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Sl 143, 15

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Matos Soares

15Ditoso o povo que goza tais coisas; ditoso o povo, cujo Deus é o Senhor.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que algum bem criado constitui a felicidade do homem. Pois Dionísio diz (Div. Nom. VII) que a Divina Sabedoria “une os fins das primeiras coisas aos princípios das segundas”, do que podemos coligir que o cume de uma natureza inferior toca a base da natureza superior. Ora, o sumo bem do homem é a felicidade. Visto que, então, o anjo está acima do homem na ordem da natureza, como se afirma na I Parte, Q[111], A[1], parece que a felicidade do homem consiste em alcançar de algum modo o anjo. Objeção 2: Além disso, o fim último de cada coisa é aquilo que, em relação a ela, é perfeito; por isso a parte é para o todo, como para seu fim. Ora, o universo das criaturas, que se chama macrocosmo, é comparado ao homem, que se chama microcosmo (Fís. VIII, 2), como o perfeito ao imperfeito. Portanto, a felicidade do homem consiste em todo o universo das criaturas. Objeção 3: Além disso, o homem é feito feliz por aquilo que aquieta o seu desejo natural. Mas o desejo natural do homem não se estende a um bem que ultrapasse a sua capacidade. Visto que, então, a capacidade do homem não inclui aquele bem que ultrapassa os limites de toda a criação, parece que o homem pode ser feito feliz por algum bem criado. Por conseguinte, algum bem criado constitui a felicidade do homem. Em contrário, Agostinho diz (De Civ. Dei XIX, 26): “Assim como a alma é a vida do corpo, assim Deus é a vida da felicidade do homem; do qual está escrito: ‘Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor’ (Sl 143,15).” Respondo que é impossível que algum bem criado constitua a felicidade do homem. Pois a felicidade é o bem perfeito, que aquieta totalmente o apetite; de outro modo não seria o fim último, se ainda restasse algo a desejar. Ora, o objeto da vontade, isto é, do apetite do homem, é o bem universal; assim como o objeto do intelecto é o verdadeiro universal. Por onde é evidente que nada pode aquietar a vontade do homem, senão o bem universal. Este não se encontra em criatura alguma, mas somente em Deus; porque toda criatura tem bondade por participação. Portanto, só Deus pode satisfazer a vontade do homem, segundo as palavras do Sl 102,5: “Que farta de bens o teu desejo.” Portanto, só Deus constitui a felicidade do homem. Resposta à primeira objeção: O cume do homem toca realmente a base da natureza angélica por uma certa semelhança; mas o homem não descansa aí como em seu fim último, mas tende para a própria fonte universal do bem, que é o objeto comum de felicidade de todos os bem-aventurados, como sendo o bem infinito e perfeito. Resposta à segunda objeção: Se um todo não é o fim último, mas ordenado a um fim ulterior, então o fim último de uma parte dele não é o todo em si, mas algo outro. Ora, o universo das criaturas, ao qual o homem é comparado como parte ao todo, não é o fim último, mas é ordenado a Deus, como a seu fim último. Portanto, o fim último do homem não é o bem do universo, mas o próprio Deus. Resposta à terceira objeção: O bem criado não é menor do que o bem de que o homem é capaz, como de algo intrínseco e inerente a ele; mas é menor do que o bem de que é capaz, como de um objeto, e que é infinito. E o bem participado que está no anjo e em todo o universo é um bem finito e restrito.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether any created good constitutes man's happiness? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a beatitude pode ser alcançada nesta vida. Pois está escrito (Sl 118,1): «Bem-aventurados os imaculados no caminho, que andam na lei do Senhor». Ora, isso acontece nesta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 2:** Além disso, a participação imperfeita no Sumo Bem não destrói a natureza da beatitude; do contrário, um não seria mais bem-aventurado que outro. Ora, os homens podem participar do Sumo Bem nesta vida, conhecendo e amando a Deus, ainda que imperfeitamente. Logo, o homem pode ser bem-aventurado nesta vida. **Objeção 3:** Além disso, o que é dito por muitos não pode ser totalmente falso, pois o que está em muitos parece vir da natureza; e a natureza não falha totalmente. Ora, muitos dizem que a beatitude pode ser alcançada nesta vida, como aparece no Sl 143,15: «Chamaram bem-aventurado o povo que tem estas coisas», a saber, os bens desta vida. Logo, pode-se ser bem-aventurado nesta vida. **Em sentido contrário,** está escrito (Jó 14,1): «O homem nascido de mulher, vivendo por pouco tempo, é cheio de muitas misérias». Ora, a beatitude exclui a miséria. Logo, o homem não pode ser bem-aventurado nesta vida. **Respondo.** Uma certa participação da beatitude pode ser tida nesta vida, mas a beatitude perfeita e verdadeira não pode ser tida nesta vida. Isto se vê por uma dupla consideração. Primeiro, pela noção geral de beatitude. Pois, sendo a beatitude um «bem perfeito e suficiente», exclui todo mal e satisfaz todo desejo. Ora, nesta vida não se pode excluir todo mal, pois esta vida presente está sujeita a muitos males inevitáveis: à ignorância da parte do intelecto, à afeição desordenada da parte do apetite e a muitas penalidades da parte do corpo, como Agostinho expõe em *De Civ. Dei* XIX, 4. Do mesmo modo, também não se pode saciar nesta vida o desejo do bem. Pois o homem naturalmente deseja que o bem que possui seja duradouro. Ora, os bens da vida presente passam, como passa a própria vida, a qual naturalmente desejamos ter e que gostaríamos de conservar permanentemente, pois o homem naturalmente foge da morte. Por isso é impossível ter a verdadeira beatitude nesta vida. Segundo, pela consideração da natureza específica da beatitude, isto é, a visão da Essência Divina, que o homem não pode obter nesta vida, como foi mostrado na Primeira Parte (Q. 12, A. 11). Por conseguinte, fica evidente que ninguém pode alcançar nesta vida a beatitude verdadeira e perfeita. **Resposta à objeção 1:** Alguns são ditos bem-aventurados nesta vida, ou por causa da esperança de obter a beatitude na vida futura, segundo Rm 8,24: «Pela esperança fomos salvos», ou por causa de uma certa participação da beatitude, em razão de um certo gozo do Sumo Bem. **Resposta à objeção 2:** A imperfeição da beatitude participada se deve a uma de duas causas. Primeiro, da parte do objeto da beatitude, que não é visto em sua Essência; e essa imperfeição destrói a natureza da verdadeira beatitude. Segundo, a imperfeição pode ser da parte do participante, que atinge o objeto da beatitude em si mesmo, isto é, Deus, mas imperfeitamente, em comparação com o modo pelo qual Deus goza de Si mesmo. Essa imperfeição não destrói a verdadeira natureza da beatitude, porque, sendo a beatitude uma operação, como foi dito acima (Q. 3, A. 2), a verdadeira natureza da beatitude é tomada do objeto, que especifica o ato, e não do sujeito. **Resposta à objeção 3:** Os homens julgam que haja alguma espécie de beatitude nesta vida, por causa de uma certa semelhança com a verdadeira beatitude. E assim não falham totalmente em seu juízo.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether one can be happy in this life? · séc. XIII

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