qual pode ser expiada pelo sacrifício do sacerdote. Ora, isto não será para sempre. Pois nos Santos não haverá fraqueza, conforme Isaías 60,21: «O teu povo será todo justo»; e para a fraqueza do pecado não será possível expiação, visto que «não há redenção no inferno» (Ofício dos Mortos, Responsório VII). Logo, o sacerdócio de Cristo não perdura para sempre. Objeção 2: Ademais, o sacerdócio de Cristo se manifestou sobretudo na sua paixão e morte, quando «pelo seu próprio sangue entrou nos Santos» (Heb 9,12). Ora, a paixão e morte de Cristo não perdurarão para sempre, como está escrito (Rom 6,9): «Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre.» Logo, o sacerdócio de Cristo não perdurará para sempre. Objeção 3: Ademais, Cristo é sacerdote, não como Deus, mas como homem. Ora, houve um tempo em que Cristo não era homem, a saber, durante os três dias em que jazia morto. Portanto, o sacerdócio de Cristo não perdura para sempre. Em contrário, está escrito (Sl 109,4): «Tu és sacerdote para sempre.» Respondo: No ofício sacerdotal podemos considerar duas coisas: primeiro, a oferenda do sacrifício; segundo, a consumação do sacrifício, que consiste em que aqueles por quem o sacrifício é oferecido obtenham o fim do sacrifício. Ora, o fim do sacrifício que Cristo ofereceu não consistia num bem temporal, mas num bem eterno, que alcançamos por meio da sua morte, conforme Hebreus 9,11: «Cristo é pontífice dos bens futuros»; por isso o sacerdócio de Cristo é dito eterno. Ora, esta consumação do sacrifício de Cristo foi prefigurada no fato de que o sumo sacerdote da Lei Antiga, uma vez por ano, entrava no Santo dos Santos com o sangue de um bode e de um bezerro, como se prescreve em Levítico 16,11, e contudo oferecia o bode e o bezerro não dentro do Santo dos Santos, mas fora. Do mesmo modo, Cristo entrou no Santo dos Santos — isto é, no céu — e preparou-nos o caminho para que entremos pela virtude do seu sangue, que por nós derramou na terra. Resposta à Objeção 1: Os Santos que estarão no céu não necessitarão de nenhuma expiação ulterior pelo sacerdócio de Cristo, mas, uma vez expiados, necessitarão da consumação por meio do próprio Cristo, de quem depende a sua glória, como está escrito (Ap 21,23): «A glória de Deus a iluminou» — isto é, a cidade dos Santos — «e o Cordeiro é a sua lâmpada.» Resposta à Objeção 2: Embora a paixão e a morte de Cristo não se devam repetir, contudo a virtude dessa Vítima perdura para sempre, pois, como está escrito (Hb 10,14), «com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.» Donde fica clara a resposta à terceira objeção. Quanto à unidade deste sacrifício, foi prefigurada na Lei pelo fato de que, uma vez por ano, o sumo sacerdote da Lei entrava nos Santos com uma solene oblação de sangue, como se estabelece em Levítico 16,11. Mas a figura ficava aquém da realidade, porque a vítima não tinha virtude eterna, razão pela qual esses sacrifícios se renovavam cada ano.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 5 - Whether the priesthood of Christ endures for ever? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o sacerdócio de Cristo não foi segundo a ordem de Melquisedeque. Porque Cristo é a cabeça de todo o sacerdócio, como sendo o sumo sacerdote. Ora, aquilo que é principal não é secundário em relação aos outros, mas os outros são secundários em relação a ele. Logo, Cristo não deve ser chamado sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Objeção 2: Ademais, o sacerdócio da Lei Antiga era mais próximo do sacerdócio de Cristo do que o sacerdócio que existiu antes da Lei. Ora, quanto mais próximos os sacramentos estavam de Cristo, mais claramente O significavam; como é claro pelo que dissemos na SS, Q[2], A[7]. Logo, o sacerdócio de Cristo deveria ser denominado segundo o sacerdócio da Lei, antes que segundo a ordem de Melquisedeque, que foi antes da Lei. Objeção 3: Ademais, está escrito (Heb. 7,2-3): «Isto é, 'rei da paz', sem pai, sem mãe, sem genealogia; não tendo princípio de dias nem fim de vida»; o que só pode ser referido ao Filho de Deus. Logo, Cristo não deve ser chamado sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, como de um outro, mas segundo a sua própria ordem. Em contrário, está escrito (Sl 109,4): «Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque.» Respondo que, como foi dito acima (A[4], ad 3), o sacerdócio da Lei era uma figura do sacerdócio de Cristo, não como representando adequadamente a realidade, mas como ficando muito aquém dela: tanto porque o sacerdócio da Lei não lavava os pecados, como porque não era eterno, como o sacerdócio de Cristo. Ora, a excelência do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico foi prefigurada no sacerdócio de Melquisedeque, que recebeu dízimos de Abraão, em cujos lombos foi dizimado o sacerdócio da Lei. Por conseguinte, o sacerdócio de Cristo diz-se «segundo a ordem de Melquisedeque», por causa da excelência do verdadeiro sacerdócio sobre o sacerdócio figural da Lei. Resposta à Objeção 1: Cristo é dito segundo a ordem de Melquisedeque não como se este fosse mais excelente sacerdote, mas porque ele prefigurou a excelência do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico. Resposta à Objeção 2: Duas coisas podem ser consideradas no sacerdócio de Cristo: a saber, a oblação feita por Cristo e a nossa participação nela. Quanto à própria oblação, o sacerdócio de Cristo foi mais distintamente prefigurado pelo sacerdócio da Lei, por causa da efusão de sangue, do que pelo sacerdócio de Melquisedeque, no qual não houve efusão de sangue. Mas se considerarmos a participação deste sacrifício e o seu efeito, no qual consiste principalmente a excelência do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio da Lei, então o primeiro foi mais distintamente prefigurado pelo sacerdócio de Melquisedeque, que ofereceu pão e vinho, significando, como diz Agostinho (Tratado XXVI sobre João), a unidade eclesiástica, que se estabelece pela nossa participação no sacrifício de Cristo [*Cf. Q[79], A[1]]. Por isso também na Lei Nova o verdadeiro sacrifício de Cristo é apresentado aos fiéis sob a forma de pão e vinho. Resposta à Objeção 3: Melquisedeque é descrito como «sem pai, sem mãe, sem genealogia», e como «não tendo princípio de dias nem fim de vida», não como se não as tivesse, mas porque estes detalhes a seu respeito não são fornecidos pela Sagrada Escritura. E é isto que, como diz o Apóstolo na mesma passagem, ele «é assemelhado ao Filho de Deus», o qual não teve pai terreno, nem mãe celeste, e nenhuma genealogia, segundo Is 53,8: «Quem contará a sua geração?» e que na sua Divindade não tem princípio nem fim de dias.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 6 - Whether the priesthood of Christ was according to the order of Melchisedech? · séc. XIII

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