Santo Thomas Aquinas
**Objeção 1:** Parece que nenhum prazer é o sumo bem. Porque nada gerado é o sumo bem, pois a geração não pode ser o fim último. Ora, o prazer é consequência da geração; pois o fato de algo se deleitar se deve ao seu estabelecimento na própria natureza, como foi dito acima (Q. 31, A. 1). Logo, nenhum prazer é o sumo bem. **Objeção 2:** Ademais, aquilo que é o sumo bem não pode ser tornado melhor por acréscimo. Ora, o prazer é tornado melhor por acréscimo, pois o prazer juntamente com a virtude é melhor do que o prazer sem virtude. Logo, o prazer não é o sumo bem. **Objeção 3:** Ademais, o que é o sumo bem é universalmente bom, por ser bom por si mesmo; pois o que é tal por si mesmo é anterior e maior do que o que é tal por acidente. Ora, o prazer não é universalmente bom, como foi dito acima (A. 2). Logo, o prazer não é o sumo bem. **Em contrário,** a Felicidade é o sumo bem, pois é o fim da vida do homem. Ora, a Felicidade não é sem prazer; pois está escrito (Sl 15,11): "Encher-me-ás de gozo com a tua face; à tua direita há delícias até ao fim." **Respondo que** Platão não concordou nem com os Estoicos, que afirmavam serem todos os prazeres maus, nem com os Epicureus, que sustentavam serem todos os prazeres bons, mas disse que uns são bons e outros maus; contudo, de modo que nenhum prazer seja o soberano ou sumo bem. Porém, a julgar pelos seus argumentos, ele falha em dois pontos. Primeiro, porque, observando que o prazer sensível e corporal consiste em certo movimento e "devir", como é evidente na saciedade por comer e coisas semelhantes, concluiu que todo prazer provém de algum "devir" e movimento; e disso, sendo o "devir" e o movimento atos de algo imperfeito, seguir-se-ia que o prazer não é da natureza da perfeição última. Mas isto se vê ser evidentemente falso no que respeita aos prazeres intelectuais; pois deleita-se alguém, não apenas no "devir" do conhecimento, por exemplo, quando aprende ou se admira, como foi dito acima (Q. 32, A. 8, ad 2), mas também no ato de contemplar, usando do conhecimento já adquirido. Segundo, porque por sumo bem entendeu ele aquilo que é o bem supremo simpliciter, i.e., o bem como existente separado de tudo o mais e não participado por nada mais, sentido no qual Deus é o Bem Supremo; ao passo que nós falamos do sumo bem nas coisas humanas. Ora, o sumo bem de cada coisa é o seu fim último. E o fim, como foi dito acima (Q. 1, A. 8; Q. 2, A. 7), é duplo; a saber, a própria coisa e o uso dessa coisa; assim, o fim do avarento é ou o dinheiro ou a posse do dinheiro. Por conseguinte, o fim último do homem pode ser dito ser ou Deus, que é o Bem Supremo simpliciter, ou o gozo de Deus, que implica certo prazer no fim último. E neste sentido pode-se dizer que certo prazer do homem é o sumo entre os bens humanos. **Resposta à Objeção 1:** Nem todo prazer provém de um "devir"; pois alguns prazeres resultam de operações perfeitas, como foi dito acima. Portanto, nada impede que algum prazer seja o sumo bem, embora nem todo prazer o seja. **Resposta à Objeção 2:** Este argumento é verdadeiro a respeito do sumo bem simpliciter, por participação do qual todas as coisas são boas; por isso, nenhum acréscimo pode torná-lo melhor; ao passo que, a respeito dos outros bens, é universalmente verdade que qualquer bem se torna melhor pelo acréscimo de outro bem. Além disso, poder-se-ia dizer que o prazer não é algo extrínseco à operação da virtude, mas a acompanha, como se diz na Ética, I, 8. **Resposta à Objeção 3:** Que o prazer seja o sumo bem deve-se não ao simples fato de ser prazer, mas ao fato de ser perfeito repouso no bem perfeito. Por isso, não se segue que todo prazer seja soberanamente bom, ou sequer bom. Assim, uma certa ciência é soberanamente boa, mas nem toda ciência o é.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether any pleasure is the greatest good? · séc. XIII
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