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Sl 79, 17

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Matos Soares

17Os que a incendiaram e talaram pereçam ante a ameaça do teu rosto

Matos Soares · domínio público

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Santo Tomás de Aquino

Excertos de Tomás de Aquino, Suma Teológica — Primeira Parte da Segunda Parte, sobre o Artigo 3 - Se os pecados diferem especificamente em referência às suas causas. Objeção 1: Parece que os pecados diferem especificamente em referência às suas causas. Pois uma coisa recebe a sua espécie daquilo de onde deriva o seu ser. Ora, os pecados derivam o seu ser das suas causas. Logo, recebem também delas a sua espécie. Portanto, diferem especificamente em referência às suas causas. Objeção 2: Ademais, de todas as causas, a causa material parece ter a menor referência à espécie. Ora, o objeto no pecado é como a sua causa material. Visto que, portanto, os pecados diferem especificamente segundo os seus objetos, parece que muito mais diferem em referência às suas outras causas. Objeção 3: Ademais, Agostinho, comentando o Sl 79,17: "Coisas incendiadas e desarraigadas", diz que "todo pecado procede ou do medo que induz à falsa humildade, ou do amor que nos acende em ardor indevido." Pois está escrito (1 Jo 2,16) que "tudo o que há no mundo é a concupiscência da carne, ou [Vulg.: 'e'] a concupiscência dos olhos, ou [Vulg.: 'e'] a soberba da vida." Ora, uma coisa é dita estar no mundo por causa do pecado, na medida em que o mundo denota os amantes do mundo, como observa Agostinho (Tract. ii in Joan.). Gregório também (Moral. xxxi, 17) distingue todos os pecados segundo os sete vícios capitais. Ora, todas estas divisões se referem às causas dos pecados. Portanto, ao que parece, os pecados diferem especificamente segundo a diversidade das suas causas. Ao contrário, Se assim fosse, todos os pecados pertenceriam a uma só espécie, visto que procedem de uma única causa. Pois está escrito (Eclo 10,15) que "a soberba é o princípio de todo pecado", e (1 Tm 6,10) que "a cobiça do dinheiro é a raiz de todos os males." Ora, é evidente que há várias espécies de pecados. Logo, os pecados não diferem especificamente segundo as suas diferentes causas. Respondo que, Sendo quatro os gêneros de causas, elas são atribuídas a diversas coisas de maneiras diversas. Porque a causa "formal" e a "material" dizem respeito propriamente à substância de uma coisa; e consequentemente as substâncias diferem quanto à sua matéria e forma, tanto em espécie como em gênero. A causa "agente" e o "fim" dizem respeito diretamente ao movimento e à operação: por isso movimentos e operações diferem especificamente em relação a estas causas; de maneiras diferentes, contudo, porque os princípios ativos naturais são sempre determinados aos mesmos atos; de modo que as diferentes espécies de atos naturais são tomadas não só dos objetos, que são os fins ou termos desses atos, mas também dos seus princípios ativos: assim, aquecer e resfriar são especificamente distintos com referência ao quente e ao frio. Por outro lado, os princípios ativos nos atos voluntários, como os atos dos pecados, não são determinados, por necessidade, a um único ato, e consequentemente de um único princípio ativo ou motor podem proceder diversas espécies de pecados: assim, do medo que gera falsa humildade o homem pode proceder ao furto, ou ao homicídio, ou a negligenciar o rebanho a ele confiado; e estas mesmas coisas podem proceder do amor que acende em ardor indevido. Portanto, é evidente que os pecados não diferem especificamente segundo os seus vários princípios ativos ou motores, mas apenas em relação à diversidade da causa final, que é o fim e objeto da vontade. Pois foi mostrado acima (Q[1], A[3]; Q[18], AA[4],6) que os atos humanos recebem a sua espécie do fim. Resposta à Objeção 1: Os princípios ativos nos atos voluntários, não sendo determinados a um único ato, não bastam para a produção dos atos humanos, a menos que a vontade seja determinada a um pela intenção do fim, como prova o Filósofo (Metaph. ix, text. 15,16), e consequentemente o pecado deriva tanto o seu ser como a sua espécie do fim. Resposta à Objeção 2: Os objetos, em relação aos atos externos, têm a natureza de matéria "cerca da qual"; mas, em relação ao ato interior da vontade, têm a natureza de fim; e é devido a isto que dão ao ato a sua espécie. No entanto, mesmo considerados como matéria "cerca da qual", têm a natureza de termo, do qual o movimento recebe a sua espécie (Phys. v, text. 4; Ethic. x, 4); contudo, mesmo os termos do movimento especificam os movimentos, na medida em que o termo tem a natureza de fim. Resposta à Objeção 3: Estas distinções dos pecados são dadas, não como espécies distintas de pecados, mas para mostrar as suas várias causas.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 3 - Whether sins differ specifically in reference to their causes? · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que o amor-próprio não é a origem de todo pecado. Porque aquilo que é bom e reto em si mesmo não é a causa própria do pecado. Ora, o amor de si mesmo é algo bom e reto em si; donde o preceito: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19,18). Logo, o amor-próprio não pode ser a causa própria do pecado. **Objeção 2:** Além disso, o Apóstolo diz (Rm 7,8): «O pecado, tomando ocasião do mandamento, obrou em mim toda a concupiscência»; e sobre estas palavras uma glosa afirma que «a lei é boa, pois ao proibir a concupiscência, proíbe todos os males», cuja razão é que a concupiscência é a causa de todo pecado. Ora, a concupiscência é uma paixão distinta do amor, como foi dito acima (Q. 3, a. 2; Q. 23, a. 4). Logo, o amor-próprio não é a causa de todo pecado. **Objeção 3:** Ademais, Agostinho, comentando o Sl 79,17: «As coisas postas no fogo e cavadas», diz que «todo pecado provém ou do amor que nos incita a uma ardência desordenada, ou do temor que induz a uma falsa humildade». Portanto, o amor-próprio não é a única causa do pecado. **Objeção 4:** Outrossim, assim como o homem peca por vezes pelo amor desordenado de si mesmo, assim também peca algumas vezes pelo amor desordenado do próximo. Logo, o amor-próprio não é a causa de todo pecado. **Em sentido contrário,** Agostinho diz (A Cidade de Deus XIV, 28): «O amor-próprio até o desprezo de Deus edifica a cidade da Babilônia». Ora, todo pecado faz do homem um cidadão da Babilônia. Logo, o amor-próprio é a causa de todo pecado. **Respondo que,** como foi dito acima (Q. 75, a. 1), a causa própria e direta do pecado deve ser considerada do lado da adesão a um bem mutável; e, sob este aspecto, todo ato pecaminoso procede do desejo desordenado de algum bem temporal. Ora, o fato de alguém desejar desordenadamente um bem temporal deve-se a amar-se desordenadamente a si mesmo; pois desejar algum bem a alguém é amá-lo. Portanto, é evidente que o amor desordenado de si mesmo é a causa de todo pecado. **Resposta à Objeção 1:** O amor-próprio bem ordenado, pelo qual o homem deseja para si um bem conveniente, é reto e natural; mas é o amor-próprio desordenado, que leva ao desprezo de Deus, que Agostinho (A Cidade de Deus XIV, 28) considera a causa do pecado. **Resposta à Objeção 2:** A concupiscência, pela qual o homem deseja o bem para si, reduz-se ao amor-próprio como à sua causa, como foi dito. **Resposta à Objeção 3:** Diz-se que o homem ama tanto o bem que deseja para si como a si mesmo a quem o deseja. O amor, enquanto se refere ao objeto desejado (por exemplo, quando se diz que um homem ama o vinho ou o dinheiro), admite como sua causa o temor, que pertence à fuga do mal; pois todo pecado provém ou do desejo desordenado de algum bem, ou da fuga desordenada de algum mal. Ora, cada um destes se reduz ao amor-próprio, porque é por amar-se a si mesmo que o homem deseja os bens ou foge dos males. **Resposta à Objeção 4:** O amigo é como um outro eu (Ética IX); por isso, o pecado cometido por amor a um amigo parece ser cometido por amor-próprio.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 4 - Whether self-love is the source of every sin? · séc. XIII

tradução automática

Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que os pecados diferem especificamente por referência às suas causas. Porque a coisa recebe a sua espécie daquilo de que deriva o seu ser. Ora, os pecados derivam o seu ser das suas causas. Logo, recebem também delas a sua espécie. Portanto, diferem especificamente por referência às suas causas. **Objeção 2:** Além disso, de todas as causas, a causa material parece ter a menor referência à espécie. Ora, o objeto no pecado é como a sua causa material. Visto, pois, que os pecados diferem especificamente segundo os seus objetos, parece que diferem muito mais por referência às suas outras causas. **Objeção 3:** Ademais, Agostinho, comentando o Sl 79,17: "Foi queimada a fogo e desarraigada", diz que "todo pecado procede ou do temor, que induz a uma falsa humildade, ou do amor, que nos acende a um ardor indevido". Pois está escrito (1 Jo 2,16): "Tudo o que há no mundo é a concupiscência da carne, ou [Vulg.: 'e'] a concupiscência dos olhos, ou [Vulg.: 'e'] a soberba da vida". Ora, diz-se que uma coisa está no mundo por causa do pecado, enquanto o mundo designa os amantes do mundo, como observa Agostinho (Tract. ii in Joan.). Gregório também (Moral. xxxi, 17) distingue todos os pecados segundo os sete vícios capitais. Ora, todas estas divisões se referem às causas dos pecados. Logo, ao que parece, os pecados diferem especificamente segundo a diversidade das suas causas. **Em sentido contrário,** Se assim fosse, todos os pecados pertenceriam a uma só espécie, visto que procederiam de uma só causa. Pois está escrito (Eclo 10,15): "A soberba é o princípio de todo o pecado", e (1 Tm 6,10): "O desejo do dinheiro é a raiz de todos os males". Ora, é evidente que há várias espécies de pecados. Portanto, os pecados não diferem especificamente segundo as suas diferentes causas. **Respondo:** Sendo quatro os gêneros de causas, elas são atribuídas às diversas coisas de diversos modos. Porque a causa "formal" e a "material" dizem respeito propriamente à substância de uma coisa; e, por conseguinte, as substâncias diferem quanto à sua matéria e forma, tanto em espécie como em gênero. A causa "eficiente" e o "fim" dizem respeito diretamente ao movimento e à operação; donde, os movimentos e as operações diferem especificamente por referência a estas causas; porém de modos diferentes, porque os princípios ativos naturais são sempre determinados aos mesmos atos; de modo que as diferentes espécies de atos naturais se tomam não só dos objetos, que são os fins ou termos daqueles atos, mas também dos seus princípios ativos: assim, aquecer e esfriar são especificamente distintos por referência ao quente e ao frio. Por outro lado, os princípios ativos nos atos voluntários, como são os atos dos pecados, não são determinados, por necessidade, a um só ato; e, consequentemente, de um só princípio ativo ou motor podem proceder diversas espécies de pecados: assim, do temor que engendra uma falsa humildade, pode o homem proceder ao furto, ou ao homicídio, ou ao abandono do rebanho a ele confiado; e estas mesmas coisas podem proceder do amor que acende a um ardor indevido. Por isso é evidente que os pecados não diferem especificamente segundo os seus diversos princípios ativos ou motores, mas só por respeito à diversidade na causa final, que é o fim e o objeto da vontade. Porque já se mostrou acima (Q.1, A.3; Q.18, AA.4,6) que os atos humanos recebem a sua espécie do fim. **Resposta à Objeção 1:** Os princípios ativos nos atos voluntários, não sendo determinados a um só ato, não bastam para a produção dos atos humanos, a menos que a vontade seja determinada a um pela intenção do fim, como prova o Filósofo (Metaf. ix, text. 15,16); e, por conseguinte, o pecado recebe tanto o seu ser como a sua espécie do fim. **Resposta à Objeção 2:** Os objetos, em relação aos atos externos, têm a natureza de matéria "a respeito da qual"; mas, em relação ao ato interior da vontade, têm a natureza de fim; e é devido a isto que dão o ato a sua espécie. Todavia, mesmo considerados como matéria "a respeito da qual", têm a natureza de termo, do qual o movimento recebe a sua espécie (Fís. v, text. 4; Étic. x, 4); mas ainda os termos do movimento especificam os movimentos, enquanto o termo tem a natureza de fim. **Resposta à Objeção 3:** Estas distinções dos pecados são dadas, não como espécies distintas de pecados, mas para mostrar as suas várias causas.

Summa Theologiae — First Part · Article. 3 - Whether sins differ specifically in reference to their causes? · séc. XIII

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Santo Tomás de Aquino

**Objeção 1:** Parece que o amor-próprio não é a fonte de todo pecado. Porque aquilo que é bom e reto em si mesmo não é a causa própria do pecado. Ora, o amor de si mesmo é algo bom e reto em si mesmo; pelo que ao homem é mandado amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18). Logo, o amor-próprio não pode ser a causa própria do pecado. **Objeção 2:** Além disso, o Apóstolo diz (Rm 7,8): «O pecado, tomando ocasião do mandamento, obrou em mim toda a concupiscência»; sobre o que diz uma Glosa que «a lei é boa, porque, ao proibir a concupiscência, proíbe todos os males», cuja razão é que a concupiscência é a causa de todo pecado. Ora, a concupiscência é uma paixão distinta do amor, como foi dito acima (Q. 3, A. 2; Q. 23, A. 4). Logo, o amor-próprio não é a causa de todo pecado. **Objeção 3:** Ademais, Agostinho, comentando o Sl 79,17: «As coisas postas a fogo e derribadas», diz que «todo pecado se deve ou ao amor que nos excita a um ardor desordenado, ou ao temor que induz a uma falsa humildade». Logo, o amor-próprio não é a única causa do pecado. **Objeção 4:** Ademais, assim como o homem peca às vezes por amor desordenado de si mesmo, assim também peca às vezes por amor desordenado do próximo. Logo, o amor-próprio não é a causa de todo pecado. **Pelo contrário,** Agostinho diz (A Cidade de Deus XIV, 28) que «o amor-próprio, levando ao desprezo de Deus, edifica a cidade de Babilônia». Ora, todo pecado faz do homem um cidadão de Babilônia. Logo, o amor-próprio é a causa de todo pecado. **Respondo que,** como foi dito acima (Q. 75, A. 1), a causa própria e direta do pecado deve ser considerada do lado da adesão a um bem mutável; e, a esse respeito, todo ato pecaminoso procede do desejo desordenado de algum bem temporal. Ora, o fato de alguém desejar desordenadamente um bem temporal deve-se a que ama a si mesmo desordenadamente; pois querer algum bem a alguém é amá-lo. Portanto, é evidente que o amor desordenado de si mesmo é a causa de todo pecado. **Resposta à Objeção 1:** O amor-próprio bem ordenado, pelo qual o homem deseja para si um bem conveniente, é reto e natural; mas é o amor-próprio desordenado, que leva ao desprezo de Deus, que Agostinho (A Cidade de Deus XIV, 28) considera a causa do pecado. **Resposta à Objeção 2:** A concupiscência, pela qual o homem deseja o bem para si, reduz-se ao amor-próprio como à sua causa, como foi dito. **Resposta à Objeção 3:** Diz-se que o homem ama tanto o bem que deseja para si como a si mesmo a quem o deseja. O amor, enquanto se dirige ao objeto desejado (por exemplo, diz-se que um homem ama o vinho ou o dinheiro), admite como sua causa o temor, que pertence à fuga do mal; pois todo pecado nasce ou do desejo desordenado de algum bem, ou da fuga desordenada de algum mal. Mas cada um destes se reduz ao amor-próprio, porque é por amar-se a si mesmo que o homem deseja os bens ou foge dos males. **Resposta à Objeção 4:** O amigo é como um outro eu (Ética IX); pelo que o pecado cometido por amor a um amigo parece ser cometido por amor-próprio.

Summa Theologiae — First Part · Article. 4 - Whether self-love is the source of every sin? · séc. XIII

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