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Sl 83, 12

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Matos Soares

12Porque sol e escudo é o Senhor Deus: graça e glória dá o Senhor, não nega bens aos que andam na inocência.

Matos Soares · domínio público

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Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que o homem pode ser feito bem-aventurado pela ação de alguma criatura superior, a saber, um anjo. Pois, observando uma dupla ordem nas coisas — uma, das partes do universo entre si; a outra, de todo o universo para um bem que está fora do universo —, a primeira ordem é ordenada à segunda como ao seu fim (Metaf. xii, 10). Assim, a ordem mútua das partes de um exército depende da ordem de todo o exército para o general. Ora, a ordem mútua das partes do universo consiste em as criaturas superiores atuarem sobre as inferiores, como se afirma na Primeira Parte, Q. 109, A. 2; ao passo que a bem-aventurança consiste na ordem do homem para um bem que está fora do universo, i.e., Deus. Logo, o homem é feito bem-aventurado por meio de uma criatura superior, a saber, um anjo, que atua sobre ele. **Objeção 2:** Ademais, aquilo que é potencial pode ser reduzido a ato por aquilo que é atualmente tal; assim, o que é potencialmente quente torna-se atualmente quente por algo que é atualmente quente. Ora, o homem é potencialmente bem-aventurado. Logo, pode ser feito atualmente bem-aventurado por um anjo que é atualmente bem-aventurado. **Objeção 3:** Ademais, a bem-aventurança consiste numa operação do intelecto, como se disse acima (Q. 3, A. 4). Ora, um anjo pode iluminar o intelecto do homem, como se mostra na Primeira Parte, Q. 111, A. 1. Logo, um anjo pode fazer um homem bem-aventurado. **Em contrário,** está escrito (Sl 83, 12): "O Senhor dará graça e glória." **Respondo:** Visto que toda criatura está sujeita às leis da natureza, pelo próprio fato de que seu poder e ação são limitados, aquilo que supera a natureza criada não pode ser feito pelo poder de nenhuma criatura. Consequentemente, se algo precisa ser feito que esteja acima da natureza, é feito imediatamente por Deus; tais como ressuscitar os mortos, restituir a vista aos cegos e coisas semelhantes. Ora, mostrou-se acima (A. 5) que a bem-aventurança é um bem que supera a natureza criada. Portanto, é impossível que ela seja concedida pela ação de alguma criatura; mas só por Deus é o homem feito bem-aventurado, se falamos da bem-aventurança perfeita. Se, porém, falamos da bem-aventurança imperfeita, o mesmo se deve dizer dela como da virtude em cujo ato ela consiste. **Resposta à Objeção 1:** Acontece frequentemente, no caso de potências ativas ordenadas entre si, que pertence à potência mais alta alcançar o fim último, enquanto as potências inferiores contribuem para a consecução desse fim último, causando uma disposição para ele; assim, à arte da navegação, que comanda a arte da construção naval, pertence usar o navio para o fim para o qual foi feito. Assim também, na ordem do universo, o homem é certamente ajudado pelos anjos na consecução de seu fim último, quanto a certas disposições preliminares para ele; ao passo que ele alcança o próprio fim último mediante o Primeiro Agente, que é Deus. **Resposta à Objeção 2:** Quando uma forma existe perfeita e naturalmente em algo, pode ser princípio de ação sobre outra coisa; por exemplo, uma coisa quente aquece pelo calor. Mas se uma forma existe imperfeitamente em algo, e não naturalmente, não pode ser princípio pelo qual seja comunicada a outra coisa; assim, a "intenção" da cor que está na pupila não pode tornar algo branco; nem pode todo iluminado ou aquecido dar calor ou luz a outra coisa; pois, se pudessem, a iluminação e o aquecimento iriam ao infinito. Ora, a luz da glória, pela qual Deus é visto, está em Deus perfeita e naturalmente; ao passo que em qualquer criatura está imperfeitamente e por semelhança ou participação. Consequentemente, nenhuma criatura pode comunicar sua bem-aventurança a outra. **Resposta à Objeção 3:** Um anjo bem-aventurado ilumina o intelecto de um homem ou de um anjo inferior quanto a certas noções das obras divinas; mas não quanto à visão da Essência Divina, como se afirmou na Primeira Parte, Q. 106, A. 1; pois, para ver esta, todos são imediatamente iluminados por Deus.

Summa Theologiae — First Part of the Second Part · Article. 6 - Whether man attains happiness through the action of some higher creature? · séc. XIII

tradução automática

Santo Thomas Aquinas

**Objeção 1:** Parece que na alma assumida pelo Verbo não houve graça habitual. Porque a graça é uma certa participação da Divindade pela criatura racional, conforme 2 Ped. 1,4: “Por Ele nos deu grandes e preciosas promessas, para que por elas vos torneis participantes da Natureza Divina.” Ora, Cristo é Deus não por participação, mas em verdade. Logo, não houve n’Ele graça habitual. **Objeção 2:** Ademais, a graça é necessária ao homem para que opere bem, conforme 1 Cor. 15,10: “Trabalhei mais abundantemente que todos eles; porém não eu, mas a graça de Deus comigo”; e para que alcance a vida eterna, conforme Rom. 6,23: “A graça de Deus (é) a vida eterna.” Ora, a herança da vida eterna era devida a Cristo pelo simples fato de ser Ele o Filho natural de Deus; e pelo fato de ser o Verbo, por Quem todas as coisas foram feitas, tinha o poder de obrar bem todas as coisas. Logo, sua natureza humana não necessitava de graça alguma além da união com o Verbo. **Objeção 3:** Ademais, o que opera como instrumento não necessita de um hábito para suas próprias operações, pois os hábitos radicam no agente principal. Ora, a natureza humana em Cristo era “como instrumento da Divindade”, como diz Damasceno (De Fide Orth. iii, 15). Logo, não houve necessidade de graça habitual em Cristo. **Em contrário,** está escrito (Is. 11,2): “Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor” — o qual (Espírito), de fato, diz-se estar no homem pela graça habitual, como foi dito acima (I, q. 8, a. 3; I, q. 43, aa. 3,6). Portanto, houve graça habitual em Cristo. **Respondo que** é necessário supor graça habitual em Cristo por três razões. Primeiro, por causa da união de sua alma com o Verbo de Deus. Pois quanto mais próximo está um recipiente de uma causa influente, tanto mais participa de sua influência. Ora, o influxo da graça vem de Deus, conforme Sl. 83,12: “O Senhor dará graça e glória.” E, por isso, era mui conveniente que sua alma recebesse o influxo da graça divina. Segundo, por causa da dignidade desta alma, cujas operações haviam de atingir tão intimamente a Deus pelo conhecimento e amor, para o que é necessário que a natureza humana seja elevada pela graça. Terceiro, por causa da relação de Cristo com o gênero humano. Pois Cristo, como homem, é o “Mediador de Deus e dos homens”, como está escrito, 1 Tim. 2,5; e, por isso, convinha que tivesse graça que transbordasse sobre os outros, conforme Jo. 1,16: “E de sua plenitude todos nós recebemos, e graça por graça.” **Resposta à objeção 1:** Cristo é verdadeiro Deus na Pessoa e Natureza divinas. Contudo, porque, junto com a unidade de pessoa, permanece a distinção das naturezas, como foi dito acima (Q. 2, aa. 1,2), a alma de Cristo não é essencialmente divina. Donde convém que seja divina por participação, o que se dá pela graça. **Resposta à objeção 2:** A Cristo, enquanto é Filho natural de Deus, é devida uma herança eterna, que é a beatitude incriada mediante o ato incriado de conhecimento e amor de Deus, i.e., o mesmo pelo qual o Pai conhece e ama a Si mesmo. Ora, a alma não era capaz deste ato, por causa da diferença das naturezas. Donde convinha que ela atingisse a Deus por um ato criado de fruição, o que não poderia ser sem graça. Do mesmo modo, enquanto era o Verbo de Deus, tinha o poder de obrar bem todas as coisas pela operação divina. E porque é necessário admitir uma operação humana, distinta da operação divina, como se mostrará (Q. 19, a. 1), foi-lhe necessária a graça habitual, pela qual esta operação fosse n’Ele perfeita. **Resposta à objeção 3:** A humanidade de Cristo é instrumento da Divindade — não, na verdade, um instrumento inanimado, que de nenhum modo age, mas é meramente agido; mas um instrumento animado por alma racional, que é tão agido que também age. E, por isso, a natureza da ação exigia que tivesse graça habitual.

Summa Theologiae — Third Part (Christology & Sacraments) · Article. 1 - Whether in the Soul of Christ there was any habitual grace? · séc. XIII

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Sl 83, 12 nos Padres da Igreja | Aurea