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Sl 32, 1

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Matos Soares

1Exultai, ó justos, no Senhor: e aos rectos (do coração) que fica bem o louvá-lo.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a vontade humana não precisa sempre estar conforme à vontade divina quanto à coisa querida. Porque não podemos querer o que não conhecemos, visto que o bem apreendido é o objeto da vontade. Ora, em muitas coisas ignoramos o que Deus quer. Logo, a vontade humana não pode estar conforme à vontade divina quanto à coisa querida. **Objeção 2:** Ademais, Deus quer a danação do homem que prevê estar para morrer em pecado mortal. Se, pois, o homem fosse obrigado a conformar a sua vontade à vontade divina no ponto da coisa querida, seguir-se-ia que o homem é obrigado a querer a sua própria danação. O que é inadmissível. **Objeção 3:** Além disso, ninguém é obrigado a querer o que é contra a piedade filial. Ora, se o homem quisesse o que Deus quer, isto seria às vezes contrário à piedade filial; por exemplo, quando Deus quer a morte de um pai; se o filho também a quisesse, seria contra a piedade filial. Portanto, o homem não é obrigado a conformar a sua vontade à vontade divina quanto à coisa querida. **Em contrário, (1)** Sobre o Sl 32,1: "Alegrai-vos, justos, no Senhor", diz uma glosa: "Tem o coração reto aquele que quer o que Deus quer." Ora, todo homem é obrigado a ter o coração reto. Logo, todo homem é obrigado a querer o que Deus quer. **(2)** Ademais, a vontade recebe sua forma do objeto, como todo ato. Se, portanto, o homem é obrigado a conformar a sua vontade à vontade divina, segue-se que é obrigado a conformá-la quanto à coisa querida. **(3)** Ademais, a oposição de vontades surge de os homens quererem coisas diversas. Ora, quem tem uma vontade oposta à vontade divina, tem uma vontade má. Logo, quem não conforma a sua vontade à vontade divina quanto à coisa querida, tem uma vontade má. **Respondo que,** como é evidente pelo que foi dito acima (q.19, a.3 e a.5), a vontade tende ao seu objeto conforme ele é proposto pela razão. Ora, uma coisa pode ser considerada pela razão de vários modos, de modo a parecer boa sob um aspecto e não boa sob outro. E, portanto, se a vontade de um homem quer que uma coisa seja, conforme ela lhe parece boa, a sua vontade é boa; e a vontade de outro homem, que quer que essa coisa não seja, conforme lhe parece má, também é boa. Assim, um juiz tem uma boa vontade ao querer que um ladrão seja morto, porque isto é justo; enquanto a vontade de outro — por exemplo, da esposa ou do filho do ladrão, que desejam que ele não seja morto, na medida em que matar é um mal natural — também é boa. Ora, como a vontade segue a apreensão da razão ou do intelecto, quanto mais universal é o aspecto do bem apreendido, tanto mais universal é o bem para o qual a vontade tende. Isto se evidencia no exemplo dado acima: porque o juiz cuida do bem comum, que é a justiça, e por isso deseja a morte do ladrão, que tem a razão de bem em relação ao estado comum; ao passo que a esposa do ladrão deve considerar o bem particular, o bem da família, e deste ponto de vista ela deseja que seu marido, o ladrão, não seja morto. Ora, o bem de todo o universo é o que é apreendido por Deus, que é o Criador e Governador de todas as coisas; logo, tudo quanto Ele quer, Ele o quer sob a razão de bem comum; isto é a sua própria Bondade, que é o bem de todo o universo. Por outro lado, a apreensão de uma criatura, segundo a sua natureza, é de algum bem particular, proporcionado a essa natureza. Ora, pode acontecer que uma coisa seja boa sob um aspecto particular e não boa sob um aspecto universal, ou vice-versa, como foi dito acima. E, portanto, dá-se que uma certa vontade é boa por querer algo considerado sob um aspecto particular, coisa que Deus não quer sob um aspecto universal, e vice-versa. E daí também vem que várias vontades de vários homens podem ser boas com respeito a coisas opostas, enquanto, sob aspectos diversos, desejam que uma coisa particular seja ou não seja. Mas a vontade do homem não é reta querendo um bem particular, a menos que o refira ao bem comum como fim; visto que até o apetite natural de cada parte é ordenado ao bem comum do todo. Ora, é o fim que fornece, por assim dizer, a razão formal de querer tudo o que é dirigido ao fim. Consequentemente, para que um homem queira algum bem particular com vontade reta, ele deve querer esse bem particular materialmente, e o bem divino e universal formalmente. Portanto, a vontade humana é obrigada a estar conforme à vontade divina quanto ao que é querido formalmente, pois é obrigada a querer o bem divino e universal; mas não quanto ao que é querido materialmente, pela razão acima exposta. Ao mesmo tempo, em ambos esses aspectos, a vontade humana está de certo modo conforme à divina. Porque, na medida em que está conforme à vontade divina no aspecto comum da coisa querida, está-lhe conforme quanto ao fim último. Enquanto, na medida em que não está conforme à vontade divina na coisa querida materialmente, está conforme a essa vontade considerada como causa eficiente; visto que a inclinação própria consequente à natureza, ou à apreensão particular de alguma coisa particular, vem à coisa de Deus como sua causa eficiente. Por isso é costume dizer que a vontade do homem, a este respeito, está conforme à vontade divina, porque quer o que Deus quer que ele queira. Há ainda outro tipo de conformidade quanto à causa formal, que consiste em o homem querer algo por caridade, assim como Deus o quer. E esta conformidade reduz-se também à conformidade formal, isto é, quanto ao fim último, que é o objeto próprio da caridade. **Resposta à Objeção 1:** Podemos saber de modo geral o que Deus quer. Pois sabemos que tudo quanto Deus quer, Ele o quer sob a razão de bem. Consequentemente, quem quer uma coisa sob qualquer aspecto de bem, tem a vontade conforme à vontade divina quanto à razão da coisa querida. Mas não sabemos o que Deus quer em particular; e a este respeito não somos obrigados a conformar a nossa vontade à vontade divina. Todavia, no estado de glória, cada um verá, em cada coisa que quer, a relação dessa coisa com o que Deus quer naquela matéria particular. Por conseguinte, conformará a sua vontade a Deus em todas as coisas, não só formalmente, mas também materialmente. **Resposta à Objeção 2:** Deus não quer a danação de um homem considerada precisamente como danação, nem a morte de um homem considerada precisamente como morte, porque "Ele quer que todos os homens se salvem" (1Tm 2,4); mas quer tais coisas sob o aspecto da justiça. Por onde, quanto a tais coisas, basta ao homem querer a manutenção da justiça de Deus e da ordem natural. **Donde é evidente a resposta à Terceira Objeção.** **Ao primeiro argumento apresentado em contrário**, deve-se dizer que o homem que conforma a sua vontade à de Deus no aspecto da razão da coisa querida, quer o que Deus quer mais do que aquele que conforma a sua vontade à de Deus no ponto da própria coisa querida; porque a vontade tende mais ao fim do que ao que é por causa do fim. **Ao segundo**, deve-se responder que a espécie e a forma de um ato são tomadas do objeto considerado formalmente, mais do que do objeto considerado materialmente. **Ao terceiro**, deve-se dizer que não há oposição de vontades quando várias pessoas desejam coisas diferentes, mas não sob o mesmo aspecto; há, porém, oposição de vontades quando, sob um mesmo aspecto, um homem quer uma coisa que outro não quer. Mas disto não se trata aqui.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 10 - Whether it is necessary for the human will, in order to be good, to be conformed to the Divine will, as regards the thing willed? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não se deve pedir nada definido a Deus na oração. Segundo Damasceno (De Fide Orth. iii, 24), «orar é pedir a Deus coisas convenientes»; por isso é inútil orar pelo que é inconveniente, conforme Tiago 4:3: «Vós pedis e não recebeis, porque pedis mal.» Ora, segundo Rom. 8:26, «não sabemos o que havemos de pedir, como convém.» Logo, não se deve pedir nada definido na oração. Objeção 2: Além disso, aqueles que pedem a outra pessoa algo definido esforçam-se por inclinar sua vontade a fazer o que eles mesmos desejam. Mas não devemos procurar fazer Deus querer o que nós queremos; ao contrário, devemos esforçar-nos por querer o que Ele quer, segundo a glosa do Salmo 32:1: «Alegrai-vos no Senhor, ó justos.» Logo, não se deve pedir a Deus nada definido na oração. Objeção 3: Além disso, as coisas más não devem ser pedidas a Deus; e quanto às boas, o próprio Deus nos convida a tomá-las. Ora, é inútil pedir a alguém que te dê o que ele te convida a tomar. Logo, não se deve pedir a Deus nada definido em nossas orações. Em contrário, o Senhor (Mt. 6 e Lc. 11) ensinou seus discípulos a pedir definidamente aquelas coisas que estão contidas nas petições da Oração Dominical. Respondo que, segundo Valério Máximo (Fact. et Dict. Memor. vii, 2), «Sócrates julgava que não devíamos pedir aos deuses imortais senão que nos concedessem bens, porque eles ao menos sabem o que é bom para cada um, ao passo que, quando oramos, pedimos frequentemente o que seria melhor que não obtivéssemos.» Esta opinião é verdadeira até certo ponto, quanto àquelas coisas que podem ter um resultado mau e que o homem pode usar mal ou bem, tais como «as riquezas, pelas quais», como afirma a mesma autoridade (Fact. et Dict. Memor. vii, 2), «muitos chegaram a um fim mau; as honras, que arruinaram a muitos; o poder, de que frequentemente presenciamos resultados infelizes; os matrimônios esplêndidos, que às vezes ocasionam a total ruína de uma família.» Contudo, há certos bens que o homem não pode usar mal, porque não podem ter um resultado mau. Tais são aqueles que são objeto da bem-aventurança e pelos quais a merecemos; e estes os santos buscam absolutamente quando oram, como no Salmo 79:4: «Mostra-nos a tua face, e seremos salvos», e novamente no Salmo 118:35: «Guia-me pela senda dos teus mandamentos.» Resposta à objeção 1: Embora o homem não possa por si mesmo saber o que deve pedir, «o Espírito», como se diz na mesma passagem, «socorre a nossa fraqueza», pois inspirando-nos santos desejos, faz-nos pedir o que é reto. Por isso o Senhor disse (Jo. 4:24) que os verdadeiros adoradores «devem adorar em espírito e em verdade.» Resposta à objeção 2: Quando em nossas orações pedimos coisas concernentes à nossa salvação, conformamos nossa vontade à de Deus, de quem está escrito (1 Tm. 2:4) que «quer que todos os homens se salvem.» Resposta à objeção 3: Deus nos convida a tomar os bens de tal modo que nos aproximemos deles não pelos passos do corpo, mas por pios desejos e devotas orações.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 5 - Whether we ought to ask for something definite when we pray? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Respondo que, como é evidente pelo que foi dito acima (AA[3],5), a vontade tende ao seu objecto, na medida em que é proposto pela razão. Ora, uma coisa pode ser considerada de várias maneiras pela razão, de modo a parecer boa de um ponto de vista e não boa de outro ponto de vista. E portanto, se a vontade de um homem quer que uma coisa seja, segundo lhe parece que é boa, a sua vontade é boa; e a vontade de outro homem, que quer que essa coisa não seja, segundo lhe parece que é má, também é boa. Assim, um juiz tem boa vontade, ao querer que um ladrão seja morto, porque isto é justo; enquanto a vontade de outro — por exemplo, a mulher ou o filho do ladrão, que desejam que ele não seja morto, na medida em que matar é um mal natural, também é boa. Ora, como a vontade segue a apreensão da razão ou do intelecto, quanto mais universal é o aspecto do bem apreendido, mais universal é o bem para o qual a vontade tende. Isto é evidente no exemplo acima: porque o juiz cuida do bem comum, que é a justiça, e portanto deseja a morte do ladrão, que tem o aspecto de bem em relação ao estado comum; enquanto a mulher do ladrão deve considerar o bem privado, o bem da família, e deste ponto de vista deseja que seu marido, o ladrão, não seja morto. Ora, o bem de todo o universo é o que é apreendido por Deus, que é o Criador e Governador de todas as coisas: portanto, tudo o que Ele quer, quer sob o aspecto do bem comum; esta é a Sua própria Bondade, que é o bem de todo o universo. Por outro lado, a apreensão de uma criatura, segundo a sua natureza, é de algum bem particular, proporcionado a essa natureza. Ora, pode acontecer que uma coisa seja boa sob um aspecto particular, e não boa sob um aspecto universal, ou vice-versa, como foi dito acima. E portanto, acontece que uma certa vontade é boa por querer algo considerado sob um aspecto particular, o que Deus não quer sob um aspecto universal, e vice-versa. E daqui também vem que várias vontades de vários homens podem ser boas em relação a coisas opostas, porque, sob vários aspectos, desejam que uma coisa particular seja ou não seja. Mas a vontade de um homem não é recta ao querer um bem particular, a menos que o refira ao bem comum como fim: porque mesmo o apetite natural de cada parte é ordenado ao bem comum do todo. Ora, é o fim que fornece, por assim dizer, a razão formal de querer tudo o que é dirigido ao fim. Consequentemente, para que um homem queira algum bem particular com vontade recta, deve querer esse bem particular materialmente, e o bem divino e universal formalmente. Portanto, a vontade humana é obrigada a conformar-se à vontade divina, quanto ao que é querido formalmente, pois é obrigada a querer o bem divino e universal; mas não quanto ao que é querido materialmente, pela razão já dada. Ao mesmo tempo, em ambos os aspectos, a vontade humana está conformada à divina, em certo grau. Porque, na medida em que está conformada à vontade divina no aspecto comum da coisa querida, está conformada a ela quanto ao último fim. Enquanto, na medida em que não está conformada à vontade divina na coisa querida materialmente, está conformada a essa vontade considerada como causa eficiente; pois a inclinação própria consequente à natureza, ou à apreensão particular de alguma coisa particular, vem à coisa de Deus como sua causa eficiente. Por isso é costume dizer-se que a vontade de um homem, sob este aspecto, está conformada à vontade divina, porque quer o que Deus deseja que ele queira. Há ainda outro tipo de conformidade quanto à causa formal, que consiste em o homem querer algo por caridade, como Deus o quer. E esta conformidade reduz-se também à conformidade formal, isto é, quanto ao último fim, que é o objecto próprio da caridade. Resposta à objecção 1: Podemos saber de modo geral o que Deus quer. Pois sabemos que tudo o que Deus quer, Ele quer sob o aspecto de bem. Consequentemente, quem quer uma coisa sob qualquer aspecto de bem, tem uma vontade conformada à vontade divina, quanto à razão da coisa querida. Mas não sabemos o que Deus quer em particular; e sob este aspecto não somos obrigados a conformar a nossa vontade à vontade divina. Mas no estado de glória, cada um verá em cada coisa que quer, a relação dessa coisa com o que Deus quer naquela matéria particular. Consequentemente, conformará a sua vontade a Deus em todas as coisas, não só formalmente, mas também materialmente. Resposta à objecção 2: Deus não quer a danação de um homem, considerada precisamente como danação, nem a morte de um homem, considerada precisamente como morte, porque "Ele quer que todos os homens se salvem" (1 Tim. 2,4); mas quer tais coisas sob o aspecto de justiça. Portanto, quanto a tais coisas, basta ao homem querer a manutenção da justiça de Deus e da ordem natural. Donde é clara a resposta à terceira objecção. Ao primeiro argumento aduzido em sentido contrário, deve dizer-se que um homem que conforma a sua vontade à de Deus, no aspecto da razão da coisa querida, quer o que Deus quer, mais do que o homem que conforma a sua vontade à de Deus, quanto à própria coisa querida; porque a vontade tende mais ao fim do que àquilo que é por causa do fim. Ao segundo, deve responder-se que a espécie e a forma de um acto se tomam do objecto considerado formalmente, mais do que do objecto considerado materialmente. Ao terceiro, deve dizer-se que não há oposição de vontades quando várias pessoas desejam coisas diferentes, mas não sob o mesmo aspecto; mas há oposição de vontades quando, sob um mesmo aspecto, um homem quer uma coisa que outro não quer. Mas não se trata disto aqui.

Summa Theologiae — First Part · Article. 10 - Whether it is necessary for the human will, in order to be good, to be conformed to the Divine will, as regards the thing willed? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Artigo 1 — Se a noção de estado denota uma condição de liberdade ou servidão.** **Objeção 1:** Parece que a noção de estado não denota uma condição de liberdade ou servidão. Com efeito, «estado» toma o seu nome de «estar de pé». Ora, diz-se que uma pessoa está de pé por causa da sua posição erecta; e Gregório diz (*Moral.* vii, 17): «Cair por proferir palavras nocivas é perder inteiramente o estado de justiça». Mas o homem adquire a rectidão espiritual submetendo a sua vontade a Deus; por isso uma glosa ao salmo 32,1 — «O louvor convém aos retos» — diz: «Os retos são aqueles que dirigem o seu coração segundo a vontade de Deus». Portanto, parece que a obediência aos mandamentos divinos basta sozinha para a noção de estado. **Objeção 2:** Ademais, a palavra «estado» parece denotar imobilidade, segundo 1 Coríntios 15,48: «Sede firmes e imóveis»; por isso Gregório diz (*Hom.* xxi in *Ezech.*): «A pedra é quadrangular, e estável de todos os lados, se nenhuma perturbação a fizer cair». Ora, é a virtude que nos capacita «a agir com imobilidade», segundo a *Ética* ii, 4. Portanto, parece que um estado é adquirido por toda acção virtuosa. **Objeção 3:** Ademais, a palavra «estado» parece indicar uma certa altura; porque estar de pé é estar erguido para cima. Ora, um homem é feito mais alto que outro por vários ofícios; e de modo semelhante os homens são erguidos para cima de várias maneiras por vários graus e ordens. Portanto, a mera diferença de graus, ordens ou ofícios basta para uma diferença de estados. **Ao contrário,** está assim estabelecido nas Decretais (II, qu. vi, can. *Si Quando*): «Sempre que alguém intervenha numa causa onde a vida ou o estado esteja em jogo, deve fazê-lo não por procurador, mas em sua própria pessoa»; e «estado» aqui se refere à liberdade ou servidão. Portanto, parece que nada diferencia o estado de um homem, excepto aquilo que se refere à liberdade ou servidão. **Respondo** que «estado», propriamente falando, denota uma espécie de posição, pela qual uma coisa é disposta com uma certa imobilidade de modo conforme à sua natureza. Pois é natural ao homem que a sua cabeça seja dirigida para cima, os seus pés firmemente postos no chão, e os seus outros membros intermediários dispostos em ordem conveniente; e isso não ocorre se ele se deita, senta ou reclina, mas somente quando está de pé ereto; nem tampouco se diz que está de pé, se se move, mas somente quando está quieto. Daí que ainda nos atos humanos, uma matéria se diz ter estabilidade [*statum*] em referência à sua própria disposição no ponto de uma certa imobilidade ou repouso. Consequentemente, coisas que facilmente mudam e são extrínsecas a eles não constituem um estado entre os homens, por exemplo, que um homem seja rico ou pobre, de alta ou baixa condição, e assim por diante. Por isso no direito civil [*Dig.* I, IX, *De Senatoribus*] (Lib. Cassius ff. *De Senatoribus*) diz-se que se um homem for removido do senado, é privado da sua dignidade antes que do seu estado. Mas aquilo que parece pertencer ao estado de um homem é o que diz respeito a uma obrigação que liga a sua pessoa, na medida em que, a saber, um homem é senhor de si ou súdito de outro, não por uma causa leve ou instável, mas por uma que está firmemente estabelecida; e isso é algo que pertence à natureza da liberdade ou servidão. Portanto, o estado propriamente diz respeito à liberdade ou servidão, seja em matérias espirituais ou civis. **Resposta à Objeção 1:** A rectidão como tal não pertence à noção de estado, excepto na medida em que é conatural ao homem com o acréscimo de um certo repouso. Por isso outros animais são ditos estar de pé sem que se exija que sejam eretos; nem tampouco os homens são ditos estar de pé, por mais erecta que seja a sua posição, a menos que estejam quietos. **Resposta à Objeção 2:** A imobilidade não basta para a noção de estado; pois mesmo quem se senta ou se deita está quieto, e contudo não se diz que está de pé. **Resposta à Objeção 3:** Ofício implica relação ao ato; enquanto graus denotam uma ordem de superioridade e inferioridade. Mas o estado exige imobilidade naquilo que diz respeito a uma condição da própria pessoa.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the notion of a state denotes a condition of freedom or servitude? · séc. XIII

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