Referência

Sl 64, 5

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Matos Soares

5Bem-aventurado o que escolhes e tomas para ti: ele habita nos teus átrios. Sejamos saciados dos bens da tua casa, da santidade do teu templo.

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que a Pessoa Divina assumiu um homem. Pois está escrito (Sl 64,5): «Bem-aventurado aquele a quem Tu escolheste e tomaste para Ti», o que uma glosa expõe de Cristo; e Agostinho diz (De Agone Christi, XI): «O Filho de Deus assumiu um homem, e nele suportou coisas humanas.» **Objeção 2:** Além disso, a palavra «homem» significa uma natureza humana. Ora, o Filho de Deus assumiu uma natureza humana. Logo, Ele assumiu um homem. **Objeção 3:** Além disso, o Filho de Deus é um homem. Mas Ele não é um daqueles homens que não assumiu, pois com igual razão seria Pedro ou qualquer outro homem. Logo, Ele é o homem que assumiu. **Ao contrário,** está a autoridade de Félix, Papa e Mártir, citada pelo Concílio de Éfeso: «Cremos em nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, porque Ele é o Filho Eterno e Verbo de Deus, e não um homem assumido por Deus, de tal modo que haja outro além d'Ele. Pois o Filho de Deus não assumiu um homem, de sorte que haja outro além d'Ele.» **Respondo que,** como foi dito acima (A. 2), o que é assumido não é o termo da assunção, mas é pressuposto à assunção. Ora, foi dito (Q. 3, AA. 1-2) que o indivíduo ao qual a natureza humana é assumida não é outro senão a Pessoa Divina, que é o termo da assunção. Ora, esta palavra «homem» significa a natureza humana, como está em um suposito, porque, como diz Damasceno (Da Fé Ortodoxa, III, 4,11), esta palavra «homem» significa Aquele que tem natureza humana. E, portanto, não pode propriamente dizer-se que o Filho assumiu um homem, concedido (como deve ser, de fato) que em Cristo há apenas um suposito e uma hipóstase. Mas, segundo os que sustentam que há duas hipóstases ou dois supositose em Cristo, pode convenientemente e propriamente dizer-se que o Filho de Deus assumiu um homem. Donde a primeira opinião citada nas Sentenças, Livro III, Distinção 6, concede que um homem foi assumido. Mas esta opinião é errônea, como foi dito acima (Q. 2, A. 6). **Resposta à Objeção 1:** Estas expressões não devem ser tomadas demasiado literalmente, mas devem ser lealmente explicadas, onde quer que sejam usadas pelos santos doutores; de modo a dizer que um homem foi assumido, na medida em que sua natureza foi assumida; e porque a assunção terminou nisto — que o Filho de Deus é homem. **Resposta à Objeção 2:** A palavra «homem» significa a natureza humana no concreto, enquanto está em um suposito; e, portanto, assim como não podemos dizer que um suposito foi assumido, também não podemos dizer que um homem foi assumido. **Resposta à Objeção 3:** O Filho de Deus não é o homem que Ele assumiu, mas o homem cuja natureza Ele assumiu.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 3 - Whether the Divine Person assumed a man? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados ou compreensores. Porque o conhecimento dos bem-aventurados é uma participação da luz divina, segundo o Salmo 35,10: “Na tua luz veremos a luz.” Ora, Cristo não teve uma luz participada, mas a própria Divindade habitando substancialmente nele, segundo Colossenses 2,9: “Porque nele habita toda a plenitude da Divindade corporalmente.” Logo, em Cristo não houve o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 2: Além disso, o conhecimento dos bem-aventurados os faz bem-aventurados, segundo João 17,3: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” Mas este Homem foi bem-aventurado por estar unido a Deus em pessoa, conforme o Salmo 64,5: “Bem-aventurado é aquele a quem escolhestes e a quem tomastes para vós.” Logo, não é necessário supor nele o conhecimento dos bem-aventurados. Objeção 3: Além disso, ao homem pertence um duplo conhecimento: um por natureza, outro acima da natureza. Ora, o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, não é natural ao homem, mas acima de sua natureza. Mas em Cristo havia outro conhecimento sobrenatural muito mais elevado, isto é, o conhecimento divino. Portanto, em Cristo não foi necessário o conhecimento dos bem-aventurados. Em contrário, o conhecimento dos bem-aventurados consiste no conhecimento de Deus. Ora, Ele conhecia perfeitamente a Deus, mesmo como homem, segundo João 8,55: “Eu conheço-o e guardo a sua palavra.” Logo, em Cristo houve o conhecimento dos bem-aventurados. Respondo que o que está em potência é reduzido ao ato pelo que está em ato; pois aquilo que aquece as coisas deve ele mesmo ser quente. Ora, o homem está em potência para o conhecimento dos bem-aventurados, que consiste na visão de Deus, e para ele é ordenado como para um fim, já que a criatura racional é capaz desse conhecimento bem-aventurado, enquanto feita à imagem de Deus. Ora, os homens são levados a esse fim de beatitude pela humanidade de Cristo, segundo Hebreus 2,10: “Porque convinha que aquele, por quem são todas as coisas, e para quem são todas as coisas, havendo de conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pela sua paixão o autor da salvação deles.” E por isso foi necessário que o conhecimento beatífico, que consiste na visão de Deus, pertencesse a Cristo de modo preeminente, pois a causa deve sempre ser mais eficaz que o efeito. Resposta à objeção 1: A Divindade está unida à humanidade de Cristo na Pessoa, não na essência ou natureza; contudo, com a unidade da Pessoa permanece a distinção das naturezas. E, portanto, a alma de Cristo, que é parte da natureza humana, mediante uma luz participada da Natureza Divina, é aperfeiçoada com o conhecimento beatífico pelo qual vê a Deus em essência. Resposta à objeção 2: Pela união, este Homem é bem-aventurado com a beatitude incriada, assim como pela união Ele é Deus; contudo, além da beatitude incriada, foi necessário que houvesse na natureza humana de Cristo uma beatitude criada, pela qual a sua alma foi estabelecida no último fim da natureza humana. Resposta à objeção 3: A visão e o conhecimento beatíficos estão, até certo ponto, acima da natureza da alma racional, enquanto ela não pode alcançá-los por suas próprias forças; mas, de outro modo, estão de acordo com a sua natureza, enquanto ela é naturalmente capaz deles, por ter sido feita à semelhança de Deus, como já foi dito. Porém, o conhecimento incriado está de todos os modos acima da natureza da alma humana.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 2 - Whether Christ had the knowledge which the blessed or comprehensors have? · séc. XIII

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