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Sl 75, 12

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Matos Soares

12Fazei votos ao Senhor vosso Deus e cumpri-os; todos os que o rodeiam tragam oferendas a este (Deus) Terrível,

Matos Soares · domínio público

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Citações internas

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que o voto não precisa ser sempre acerca de um bem melhor. Um bem maior é o que pertence à supererrogação. Mas os votos não são apenas acerca de matérias de supererrogação, mas também acerca de matérias de salvação: assim no Batismo os homens prometem renunciar ao demônio e às suas pompas, e guardar a fé, como observa uma glosa sobre Sl 75,12: "Votai, e pagai ao Senhor vosso Deus"; e Jacó prometeu (Gn 28,21) que o Senhor fosse o seu Deus. Ora, isto, acima de tudo, é necessário para a salvação. Portanto, os votos não são apenas acerca de um bem melhor. Objeção 2: Além disso, Jefté é contado entre os santos (Hb 11,32). Contudo, ele matou a sua filha inocente por causa do seu voto (Jz 11). Ora, sendo que a morte de uma pessoa inocente não é um bem melhor, mas é em si mesma ilícita, parece que se pode fazer voto não apenas acerca de um bem melhor, mas também acerca de algo ilícito. Objeção 3: Ademais, coisas que tendem a ser nocivas à pessoa, ou que são totalmente inúteis, não se enquadram na categoria de bem melhor. Contudo, às vezes se fazem votos acerca de vigílias ou jejuns imoderados, que tendem a prejudicar a pessoa; e às vezes se fazem votos acerca de coisas indiferentes e que não servem para nada. Portanto, o voto nem sempre é acerca de um bem melhor. Ao contrário, está escrito (Dt 23,22): "Se não prometeres, não terás pecado." Respondo que, como foi dito acima (A[1]), o voto é uma promessa feita a Deus. Ora, uma promessa diz respeito a algo que se faz voluntariamente para outrem; visto que não seria uma promessa, mas uma ameaça, dizer que se faria algo contra alguém. Do mesmo modo, seria fútil prometer a alguém algo que lhe é inaceitável. Portanto, como todo pecado é contra Deus, e nenhuma obra é aceitável a Deus a menos que seja virtuosa, segue-se que nada de ilícito ou indiferente, mas apenas algum ato de virtude, deve ser a matéria do voto. Mas como o voto denota uma promessa voluntária, ao passo que a necessidade exclui a voluntariedade, tudo o que é absolutamente necessário, quer seja ser ou não ser, de modo algum pode ser matéria de voto. Pois seria tolo prometer que se morreria ou que não se voaria. Por outro lado, se uma coisa é necessária não absolutamente, mas na suposição de um fim — por exemplo, se a salvação é inatingível sem ela —, pode ser matéria de voto enquanto é feita voluntariamente, mas não enquanto há necessidade de fazê-la. Mas aquilo que não é necessário, nem absolutamente nem na suposição de um fim, é totalmente voluntário e, portanto, é o que mais propriamente constitui a matéria do voto. E isto é dito ser um bem maior em comparação com o que é universalmente necessário para a salvação. Portanto, propriamente falando, diz-se que o voto é acerca de um bem melhor. Resposta à Objeção 1: Renunciar às pompas do demônio e guardar a fé de Cristo são a matéria dos votos batismais, enquanto essas coisas são feitas voluntariamente, ainda que sejam necessárias para a salvação. A mesma resposta se aplica ao voto de Jacó: embora também se possa explicar que Jacó prometeu que teria o Senhor por seu Deus, prestando-Lhe um culto particular ao qual não estava obrigado, por exemplo, oferecendo dízimos e assim por diante, como se menciona adiante na mesma passagem. Resposta à Objeção 2: Certas coisas são boas, qualquer que seja o seu resultado; tais são os atos de virtude, e estas podem, absolutamente falando, ser matéria de voto: algumas são más, qualquer que seja o seu resultado; como aquelas coisas que são pecados em si mesmas, e estas de modo algum podem ser matéria de voto: enquanto algumas, consideradas em si mesmas, são boas, e como tais podem ser matéria de voto, contudo podem ter um resultado mau, e neste caso o voto não deve ser cumprido. Assim foi com o voto de Jefté, que, conforme narrado em Jz 11,30-31, "fez um voto ao Senhor, dizendo: Se entregares os filhos de Amon nas minhas mãos, quem quer que primeiro sair das portas da minha casa e me vier ao encontro quando eu voltar em paz… esse oferecerei em holocausto ao Senhor." Pois isto poderia ter um resultado mau se, como de fato aconteceu, viesse a ser encontrado por algum animal que fosse ilícito sacrificar, como um asno ou um ser humano. Por isso Jerônimo diz [*Implicitamente 1 Contra Joviniano: Comentário sobre Miqueias vi, viii: Comentário sobre Jeremias vii. A citação é de Pedro Comestor, Hist. Scholast.]: "Ao fazer o voto foi insensato, por falta de discrição, e ao cumprir o voto foi ímpio." No entanto, está dito antes (Jz 11,29) que "o Espírito do Senhor veio sobre ele", porque a sua fé e devoção, que o moveram a fazer aquele voto, eram do Espírito Santo; e por esta razão é contado entre os santos, bem como pela vitória que obteve, e porque é provável que se tenha arrependido do seu ato pecaminoso, que, não obstante, prefigurou algo de bom. Resposta à Objeção 3: A mortificação do próprio corpo, por exemplo pelas vigílias e jejuns, não é aceitável a Deus senão enquanto é ato de virtude; e isso depende de ser feita com a devida discrição, a saber, que a concupiscência seja refreada sem sobrecarregar a natureza. Sob esta condição, tais coisas podem ser matéria de voto. Por isso o Apóstolo, depois de dizer (Rm 12,1): "Apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus", acrescenta: "vosso culto racional." Contudo, visto que o homem facilmente se engana ao julgar as coisas que lhe dizem respeito, tais votos são mais convenientemente cumpridos ou omitidos segundo o juízo de um superior, mas de tal modo que, se alguém perceber que sem dúvida é gravemente sobrecarregado por cumprir tal voto, e não puder recorrer ao superior, não deve cumpri-lo. Quanto aos votos sobre coisas vãs e inúteis, devem ser ridicularizados em vez de cumpridos.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 2 - Whether a vow should always be about a better good? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

Objeção 1: Parece que não é conveniente fazer votos. Não é conveniente a ninguém privar-se do bem que Deus lhe deu. Ora, um dos maiores bens que Deus deu ao homem é a liberdade, da qual ele parece ser privado pela necessidade implicada no voto. Logo, parece inconveniente ao homem fazer votos. Objeção 2: Além disso, ninguém deve expor-se ao perigo. Mas quem faz um voto expõe-se ao perigo, pois aquilo que, antes de fazer o voto, podia omitir sem perigo, torna-se para ele fonte de perigo se não o cumprir depois de feito o voto. Donde diz Agostinho (Ep. cxxvii, a Armentário e Paulina): «Porquanto fizeste voto, ligaste-te a ti mesmo, já não podes fazer de outro modo. Se não fizeres o que prometeste, não serás como terias sido se não tivesses feito voto. Pois então terias sido menos grande, não menos bom; ao passo que agora, se faltares à fé com Deus (o que Deus não permita), és mais infeliz, assim como terias sido mais feliz se tivesses guardado o teu voto.» Logo, não é conveniente fazer votos. Objeção 3: Além disso, o Apóstolo diz (1 Cor. 4,16): «Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.» Mas não lemos que Cristo ou os Apóstolos tenham feito algum voto. Logo, parece inconveniente fazer votos. Em contrário, está escrito (Salmo 75,12): «Fazei votos e pagai ao Senhor vosso Deus.» Respondo que, como se disse acima (AA[1],2), o voto é uma promessa feita a Deus. Ora, faz-se uma promessa a um homem sob um aspecto, e a Deus sob outro. Porque prometemos algo a um homem para proveito dele; pois lhe é proveitoso que lhe prestemos serviço, e que desde logo lhe asseguremos o futuro cumprimento desse serviço; ao passo que fazemos promessas a Deus, não para proveito dEle, mas para o nosso próprio proveito. Donde diz Agostinho (Ep. cxxvii, a Armentário e Paulina): «Ele é um cobrador benigno e não necessitado, porque não se enriquece com os nossos pagamentos, mas enriquece nEle aqueles que Lhe pagam.» E assim como o que damos a Deus é útil não a Ele, mas a nós, porque «o que Lhe é dado é acrescentado ao doador», como diz Agostinho (Ep. cxxvii, a Armentário e Paulina), assim também a promessa pela qual votamos algo a Deus não conduz ao proveito dEle, nem Ele precisa ser assegurado por nós, mas conduz ao nosso proveito, na medida em que, pelo voto, fixamos imovelmente a nossa vontade naquilo que é conveniente fazer. Portanto, é conveniente fazer votos. Resposta à Objeção 1: Assim como a liberdade de alguém não é diminuída por não poder pecar, também a necessidade resultante de uma vontade firmemente fixada no bem não diminui a liberdade, como se vê em Deus e nos bem-aventurados. Tal é a necessidade implicada pelo voto, que tem certa semelhança com a confirmação dos bem-aventurados. Donde diz Agostinho (Ep. cxxvii, a Armentário e Paulina) que «feliz é a necessidade que nos compele a fazer coisas melhores.» Resposta à Objeção 2: Quando o perigo surge da própria ação, esta ação não é conveniente, por exemplo, atravessar um rio por uma ponte vacilante; mas se o perigo surge por falha do homem na ação, esta não deixa de ser conveniente: assim, é conveniente montar a cavalo, ainda que haja perigo de queda do cavalo; do contrário, seria necessário abster-se de todas as coisas boas que possam tornar-se perigosas acidentalmente. Por isso está escrito (Eclesiastes 11,4): «Quem observa o vento não semeará, e o que considera as nuvens nunca ceifará.» Ora, o homem incorre em perigo, não pelo voto em si, mas por sua culpa, quando muda de intenção quebrando o voto. Donde diz Agostinho (Ep. cxxvii, a Armentário e Paulina): «Não te arrependas do teu voto: antes te alegres por já não poderes fazer o que legitimamente poderias ter feito em teu prejuízo.» Resposta à Objeção 3: Não convinha a Cristo, por sua própria natureza, fazer um voto, tanto porque era Deus, como porque, enquanto homem, a sua vontade estava firmemente fixada no bem, pois era «compreensor». Por uma certa semelhança, contudo, é representado dizendo (Salmo 21,26): «Pagarei meus votos na presença dos que o temem», quando fala de seu corpo, que é a Igreja. Os Apóstolos são tidos como tendo votado coisas pertencentes ao estado de perfeição quando «deixaram todas as coisas e seguiram a Cristo».

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 4 - Whether it is expedient to take vows? · séc. XIII

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que é mais louvável e meritório fazer uma coisa sem voto do que em cumprimento de voto. Diz Próspero (*Da Vida Contemplativa*, II): «Devemos abster-nos ou jejuar sem nos pôr sob a necessidade de jejuar, para que aquilo que somos livres de fazer não se faça sem devoção e de má vontade». Ora, quem faz voto de jejuar põe-se sob a necessidade de jejuar. Logo, seria melhor para ele jejuar sem fazer o voto. **Objeção 2:** Além disso, diz o Apóstolo (2 Cor 9,7): «Cada um dê como tem determinado em seu coração, não com tristeza, nem por necessidade; porque Deus ama ao dador alegre». Ora, alguns cumprem com tristeza aquilo que prometeram por voto; e isto parece dever-se à necessidade resultante do voto, pois a necessidade é causa de tristeza, segundo a *Metafísica* V [Ed. Did. IV,5]. Logo, é melhor fazer alguma coisa sem voto do que em cumprimento de voto. **Objeção 3:** Além disso, o voto é necessário para fixar a vontade naquilo que é votado, como se disse acima (A.4). Mas a vontade não pode estar mais fixa numa coisa do que quando realmente a faz. Portanto, não é melhor fazer uma coisa em cumprimento de voto do que sem voto. **Em contrário,** uma glosa às palavras do Sl 75,12: «Fazei votos e pagai», diz: «Os votos são aconselhados à vontade». Ora, o conselho diz respeito unicamente ao bem melhor. Logo, é melhor fazer uma obra em cumprimento de voto do que sem voto; pois quem a faz sem voto cumpre apenas um conselho, a saber, o conselho de fazê-lo, ao passo que quem a faz com voto cumpre dois conselhos, a saber, o conselho de fazer o voto e o conselho de fazê-lo. **Respondo que,** por três razões, é melhor e mais meritório fazer um mesmo ato com voto do que sem ele. Primeiro, porque fazer voto, como se disse acima (A.5), é um ato de religião, que é a principal das virtudes morais. Ora, quanto mais excelente é a virtude, tanto melhor e mais meritório é o ato. Por onde, o ato de uma virtude inferior é tanto melhor e mais meritório quanto for mandado por uma virtude superior, cujo ato se torna por ser por ela mandado, assim como o ato de fé ou de esperança é melhor se for mandado pela caridade. Portanto, as obras das outras virtudes morais (por exemplo, o jejum, que é ato de abstinência, e a continência, que é ato de castidade) são melhores e mais meritórias se forem feitas em cumprimento de voto, pois assim pertencem ao culto divino, sendo como sacrifícios a Deus. Por isso diz Agostinho (*Da Virgindade*, VIII) que «nem mesmo a virgindade é honrosa por si mesma, mas somente quando é consagrada a Deus e guardada pela piedosa continência». Segundo, porque quem faz voto de alguma coisa e a cumpre sujeita-se mais a Deus do que quem apenas a faz; pois sujeita-se a Deus não só quanto ao ato, mas também quanto ao poder, visto que no futuro não pode fazer outra coisa. Assim também dá mais quem dá a árvore com o seu fruto do que quem dá apenas o fruto, como observa Anselmo (Eadmero, *Das Semelhanças*, VIII). Por esta razão, agradecemos mesmo àqueles que prometem, como se disse acima (A.5, ad 2). Terceiro, porque o voto fixa imovelmente a vontade no bem; e fazer alguma coisa com a vontade fixa no bem pertence à perfeição da virtude, segundo o Filósofo (*Ética* II,4), assim como pecar com mente obstinada agrava o pecado e se chama pecado contra o Espírito Santo, como se disse acima (Q.14, A.2). **Resposta à Objeção 1:** A passagem citada deve ser entendida como referindo-se à necessidade de coação, que torna o ato involuntário e exclui a devoção. Por isso diz expressamente: «Para que aquilo que somos livres de fazer não se faça sem devoção e de má vontade». Ao passo que a necessidade resultante do voto é causada pela imobilidade da vontade; portanto, fortalece a vontade e aumenta a devoção. Logo, o argumento não conclui. **Resposta à Objeção 2:** Segundo o Filósofo, a necessidade de coação, enquanto é oposta à vontade, causa tristeza. Mas a necessidade resultante do voto, naqueles que estão bem dispostos, enquanto fortalece a vontade, causa não tristeza, mas alegria. Por isso diz Agostinho (*Carta a Armênio e Paulino*, CCLXXXII): «Não te arrependas do teu voto; antes deves alegrar-te por já não poderes fazer o que licitamente poderias ter feito em teu prejuízo». Se, porém, o próprio ato, considerado em si mesmo, se tornasse desagradável e involuntário depois de feito o voto, permanecendo contudo a vontade de cumpri-lo, ainda assim é mais meritório do que se fosse feito sem o voto, porque o cumprimento do voto é ato de religião, que é virtude maior do que a abstinência, da qual o jejum é ato. **Resposta à Objeção 3:** Quem faz alguma coisa sem ter feito voto tem vontade imóvel quanto ao ato particular que faz e no momento em que o faz; mas a sua vontade não permanece totalmente fixa para o tempo futuro, como a vontade de quem faz voto; pois este ligou a sua vontade a fazer alguma coisa, tanto antes de praticar aquele ato particular, como talvez a fazê-lo muitas vezes.

Summa Theologiae — Second Part of the Second Part · Article. 6 - Whether it is more praiseworthy and meritorious to do something in fulfilment of a vow, than without a vow? · séc. XIII

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