Referência

Sl 38, 4

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Matos Soares

4O meu coração inflamou-se dentro de mim; no decorrer da minha reflexão, um fogo se ateou

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Trechos em que este versículo aparece citado dentro de outro argumento patrístico.

São Jerônimo

Que o fardo do pecado é pesado, testemunha-o o Profeta Zacarias, dizendo que a impiedade se assenta sobre um talento de chumbo. E o Salmista o confirma: «As vossas iniquidades pesaram sobre mim.»

séc. V

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que não convém ao Filho ser enviado invisivelmente. Porque a missão invisível da pessoa divina é segundo o dom da graça. Mas todos os dons da graça pertencem ao Espírito Santo, segundo 1 Cor. 12,11: “Um só e o mesmo Espírito obra todas estas coisas”. Logo, só o Espírito Santo é enviado invisivelmente. **Objeção 2:** Ademais, a missão da pessoa divina é segundo a graça santificante. Ora, os dons pertencentes à perfeição do intelecto não são dons da graça santificante, pois podem ter-se sem o dom da caridade, segundo 1 Cor. 13,2: “Ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de modo que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada sou”. Logo, sendo o Filho o Verbo que procede do intelecto, parece que não Lhe convém ser enviado invisivelmente. **Objeção 3:** Ademais, a missão da pessoa divina é uma processão, como se explicou acima (AA[1],4). Ora, a processão do Filho e do Espírito Santo difere entre si. Logo, são missões distintas se ambos são enviados; e então uma delas seria supérflua, pois bastaria uma para a santificação da criatura. **Em contrário,** diz-se da Sabedoria divina (Sab. 9,10): “Envia-a desde o céu para os Vossos Santos, e desde o trono da Vossa grandeza”. **Respondo que:** Toda a Trindade habita na mente pela graça santificante, segundo Jo. 14,23: “Viremos a ele, e faremos nele morada”. Mas que uma pessoa divina seja enviada a alguém pela graça invisível significa tanto que essa pessoa habita de modo novo nele, como que tem origem de outro. Portanto, como ao Filho e ao Espírito Santo compete habitar na alma pela graça e ser de outro, compete a ambos serem enviados invisivelmente. Quanto ao Pai, embora habite em nós pela graça, não Lhe compete ser de outro e, por conseguinte, não é enviado. **Resposta à objeção 1:** Ainda que todos os dons, como tais, sejam atribuídos ao Espírito Santo, por ser Ele por sua natureza o Dom primeiro, pois que é Amor, como se disse acima (Q[38], A[1]), alguns dons, todavia, por sua particular natureza, são apropriados de certo modo ao Filho, aqueles, a saber, que pertencem ao intelecto, e em respeito aos quais falamos da missão do Filho. Donde Agostinho dizer (De Trin. IV, 20) que “o Filho é enviado a alguém invisivelmente sempre que é conhecido e percebido por alguém”. **Resposta à objeção 2:** A alma torna-se semelhante a Deus pela graça. Por isso, para que uma pessoa divina seja enviada a alguém pela graça, é necessário que haja uma assemelhação da alma à pessoa divina que é enviada, por algum dom da graça. Porque o Espírito Santo é Amor, a alma assemelha-se ao Espírito Santo pelo dom da caridade: por isso a missão do Espírito Santo é segundo o modo da caridade. Ao passo que o Filho é o Verbo, não um Verbo qualquer, mas Aquele que inspira Amor. Donde Agostinho dizer (De Trin. IX, 10): “O Verbo de que falamos é o conhecimento com amor”. Assim, o Filho não é enviado segundo toda e qualquer perfeição intelectual, mas segundo a iluminação intelectual, que irrompe no afeto de amor, como está dito (Jo. 6,45): “Todo aquele que ouviu do Pai e aprendeu, vem a Mim”, e (Sl. 38,4): “Na minha meditação acender-se-á um fogo”. Por isso Agostinho afirma claramente (De Trin. IV, 20): “O Filho é enviado sempre que é conhecido e percebido por alguém”. Ora, “perceber” implica um conhecimento experimental; e este chama-se propriamente sabedoria, como que uma doce ciência, segundo Eclo. 6,23: “A sabedoria da doutrina é segundo o seu nome”. **Resposta à objeção 3:** Visto que a missão implica a origem da pessoa que é enviada e a sua habitação pela graça, como se explicou acima (A[1]), se falarmos da missão segundo a origem, neste sentido a missão do Filho distingue-se da missão do Espírito Santo, como a geração se distingue da processão. Se considerarmos a missão quanto ao efeito da graça, neste sentido as duas missões unem-se na raiz que é a graça, mas distinguem-se nos efeitos da graça, que consistem na iluminação do intelecto e no acendimento da afeição. Assim, é manifesto que uma missão não pode ser sem a outra, porque nenhuma delas se dá sem a graça santificante, nem uma pessoa é separada da outra.

Summa Theologiae — First Part · Article. 5 - Whether it is fitting for the Son to be sent invisibly? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a contemplação ou meditação não é a causa da devoção. Nenhuma causa impede o seu efeito. Ora, considerações sutis sobre matérias abstratas frequentemente são um impedimento para a devoção. Logo, a contemplação ou meditação não é a causa da devoção. Objeção 2: Ademais, se a contemplação fosse a causa própria e essencial da devoção, os objetos mais elevados de contemplação despertariam maior devoção. Mas dá-se o contrário: pois frequentemente somos levados a uma maior devoção considerando a Paixão de Cristo e outros mistérios da Sua humanidade do que considerando a grandeza da Sua Divindade. Logo, a contemplação não é a causa própria da devoção. Objeção 3: Ademais, se a contemplação fosse a causa própria da devoção, seguir-se-ia que aqueles que são mais aptos para a contemplação são também os mais aptos para a devoção. Contudo, observa-se o contrário, pois a devoção se encontra frequentemente em homens de simplicidade e em pessoas do sexo feminino, que são deficientes na contemplação. Logo, a contemplação não é a causa própria da devoção. Em contrário, está escrito (Sl 38,4): «No meu meditar se acenderá um fogo». Ora, o fogo espiritual causa a devoção. Logo, a meditação é a causa da devoção. Respondo que a causa extrínseca e principal da devoção é Deus, de Quem Ambrósio, comentando Lc 9,55, diz que «Deus chama a quem Se digna chamar, e a quem quer torna religioso; os samaritanos profanos, se Ele quisesse, teria tornado devotos». Mas a causa intrínseca de nossa parte é necessariamente a meditação ou contemplação. Pois foi dito acima (A[1]) que a devoção é um ato da vontade pelo qual o homem se entrega prontamente ao serviço de Deus. Ora, todo ato da vontade procede de alguma consideração, uma vez que o objeto da vontade é um bem entendido. Por isso Agostinho diz (De Trin. IX, 12; XV, 23) que «a vontade nasce da inteligência». Consequentemente, a meditação deve ser necessariamente a causa da devoção, na medida em que, pela meditação, o homem concebe o pensamento de se entregar ao serviço de Deus. Na verdade, uma dupla consideração o leva a isso. Uma é a consideração da bondade e benignidade de Deus, segundo Sl 72,28: «Bom é para mim aderir a meu Deus, pôr no Senhor Deus a minha esperança»; e esta consideração desperta o amor [*'Dilectio,' o ato interior da caridade; cf. Q[27]] que é a causa próxima da devoção. A outra consideração é a das próprias deficiências do homem, pelas quais ele precisa apoiar-se em Deus, segundo Sl 120,1-2: «Levantei os meus olhos para os montes, donde me virá o socorro; o meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra»; e esta consideração exclui a presunção pela qual o homem é impedido de se submeter a Deus, porque se apoia na Sua força. Resposta à objeção 1: A consideração das coisas que são de natureza a despertar o nosso amor [*'Dilectio,' o ato interior da caridade; cf. Q[27]] por Deus causa a devoção; ao passo que a consideração de matérias estranhas que distraem a mente de tais coisas é um impedimento para a devoção. Resposta à objeção 2: As matérias relativas à Divindade são, em si mesmas, o mais forte incentivo ao amor ['dilectio,' o ato interior da caridade; cf. Q[27]] e, consequentemente, à devoção, porque Deus é sumamente amável. Contudo, tal é a fraqueza da mente humana que ela precisa de uma mão-guia, não só para o conhecimento, mas também para o amor das coisas divinas, por meio de certos objetos sensíveis que nos são conhecidos. O principal destes é a humanidade de Cristo, segundo as palavras do Prefácio [*Prefácio do Natal]: «para que, conhecendo a Deus visivelmente, sejamos arrebatados ao amor das coisas invisíveis». Por isso as matérias relativas à humanidade de Cristo são o principal incentivo à devoção, conduzindo-nos até lá como uma mão-guia, embora a devoção propriamente dita tenha por objeto as matérias relativas à Divindade. Resposta à objeção 3: A ciência e qualquer outra coisa que conduza à grandeza são para o homem ocasião de autoconfiança, de modo que ele não se entrega totalmente a Deus. Daí resulta que tais coisas por vezes são ocasião de impedimento à devoção; enquanto que nas almas simples e nas mulheres a devoção abunda por se reprimir o orgulho. Se, porém, um homem submeter perfeitamente a Deus a sua ciência ou qualquer outra perfeição, por esse mesmo fato a sua devoção é aumentada.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether contemplation or meditation is the cause of devotion? · séc. XIII

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Sl 38, 4 nos Padres da Igreja | Aurea