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Sl 34, 13

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Matos Soares

13Porém eu, quando eles estavam doentes, vestia-me de cilício, afligia a minha alma com o jejum e derramava preces dentro de mim.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que as esmolas corporais são de maior conta que as esmolas espirituais. Porque é mais louvável dar esmola a quem está em maior necessidade, pois a ação esmolar é de louvar porque socorre a quem está em necessidade. Ora, o corpo que é socorrido pelas esmolas corporais é por natureza mais necessitado do que o espírito que é socorrido pelas esmolas espirituais. Logo, as esmolas corporais são de maior conta. Objeção 2: Ademais, uma esmola é menos louvável e meritória se a bondade é compensada, pelo que Nosso Senhor diz (Lc 14,12): "Quando fizeres um jantar ou uma ceia, não chames os teus vizinhos que são ricos, para que não suceda que também eles te convidem outra vez." Ora, há sempre compensação nas esmolas espirituais, pois quem ora por outrem lucra com isso, conforme o Sl 34,13: "Minha oração se converterá no meu seio"; e quem ensina a outrem progride no conhecimento, o que não se pode dizer das esmolas corporais. Logo, as esmolas corporais são de maior conta que as esmolas espirituais. Objeção 3: Ademais, uma esmola é de louvar se o necessitado é por ela consolado; pelo que está escrito (Jó 31,20): "Se os seus lombos não me abençoaram", e o Apóstolo diz a Filêmon (v. 7): "As entranhas dos santos foram refrigeradas por ti, irmão." Ora, uma esmola corporal é por vezes mais bem recebida por um necessitado do que uma esmola espiritual. Logo, as esmolas corporais são de maior conta que as esmolas espirituais. Ao contrário, Agostinho diz (De Serm. Dom. in Monte, i, 20) sobre as palavras "Dá a quem te pedir" (Mt 5,42): "Deves dar de modo a não prejudicar nem a ti nem a outrem, e quando recusares o que outrem pede, não deves perder de vista as exigências da justiça, e despedi-lo vazio; às vezes, de fato, darás o que é melhor do que o que é pedido, se repreenderes aquele que pede injustamente." Ora, a repreensão é uma esmola espiritual. Logo, as esmolas espirituais são preferíveis às esmolas corporais. Respondo que há duas maneiras de comparar estas esmolas. Primeiro, simplesmente; e sob este aspecto, as esmolas espirituais ocupam o primeiro lugar, por três razões. Primeiro, porque a oferta é mais excelente, visto que é um dom espiritual, que supera um dom corporal, conforme Pr 4,2: "Dar-vos-ei um bom dom, não abandoneis a Minha Lei." Segundo, por causa do objeto socorrido, porque o espírito é mais excelente que o corpo, pelo que, assim como o homem, ao cuidar de si mesmo, deve cuidar mais da sua alma que do seu corpo, assim também deve fazer ao cuidar do seu próximo, a quem deve amar como a si mesmo. Terceiro, quanto aos próprios atos pelos quais o próximo é socorrido, porque os atos espirituais são mais excelentes que os atos corporais, que são, de certo modo, servis. Segundo, podemos compará-las com respeito a algum caso particular, quando alguma esmola corporal excede alguma esmola espiritual: por exemplo, um homem faminto deve ser alimentado antes que instruído, e como observa o Filósofo (Topic. iii, 2), para um necessitado "o dinheiro é melhor que a filosofia", embora esta seja melhor simplesmente. Resposta à objeção 1: É melhor dar a quem está em maior necessidade, sendo as demais coisas iguais; mas se aquele que é menos necessitado é melhor, e necessita de coisas melhores, é melhor dar a ele; e é assim no caso em questão. Resposta à objeção 2: A compensação não diminui o mérito e o louvor se não for intencionada, assim como a glória humana, se não intencionada, não diminui a virtude. Assim, Salústio diz de Catão (Catilinária), que "quanto menos buscava a fama, tanto mais se tornava famoso"; e assim é com as esmolas espirituais. Contudo, a intenção de obter bens espirituais não diminui o mérito, como a intenção de obter bens corporais. Resposta à objeção 3: O mérito do esmoler depende daquilo em que a vontade do recipiente repousa razoavelmente, e não daquilo em que repousa quando é desordenada.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether corporal alms are of more account than spiritual alms? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não devemos orar pelos outros. Na oração, devemos conformar-nos ao modelo dado por nosso Senhor. Ora, na Oração do Senhor fazemos petições por nós mesmos, não por outros; assim dizemos: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje", etc. Portanto, não devemos orar pelos outros. **Objeção 2:** Ademais, a oração é oferecida para ser ouvida. Ora, uma das condições exigidas para que a oração seja ouvida é que se ore por si mesmo; donde Agostinho, comentando Jo 16,23: "Se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, ele vo-la dará", diz (Trat. cii): "Cada um é ouvido quando ora por si mesmo, não quando ora por todos; por isso Ele não diz simplesmente 'dar-vos-á', mas 'dar-vos-á a vós'." Logo, parece que não devemos orar pelos outros, mas apenas por nós mesmos. **Objeção 3:** Ademais, é-nos proibido orar pelos outros se estes são ímpios, conforme Jr 7,16: "Não rogues, pois, por este povo... e não me contradigas, porque não te ouvirei." Por outro lado, não somos obrigados a orar pelos bons, pois eles são ouvidos quando oram por si mesmos. Portanto, parece que não devemos orar pelos outros. **Em contrário,** está escrito (Tg 5,16): "Orai uns pelos outros, para que sejais salvos." **Respondo.** Como foi dito acima (A.6), ao orar devemos pedir o que devemos desejar. Ora, devemos desejar os bens não só para nós, mas também para os outros; pois isto é essencial ao amor que devemos ao próximo, como foi dito acima (Q.25, AA.1.12; Q.27, A.2; Q.31, A.1). Portanto, a caridade exige que oremos pelos outros. Donde Crisóstomo diz (Hom. xiv in Mt.) [*Opus Imperfectum, falsamente atribuído a São João Crisóstomo]: "A necessidade nos obriga a orar por nós mesmos; a caridade fraterna nos insta a orar pelos outros; e a oração que a caridade fraterna oferece é mais doce a Deus do que aquela que procede da necessidade." **Resposta à objeção 1:** Como diz Cipriano (De orat. Dom.), "Dizemos 'Pai nosso' e não 'Pai meu', 'dá-nos' e não 'dá-me', porque o Mestre da unidade não quis que orássemos privadamente, isto é, só por nós mesmos, pois quis que cada um orasse por todos, assim como Ele mesmo carregou a todos em um só." **Resposta à objeção 2:** É condição da oração que se ore por si mesmo: não como se fosse necessário para que a oração seja merecedora, mas como necessário para que a oração não falhe em seu efeito de impetração. Pois às vezes acontece que oramos por outro com piedade e perseverança, e pedimos coisas relativas à sua salvação, e contudo não é concedido por causa de algum obstáculo da parte da pessoa por quem oramos, conforme Jr 15,1: "Se Moisés e Samuel se puserem diante de mim, a minha alma não está com este povo." E, contudo, a oração será merecedora para quem ora assim por caridade, segundo Sl 34,13: "Minha oração se converterá no meu seio, i.e., embora não lhes aproveite, não fico privado da minha recompensa", como expõe a glosa. **Resposta à objeção 3:** Devemos orar até pelos pecadores, para que se convertam, e pelos justos, para que perseverem e cresçam em santidade. Contudo, os que oram são ouvidos não por todos os pecadores, mas por alguns: pois são ouvidos pelos predestinados, mas não pelos que são prescientes para a morte; assim como a correção com que corrigimos os irmãos tem efeito nos predestinados, mas não nos réprobos, conforme Eclo 7,14: "Ninguém pode corrigir a quem Deus desprezou." Por isso está escrito (1 Jo 5,16): "Se alguém vir seu irmão pecar um pecado que não é para a morte, peça, e a vida será dada àquele que não peca para a morte." Ora, assim como o benefício da correção não deve ser negado a ninguém enquanto vive cá embaixo, porque não podemos distinguir os predestinados dos réprobos, como diz Agostinho (De Correp. et Grat. xv), assim também a ninguém se deve negar o auxílio da oração. Devemos também orar pelos justos por três razões: Primeiro, porque as orações de uma multidão são mais facilmente ouvidas; donde uma glosa sobre Rm 15,30: "Ajudai-me com vossas orações", diz: "O Apóstolo manda com razão os irmãos menores orarem por ele, pois muitos menores, se estiverem unidos em um mesmo espírito, tornam-se grandes, e é impossível que as orações de uma multidão não obtenham" aquilo que é possível obter pela oração. Segundo, para que muitos deem graças a Deus pelas graças concedidas aos justos, as quais graças contribuem para o proveito de muitos, conforme o Apóstolo (2 Cor 1,11). Terceiro, para que os mais perfeitos não se ensoberbeçam, vendo que necessitam das orações dos menos perfeitos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether we ought to pray for others? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a oração não é meritória. Todo mérito procede da graça. Ora, a oração precede a graça, visto que até a graça se obtém por meio da oração, segundo Lc 11,13: «Quanto mais vosso Pai do céu dará o Espírito bom aos que Lho pedirem?» Logo, a oração não é um ato meritório. Objeção 2: Além disso, se a oração merece alguma coisa, isto parece ser principalmente aquilo que se pede na oração. Contudo, nem sempre o merece, porque até as orações dos santos muitas vezes não são ouvidas; assim, Paulo não foi ouvido quando suplicou que o aguilhão da carne lhe fosse removido. Logo, a oração não é um ato meritório. Objeção 3: Além disso, a oração fundamenta-se principalmente na fé, segundo Tg 1,6: «Peça, porém, com fé, não vacilando.» Ora, a fé não é suficiente para o mérito, como se vê naqueles que têm fé morta. Logo, a oração não é um ato meritório. Ao contrário, uma glosa sobre as palavras do Sl 34,13: «Minha oração se tornará no meu seio», as explica como significando: «se minha oração não lhes aproveitar, contudo não serei privado de minha recompensa.» Ora, a recompensa não é devida senão ao mérito. Logo, a oração é meritória. Respondo que, como foi dito acima (A[13]), a oração, além de causar consolação espiritual no momento de orar, tem uma dupla eficácia quanto a um efeito futuro, a saber, eficácia em merecer e eficácia em impetrar. Ora, a oração, como qualquer outro ato virtuoso, é eficaz em merecer porque procede da caridade como sua raiz, cujo objeto próprio é o bem eterno que merecemos fruir. Contudo, a oração procede da caridade por meio da religião, da qual a oração é um ato, como foi dito acima (A[3]), e com o concurso de outras virtudes necessárias para a bondade da oração, a saber, a humildade e a fé. Pois a própria oferta da oração a Deus pertence à religião, enquanto o desejo de que se realize aquilo que pedimos pertence à caridade. A fé é necessária em referência a Deus a quem oramos, isto é, precisamos crer que podemos obter dEle o que buscamos. A humildade é necessária da parte de quem ora, porque reconhece sua necessidade. A devoção também é necessária, mas esta pertence à religião, pois é seu primeiro ato e condição necessária de todos os seus atos secundários, como foi dito acima (Q[82], AA[1],2). Quanto à sua eficácia em impetrar, a oração a deriva da graça de Deus a quem oramos, e que nos instiga a orar. Por isso Agostinho diz (De Verb. Dom. Serm. cv, 1): «Não nos exortaria a pedir, se não estivesse disposto a dar»; e Crisóstomo [*Cf. Catena Aurea de S. Tomás sobre Lc 18. As palavras citadas não se encontram nas palavras de Crisóstomo] diz: «Nunca recusa conceder nossas orações, pois em sua benignidade nos exortou a não desfalecer na oração.» Resposta à primeira objeção: Nem a oração nem qualquer outro ato virtuoso é meritório sem a graça santificante. E, no entanto, até mesmo aquela oração que impetra a graça santificante procede de alguma graça, como de um dom gratuito, pois o próprio ato de orar é «um dom de Deus», como afirma Agostinho (De Persever. xxiii). Resposta à segunda objeção: Às vezes, o mérito da oração diz respeito principalmente a algo distinto do objeto da petição. Pois o objeto principal do mérito é a bem-aventurança, enquanto o objeto direto da petição da oração se estende algumas vezes a certas outras coisas, como foi dito acima (AA[6],7). Por conseguinte, se essa outra coisa que pedimos para nós não for útil para a nossa bem-aventurança, não a merecemos; e, às vezes, ao pedir e desejar tais coisas, perdemos o mérito, por exemplo, se pedirmos a Deus a realização de algum pecado, o que seria uma oração ímpia. E, às vezes, não é necessário para a salvação, nem manifestamente contrário a ela; e então, embora aquele que ora possa merecer a vida eterna pela oração, contudo não merece obter o que pede. Por isso Agostinho diz (Liber. Sentent. Prosperi sent. ccxii): «Aquele que fielmente ora a Deus pelas necessidades desta vida, é tanto ouvido com misericórdia, como não ouvido com misericórdia. Pois o médico sabe melhor do que o doente o que é bom para a doença.» Por esta razão, também Paulo não foi ouvido quando orou pela remoção do aguilhão da sua carne, porque isto não era conveniente. Se, porém, pedimos algo que é útil para a nossa bem-aventurança, por ser conducente à salvação, merecemo-lo não só orando, mas também praticando outras boas obras; portanto, sem dúvida alguma, recebemos o que pedimos, contudo quando o devemos receber: «pois certas coisas não nos são negadas, mas são adiadas para que sejam concedidas em tempo oportuno», segundo Agostinho (Tract. cii in Joan.); e ainda isto pode ser impedido se não perseverarmos em pedi-lo. Pelo que Basílio diz (De Constit. Monast. i): «A razão por que às vezes pediste e não recebeste é porque pediste mal, ou inconstantemente, ou levianamente, ou porque pediste o que não era bom para ti, ou porque cessaste de pedir.» Visto, porém, que um homem não pode merecer condignamente a vida eterna para outro, como foi dito acima (FS, Q[114], A[6]), segue-se que, às vezes, não se pode merecer condignamente para outro as coisas que pertencem à vida eterna. Por esta razão, nem sempre somos ouvidos quando oramos por outros, como foi dito acima (A[7], ad 2,3). Daí que se estabelecem quatro condições, a saber: pedir — por nós mesmos — coisas necessárias à salvação — piamente — perseverantemente; quando todas estas quatro concorrem, sempre obtemos o que pedimos. Resposta à terceira objeção: A oração depende principalmente da fé, não quanto à sua eficácia em merecer, porque assim depende principalmente da caridade, mas quanto à sua eficácia em impetrar, porque é pela fé que o homem chega a conhecer a onipotência e a misericórdia de Deus, que são a fonte da qual a oração impetra o que pede.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 15 - Whether prayer is meritorious? · séc. XIII

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