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Sl 45, 11

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Matos Soares

11"Desisti e reconhecei que eu sou Deus, excelso entre as gentes, e excelso sobre (toda) a terra."

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que nem todos os preceitos morais da Lei Antiga se reduzem aos dez preceitos do decálogo. Pois os primeiros e principais preceitos da Lei são: "Amarás ao Senhor teu Deus" e "Amarás ao teu próximo", como se afirma em Mt 22,37.39. Ora, esses dois não estão contidos nos preceitos do decálogo. Logo, nem todos os preceitos morais estão contidos nos preceitos do decálogo. Objeção 2: Ademais, os preceitos morais não se reduzem aos preceitos cerimoniais, mas antes o contrário. Ora, entre os preceitos do decálogo, um é cerimonial, a saber: "Lembra-te de santificar o dia do sábado." Logo, os preceitos morais não se reduzem a todos os preceitos do decálogo. Objeção 3: Ademais, os preceitos morais versam sobre todos os atos de virtude. Ora, entre os preceitos do decálogo só se encontram aqueles que dizem respeito a atos de justiça, como se pode ver percorrendo-os todos. Logo, os preceitos do decálogo não incluem todos os preceitos morais. Em contrário, a glosa sobre Mt 5,11: "Bem-aventurados sereis quando vos injuriarem", etc., diz que "Moisés, depois de expor os dez preceitos, os desenvolveu em pormenor." Logo, todos os preceitos da Lei são outras tantas partes dos preceitos do decálogo. Respondo que os preceitos do decálogo diferem dos outros preceitos da Lei pelo fato de que se diz que Deus mesmo deu os preceitos do decálogo, ao passo que deu os outros preceitos ao povo por meio de Moisés. Por isso, o decálogo inclui aqueles preceitos cujo conhecimento o homem tem imediatamente de Deus. Tais são aqueles que, com ligeira reflexão, podem ser coligidos imediatamente a partir dos primeiros princípios gerais; e também aqueles que se tornam conhecidos ao homem imediatamente por meio da fé divinamente infusa. Consequentemente, duas espécies de preceitos não são contadas entre os preceitos do decálogo: a saber, os primeiros princípios gerais, pois não necessitam de ulterior promulgação depois de impressos uma vez na razão natural, à qual são evidentes por si mesmos; como, por exemplo, que não se deve fazer mal a ninguém, e outros princípios semelhantes; e também aqueles que a reflexão cuidadosa dos sábios mostra estarem de acordo com a razão; pois o povo recebe esses princípios de Deus, através do ensinamento dos sábios. No entanto, ambas as espécies de preceitos estão contidas nos preceitos do decálogo, ainda que de modos diversos. Pois os primeiros princípios gerais estão contidos neles como princípios em suas conclusões próximas; enquanto aqueles que são conhecidos por meio dos sábios estão contidos, inversamente, como conclusões em seus princípios. Resposta à Objeção 1: Esses dois princípios são os primeiros princípios gerais da lei natural, e são evidentes por si mesmos à razão humana, seja pela natureza, seja pela fé. Por onde, todos os preceitos do decálogo se referem a eles como conclusões aos princípios gerais. Resposta à Objeção 2: O preceito da observância do sábado é moral em um aspecto, enquanto manda que o homem dê algum tempo às coisas de Deus, conforme Sl 45,11: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus." Sob esse aspecto, está colocado entre os preceitos do decálogo; mas não quanto à determinação do tempo, sob o qual é preceito cerimonial. Resposta à Objeção 3: A noção de dever não é tão manifesta nas outras virtudes como o é na justiça. Por isso, os preceitos sobre os atos das outras virtudes não são tão conhecidos do povo como o são os preceitos sobre os atos de justiça. Por onde, os atos de justiça especialmente caem sob os preceitos do decálogo, que são os elementos primários da Lei.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether all the moral precepts of the Old Law are reducible to the ten precepts of the decalogue? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que a vida ativa é mais excelente do que a contemplativa. Pois "aquilo que pertence a melhores homens parece ser mais digno e melhor", como diz o Filósofo (Top. iii, 1). Ora, a vida ativa pertence a pessoas de mais alta dignidade, a saber, os prelados, que são colocados em posição de honra e poder; donde Agostinho dizer (De Civ. Dei xix, 19) que "em nossas ações não devemos amar a honra ou o poder nesta vida". Logo, parece que a vida ativa é mais excelente do que a contemplativa. **Objeção 2:** Ademais, em todos os hábitos e atos, a direção pertence ao mais importante; assim, a arte militar, por ser mais importante, dirige a arte do fabricante de freios (*Ethic. i, 1*). Ora, à vida ativa pertence dirigir e comandar a contemplativa, como se vê nas palavras dirigidas a Moisés (Êx 19,21): "Desce, e protesta ao povo, para que não suceda queiram passar os limites fixados para ver o Senhor". Portanto, a vida ativa é mais excelente do que a contemplativa. **Objeção 3:** Ademais, ninguém deve ser afastado de uma coisa maior para se ocupar com coisas menores; pois o Apóstolo diz (1Cor 12,31): "Sede zelosos dos melhores dons". Ora, alguns são afastados do estado da vida contemplativa para as ocupações da vida ativa, como no caso dos que são transferidos para o estado de prelatura. Logo, parece que a vida ativa é mais excelente do que a contemplativa. **Em contrário,** o Senhor disse (Lc 10,42): "Maria escolheu a melhor parte, a qual lhe não será tirada". Ora, Maria figura a vida contemplativa. Portanto, a vida contemplativa é mais excelente do que a ativa. **Respondo que:** Nada impede que certas coisas sejam mais excelentes em si mesmas, e contudo sejam superadas por outra em algum aspecto. Por conseguinte, deve-se responder que a vida contemplativa é simplesmente mais excelente do que a ativa; e o Filósofo prova isso por oito razões (Ethic. x, 7,8). A primeira é porque a vida contemplativa convém ao homem segundo aquilo que nele há de melhor, a saber, o intelecto, e segundo os seus objetos próprios, a saber, as coisas inteligíveis; ao passo que a vida ativa se ocupa com as coisas exteriores. Por isso, Raquel, pela qual se significa a vida contemplativa, interpreta-se "visão do princípio" [*Antes, 'que vê o princípio', se derivado de rah e irzn; Cf. Jerônimo, De Nom. Hebr.], enquanto, como diz Gregório (Moral. vi, 37), a vida ativa é significada por Lia, que era vesga. A segunda razão é porque a vida contemplativa pode ser mais contínua, embora não quanto ao grau mais alto de contemplação, como foi dito acima (Q[180], A[8], ad 2; Q[181], A[4], ad 3); por isso Maria, pela qual se significa a vida contemplativa, é descrita como estando "sentada" todo o tempo "aos pés do Senhor". Terceira, porque a vida contemplativa é mais deleitável do que a ativa; donde Agostinho dizer (De Verb. Dom. Serm. ciii) que "Marta estava turbada, mas Maria se banquetava". Quarta, porque na vida contemplativa o homem é mais suficiente a si mesmo, pois necessita de menos coisas para esse fim; por isso foi dito (Lc 10,41): "Marta, Marta, tu estás solícita e te perturbas com muitas coisas". Quinta, porque a vida contemplativa é mais amada por si mesma, enquanto a vida ativa se ordena para outra coisa. Donde está escrito (Sl 36,4): "Uma coisa pedi ao Senhor, esta buscarei: que habite na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para que veja o deleite do Senhor". Sexta, porque a vida contemplativa consiste no ócio e no repouso, segundo Sl 45,11: "Aquietai-vos, e vede que eu sou Deus". Sétima, porque a vida contemplativa é segundo as coisas divinas, ao passo que a vida ativa é segundo as coisas humanas; donde Agostinho dizer (De Verb. Dom. Serm. civ): "'No princípio era o Verbo': a Ele Maria ouvia; 'O Verbo se fez carne': a Ele Marta servia". Oitava, porque a vida contemplativa é segundo aquilo que é mais próprio ao homem, a saber, o seu intelecto; ao passo que nas obras da vida ativa também têm parte as potências inferiores, que nos são comuns com os brutos; por isso (Sl 35,7) depois das palavras: "Homens e animais conservarás, ó Senhor", acrescenta-se o que é especial ao homem (Sl 35,10): "Na tua luz veremos a luz". O Senhor acrescenta uma nona razão (Lc 10,42) quando diz: "Maria escolheu a melhor parte, a qual lhe não será tirada"; palavras que Agostinho (De Verb. Dom. Serm. ciii) expõe assim: "Não — tu escolheste mal, mas — ela escolheu melhor. Por que melhor? Ouve — porque não lhe será tirada. Mas a ti, o fardo da necessidade te será um dia tirado; ao passo que a doçura da verdade é eterna." Contudo, em sentido restrito e em um caso particular, deve-se preferir a vida ativa por causa das necessidades da vida presente. Assim também o Filósofo diz (Topic. iii, 2): "É melhor ser sábio do que ser rico; todavia, para quem está em necessidade, é melhor ser rico..." **Resposta à Objeção 1:** A vida ativa não diz respeito apenas aos prelados; eles também devem sobressair na vida contemplativa; por isso Gregório diz (Pastor. ii, 1): "O prelado deve ser primeiro na ação, e mais elevado que os outros na contemplação". **Resposta à Objeção 2:** A vida contemplativa consiste em certa liberdade de espírito. Pois Gregório diz (Hom. iii in Ezech.) que "a vida contemplativa obtém certa liberdade de espírito, porque não pensa nas coisas temporais, mas nas eternas". E Boécio diz (De Consol. v, 2): "A alma do homem necessariamente é mais livre enquanto continua a contemplar a mente divina, e menos livre quando se inclina às coisas corpóreas". Donde é evidente que a vida ativa não comanda diretamente a vida contemplativa, mas prescreve certas obras da vida ativa como disposições para a vida contemplativa; à qual, portanto, serve, mais do que comanda. Gregório se refere a isso quando diz (Hom. iii in Ezech.) que "a vida ativa é servidão, ao passo que a vida contemplativa é liberdade". **Resposta à Objeção 3:** Às vezes, um homem é chamado da vida contemplativa para as obras da vida ativa por causa de alguma necessidade da vida presente, não porém de modo a ser compelido a abandonar totalmente a contemplação. Donde Agostinho dizer (De Civ. Dei xix, 19): "O amor da verdade busca um santo ócio; as exigências da caridade assumem um honesto trabalho", a saber, o trabalho da vida ativa. "Se ninguém nos impõe este fardo, devemos dedicar-nos à pesquisa e contemplação da verdade; mas se nos é imposto, devemos suportá-lo, porque a caridade o exige de nós. Contudo, mesmo então não devemos abandonar totalmente os deleites da verdade, para não nos privarmos de sua doçura e este fardo nos oprimir." Por onde fica claro que, quando alguém é chamado da vida contemplativa para a vida ativa, isso se faz por modo não de subtração, mas de adição.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 1 - Whether the active life is more excellent than the contemplative? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que a vida contemplativa é impedida pela vida ativa. Pois a vida contemplativa requer uma certa quietude de espírito, segundo Sl 45,11, "Aquietai-vos, e vede que eu sou Deus"; ao passo que a vida ativa envolve inquietação, segundo Lc 10,41, "Marta, Marta, andas cuidadosa e turbada com muitas coisas." Logo, a vida ativa impede a contemplativa. Objeção 2: Ademais, a clareza de visão é um requisito para a vida contemplativa. Ora, a vida ativa é um obstáculo à visão clara; pois Gregório diz (Hom. xiv in Ezech.) que ela "é turva e fecunda, porque a vida ativa, ocupada com o trabalho, vê menos." Logo, a vida ativa impede a contemplativa. Objeção 3: Ademais, um contrário impede o outro. Ora, a vida ativa e a contemplativa são aparentemente contrárias uma à outra, pois a vida ativa ocupa-se com muitas coisas, enquanto a vida contemplativa atende à contemplação de uma só; por onde, diferem em oposição uma à outra. Logo, parece que a vida contemplativa é impedida pela ativa. Em contrário, Gregório diz (Moral. vi, 37): "Aqueles que desejam manter a fortaleza da contemplação devem primeiro treinar no campo da ação." Respondo: A vida ativa pode ser considerada de dois pontos de vista. Primeiro, quanto à atenção e prática das obras exteriores: e, assim, é evidente que a vida ativa impede a contemplativa, na medida em que é impossível estar ocupado com a ação exterior e, ao mesmo tempo, entregar-se à contemplação divina. Segundo, a vida

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 3 - Whether the contemplative life is hindered by the active life? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

Objeção 1: Parece que nem todos os preceitos morais da Antiga Lei são redutíveis aos dez preceitos do decálogo. Porque o primeiro e principal preceito da Lei é: «Amarás o Senhor teu Deus» e «Amarás o teu próximo», como se declara em Mt 22,37.39. Ora, esses dois não estão contidos nos preceitos do decálogo. Logo, nem todos os preceitos morais estão contidos nos preceitos do decálogo. Objeção 2: Ademais, os preceitos morais não se reduzem aos preceitos cerimoniais, mas antes ao contrário. Ora, entre os preceitos do decálogo, um é cerimonial, a saber: «Lembra-te de santificar o sábado». Logo, os preceitos morais não são redutíveis a todos os preceitos do decálogo. Objeção 3: Ademais, os preceitos morais versam sobre todos os atos de virtude. Ora, entre os preceitos do decálogo, há apenas aqueles que dizem respeito aos atos de justiça, como se pode ver percorrendo-os a todos. Portanto, os preceitos do decálogo não incluem todos os preceitos morais. Em contrário, a glosa sobre Mt 5,11: «Bem-aventurados sereis quando vos injuriarem», etc., diz que «Moisés, depois de propor os dez preceitos, os expôs em pormenor». Logo, todos os preceitos da Lei são como que partes dos preceitos do decálogo. Respondo que os preceitos do decálogo diferem dos outros preceitos da Lei pelo fato de que se diz que Deus mesmo deu os preceitos do decálogo; ao passo que deu os outros preceitos ao povo por meio de Moisés. Por isso o decálogo inclui aqueles preceitos cujo conhecimento o homem tem imediatamente de Deus. Tais são aqueles que, com ligeira reflexão, se colhem imediatamente dos primeiros princípios gerais; e também aqueles que se tornam conhecidos ao homem imediatamente pela fé infundida divinamente. Consequentemente, duas espécies de preceitos não são contadas entre os preceitos do decálogo: a saber, os primeiros princípios gerais, pois não necessitam de outra promulgação depois de uma vez impressos na razão natural, à qual são evidentes por si mesmos; como, por exemplo, que não se deve fazer mal a ninguém, e outros princípios semelhantes; e também aqueles que a reflexão cuidadosa dos sábios mostra estarem de acordo com a razão; uma vez que o povo recebe esses princípios de Deus, sendo ensinado pelos sábios. No entanto, ambas as espécies de preceitos estão contidas nos preceitos do decálogo, porém de modos diversos. Pois os primeiros princípios gerais estão contidos neles como princípios em suas conclusões próximas; enquanto aqueles que são conhecidos através dos sábios estão contidos, inversamente, como conclusões em seus princípios. Resposta à objeção 1: Esses dois princípios são os primeiros princípios gerais da lei natural, e são evidentes por si mesmos à razão humana, seja por natureza, seja pela fé. Por isso, todos os preceitos do decálogo são referidos a estes, como conclusões a princípios gerais. Resposta à objeção 2: O preceito da observância do sábado é moral em um aspecto, enquanto manda que o homem dê algum tempo às coisas de Deus, conforme Sl 45,11: «Ficai quietos, e vede que eu sou Deus». Nesse aspecto, está colocado entre os preceitos do decálogo; mas não quanto à fixação do tempo, em cujo aspecto é um preceito cerimonial. Resposta à objeção 3: A noção de dever não é tão patente nas outras virtudes como o é na justiça. Por isso os preceitos acerca dos atos das outras virtudes não são tão conhecidos do povo quanto os preceitos acerca dos atos de justiça. Por onde, os atos de justiça especialmente caem sob os preceitos do decálogo, que são os primeiros elementos da Lei.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether all the moral precepts of the Old Law are reducible to the ten precepts of the decalogue? · séc. XIII

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