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Sl 4, 5

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Matos Soares

5Tremei e não queirais pecar, repensai nos vossos corações, nos vossos aposentos, e emudecei.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a ira não é apenas para com aqueles para com os quais temos uma obrigação de justiça. Pois não há justiça entre o homem e os seres irracionais. E todavia, às vezes alguém se ira com seres irracionais; assim, por ira, um escritor lança fora a sua pena, ou um cavaleiro golpeia o seu cavalo. Logo, a ira não é apenas para com aqueles para com os quais temos uma obrigação de justiça. Objeção 2: Ademais, “não há justiça para consigo mesmo... nem há justiça para com os seus próprios” (Ética V, 6). Mas às vezes um homem se ira consigo mesmo; por exemplo, um penitente, por causa do seu pecado; donde está escrito (Sl 4,5): “Irai-vos e não pequeis.” Logo, a ira não é apenas para com aqueles com os quais se tem relação de justiça. Objeção 3: Ademais, a justiça e a injustiça podem ser de um homem para com toda uma classe, ou toda uma comunidade; por exemplo, quando o Estado injuria um indivíduo. Mas a ira não é para com uma classe, mas apenas para com um indivíduo, como afirma o Filósofo (Retórica II, 4). Portanto, propriamente falando, a ira não é para com aqueles com os quais se tem relação de justiça ou injustiça. O contrário, todavia, pode-se coligir do Filósofo (Retórica II, 2,3). Respondo que, como foi dito acima (Art. 6), a ira deseja o mal como meio de justa vingança. Consequentemente, a ira é para com aqueles para com os quais somos justos ou injustos: pois a vingança é um ato de justiça, e o malefício é um ato de injustiça. Portanto, tanto da parte da causa, a saber, o dano causado por outrem, quanto da parte da vingança procurada pelo irado, é evidente que a ira diz respeito àqueles para com os quais se é justo ou injusto. Resposta à Objeção 1: Como foi dito acima (Art. 4, ad 2), a ira, embora siga um ato da razão, pode contudo estar nos animais mudos desprovidos de razão, na medida em que pelo seu instinto natural são movidos pela sua imaginação para algo semelhante à ação racional. Visto que no homem há tanto razão como imaginação, o movimento da ira pode ser suscitado no homem de dois modos. Primeiro, quando apenas a sua imaginação denuncia a injúria: e deste modo o homem é excitado a um movimento de ira mesmo contra seres irracionais e inanimados, movimento este semelhante ao que ocorre nos animais contra tudo o que os injuria. Segundo, pela razão denunciando a injúria: e assim, segundo o Filósofo (Retórica II, 3), “é impossível irar-se com coisas insensíveis, ou com os mortos”: tanto porque não sentem dor, que é, acima de tudo, o que o irado busca naqueles com quem se ira; como porque não se trata de vingança para com eles, pois não nos podem causar dano. Resposta à Objeção 2: Como diz o Filósofo (Ética V, 11), “metaforicamente falando, há uma certa justiça e injustiça entre o homem e si mesmo”, na medida em que a razão governa as partes irascível e concupiscível da alma. E neste sentido se diz que um homem se vinga a si mesmo, e consequentemente, que se ira contra si mesmo. Mas propriamente, e de acordo com a natureza das coisas, um homem nunca se ira contra si mesmo. Resposta à Objeção 3: O Filósofo (Retórica II, 4) atribui como uma diferença entre o ódio e a ira, que “o ódio pode ser sentido para com uma classe, como odiamos toda a classe dos ladrões; ao passo que a ira se dirige apenas a um indivíduo.” A razão é que o ódio nasce de considerarmos uma qualidade como discordando de nossa disposição; e isto pode referir-se a uma coisa em geral ou em particular. A ira, por outro lado, sobrevém de alguém nos ter injuriado por sua ação. Ora, todas as ações são atos de indivíduos: e consequentemente a ira sempre se dirige a um indivíduo. Quando todo o Estado nos fere, todo o Estado é considerado como um indivíduo [*V. Q. 29, Art. 6].

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 7 - Whether anger is only towards those to whom one has an obligation of justice? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1.** Parece que a ira não é pecado. Pois desmerecemos pecando. Mas “não desmerecemos pelas paixões, assim como também não incorremos em censura por elas”, como se diz na *Ética* (II, 5). Logo, nenhuma paixão é pecado. Ora, a ira é uma paixão, como se afirmou acima (I-II, q. 46, a. 1), no tratado sobre as paixões. Portanto, a ira não é pecado. **Objeção 2.** Ademais, em todo pecado há conversão a algum bem mutável. Mas na ira há conversão não a um bem mutável, e sim ao mal de uma pessoa. Logo, a ira não é pecado. **Objeção 3.** Ademais, “ninguém peca no que não pode evitar”, como afirma Agostinho (*Do Livre Arbítrio* III, 18). Ora, o homem não pode evitar a ira, pois uma glosa sobre Ps. 4,5: “Irai-vos e não pequeis” diz: “O movimento da ira não está em nosso poder”. E o Filósofo também afirma (*Ética* VII, 6) que “o irado age com desagrado”. Ora, o desagrado é contrário à vontade. Portanto, a ira não é pecado. **Objeção 4.** Ademais, o pecado é contrário à natureza, segundo Damasceno (*Da Fé Ortodoxa* II, 4.30). Porém, não é contrário à natureza do homem irar-se, e é ato natural de uma potência, a saber, o irascível; por isso Jerônimo diz, numa carta (Ep. XII a Antônio Monge), que “irar-se é próprio do homem”. Logo, irar-se não é pecado. **Ao contrário**, o Apóstolo diz (Ef 4,31): “Toda a indignação e ira sejam tiradas de vós”. **Respondo que** a ira, como se disse acima (a. 1), é propriamente o nome de uma paixão. Uma paixão do apetite sensitivo é boa enquanto é regulada pela razão; é má, porém, se se afasta da ordem da razão. Ora, a ordem da razão, a respeito da ira, pode ser considerada quanto a duas coisas. Primeiro, quanto ao objeto apetecível a que a ira tende, que é a vingança. Por isso, se alguém deseja que a vingança seja tomada conforme a ordem da razão, o desejo da ira é louvável e se chama “ira zelosa” (cf. Gregório, *Moralia* V, 45). Se, ao contrário, alguém deseja tomar vingança de qualquer modo contrário à ordem da razão — por exemplo, se deseja a punição de quem não a mereceu, ou além de seus merecimentos, ou também contrária à ordem prescrita pela lei, ou não para o fim devido, que é a manutenção da justiça e a correção das faltas —, então o desejo da ira será pecaminoso, e esta se chama ira pecaminosa. Segundo, a ordem da razão a respeito da ira pode ser considerada quanto ao modo de se irar, a saber, que o movimento da ira não seja imoderadamente feroz, nem interna nem externamente; e, se esta condição for desconsiderada, a ira não carecerá de pecado, ainda que se deseje uma vingança justa. **Resposta à primeira objeção.** Como a paixão pode ser regulada ou não pela razão, segue-se que a paixão, considerada absolutamente, não inclui a noção de mérito ou demérito, de louvor ou censura. Mas, enquanto regulada pela razão, pode ser algo meritório e digno de louvor; enquanto não regulada pela razão, pode ser demeritória e censurável. Por isso o Filósofo diz (*Ética* II, 5) que “quem se ira de certo modo é louvado ou censurado”. **Resposta à segunda objeção.** O irado deseja o mal do outro, não por si mesmo, mas por causa da vingança, para a qual seu apetite se volta como a um bem mutável. **Resposta à terceira objeção.** O homem é senhor de suas ações pelo juízo da razão; por isso, quanto aos movimentos que precedem esse juízo, não está no poder do homem impedi-los totalmente, isto é, que nenhum deles surja, embora a razão possa coibir cada um, se surgir. Assim, afirma-se que o movimento da ira não está no poder do homem, a ponto de não surgir tal movimento. Contudo, como esse movimento está de certo modo em seu poder, não é inteiramente isento de pecado se for desordenado. A afirmação do Filósofo de que “o irado age com desagrado” significa que ele está desgostoso, não por estar irado, mas pela injúria que julga feita a si mesmo; e por esse desgosto é movido a buscar a vingança. **Resposta à quarta objeção.** A potência irascível no homem está naturalmente sujeita à sua razão; por isso seu ato é natural ao homem enquanto está de acordo com a razão; enquanto está contra a razão, é contrário à natureza do homem.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether anger is a sin? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objecção 1: Parece que toda a ira é pecado mortal. Porque está escrito (Job 5,2): «A ira mata o insensato» [*Vulg.: «A ira, na verdade, mata o insensato»], e fala da morte espiritual, donde o pecado mortal tira o nome. Logo, toda a ira é pecado mortal. Objecção 2: Além disso, nada, a não ser o pecado mortal, é digno da condenação eterna. Ora, a ira é digna da condenação eterna; porque o Senhor disse (Mt 5,22): «Todo aquele que se ira contra seu irmão será réu de juízo»; e uma glosa sobre esta passagem diz que «as três coisas ali mencionadas, a saber, juízo, conselho e fogo do inferno, significam de modo preciso diferentes moradas no estado da condenação eterna, correspondentes a vários pecados.» Logo, a ira é pecado mortal. Objecção 3: Além disso, tudo o que é contrário à caridade é pecado mortal. Ora, a ira é, por si mesma, contrária à caridade, como declara Jerónimo no seu comentário sobre Mt 5,22, «Todo aquele que se ira contra seu irmão», etc., onde diz que isto é contrário ao amor do próximo. Logo, a ira é pecado mortal. Em sentido contrário, uma glosa sobre Sl 4,5, «Irai-vos e não pequeis», diz: «A ira é venial se não procede à acção.» Respondo que o movimento da ira pode ser desordenado e pecaminoso de dois modos, como foi dito acima (A[2]). Primeiro, quanto ao objecto apetecível, como quando alguém deseja uma vingança injusta; e assim a ira é pecado mortal no seu género, porque é contrária à caridade e à justiça. No entanto, tal ira pode ser pecado venial por imperfeição do acto. Esta imperfeição é considerada ou em relação ao sujeito que deseja a vingança, como quando o movimento da ira precede o juízo da razão; ou em relação ao objecto desejado, como quando alguém deseja ser vingado numa coisa leve, que se deve ter por nada, de modo que, mesmo que se passasse à acção, não seria pecado mortal, por exemplo, puxar ligeiramente o cabelo de uma criança, ou por alguma outra acção semelhante. Segundo, o movimento da ira pode ser desordenado no modo de se irar, por exemplo, se alguém se ira com demasiada veemência interior, ou se excede nos sinais exteriores de ira. Deste modo, a ira não é pecado mortal no seu género; contudo, pode acontecer que seja pecado mortal, por exemplo, se pela veemência da ira um homem cair do amor de Deus e do próximo. Resposta à objecção 1: Da passagem citada não se segue que toda a ira seja pecado mortal, mas que os insensatos são mortos espiritualmente pela ira, porque, não refreando o movimento da ira pela razão, caem em pecados mortais, por exemplo, blasfemando contra Deus ou injuriando o próximo. Resposta à objecção 2: O Senhor disse isto da ira, acrescentando às palavras da Lei: «Quem matar será réu de juízo» (Mt 5,21). Por conseguinte, o Senhor fala aqui do movimento da ira em que o homem deseja a morte ou qualquer grave injúria do próximo; e se o consentimento da razão for dado a este desejo, sem dúvida será pecado mortal. Resposta à objecção 3: No caso em que a ira é contrária à caridade, é pecado mortal, mas nem sempre o é, como se depreende do que dissemos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether all anger is a mortal sin? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que a ira não é somente para com aqueles para com quem se tem uma obrigação de justiça. Pois não há justiça entre o homem e os seres irracionais. E, contudo, algumas vezes nos iramos com seres irracionais; assim, por ira, um escritor lança fora a sua pena, ou um cavaleiro fere o seu cavalo. Portanto, a ira não é somente para com aqueles para com quem se tem uma obrigação de justiça. Objeção 2: Ademais, "não há justiça para consigo mesmo... nem há justiça para com o que é próprio" (Ética V, 6). Mas algumas vezes o homem se ira consigo mesmo; por exemplo, um penitente, por causa do seu pecado; donde está escrito (Sl 4,5): "Irai-vos e não pequeis." Logo, a ira não é somente para com aqueles com quem se tem uma relação de justiça. Objeção 3: Além disso, a justiça e a injustiça podem ser de um homem para com toda uma classe, ou toda uma comunidade: por exemplo, quando o Estado injuria um indivíduo. Mas a ira não é para com uma classe, mas somente para com um indivíduo, como afirma o Filósofo (Retórica II, 4). Portanto, propriamente falando, a ira não é para com aqueles com quem se está em relação de justiça ou injustiça. Ao contrário, porém, pode-se coligir do Filósofo (Retórica II, 2,3). Respondo que, como foi dito acima (A[6]), a ira deseja o mal como meio de justa vingança. Consequentemente, a ira é para com aqueles para com os quais somos justos ou injustos: pois a vingança é um ato de justiça, e o mal feito é um ato de injustiça. Portanto, tanto por parte da causa, isto é, o dano causado por outrem, quanto por parte da vingança buscada pelo irado, é evidente que a ira concerne àqueles para com os quais se é justo ou injusto. Resposta à Objeção 1: Como foi dito acima (A[4], ad 2), a ira, embora siga um ato da razão, pode, no entanto, estar nos animais mudos que são desprovidos de razão, na medida em que, por seu instinto natural, são movidos pela imaginação a algo semelhante a uma ação racional. Visto que, então, no homem há tanto a razão quanto a imaginação, o movimento da ira pode ser despertado no homem de duas maneiras. Primeiro, quando apenas a sua imaginação denuncia a injúria: e, deste modo, o homem é despertado para um movimento de ira mesmo contra seres irracionais e inanimados, movimento este que é semelhante ao que ocorre nos animais contra tudo que os injuria. Segundo, pela razão que denuncia a injúria: e assim, segundo o Filósofo (Retórica II, 3), "é impossível irar-se com coisas insensíveis, ou com os mortos": tanto porque não sentem dor, que é, sobretudo, o que o irado busca naqueles com quem se ira; como porque não se trata de vingança contra eles, visto que não podem causar-nos dano. Resposta à Objeção 2: Como diz o Filósofo (Ética V, 11), "metaforicamente falando, há uma certa justiça e injustiça entre o homem e si mesmo", na medida em que a razão governa as partes irascível e concupiscível da alma. E neste sentido se diz que o homem se vinga de si mesmo e, consequentemente, que se ira consigo mesmo. Mas propriamente, e segundo a natureza das coisas, o homem nunca se ira consigo mesmo. Resposta à Objeção 3: O Filósofo (Retórica II, 4) assinala como uma diferença entre o ódio e a ira que "o ódio pode ser sentido para com uma classe, como odiamos toda a classe dos ladrões; ao passo que a ira se dirige somente a um indivíduo." A razão é que o ódio nasce de considerarmos uma qualidade como discordante da nossa disposição; e isto pode referir-se a uma coisa em geral ou em particular. A ira, por outro lado, decorre de alguém nos ter injuriado por sua ação. Ora, todas as ações são atos de indivíduos; e, consequentemente, a ira é sempre dirigida a um indivíduo. Quando todo o Estado nos ofende, todo o Estado é considerado como um só indivíduo [*Cf. Q[29], A[6]].

Summa Theologiae — First Part · Article. 7 - Whether anger is only towards those to whom one has an obligation of justice? · séc. XIII

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