Referência

Sl 33, 15

Veja onde esta passagem aparece no corpus patrístico disponível.

Trechos nesta página

5

Comentários diretos

0

Autores distintos

1

Matos Soares

15Desvia-te do mal e faz o bem; busca a paz e vai em seu seguimento.

Matos Soares · domínio público

Levar para o chatEntre na conta para conversar com os Padres a partir deste versículo.
Dossiês doutrinaisQuando um versículo abre um tema maior, o próximo passo é seguir por um dossiê temático.

Comentário direto

0

Trechos em que os Padres comentam diretamente esta passagem ou o seu contexto imediato.

Nenhum comentário direto traduzido para este versículo. A Catena Aurea comenta diretamente os quatro Evangelhos; em outros livros, procure principalmente em citações internas.

Citações internas

5

Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que afastar-se do mal e fazer o bem não são partes da justiça. Pois a toda virtude pertence praticar uma boa ação e evitar uma má. Mas as partes não excedem o todo. Logo, afastar-se do mal e fazer o bem não devem ser contados como partes da justiça, que é uma virtude especial. Objeção 2: Ademais, uma glosa sobre o Sl 33,15: «Aparta-te do mal e faze o bem», diz: «O primeiro», isto é, apartar-se do mal, «evita o pecado; o segundo», isto é, fazer o bem, «merece a vida e a palma». Ora, qualquer parte de uma virtude merece a vida e a palma. Logo, afastar-se do mal não é uma parte da justiça. Objeção 3: Ademais, coisas que estão de tal modo relacionadas que uma implica a outra não são mutuamente distintas como partes de um todo. Ora, afastar-se do mal está implicado no fazer o bem, pois ninguém faz o mal e o bem ao mesmo tempo. Logo, afastar-se do mal e fazer o bem não são partes da justiça. Em contrário, Agostinho (Da Correção e da Graça, cap. i) declara que «afastar-se do mal e fazer o bem» pertencem à justiça da lei. Respondo que se falarmos do bem e do mal em geral, a toda virtude pertence fazer o bem e evitar o mal; e neste sentido não podem ser contados como partes da justiça, a menos que a justiça seja tomada no sentido de «toda virtude» [cf. q. 58, a. 5]. E mesmo se a justiça for tomada neste sentido, ela considera um certo aspecto especial do bem, a saber, o bem como devido em respeito à lei divina ou humana. Por outro lado, a justiça considerada como virtude especial considera o bem como devido ao próximo. E neste sentido pertence à justiça especial fazer o bem considerado como devido ao próximo, e evitar o mal oposto, a saber, aquele que é nocivo ao próximo; enquanto pertence à justiça geral fazer o bem em relação à comunidade ou em relação a Deus, e evitar o mal oposto. Ora, estes dois são chamados como que partes integrais da justiça geral ou especial, porque cada um é requerido para o ato perfeito da justiça. Pois pertence à justiça estabelecer igualdade em nossas relações com os outros, como foi mostrado acima (q. 58, a. 2); e cabe à mesma causa estabelecer e preservar o que foi estabelecido. Ora, a pessoa estabelece a igualdade da justiça fazendo o bem, isto é, dando a outro o que lhe é devido; e preserva a igualdade já estabelecida da justiça afastando-se do mal, isto é, não infligindo injúria ao próximo. Resposta à objeção 1: O bem e o mal são aqui considerados sob um aspecto especial, pelo qual são apropriados à justiça. A razão pela qual estes dois são contados como partes da justiça sob um aspecto especial do bem e do mal, enquanto não são contados como partes de nenhuma outra virtude moral, é que as outras virtudes morais concernem as paixões, onde fazer o bem é observar o meio-termo, o que é o mesmo que evitar os extremos como males; de modo que fazer o bem e evitar o mal vêm a dar no mesmo, com respeito às outras virtudes. Por outro lado, a justiça concerne as operações e as coisas externas, onde estabelecer a igualdade é uma coisa, e não perturbar a igualdade estabelecida é outra. Resposta à objeção 2: Afastar-se do mal, considerado como parte da justiça, não denota uma pura negação, isto é, «não fazer o mal»; pois isso não merece a palma, mas apenas evita a pena. Mas implica um movimento da vontade em repudiar o mal, como o próprio termo «afastar-se» mostra. Isso é meritório; especialmente quando a pessoa resiste a uma instigação para fazer o mal. Resposta à objeção 3: Fazer o bem é o ato completivo da justiça, e a parte principal, por assim dizer, dela. Afastar-se do mal é um ato mais imperfeito, e uma parte secundária daquela virtude. Por isso é como que uma parte material da mesma, e uma condição necessária da parte formal e completiva.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether to decline from evil and to do good are parts of justice? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que os dez preceitos do decálogo não estão dispostos na ordem própria. Porque o amor do próximo é aparentemente anterior ao amor de Deus, visto que o próximo nos é mais conhecido do que Deus; segundo 1 Jo 4,20: “Quem não ama a seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?” Ora, os três primeiros preceitos pertencem ao amor de Deus, enquanto os outros sete se referem ao amor do próximo. Portanto, os preceitos do decálogo não estão dispostos na ordem própria. Objeção 2: Além disso, os atos de virtude são prescritos pelos preceitos afirmativos, e os atos de vício são proibidos pelos preceitos negativos. Mas, segundo Boécio em seu comentário às Categorias [Lib. iv, cap. De Oppos.], os vícios devem ser erradicados antes que as virtudes sejam semeadas. Logo, entre os preceitos concernentes ao próximo, os preceitos negativos deveriam ter precedido os afirmativos. Objeção 3: Ademais, os preceitos da Lei dizem respeito às ações dos homens. Ora, as ações do pensamento precedem as ações da palavra ou do ato exterior. Portanto, os preceitos sobre não cobiçar, que dizem respeito aos pensamentos, são inadequadamente colocados por último na ordem. Em contrário, o Apóstolo diz (Rm 13,1): “As coisas que são de Deus são bem ordenadas” [Vulg.: “As que existem são ordenadas por Deus”]. Mas os preceitos do decálogo foram dados imediatamente por Deus, como se disse acima (A[3]). Logo, estão dispostos em ordem conveniente. Respondo que, como se disse acima (AA[3],5, ad 1), os preceitos do decálogo são tais que a mente humana está pronta a apreender imediatamente. Ora, é evidente que uma coisa é tanto mais facilmente apreendida pela razão quanto o seu contrário é mais grave e repugnante à razão. Além disso, é claro que, visto que a ordem da razão começa pelo fim, que o homem esteja desordenadamente disposto para com o seu fim é sumamente contrário à razão. Ora, o fim da vida e da sociedade humana é Deus. Consequentemente, foi necessário que os preceitos do decálogo, antes de tudo, dirigissem o homem a Deus; pois o contrário disto é gravíssimo. Assim também, num exército, que se ordena ao comandante como ao seu fim, é necessário primeiro que o soldado esteja sujeito ao comandante, e o oposto disto é gravíssimo; em segundo lugar, é necessário que esteja em coordenação com os outros soldados. Ora, entre aquelas coisas pelas quais somos ordenados a Deus, a primeira é que o homem esteja sujeito a Ele fielmente, não tendo nada em comum com os Seus inimigos. A segunda é que Lhe preste reverência; a terceira, que Lhe preste serviço. Assim, num exército, é maior pecado que um soldado aja traiçoeiramente e faça pacto com o inimigo, do que seja insolente para com o seu comandante; e este último é mais grave do que se ele falte em algum ponto do serviço que lhe é devido. Quanto aos preceitos que dirigem o homem no seu comportamento para com o próximo, é evidente que é mais repugnante à razão, e um pecado mais grave, se o homem não observar a devida ordem para com aquelas pessoas a quem está mais obrigado. Consequentemente, entre aqueles preceitos que dirigem o homem nas suas relações com o próximo, o primeiro lugar é dado ao que diz respeito aos seus pais. Entre os outros preceitos, encontramos novamente a ordem segundo a gravidade do pecado. Pois é mais grave e mais repugnante à razão pecar por obra do que por palavra; e por palavra do que por pensamento. E entre os pecados de obra, o homicídio, que destrói a vida de alguém já vivente, é mais grave que o adultério, que põe em perigo a vida do nascituro; e o adultério é mais grave que o furto, que se refere a bens exteriores. Resposta à Objeção 1: Embora o nosso próximo seja mais conhecido do que Deus pela via dos sentidos, contudo o amor de Deus é a razão do amor do próximo, como se declarará adiante (SS, Q[25], A[1]; SS, Q[26], A[2]). Por isso, os preceitos que ordenam o homem a Deus exigiram precedência sobre os outros. Resposta à Objeção 2: Assim como Deus é o princípio universal do ser em relação a todas as coisas, assim o pai é princípio do ser em relação ao seu filho. Portanto, o preceito acerca dos pais foi convenientemente colocado depois dos preceitos acerca de Deus. Este argumento vale no que diz respeito aos preceitos afirmativos e negativos sobre o mesmo tipo de ação: embora mesmo então não seja inteiramente convincente. Pois, embora na ordem da execução os vícios devam ser arrancados antes que as virtudes sejam semeadas, conforme Sl 33,15: “Aparta-te do mal e faze o bem”, e Is 1,16-17: “Cessai de fazer perversamente; aprendei a fazer o bem”; contudo, na ordem do conhecimento, a virtude precede o vício, porque “a linha torta é conhecida pela reta” (De Anima i); e “pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3,20). Por isso, o preceito afirmativo exigia o primeiro lugar. No entanto, esta não é a razão da ordem, mas aquela que foi dada acima. Porque nos preceitos acerca de Deus, que pertencem à primeira tábua, um preceito afirmativo é colocado em último lugar, pois sua transgressão implica um pecado menos grave. Resposta à Objeção 3: Embora o pecado de pensamento esteja em primeiro lugar na ordem da execução, contudo a sua proibição ocupa uma posição posterior na ordem da razão.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether the ten precepts of the decalogue are set in proper order? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a infusão da graça não é o que naturalmente se requer primeiro para a justificação do ímpio. Pois nos afastamos do mal antes de nos aproximarmos do bem, segundo o Salmo 33,15: «Aparta-te do mal, e faze o bem». Ora, a remissão dos pecados diz respeito ao afastamento do mal, e a infusão da graça diz respeito à aproximação ao bem. Logo, a remissão do pecado é naturalmente antes da infusão da graça. Objeção 2: Ademais, a disposição precede naturalmente a forma à qual dispõe. Ora, o movimento do livre arbítrio é uma disposição para a recepção da graça. Portanto, precede naturalmente a infusão da graça. Objeção 3: Ademais, o pecado impede a alma de tender livremente a Deus. Ora, um impedimento ao movimento deve ser removido antes que o movimento se realize. Logo, a remissão do pecado e o movimento do livre arbítrio contra o pecado são naturalmente antes da infusão da graça. Ao contrário, a causa é naturalmente anterior ao seu efeito. Ora, a infusão da graça é a causa de tudo o que é requerido para a justificação do ímpio, como se disse acima (A[7]). Logo, é naturalmente anterior a ela. Respondo que as quatro coisas supracitadas requeridas para a justificação do ímpio são simultâneas no tempo, pois a justificação do ímpio não é sucessiva, como se disse acima (A[7]); mas na ordem da natureza, uma é anterior à outra; e na sua ordem natural a primeira é a infusão da graça; a segunda, o movimento do livre arbítrio para Deus; a terceira, o movimento do livre arbítrio contra o pecado; a quarta, a remissão do pecado. A razão disto é que em todo movimento, o movimento do motor é naturalmente primeiro; a disposição da matéria, ou o movimento do movido, é segundo; o fim ou termo do movimento no qual o movimento do motor repousa é último. Ora, o movimento de Deus Motor é a infusão da graça, como se disse acima (A[6]); o movimento ou disposição do movido é o duplo movimento do livre arbítrio; e o termo ou fim do movimento é a remissão do pecado, como se disse acima (A[6]). Logo, na sua ordem natural, o primeiro na justificação do ímpio é a infusão da graça; o segundo é o movimento do livre arbítrio para Deus; o terceiro é o movimento do livre arbítrio contra o pecado, pois aquele que está sendo justificado detesta o pecado porque é contra Deus, e assim o movimento do livre arbítrio para Deus precede naturalmente o movimento do livre arbítrio contra o pecado, uma vez que é sua causa e razão; o quarto e último é a remissão do pecado, à qual esta transmutação é ordenada como a um fim, como se disse acima (AA[1],6). Resposta à Objeção 1: O afastamento de um termo e a aproximação a outro podem ser considerados de dois modos: primeiro, da parte da coisa movida, e assim o afastamento de um termo precede naturalmente a aproximação a um termo, pois no sujeito do movimento o contrário que é removido é anterior ao contrário que o sujeito movido alcança pelo seu movimento. Mas da parte do agente dá-se o contrário, pois o agente, pela forma preexistente nele, age para a remoção da forma oposta; como o sol, pela sua luz, age para a remoção das trevas, e portanto da parte do sol, a iluminação é anterior à remoção das trevas; mas da parte da atmosfera a ser iluminada, ser liberta das trevas é, na ordem da natureza, anterior a ser iluminada, embora ambas sejam simultâneas no tempo. E como a infusão da graça e a remissão do pecado dizem respeito a Deus que justifica, logo na ordem da natureza a infusão da graça é anterior à libertação do pecado. Mas se olharmos para o que é da parte do homem justificado, dá-se o contrário, pois na ordem da natureza, ser liberto do pecado é anterior à obtenção da graça justificante. Ou pode-se dizer que o termo "de onde" da justificação é o pecado; e o termo "para onde" é a justiça; e que a graça é a causa do perdão do pecado e da obtenção da justiça. Resposta à Objeção 2: A disposição do sujeito precede a recepção da forma, na ordem da natureza; contudo, segue a ação do agente, pela qual o sujeito é disposto. E portanto o movimento do livre arbítrio precede a recepção da graça na ordem da natureza, e segue a infusão da graça. Resposta à Objeção 3: Como diz o Filósofo (Fís. ii, 9), nos movimentos da alma, o movimento para o princípio especulativo ou o fim prático é o primeiro de todos, mas nos movimentos exteriores, a remoção do impedimento precede a consecução do fim. E como o movimento do livre arbítrio é um movimento da alma, na ordem da natureza move-se para Deus como seu fim, antes de remover o impedimento do pecado.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 8 - Whether the infusion of grace is naturally the first of the things required for the justification of the ungodly? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que os dez mandamentos do decálogo não estão dispostos na ordem própria. Porque o amor do próximo é aparentemente anterior ao amor de Deus, pois o próximo nos é mais conhecido que Deus, segundo 1 Jo 4,20: "Quem não ama a seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?" Ora, os três primeiros mandamentos pertencem ao amor de Deus, e os outros sete ao amor do próximo. Portanto, os mandamentos do decálogo não estão dispostos na ordem própria. **Objeção 2:** Além disso, os atos de virtude são prescritos pelos mandamentos afirmativos, e os atos de vício são proibidos pelos mandamentos negativos. Mas, segundo Boécio em seu comentário sobre as Categorias [*Liv. iv, cap. De Oppos.], os vícios devem ser arrancados antes que as virtudes sejam semeadas. Logo, entre os mandamentos que dizem respeito ao próximo, os mandamentos negativos deveriam ter precedido os afirmativos. **Objeção 3:** Além disso, os mandamentos da Lei versam sobre as ações dos homens. Ora, as ações do pensamento precedem as ações de palavra ou de fato externo. Portanto, os mandamentos sobre não cobiçar, que dizem respeito aos pensamentos, são inconvenientemente colocados por último na ordem. **Em contrário,** o Apóstolo diz (Rm 13,1): "As coisas que são de Deus são bem ordenadas" [Vulg.: "As que existem, por Deus foram ordenadas"]. Ora, os mandamentos do decálogo foram dados imediatamente por Deus, como foi dito acima (A[3]). Logo, estão dispostos na ordem conveniente. **Respondo:** Como foi dito acima (AA[3],5, ad 1), os mandamentos do decálogo são tais que a mente humana está pronta para apreendê-los imediatamente. Ora, é evidente que uma coisa é tanto mais facilmente apreendida pela razão quanto mais o seu contrário é grave e repugnante à razão. Além disso, é claro, visto que a ordem da razão começa pelo fim, que, para um homem, estar desordenadamente disposto para com o seu fim é sumamente contrário à razão. Ora, o fim da vida humana e da sociedade é Deus. Consequentemente, foi necessário que os mandamentos do decálogo, primeiramente, dirigissem o homem a Deus, pois o contrário disso é o mais grave. Assim também, num exército, que está ordenado ao comandante como ao seu fim, é necessário primeiro que o soldado esteja sujeito ao comandante, e o oposto disso é o mais grave; e, em segundo lugar, é necessário que esteja em coordenação com os outros soldados. Ora, entre as coisas pelas quais somos ordenados a Deus, a primeira é que o homem Lhe esteja sujeito fielmente, não tendo nada em comum com Seus inimigos. A segunda é que lhe preste reverência; a terceira, que Lhe ofereça serviço. Assim, num exército, é pecado maior para um soldado agir traiçoeiramente e fazer acordo com o inimigo do que ser insolente para com o seu comandante; e este último é mais grave do que se for achado faltoso em algum ponto do serviço a ele. Quanto aos mandamentos que dirigem o homem em seu comportamento para com o próximo, é evidente que é mais repugnante à razão, e pecado mais grave, se o homem não observar a devida ordem para com aquelas pessoas para com as quais é mais devedor. Consequentemente, entre os mandamentos que dirigem o homem em suas relações para com o próximo, o primeiro lugar é dado àquele que diz respeito a seus pais. Entre os outros mandamentos, encontramos novamente a ordem segundo a gravidade do pecado. Porque é mais grave e mais repugnante à razão pecar por ação do que por palavra, e por palavra do que por pensamento. E entre os pecados de ação, o homicídio, que destrói a vida de alguém já vivente, é mais grave do que o adultério, que põe em perigo a vida do filho ainda não nascido; e o adultério é mais grave do que o furto, que diz respeito aos bens externos. **Resposta à Objeção 1:** Embora o próximo nos seja mais conhecido que Deus pela via dos sentidos, contudo o amor de Deus é a razão do amor do próximo, como será declarado adiante (SS, Q[25], A[1]; SS, Q[26], A[2]). Por isso, os mandamentos que ordenam o homem a Deus exigiram precedência sobre os outros. **Resposta à Objeção 2:** Assim como Deus é o princípio universal do ser em relação a todas as coisas, assim o pai é um princípio do ser em relação a seu filho. Portanto, o mandamento acerca dos pais foi convenientemente colocado após os mandamentos acerca de Deus. Este argumento vale em relação aos mandamentos afirmativos e negativos sobre o mesmo tipo de ação, embora mesmo então não seja totalmente convincente. Porque, embora na ordem da execução os vícios devam ser arrancados antes que as virtudes sejam semeadas, segundo o Sl 33,15: "Aparta-te do mal, e faze o bem", e Is 1,16-17: "Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem"; contudo, na ordem do conhecimento, a virtude precede o vício, porque "a linha torta é conhecida pela reta" (De Anima i), e "pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm 3,20). Por isso, o mandamento afirmativo exigiu o primeiro lugar. Todavia, esta não é a razão da ordem, mas sim a que foi dada acima. Porque nos mandamentos acerca de Deus, que pertencem à primeira tábua, um mandamento afirmativo é colocado por último, visto que sua transgressão implica pecado menos grave. **Resposta à Objeção 3:** Embora o pecado de pensamento esteja em primeiro lugar na ordem da execução, contudo sua proibição ocupa posição posterior na ordem da razão.

Summa Theologiae — First Part · Article. 6 - Whether the ten precepts of the decalogue are set in proper order? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a infusão da graça não é, por natureza, a primeira entre as coisas requeridas para a justificação do ímpio. Pois afastamo-nos do mal antes de nos aproximarmos do bem, segundo o Salmo 33,15: «Desvia-te do mal, e faze o bem». Ora, a remissão dos pecados diz respeito ao afastamento do mal, e a infusão da graça diz respeito à aproximação do bem. Logo, a remissão do pecado é, por natureza, anterior à infusão da graça. Objeção 2: Ademais, a disposição precede naturalmente a forma à qual dispõe. Ora, o movimento do livre-arbítrio é uma disposição para a recepção da graça. Logo, precede naturalmente a infusão da graça. Objeção 3: Ademais, o pecado impede a alma de tender livremente para Deus. Ora, um impedimento ao movimento deve ser removido antes que o movimento ocorra. Logo, a remissão do pecado e o movimento do livre-arbítrio para com Deus são, por natureza, anteriores à infusão da graça. Em contrário, a causa é naturalmente anterior ao seu efeito. Ora, a infusão da graça é a causa de tudo o que é requerido para a justificação do ímpio, como se afirmou acima (A[7]). Logo, é naturalmente anterior a ela. Respondo que as quatro coisas acima mencionadas, requeridas para a justificação do ímpio, são simultâneas no tempo, pois a justificação do ímpio não é sucessiva, como se disse acima (A[7]); mas, na ordem da natureza, uma é anterior à outra; e, em sua ordem natural, a primeira é a infusão da graça; a segunda, o movimento do livre-arbítrio para Deus; a terceira, o movimento do livre-arbítrio contra o pecado; a quarta, a remissão do pecado. A razão disto é que, em todo movimento, o movimento do motor é naturalmente primeiro; a disposição da matéria, ou o movimento do movido, é segundo; o fim ou termo do movimento, no qual o movimento do motor repousa, é último. Ora, o movimento de Deus Motor é a infusão da graça, como se afirmou acima (A[6]); o movimento ou disposição do movido é o duplo movimento do livre-arbítrio; e o termo ou fim do movimento é a remissão do pecado, como se disse acima (A[6]). Logo, na sua ordem natural, o primeiro na justificação do ímpio é a infusão da graça; o segundo é o movimento do livre-arbítrio para Deus; o terceiro é o movimento do livre-arbítrio contra o pecado, pois aquele que está sendo justificado detesta o pecado por ser contra Deus, e assim o movimento do livre-arbítrio para Deus precede naturalmente o movimento do livre-arbítrio contra o pecado, uma vez que é sua causa e razão; o quarto e último é a remissão do pecado, à qual esta transmutação se ordena como a um fim, como se disse acima (AA[1],6). Resposta à Objeção 1: O afastamento de um termo e a aproximação de outro podem ser considerados de duas maneiras: primeiro, da parte da coisa movida, e assim o afastamento de um termo precede naturalmente a aproximação a um termo, pois, no sujeito do movimento, o contrário que é removido é anterior ao contrário que o sujeito movido alcança pelo seu movimento. Mas, da parte do agente, dá-se o contrário, pois o agente, pela forma nele preexistente, atua para a remoção da forma oposta; assim como o sol, pela sua luz, atua para a remoção das trevas, e, portanto, da parte do sol, a iluminação é anterior à remoção das trevas; mas, da parte da atmosfera a ser iluminada, ser libertada das trevas é, na ordem da natureza, anterior a ser iluminada, embora ambas sejam simultâneas no tempo. E, visto que a infusão da graça e a remissão do pecado dizem respeito a Deus, que justifica, logo, na ordem da natureza, a infusão da graça é anterior à libertação do pecado. Mas, se considerarmos o que é da parte do homem justificado, dá-se o contrário, pois, na ordem da natureza, ser libertado do pecado é anterior à obtenção da graça justificante. Ou pode-se dizer que o termo «de onde» da justificação é o pecado; e o termo «para onde» é a justiça; e que a graça é a causa do perdão do pecado e da obtenção da justiça. Resposta à Objeção 2: A disposição do sujeito precede a recepção da forma, na ordem da natureza; contudo, segue a ação do agente, pela qual o sujeito é disposto. E, portanto, o movimento do livre-arbítrio precede a recepção da graça na ordem da natureza, e segue a infusão da graça. Resposta à Objeção 3: Como diz o Filósofo (Física II, 9), nos movimentos da alma, o movimento em direção ao princípio especulativo ou ao fim prático é o primeiro; mas, nos movimentos exteriores, a remoção do impedimento precede a consecução do fim. E, como o movimento do livre-arbítrio é um movimento da alma, na ordem da natureza move-se para Deus como para o seu fim, antes de remover o impedimento do pecado.

Summa Theologiae — First Part · Article. 8 - Whether the infusion of grace is naturally the first of the things required for the justification of the ungodly? · séc. XIII

tradução automática