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Sl 68, 29

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Matos Soares

29Sejam riscados do livro dos viventes, e não sejam inscritos com os justos.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o livro da vida não é a mesma coisa que a predestinação. Porquanto está escrito: «Todas as coisas são o livro da vida» (Eclo 4,32) — isto é, o Antigo e o Novo Testamento, segundo uma glosa. Ora, isso não é a predestinação. Logo, o livro da vida não é a predestinação. Objeção 2: Demais, Agostinho diz (A Cidade de Deus XX, 14) que «o livro da vida é uma certa energia divina, pela qual acontece que a cada um se tragam à memória suas boas ou más obras.» Ora, a energia divina parece pertencer, não à predestinação, mas antes ao poder divino. Logo, o livro da vida não é a mesma coisa que a predestinação. Objeção 3: Ademais, a reprovação se opõe à predestinação. Logo, se o livro da vida fosse o mesmo que a predestinação, deveria haver também um livro da morte, assim como há o livro da vida. Em contrário, diz-se numa glosa sobre o Sl 68,29: «Sejam riscados do livro dos vivos. Este livro é o conhecimento de Deus, pelo qual predestinou para a vida aqueles que de antemão conheceu.» Respondo que o livro da vida se toma em Deus em sentido metafórico, por comparação com as coisas humanas. Pois é costume entre os homens que aqueles que são escolhidos para algum ofício sejam inscritos num livro; como, por exemplo, soldados ou conselheiros, que outrora se chamavam «padres conscritos». Ora, é claro pelo que precede (Q. 23, A. 4) que todos os predestinados são escolhidos por Deus para possuir a vida eterna. Esta inscrição, portanto, dos predestinados se chama livro da vida. Diz-se metaforicamente que algo está escrito na mente de alguém quando está firmemente retido na memória, conforme Provérbios 3,3: «Não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos», e adiante: «Escreve-os nas tábuas do teu coração.» Pois as coisas são escritas em livros materiais para ajudar a memória. Donde, o conhecimento de Deus, pelo qual Ele firmemente recorda que predestinou alguns para a vida eterna, se chama livro da vida. Pois, assim como a escrita num livro é o sinal das coisas que hão de ser feitas, assim o conhecimento de Deus é n’Ele um sinal daqueles que hão de ser levados à vida eterna, conforme 2 Timóteo 2,19: «O firme fundamento de Deus está firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus.» Resposta à Objeção 1: O livro da vida pode ser entendido de dois modos. De um modo, como a inscrição daqueles que são escolhidos para a vida; assim agora falamos do livro da vida. De outro modo, pode-se chamar livro da vida a inscrição daquelas coisas que nos conduzem à vida; e isto também é duplo: ou das coisas que hão de ser feitas, e assim o Antigo e o Novo Testamento se chamam livro da vida; ou das coisas já feitas, e assim aquela energia divina pela qual acontece que a cada um serão trazidas à memória as suas obras se chama livro da vida. Assim também se pode chamar livro da guerra, quer porque contém os nomes inscritos dos escolhidos para o serviço militar, quer porque trata da arte militar, ou porque relata os feitos dos soldados. Daí a solução da Segunda Objeção. Resposta à Objeção 3: É costume inscrever, não os que são rejeitados, mas os que são escolhidos. Donde não haver um livro da morte correspondente à reprovação, assim como há o livro da vida correspondente à predestinação. Resposta à Objeção 4: A predestinação e o livro da vida são aspectos diferentes da mesma coisa. Pois este último implica o conhecimento da predestinação; como também se esclarece pela glosa citada acima.

Summa Theologiae — First Part · Article. 1 - Whether the book of life is the same as predestination? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que ninguém pode ser riscado do livro da vida. Porquanto Agostinho diz (De Civ. Dei xx, 15): «A presciência de Deus, que não pode ser enganada, é o livro da vida». Ora, nada pode ser tirado da presciência de Deus, nem da predestinação. Logo, ninguém pode ser riscado do livro da vida. **Objeção 2:** Demais, o que quer que esteja em alguma coisa está nela segundo a disposição dessa coisa. Ora, o livro da vida é algo eterno e imutável. Portanto, o que nele está escrito, ali está não de modo temporário, mas de modo imóvel e indelével. **Objeção 3:** Demais, riscar é o contrário de inscrever. Ora, ninguém pode ser escrito segunda vez no livro da vida. Logo, também não pode ser riscado. **Em contrário,** diz-se: «Sejam riscados do livro dos viventes» (Sl 68,29). **Respondo que** alguns disseram que ninguém poderia ser riscado do livro da vida de fato, mas apenas na opinião dos homens. Porque é costume nas Escrituras dizer-se que algo se faz quando se torna conhecido. Assim, alguns são ditos escritos no livro da vida, enquanto os homens pensam que neles estão escritos, por causa da presente justiça que veem neles; mas quando se torna evidente, seja neste mundo, seja no vindouro, que caíram daquele estado de justiça, então são ditos riscados. E assim uma glosa explica a passagem: «Sejam riscados do livro dos viventes». Mas porque não ser riscado do livro da vida é posto entre os prêmios dos justos, conforme o texto: «O que vencer será vestido de vestes brancas, e não riscarei o seu nome do livro da vida» (Ap 3,5) (e o que é prometido aos santos varões não é meramente algo na opinião dos homens), pode-se, portanto, dizer que ser riscado e não ser riscado do livro da vida não se refere apenas à opinião dos homens, mas à realidade do fato. Pois o livro da vida é a inscrição daqueles que são ordenados para a vida eterna, para a qual alguém é ordenado a partir de duas fontes: a saber, da predestinação, cuja direção nunca falha, e da graça; pois quem tem graça, por este mesmo fato se torna apto para a vida eterna. Esta direção falha algumas vezes; porque alguns são ordenados pela posse da graça a obter a vida eterna, mas falham em obtê-la mediante o pecado mortal. Portanto, aqueles que são ordenados a possuir a vida eterna mediante a predestinação divina estão escritos no livro da vida simplesmente, porque estão escritos nele para ter a vida eterna na realidade; tais nunca são riscados do livro da vida. Aqueles, porém, que são ordenados à vida eterna, não mediante a predestinação divina, mas mediante a graça, diz-se que estão escritos no livro da vida não simplesmente, mas relativamente, pois estão escritos nele não para ter a vida eterna em si mesma, mas apenas na sua causa. Contudo, embora estes últimos possam ser ditos riscados do livro da vida, este riscar não deve ser referido a Deus, como se Deus pres soubesse uma coisa e depois a não soubesse; mas à coisa conhecida, a saber, porque Deus conhece que alguém é primeiro ordenado à vida eterna, e depois não ordenado quando cai da graça. **Resposta à Objeção 1:** O ato de riscar não se refere ao livro da vida quanto à presciência de Deus, como se em Deus houvesse alguma mudança; mas quanto às coisas prescientes, que podem mudar. **Resposta à Objeção 2:** Embora as coisas estejam imutavelmente em Deus, contudo em si mesmas são sujeitas à mudança. A isto se refere o riscar do livro da vida. **Resposta à Objeção 3:** O modo pelo qual se diz que alguém é riscado do livro da vida é aquele pelo qual se diz que é escrito nele de novo; ou na opinião dos homens, ou porque começa novamente a ter relação com a vida eterna mediante a graça; o que também está incluído no conhecimento de Deus, embora não de novo.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether anyone may be blotted out of the book of life? · séc. XIII

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Sl 68, 29 nos Padres da Igreja | Aurea