Santo Tomás de Aquino
**Objeção 1:** Parece que o prazer não é a medida ou regra do bem e do mal moral. Porque "aquilo que é primeiro em um gênero é a medida de todos os outros" (Metaf. x, 1). Ora, o prazer não é o primeiro no gênero moral, pois é precedido pelo amor e pelo desejo. Logo, não é a regra da bondade e da maldade nas questões morais. **Objeção 2:** Ademais, uma medida ou regra deve ser uniforme; por isso aquele movimento que é o mais uniforme é a medida e regra de todos os movimentos (Metaf. x, 1). Ora, os prazeres são vários e multiformes, pois alguns deles são bons e outros maus. Logo, o prazer não é a medida e regra dos costumes. **Objeção 3:** Além disso, o juízo do efeito pela sua causa é mais certo do que o juízo da causa pelo efeito. Ora, a bondade ou maldade da operação é a causa da bondade ou maldade do prazer, porque "aqueles prazeres são bons que resultam de boas operações, e aqueles são maus que provêm de operações más", como se diz na Ética x, 5. Logo, os prazeres não são a regra e medida da bondade e maldade moral. **Em sentido contrário,** Agostinho, comentando o Salmo 7,10: "O esquadrinhador dos corações e dos rins é Deus", diz: "O fim do cuidado e do pensamento é o prazer que cada um almeja alcançar." E o Filósofo diz (Ética vii, 11) que "o prazer é o fim arquiteto", isto é, o principal fim, a respeito do qual dizemos absolutamente que isto é mau e aquilo é bom. **Respondo que** a bondade ou maldade moral depende principalmente da vontade, como acima se disse (Q. 20, A. 1); e é principalmente pelo fim que discernimos se a vontade é boa ou má. Ora, o fim é considerado aquilo em que a vontade repousa; e o repouso da vontade e de todo apetite no bem é o prazer. E portanto o homem é tido como bom ou mau principalmente segundo o prazer da vontade humana; pois aquele homem é bom e virtuoso que se compraz nas obras da virtude, e aquele homem é mau que se compraz nas obras más. Por outro lado, os prazeres do apetite sensitivo não são a regra da bondade e maldade moral, pois o alimento é universalmente prazeroso ao apetite sensitivo tanto dos bons quanto dos maus. Mas a vontade do homem bom se compraz neles conforme a razão, à qual a vontade do homem mau não presta atenção. **Resposta à Objeção 1:** O amor e o desejo precedem o prazer na ordem da geração. Mas o prazer os precede na ordem do fim, que serve de princípio nas ações; e é pelo princípio, que é a regra e medida de tais matérias, que formamos nosso juízo. **Resposta à Objeção 2:** Todos os prazeres são uniformes no ponto de serem o repouso do apetite em algo bom; e sob esse aspecto o prazer pode ser regra ou medida. Porque aquele homem é bom cuja vontade repousa no verdadeiro bem; e aquele homem é mau cuja vontade repousa no mal. **Resposta à Objeção 3:** Visto que o prazer aperfeiçoa a operação como seu fim, conforme acima se disse (Q. 33, A. 4), uma operação não pode ser perfeitamente boa a menos que haja também prazer no bem; porque a bondade de uma coisa depende do seu fim. E assim, de certo modo, a bondade do prazer é causa da bondade na operação.
Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether pleasure is the measure or rule by which to judge of moral good or evil? · séc. XIII
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