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Sl 11, 2

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Matos Soares

2Salva-nos, Senhor, porque faltam pessoas de piedade, desapareceu a fidelidade entre os filhos dos homens.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que há uma só verdade, segundo a qual todas as coisas são verdadeiras. Pois, segundo Agostinho (De Trin. xv, 1), «nada é maior que a mente do homem, exceto Deus». Ora, a verdade é maior que a mente do homem; de outro modo a mente seria juiz da verdade; quando, de fato, ela julga todas as coisas segundo a verdade, e não segundo a sua própria medida. Logo, só Deus é a verdade. Portanto, não há outra verdade senão Deus. Objeção 2: Ademais, Anselmo diz (De Verit. xiv) que «assim como é a relação do tempo para com as coisas temporais, assim é a da verdade para com as coisas verdadeiras». Mas há um só tempo para todas as coisas temporais. Logo, há uma só verdade, pela qual todas as coisas são verdadeiras. Em contrário, está escrito (Sl 11,2): «As verdades se diminuíram dentre os filhos dos homens». Respondo: Em um sentido, a verdade pela qual todas as coisas são verdadeiras é uma; em outro sentido, não. Em prova disto, deve-se considerar que, quando algo é predicado de muitas coisas univocamente, encontra-se em cada uma delas segundo sua própria natureza, como animal se encontra em cada espécie de animal. Quando, porém, algo é predicado de muitas coisas analogicamente, encontra-se em apenas uma delas segundo sua própria natureza, e a partir desta as demais são denominadas. Assim, saúde é predicada do animal, da urina e do medicamento, não que a saúde esteja apenas no animal; mas a partir da saúde do animal, o medicamento é chamado saudável enquanto causa da saúde, e a urina é chamada saudável enquanto indica a saúde. E embora a saúde não esteja nem no medicamento nem na urina, em ambos, todavia, há algo pelo qual um causa e o outro indica a saúde. Ora, dissemos (art. 1) que a verdade reside primariamente no entendimento; e secundariamente nas coisas, conforme se relacionam com o divino entendimento. Se, portanto, falamos da verdade tal como existe no entendimento, segundo sua própria natureza, então há muitas verdades em muitos entendimentos criados; e até em um mesmo entendimento, segundo o número de coisas conhecidas. Donde uma glosa ao Sl 11,2, «As verdades se diminuíram dentre os filhos dos homens», diz: «Assim como de um só rosto de homem muitas semelhanças se refletem num espelho, assim muitas verdades se refletem da única verdade divina». Mas se falamos da verdade tal como está nas coisas, então todas as coisas são verdadeiras por uma verdade primeira, à qual cada uma é assimilada segundo sua própria entidade. E assim, embora as essências ou formas das coisas sejam muitas, a verdade do divino entendimento é uma, em conformidade com a qual todas as coisas são ditas verdadeiras. Resposta à objeção 1: A alma não julga as coisas segundo uma verdade qualquer, mas segundo a verdade primeira, enquanto esta se reflete na alma como num espelho, por causa dos primeiros princípios do intelecto. Segue-se, portanto, que a verdade primeira é maior que a alma. E, contudo, até a verdade criada, que reside em nosso entendimento, é maior que a alma, não simplesmente, mas em certo grau, enquanto é sua perfeição; assim como a ciência pode ser dita maior que a alma. Todavia, é verdade que nada subsistente é maior que a alma racional, exceto Deus. Resposta à objeção 2: A sentença de Anselmo é correta enquanto as coisas são ditas verdadeiras por sua relação com o divino entendimento.

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether there is only one truth, according to which all things are true? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a verdade é imutável. Pois Agostinho diz (De Lib. Arbit. ii, 12) que «a Verdade e a mente não se igualam, do contrário a verdade seria mutável, como a mente o é». Objeção 2: Além disso, o que permanece após toda mudança é imutável; como a matéria prima é ingênita e incorruptível, pois permanece após toda geração e corrupção. Ora, a verdade permanece após toda mudança; porque depois de toda mudança é verdadeiro dizer que uma coisa é, ou não é. Logo, a verdade é imutável. Objeção 3: Além disso, se a verdade de uma enunciação muda, muda principalmente com a mudança da coisa. Mas não muda assim. Pois a verdade, segundo Anselmo (De Verit. viii), «é uma certa retidão» na medida em que a coisa corresponde ao que está na mente divina a seu respeito. Ora, esta proposição «Sócrates está sentado» recebe da mente divina a significação de que Sócrates está sentado; e tem a mesma significação mesmo que ele não esteja sentado. Portanto, a verdade da proposição não muda de modo algum. Objeção 4: Além disso, onde há a mesma causa, há o mesmo efeito. Ora, a mesma coisa é a causa da verdade das três proposições: «Sócrates está sentado, estará sentado, esteve sentado». Logo, a verdade de cada uma é a mesma. Mas uma ou outra destas deve ser a verdadeira. Portanto, a verdade destas proposições permanece imutável; e pela mesma razão, a de qualquer outra. Em contrário, está escrito (Sl 11,2): «As verdades se desvaneceram dentre os filhos dos homens». Respondo que a verdade, propriamente falando, reside apenas no intelecto, como foi dito antes (A[1]); mas as coisas são chamadas verdadeiras em virtude da verdade que reside num intelecto. Portanto, a mutabilidade da verdade deve ser considerada do ponto de vista do intelecto, cuja verdade consiste na sua conformidade com a coisa entendida. Ora, esta conformidade pode variar de duas maneiras, como qualquer outra semelhança, por mudança em um dos dois extremos. Logo, de um modo a verdade varia por parte do intelecto, pelo fato de ocorrer uma mudança de opinião acerca de uma coisa que em si mesma não mudou, e de outro modo, quando a coisa muda, mas não a opinião; e de qualquer modo pode haver mudança do verdadeiro para o falso. Se, pois, existe um intelecto no qual não pode haver alternância de opiniões, e cujo conhecimento nada pode escapar, neste há verdade imutável. Ora, tal é o intelecto divino, como é claro pelo que foi dito antes (Q[14], A[15]). Portanto, a verdade do intelecto divino é imutável. Mas a verdade do nosso intelecto é mutável; não porque ele mesmo seja sujeito de mudança, mas na medida em que o nosso intelecto muda da verdade para a falsidade, pois assim as formas podem ser chamadas mutáveis. Ao passo que a verdade do intelecto divino é aquela segundo a qual as coisas naturais são ditas verdadeiras, e esta é totalmente imutável. Resposta à objeção 1: Agostinho fala da verdade divina. Resposta à objeção 2: O verdadeiro e o ente são termos conversíveis. Portanto, assim como o ente não é gerado nem corrompido por si mesmo, mas acidentalmente, na medida em que este ou aquele ente é corrompido ou gerado, como se diz na Física, liv. i, assim também a verdade muda, não de modo que nenhuma verdade permaneça, mas porque aquela verdade não permanece que existia antes. Resposta à objeção 3: Uma proposição não só tem verdade, como as outras coisas são ditas tê-la, na medida, isto é, em que correspondem àquilo que é o desígnio do intelecto divino a seu respeito; mas diz-se que tem verdade de um modo especial, na medida em que indica a verdade do intelecto, que consiste na conformidade do intelecto com a coisa. Quando esta desaparece, a verdade de uma opinião muda e, consequentemente, a verdade da proposição. Portanto, esta proposição «Sócrates está sentado» é verdadeira enquanto ele está sentado, tanto com a verdade da coisa, na medida em que a expressão é significativa, quanto com a verdade da significação, na medida em que significa uma opinião verdadeira. Quando Sócrates se levanta, a primeira verdade permanece, mas a segunda é mudada. Resposta à objeção 4: O estar sentado de Sócrates, que é a causa da verdade da proposição «Sócrates está sentado», não tem o mesmo significado quando Sócrates está sentado, depois de estar sentado e antes de estar sentado. Portanto, a verdade que daí resulta varia e é significada de modo variado por essas proposições sobre o presente, o passado ou o futuro. Assim, não se segue, embora uma das três proposições seja verdadeira, que a mesma verdade permaneça invariável.

Summa Theologiae — First Part · Article. 8 - Whether truth is immutable? · séc. XIII

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Sl 11, 2 nos Padres da Igreja | Aurea