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Sl 113, 11

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Matos Soares

11O nosso Deus está no céu; tudo quanto quis, ele o fez. (115,3)

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a alma de Cristo tinha onipotência com respeito ao seu próprio corpo. Porque Damasceno diz (De Fide Orth. iii, 20,23) que "todas as coisas naturais eram voluntárias para Cristo; Ele quis ter fome, quis ter sede, quis temer, quis morrer". Ora, Deus é chamado onipotente porque "fez tudo quanto quis" (Sl 113,11). Logo, parece que a alma de Cristo tinha onipotência com respeito às operações naturais do corpo. **Objeção 2:** Ademais, a natureza humana era mais perfeita em Cristo do que em Adão, o qual tinha um corpo inteiramente sujeito à alma, de modo que nada podia acontecer ao corpo contra a vontade da alma — e isto por causa da justiça original que possuía no estado de inocência. Muito mais, portanto, a alma de Cristo tinha onipotência com respeito ao seu corpo. **Objeção 3:** Ademais, o corpo é naturalmente mudado pelas imaginações da alma; e é tanto mais mudado quanto mais forte é a imaginação da alma, como foi dito na Primeira Parte, Q. 117, A. 3, ad 3. Ora, a alma de Cristo possuía força perfeitíssima tanto quanto à imaginação como quanto às demais potências. Logo, a alma de Cristo era onipotente com respeito ao seu próprio corpo. **Em contrário,** está escrito (Hb 2,17) que "convinha que em tudo se fizesse semelhante a seus irmãos", e especialmente quanto ao que pertence à condição da natureza humana. Ora, pertence à condição da natureza humana que a saúde do corpo, sua nutrição e crescimento não estejam sujeitos ao arbítrio da razão ou da vontade, pois as coisas naturais estão sujeitas somente a Deus, que é o autor da natureza. Portanto, não estavam sujeitas em Cristo. Logo, a alma de Cristo não era onipotente com respeito ao seu próprio corpo. **Respondo que,** como foi dito acima (A. 2), a alma de Cristo pode ser considerada de dois modos. Primeiro, em sua própria natureza e poder; e deste modo, assim como era incapaz de fazer os corpos exteriores desviarem-se do curso e ordem da natureza, assim também era incapaz de mudar seu próprio corpo de sua disposição natural, pois a alma, por sua própria natureza, tem uma relação determinada com seu corpo. Segundo, a alma de Cristo pode ser considerada como instrumento unido em pessoa ao Verbo de Deus; e assim, toda disposição de seu próprio corpo estava totalmente sujeita ao seu poder. Contudo, porque o poder da ação não é atribuído propriamente ao instrumento, mas ao agente principal, esta onipotência é atribuída ao Verbo de Deus antes que à alma de Cristo. **Resposta à Objeção 1:** Esta afirmação de Damasceno refere-se à vontade divina de Cristo, pois, como ele diz no capítulo precedente (De Fide Orth. xix, 14,15), foi pelo consentimento da vontade divina que a carne foi permitida sofrer e fazer o que lhe era próprio. **Resposta à Objeção 2:** Não era próprio da justiça original que Adão tinha no estado de inocência que a alma do homem tivesse o poder de mudar seu próprio corpo para qualquer forma, mas que o conservasse de qualquer dano. Contudo, Cristo poderia ter assumido até este poder, se quisesse. Mas, como o homem tem três estados — a saber, inocência, pecado e glória —, assim como do estado de glória assumiu a compreensão e do estado de inocência, a liberdade do pecado, assim também do estado de pecado assumiu a necessidade de estar sob as penalidades desta vida, como se dirá (Q. 14, A. 2). **Resposta à Objeção 3:** Se a imaginação é forte, o corpo obedece naturalmente em algumas coisas, por exemplo, quanto a cair de uma viga colocada no alto, pois a imaginação foi formada para ser princípio do movimento local, como se diz em *De Anima* iii, 9,10. Assim também quanto à alteração no calor e no frio, e suas consequências; pois as paixões da alma, com as quais o coração é movido, seguem naturalmente a imaginação, e assim, pela comoção dos espíritos, todo o corpo é alterado. Mas as outras disposições corporais que não têm relação natural com a imaginação não são transmudadas pela imaginação, por mais forte que seja, por exemplo, a forma da mão ou do pé, ou outras semelhantes.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the soul of Christ had omnipotence with regard to His own body? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a vontade de Deus nem sempre se cumpre. Pois diz o Apóstolo (1 Tim. 2,4): «Deus quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.» Ora, isto não acontece. Logo, a vontade de Deus nem sempre se cumpre. Objeção 2: Demais, assim como o conhecimento se relaciona com a verdade, assim a vontade com o bem. Ora, Deus conhece toda a verdade. Logo, quer todo o bem. Mas nem todo o bem existe atualmente; pois poderia existir muito mais bem. Logo, a vontade de Deus nem sempre se cumpre. Objeção 3: Demais, sendo a vontade de Deus a causa primeira, não exclui as causas intermediárias. Ora, o efeito da causa primeira pode ser impedido por um defeito da causa segunda, assim como o efeito da potência motriz pode ser impedido pela fraqueza do membro. Logo, o efeito da vontade divina pode ser impedido por um defeito das causas segundas. Portanto, a vontade de Deus nem sempre se cumpre. Em contrário, diz-se (Sl 113,11): «Deus fez tudo quanto quis.» Respondo que é necessário que a vontade de Deus sempre se cumpra. Para prova disso, devemos considerar que, assim como o efeito se conforma ao agente segundo a sua forma, a mesma regra vale para as causas ativas e para as causas formais. A regra, quanto às formas, é esta: embora uma coisa possa faltar a alguma forma particular, não pode faltar à forma universal. Pois, embora uma coisa possa deixar de ser, por exemplo, homem ou ser vivo, não pode deixar de ser ente. Logo, o mesmo deve acontecer nas causas ativas. Algo pode estar fora da ordem de qualquer causa ativa particular, mas não pode estar fora da ordem da causa universal, sob a qual todas as causas particulares estão incluídas; e se alguma causa particular falha no seu efeito, é por impedimento de outra causa particular, a qual está incluída na ordem da causa universal. Portanto, é impossível que um efeito escape da ordem da causa universal. Mesmo nas coisas corpóreas isto se vê claramente. Pois pode acontecer que uma estrela seja impedida de produzir os seus efeitos; contudo, qualquer efeito que resulte, nas coisas corpóreas, desse impedimento de uma causa corpórea, deve ser referido, através de causas intermediárias, à influência universal do primeiro céu. Visto, pois, que a vontade de Deus é a causa universal de todas as coisas, é impossível que a vontade divina deixe de produzir o seu efeito. Por conseguinte, aquilo que parece apartar-se da vontade divina numa ordem, a ela retorna noutra ordem; como faz o pecador que, pelo pecado, se afasta da vontade divina quanto está em si, mas recai na ordem dessa vontade quando, pela sua justiça, é punido. Resposta à objeção 1: As palavras do Apóstolo: «Deus quer que todos os homens se salvem», etc., podem entender-se de três modos. Primeiro, por aplicação restrita, caso em que significariam, como diz Agostinho (De praed. sanct. I,8; Enchiridion 103), que «Deus quer que todos os homens se salvem que são salvos, não porque não haja homem algum que não queira salvar, mas porque não há homem salvo cuja salvação Ele não queira». Segundo, podem entender-se como aplicando-se a toda classe de indivíduos, não a todo indivíduo de cada classe; caso em que significam que Deus quer que alguns homens de toda classe e condição se salvem, machos e fêmeas, judeus e gentios, grandes e pequenos, mas não todos de toda condição. Terceiro, segundo Damasceno (De Fide Orth. II,29), entendem-se da vontade antecedente de Deus, não da vontade consequente. Esta distinção não deve tomar-se como aplicando-se à própria vontade divina, na qual não há nada antecedente nem consequente, mas às coisas queridas. Para entender isto, devemos considerar que tudo, enquanto é bom, é querido por Deus. Uma coisa, tomada no seu sentido primário e absolutamente considerada, pode ser boa ou má; e contudo, quando se acrescentam algumas circunstâncias adicionais, por uma consideração consequente, pode mudar-se no contrário. Assim, que um homem viva é bom; e que um homem seja morto é mau, absolutamente considerado. Mas se, num caso particular, acrescentamos que um homem é homicida ou perigoso para a sociedade, matá-lo é um bem; que ele viva é um mal. Por isso, pode dizer-se de um juiz justo que, antecedentemente, quer que todos os homens vivam; mas, consequentemente, quer que o homicida seja enforcado. Do mesmo modo, Deus, antecedentemente, quer que todos os homens se salvem; mas, consequentemente, quer que alguns sejam condenados, como exige a sua justiça. Nem queremos simplesmente o que queremos antecedentemente, mas antes queremo-lo de modo qualificado; pois a vontade se dirige às coisas como elas são em si mesmas, e em si mesmas existem sob qualificações particulares. Por isso, queremos uma coisa simplesmente enquanto a queremos quando todas as circunstâncias particulares são consideradas; e é isto o que se entende por querer consequentemente. Assim, pode dizer-se que o juiz justo quer simplesmente o enforcamento do homicida, mas, de modo qualificado, quereria que ele vivesse, a saber, enquanto é homem. Tal vontade qualificada pode chamar-se benevolência antes que vontade absoluta. Assim, é claro que tudo o que Deus quer simplesmente se realiza; ainda que o que Ele quer antecedentemente possa não se realizar. Resposta à objeção 2: O ato da faculdade cognitiva é segundo a coisa conhecida está no conhecedor; ao passo que o ato da faculdade apetitiva se dirige às coisas como elas existem em si mesmas. Ora, tudo o que pode ter a natureza de ente e de verdade existe virtualmente em Deus, embora não exista tudo nas coisas criadas. Portanto, Deus conhece toda a verdade, mas não quer todo o bem, exceto enquanto quer a Si mesmo, em Quem todo o bem existe virtualmente. Resposta à objeção 3: A causa primeira pode ser impedida no seu efeito por deficiência da causa segunda, quando não é a causa primeira universal, que inclui em si todas as causas; pois então o efeito não poderia de modo algum escapar à sua ordem. E assim é com a vontade de Deus, como se disse acima.

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether the will of God is always fulfilled? · séc. XIII

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