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Sl 72, 28

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Matos Soares

28Mas para mim é bom estar junto de Deus, pôr no Senhor Deus o meu refúgio. Publicarei todas as tuas obras às portas da filha de Sião.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que pode haver verdadeira virtude sem caridade. Porque é próprio da virtude produzir um ato bom. Ora, os que não têm caridade praticam algumas ações boas, como quando vestem os nus, ou alimentam os famintos, e assim por diante. Logo, a verdadeira virtude é possível sem caridade. Objeção 2: Além disso, a caridade não é possível sem a fé, pois procede de “uma fé não fingida”, como diz o Apóstolo (1 Tm 1,5). Ora, nos infiéis pode haver verdadeira castidade, se refreiam suas concupiscências, e verdadeira justiça, se julgam retamente. Logo, a verdadeira virtude é possível sem caridade. Objeção 3: Além disso, a ciência e a arte são virtudes, segundo a Ética vi. Mas elas se encontram nos pecadores, que carecem de caridade. Portanto, a verdadeira virtude pode existir sem caridade. Em contrário, O Apóstolo diz (1 Cor 13,3): “Se eu distribuir todos os meus bens aos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, e não tiver caridade, nada disso me aproveita”. Ora, a verdadeira virtude é muito proveitosa, segundo Sb 8,7: “Ela ensina a temperança, e a prudência, e a justiça, e a fortaleza, coisas tais que os homens nada podem ter de mais proveitoso na vida”. Logo, nenhuma verdadeira virtude é possível sem caridade. Respondo que, A virtude é ordenada para o bem, como se disse acima (I II, Q. 55, A. 4). Ora, o bem é principalmente o fim; pois as coisas que se ordenam para o fim não são ditas boas senão em relação ao fim. Por conseguinte, assim como o fim é duplo, o fim último e o fim próximo, assim também o bem é duplo: um, o bem último e universal; outro, o bem próximo e particular. O bem último e principal do homem é o gozo de Deus, segundo o Sl 72,28: “O meu bem é estar unido a Deus”; e para este bem o homem é ordenado pela caridade. O bem secundário e, por assim dizer, particular do homem pode ser duplo: um é verdadeiramente bom, porque, considerado em si mesmo, pode ser dirigido ao bem principal, que é o fim último; o outro é bom aparentemente e não verdadeiramente, porque nos afasta do bem final. Por conseguinte, é evidente que a virtude simplesmente verdadeira é aquela que se dirige ao bem principal do homem; assim também o Filósofo diz (Física vii, text. 17) que “a virtude é a disposição de uma coisa perfeita para aquilo que é o melhor”; e deste modo, nenhuma verdadeira virtude é possível sem caridade. Se, porém, tomarmos a virtude como ordenada a algum fim particular, então falamos de virtude onde não há caridade, na medida em que se dirige a algum bem particular. Mas se este bem particular não é um bem verdadeiro, mas aparente, não é uma verdadeira virtude a que se ordena a tal bem, mas uma virtude falsa. Assim como, diz Agostinho (Contra Julian. iv, 3), “a prudência do avarento, pela qual ele inventa vários caminhos para ganhar, não é verdadeira virtude; nem a justiça do avarento, pela qual ele despreza a propriedade alheia por medo de severo castigo; nem a temperança do avarento, pela qual ele refreia o desejo de prazeres caros; nem a fortaleza do avarento, pela qual, como diz Horácio, ‘enfrenta o mar, transpõe montanhas, atravessa o fogo, para evitar a pobreza’” (Epis. lib, 1; Ep. i, 45). Se, por outro lado, este bem particular for um bem verdadeiro, por exemplo, o bem-estar do Estado, ou outro semelhante, será certamente uma verdadeira virtude, porém imperfeita, a menos que seja referida ao bem final e perfeito. Por conseguinte, nenhuma virtude estritamente verdadeira é possível sem caridade. Resposta à objeção 1: O ato de quem carece de caridade pode ser de dois modos: um, de acordo com a sua falta de caridade, como quando faz algo que é referido àquilo pelo qual carece de caridade. Esse ato é sempre mau: assim, Agostinho diz (Contra Julian. iv, 3) que as ações que um infiel pratica como infiel são sempre pecaminosas, mesmo quando veste os nus ou faz algo semelhante, e as dirige para a sua infidelidade como fim. Há, porém, outro ato de quem carece de caridade, não de acordo com a sua falta de caridade, mas de acordo com a posse de algum outro dom de Deus, seja a fé, a esperança, ou mesmo o seu bem natural, que não é completamente tirado pelo pecado, como se disse acima (Q. 10, A. 4; I II, Q. 85, A. 2). Desse modo, é possível que um ato, sem caridade, seja genericamente bom, mas não perfeitamente bom, porque lhe falta a devida ordenação para o fim último. Resposta à objeção 2: Visto que o fim, nas coisas práticas, é o que o princípio é nas coisas especulativas, assim como não pode haver ciência estritamente verdadeira se faltar a reta apreensão dos primeiros princípios indemonstráveis, assim também não pode haver justiça ou castidade estritamente verdadeiras sem aquela devida ordenação para o fim, que é efetuada pela caridade, por mais retamente que alguém se disponha em relação a outras matérias. Resposta à objeção 3: A ciência e a arte implicam, por sua própria natureza, uma relação com algum bem particular, e não com o bem último da vida humana, como fazem as virtudes morais, que tornam o homem simplesmente bom, como se disse acima (I II, Q. 56, A. 3). Logo, a comparação não procede.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 7 - Whether any true virtue is possible without charity? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que devemos observar algum modo no amor a Deus. Pois a noção de bem consiste em modo, espécie e ordem, como afirma Agostinho (De Nat. Boni iii, iv). Ora, o amor de Deus é o que há de melhor no homem, segundo Cl 3,14: "Sobre todas as coisas, tende caridade." Portanto, deve haver um modo no amor de Deus. Objeção 2: Ademais, Agostinho diz (De Morib. Eccl. viii): "Rogo-te, dize-me qual é o modo do amor. Pois temo arder com o desejo e amor de meu Senhor, mais ou menos do que devo." Mas seria inútil buscar o modo do amor divino, se não houvesse um. Logo, há um modo no amor de Deus. Objeção 3: Ademais, como diz Agostinho (Gen. ad lit. iv, 3), "a medida que a natureza atribui a uma coisa é o seu modo." Ora, a medida da vontade humana, como também da ação exterior, é a razão. Portanto, assim como é necessário que a razão atribua um modo ao efeito exterior da caridade, segundo Rm 12,1: "Vosso serviço racional", assim também o amor interior de Deus requer um modo. Em contrário, Bernardo diz (De Dilig. Deum 1) que "Deus é a causa de amarmos a Deus; a medida é amá-Lo sem medida." Respondo: Como se depreende das palavras de Agostinho citadas acima (OBJ 3), modo significa uma determinação de medida; tal determinação se encontra tanto na medida quanto na coisa medida, mas não do mesmo modo. Pois encontra-se na medida essencialmente, porque uma medida é por si mesma a regra determinante e moduladora de outras coisas; ao passo que nas coisas medidas, encontra-se relativamente, isto é, na medida em que atingem a medida. Por isso, nada pode ser desmedido na medida, ao passo que a coisa medida é desmedida se não atinge a medida, seja por deficiência ou por excesso. Ora, em todas as matérias de apetite e ação, a medida é o fim, porque a razão própria de tudo o que desejamos ou fazemos deve ser tirada do fim, como prova o Filósofo (Phys. ii, 9). Portanto, o fim tem um modo por si mesmo, enquanto os meios recebem o seu modo de serem proporcionados ao fim. Por isso, segundo o Filósofo (Polit. i, 3), "em toda arte, o desejo do fim é interminável e ilimitado", ao passo que há um limite para os meios: assim, o médico não impõe limites à saúde, mas torna-a tão perfeita quanto possível; mas impõe um limite ao medicamento, pois não dá tanto medicamento quanto pode, mas segundo a saúde o exige, de modo que, se der demais ou de menos, o medicamento seria desmedido. Além disso, o fim de todas as ações e afeições humanas é o amor de Deus, pelo qual principalmente alcançamos o nosso último fim, como foi dito acima (Q[23], A[6]); por isso, o modo no amor de Deus não deve ser tomado como numa coisa medida, onde encontramos demasiado ou demasiado pouco, mas como na própria medida, onde não pode haver excesso, e onde quanto mais a regra é alcançada, melhor é; de modo que quanto mais amamos a Deus, melhor é o nosso amor. Resposta à Objeção 1: Aquilo que é assim por essência precede aquilo que é assim por outro; por isso, a bondade da medida, que tem o modo essencialmente, precede a bondade da coisa medida, que tem o seu modo através de outra coisa; e assim também a caridade, que tem um modo como a medida tem, está antes das outras virtudes, que têm um modo por serem medidas. Resposta à Objeção 2: Como Agostinho acrescenta no mesmo passo, "a medida do nosso amor a Deus é amá-Lo de todo o coração", isto é, amá-Lo tanto quanto pode ser amado, e isto pertence ao modo próprio da medida. Resposta à Objeção 3: Uma afeição, cujo objeto está sujeito ao juízo da razão, deve ser medida pela razão. Mas o objeto do amor divino, que é Deus, supera o juízo da razão; por isso, não é medido pela razão, mas a transcende. Nem há paridade entre o ato interior e os atos exteriores da caridade. Pois o ato interior da caridade tem a natureza de fim, visto que o bem último do homem consiste na sua alma aderir a Deus, segundo Sl 72,28: "Para mim é bom aderir a Deus"; ao passo que os atos exteriores são como meios para o fim, e assim devem ser medidos tanto segundo a caridade quanto segundo a razão.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether in loving God we ought to observe any mode? · séc. XIII

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Sl 72, 28 nos Padres da Igreja | Aurea