Referência

Sl 118, 20

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Matos Soares

20Desfalece a minha alma, desejando sempre os teus decretos.

Matos Soares · domínio público

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Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

São Jerônimo

Ou o próprio Espírito Santo é um fogo, como aprendemos dos Atos, quando, como que fogo, repousou sobre as línguas dos crentes; e assim se cumpriu a palavra do Senhor, que disse: «Eu vim lançar fogo sobre a terra, e quero que ele arda.» [Lucas 12:49] Ou somos batizados agora com o Espírito, e depois com o fogo; como diz o Apóstolo: «O fogo provará a obra de cada um, de que qualidade é.» [1 Coríntios 3:13]

séc. V

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Pareceria que o dom do entendimento se encontra também naqueles que não têm a graça santificante. Pois Agostinho, ao expor as palavras do Sl 118,20: «A minha alma desejou ardentemente os teus juízos», diz: «O entendimento voa adiante, e a vontade do homem é fraca e lenta para seguir.» Ora em todos os que têm graça santificante, a vontade é pronta por causa da caridade. Logo o dom do entendimento pode estar naqueles que não têm graça santificante. Objeção 2: Ademais, está escrito (Dn 10,1) que «há necessidade de entendimento numa» visão profética, de modo que, aparentemente, não há profecia sem o dom do entendimento. Ora pode haver profecia sem graça santificante, como evidenciado por Mt 7,22, onde aqueles que dizem: «Nós profetizamos em teu nome [*Vulg.: 'Não profetizámos nós em teu nome?']», recebem como resposta: «Nunca vos conheci.» Logo o dom do entendimento pode estar sem a graça santificante. Objeção 3: Ademais, o dom do entendimento corresponde à virtude da fé, segundo Is 7,9, seguindo outra leitura [*A Septuaginta]: «Se não crerdes, não entendereis.» Ora a fé pode estar sem a graça santificante. Logo o dom do entendimento pode estar sem ela. Ao contrário, o Senhor disse (Jo 6,45): «Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu vem a Mim.» Ora é pelo intelecto, como observa Gregório (Moral. i, 32), que aprendemos ou entendemos o que ouvimos. Logo quem tem o dom do entendimento vem a Cristo, o que é impossível sem a graça santificante. Logo o dom do entendimento não pode estar sem a graça santificante. Respondo que, como foi dito acima (I-II, q. 68, aa. 1,2), os dons do Espírito Santo aperfeiçoam a alma, enquanto ela é suscetível ao movimento do Espírito Santo. Assim, pois, a luz intelectual da graça chama-se dom do entendimento, na medida em que o entendimento do homem é facilmente movido pelo Espírito Santo, cuja consideração deste movimento depende de uma reta apreensão do fim. Pelo que, a menos que o intelecto humano seja movido pelo Espírito Santo a ponto de ter uma reta estimativa do fim, ainda não obteve o dom do entendimento, por mais que o Espírito Santo o tenha iluminado quanto a outras verdades que são preâmbulos da fé. Ora, ter uma reta estimativa acerca do fim último implica não errar acerca do fim e aderir firmemente a ele como ao maior bem; e ninguém pode fazer isto sem a graça santificante; assim como nas matérias morais um homem tem uma reta estimativa acerca do fim mediante um hábito de virtude. Portanto, ninguém tem o dom do entendimento sem a graça santificante. Resposta à objeção 1: Por entendimento Agostinho entende qualquer tipo de luz intelectual, que, todavia, não preenche todas as condições de um dom, a menos que a mente do homem seja tão aperfeiçoada que tenha uma reta estimativa acerca do fim. Resposta à objeção 2: O entendimento que é necessário para a profecia é um tipo de iluminação da mente quanto às coisas reveladas ao profeta; mas não é uma iluminação da mente quanto a uma reta estimativa acerca do fim último, que pertence ao dom do entendimento. Resposta à obje

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether the gift of understanding is found also in those who have not sanctifying grace? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a vontade não é movida pelo intelecto. Com efeito, diz Agostinho sobre o Sl 118,20: «A minha alma cobiçou desejar as tuas justificações: o intelecto voa adiante, o desejo segue tardio ou de nenhum modo: conhecemos o que é bom, mas as obras não nos deleitam.» Ora, não seria assim se a vontade fosse movida pelo intelecto, porque o movimento do móvel resulta do movimento do motor. Logo, o intelecto não move a vontade. Objeção 2: Ademais, o intelecto, ao apresentar o objeto apetecível à vontade, está para a vontade como a imaginação, ao representar o objeto apetecível ao apetite sensitivo. Ora, a imaginação não remove o apetite sensitivo; antes, algumas vezes a nossa imaginação não nos afeta mais do que o que nos é posto diante num quadro, e não nos move de todo (De Anima ii, 3). Logo, nem o intelecto move a vontade. Objeção 3: Ademais, o mesmo não é motor e movido quanto ao mesmo. Ora, a vontade move o intelecto: pois exercemos o intelecto quando queremos. Logo, o intelecto não move a vontade. Em contrário, o Filósofo diz (De Anima iii, 10) que «o objeto apetecível é um motor não movido, ao passo que a vontade é um motor movido». Respondo que uma coisa requer ser movida por algo na medida em que está em potência para várias coisas; pois o que está em potência precisa ser reduzido ao ato por algo atual; e fazer isto é mover. Ora, uma potência da alma vê-se estar em potência para diferentes coisas de dois modos: primeiro, quanto ao agir e ao não agir; segundo, quanto a esta ou àquela ação. Assim, a vista ora vê atualmente, ora não vê; e ora vê branco, ora vê preto. Necessita, portanto, de um motor sob dois aspetos: quanto ao exercício ou uso do ato, e quanto à determinação do ato. O primeiro destes é da parte do sujeito, que ora age, ora não age; o outro é da parte do objeto, por cuja razão o ato se especifica. O movimento do próprio sujeito é devido a algum agente. E, visto que todo agente age por um fim, como foi mostrado acima (Q. 1, A. 2), o princípio deste movimento está no fim. E daí vem que a arte que se ocupa do fim, pelo seu mandado move a arte que se ocupa dos meios; assim como «a arte de navegar manda à arte de construir navios» (Phys. ii, 2). Ora, o bem em geral, que tem natureza de fim, é o objeto da vontade. Consequentemente, sob este aspeto, a vontade move as outras potências da alma para os seus atos, pois usamos das outras potências quando queremos. Pois o fim e a perfeição de toda outra potência estão incluídos sob o objeto da vontade como um bem particular; e sempre a arte ou potência a que pertence o fim universal move para os seus atos as artes ou potências a que pertencem os fins particulares incluídos no fim universal. Assim, o chefe do exército, que intenta o bem comum — isto é, a ordem de todo o exército — pelo seu mandado move um dos capitães, que intenta a ordem de uma companhia. Por outro lado, o objeto move, determinando o ato, à maneira de um princípio formal, pelo qual nas coisas naturais as ações se especificam, como aquecer pelo calor. Ora, o primeiro princípio formal é o «ser» e a «verdade» universais, que é o objeto do intelecto. E, portanto, por esta espécie de movimento o intelecto move a vontade, apresentando-lhe o seu objeto. Resposta à Objeção 1: A passagem citada prova, não que o intelecto não move, mas que não move necessariamente. Resposta à Objeção 2: Assim como a imaginação de uma forma sem a estimação de conveniência ou nocividade não move o apetite sensitivo, assim também a apreensão do verdadeiro sem a razão de bondade e desejabilidade não move. Por isso, não é o intelecto especulativo que move, mas o intelecto prático (De Anima iii, 9). Resposta à Objeção 3: A vontade move o intelecto quanto ao exercício do seu ato; pois o próprio verdadeiro, que é a perfeição do intelecto, está incluído no bem universal como um bem particular. Mas quanto à determinação do ato, que o ato deriva do objeto, o intelecto move a vontade; pois o próprio bem é apreendido sob uma razão especial como contido no verdadeiro universal. É, portanto, evidente que o mesmo não é motor e movido sob o mesmo aspeto.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the will is moved by the intellect? · séc. XIII

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